Crónica #15 – Sporting 0-1 Chelsea

O super poderoso Chelsea cumpriu a sua obrigação (enquanto principal favorito ao primeiro lugar do grupo e candidato à vitória na Champions) de vir vencer a Alvalade o Sporting. Se por um lado, pelas oportunidades de golo flagrantes que tiveram ao longo dos 90 minutos, os Blues mereceram a vitória e até justificaram vencer de forma mais expressiva, não é menos verdade que pelo futebol praticado no 2º tempo e por lances onde a equipa leonina poderia ter marcado, o Sporting também fez pela vida e lutou para merecer o empate.

Homem do jogo foi claramente Rui Patrício. No lance do único golo da partida, o difícil cabeceamento ao 2º poste de Matic foi indefensável para o guarda-redes português. Contudo, Patrício podia ter feito mais na abordagem ao cruzamento. Como hesitou permitiu que a bola chegasse em boas condições ao sérvio. A culpa do golo sofrido não deve de maneira alguma ser imputada nem ao guarda-redes nem a Jonathan Silva, o jogador do Sporting encarregue de vigiar Matic e proteger o 2º poste mas sim ao desleixo cometido por Marco Silva na preparação das bolas paradas defensivas: sendo Matic um dos melhores cabeceadores deste Chelsea, nunca poderá aparecer praticamente sozinho ao 2º poste ou sem um marcador capaz de ombrear no jogo aéreo com o médio defensivo do Chelsea.

Devido ao normal nervosismo derivado do facto de estar a jogar contra uma das grandes equipas europeias, o Sporting deu 45 minutos ao Chelsea para colocar no relvado de Alvalade a sua mais poderosa arma: as rápidas transições para o ataque e os fortíssimos lançamentos para as costas da defesa, onde Diego Costa (sempre muito bem municiado por Óscar e Hazard) ou Andre Schurrle se sentiram como peixes na água. Aproveitando situações de perda de bola do meio-campo do Sporting, os jogadores do ataque do Chelsea foram objectivos a lançar estes dois jogadores nas costas dos defensores leoninos. Marco Silva voltou a pedir à sua defesa que subisse rápido no terreno para deixar os avançados contrários em fora-de-jogo, mas, em algumas situações estes não foram rápidos a fazê-lo permitindo que Diego Costa aparecesse a receber a bola (ora através de passes a rasgar por parte de Óscar, ora através de passes a rasgar de Eden Hazard com o brasileiro a executar as suas famosas e eficazes diagonais) e o alemão a aproveitar da melhor forma o espaço em vazio que Jonathan Silva deixava no flanco fruto das suas agressivas subidas no terreno, que, teimosamente não voltaram a ser cobertas por um dos médios interiores como de resto já tinha acontecido na 2ª parte do jogo contra o Porto. Quando Jonathan Silva sobe em demasia no terreno e não consegue recuperar, o espaço é quase sempre fechado por Naby Sarr que, ao fazê-lo descompensa a área, deixando quase sempre Maurício para 2.

No ataque, o problema começou em William. No primeiro tempo, o jogador não só não conseguiu cobrir os espaços que habitualmente controla como não recuperou bolas e exibiu-se a um péssimo nível no capítulo do passe e da contenção de bola quando a equipa necessitava que, em vez de tresloucadamente passar a bola para o primeiro colega que visse, guardasse mais a bola e deixasse a equipa recompor-se posicionalmente de forma a conseguir construir uma jogada com nexo. Nas alas, Felipe Luis e Branislav Ivanovic estiveram exímios na marcação a Carrillo e a Nani através de uma pressão instantânea sempre que estes dois recebiam a bola e na própria abordagem defensiva. O português não levou a melhor sobre o sérvio em nenhum drible contra ele intentado no primeiro tempo e o peruano nunca conseguiu receber e virar-se para a baliza contrária, optando quase sempre por devolver a bola ao passador ou encaminhá-la para Adrien ou João Mário. Só no segundo tempo, já com o Chelsea a gerir a vantagem com um recuo de linhas defensivas promovido por José Mourinho e com uma estratégia clara de, recuar, defender bem e sair rapidamente no contragolpe através de lançamentos longos, é que vimos Carrillo e Nani mostrar a sua expansividade no drible. O peruano fez três arrancadas loucas que suspiraram bruás de Alvalade, tendo sido uma delas travada inextremis por Gary Cahill à entrada da área inglesa e o português, tirou do sério Felipe Luis pela ala esquerda, obrigando o brasileiro a cometer duas faltas que a meu ver seriam motivo para a sua expulsão por acumulação de amarelos: a primeira quando o árbitro não assinalou um empurrão ostentivo à entrada da área e a segunda no lance junto à linha no qual o antigo jogador do Atlético de Madrid recebeu o seu único amarelo da partida depois de ceifar sem piedade o jogador português.

O próprio Jonathan Silva mostrou muita garra nas duas situações em que conseguiu recuperar a bola no seu flanco e correu desalmadamente com ela em slaloms por entre adversários. O argentino revela-se cada vez mais como um jogador raçudo que, apesar de apresentar algum défice a defender, compensa no plano ofensivo. Para além de ser destemido, vertical e objectivo na subida com bola pelo flanco, é um jogador que tem um excelente cruzamento para a área, factor que pode ser importante dado o poder de fogo de Slimani no jogo aéreo.

Com Adrien a acelerar muito bem a meio-campo e muito assertivo no capítulo do passe e João Mário, ao lado, a dar muita luta no meio-campo, critério e organização no pensamento dos ataques leoninos, faltou ao Sporting novamente créditos na altura de finalizar. Slimani teve uma bola na sua cabeça passível de golo. Nani baqueou na área num lance em que ficou na cara de Courtois, Freddy Montero esteve perto do golo quando ao primeiro poste (solto de marcação) atirou ao lado e Nani, poderia ter chegado ao golo do empate naquele lance típico que tem evidenciado desde que chegou a Portugal no qual recebe na direita, puxa a bola para o meio e remata com pompa com o pé esquerdo. Assim como, do outro lado, aproveitando os erros de Naby Sarr no posicionamento, Oscar e Diego Costa poderiam ter sido mais eficazes na cara de Rui Patrício.

Uma luta particular nesta partida foi a luta travada entre Eden Hazard e Adrien. Na primeira parte, o lateral deixou o criativo do Chelsea à solta. Das suas acções individuais resultaram duas bolas importantíssimas: uma que Schurrle falhou na cara de Patrício depois de o tentar contornar e outra nos pés de Diego Costa. Na segunda parte, o lateral formado em Alvalade cerrou os dentes e como se diz na gíria “pegou o touro pelos cornos” – Hazard não teve tantas veleidades para meter o seu fortíssimo drible curto e para flectir para o meio da ala esquerda, movimento onde causa muito perigo com os seus milimétricos passes a rasgar.

Uma exibição de alto nível foi a que Nemanja Matic realizou em Alvalade. Com Mourinho, o sérvio cresceu ainda muito mais. Se com Jesus foi requalificado como um médio defensivo de excelência, sempre presente na cobertura de espaços no miolo e começou a conseguir sair a jogar com toda a pompa e circunstância, rompendo as primeiras linhas de pressão com bola sempre que nenhum colega lhe oferecesse uma linha de passe segura, com Mourinho, o sérvio já funciona quase como um box-to-box, fazendo tudo o que aprendeu com Jesus e acrescentando uma capacidade até aqui desconhecida, a capacidade de imiscuir-se no último terço do terreno com o esférico na sua posse a alta velocidade, capaz, também ele de poder construir situações de finalização para os seus companheiros em situações de manifesta falta de mobilidade dos seus companheiros para criar as tais linhas de passe.

Maurício fez dois cortes providenciais a Diego Costa em acções do hispano-brasileiro e saiu graças a uma atitude muito inteligente: sabendo que dali poderia ter surgido o 2-0 (matava o jogo) para o Chelsea, sendo o último defensor do Sporting cometeu uma falta inteligente ao ceifar o jogador do Chelsea. A eventual expulsão do brasileiro nesse lance é discutível. A regra para estes casos é a seguinte: se corta um lance iminente de golo, o árbitro tem que expulsar. Se não corta um lance iminente de golo, o árbitro deve mostrar apenas o cartão amarelo. Como era o último defensor, o vermelho directo aceitava-se. Mas como Cedric ainda estava no enfiamento da jogada (as imagens do lance mostram o lateral num acto preventivo a correr para o lado onde Diego Costa tinha adiantado a bola caso Maurício fosse ultrapassado para o brasileiro) e o lance faltoso foi cometido muito longe da baliza, também se aceita o amarelo. Qualquer acção disciplinar neste lance depende da interpretação do árbitro da partida.

Ao nível da arbitragem, o árbitro espanhol Mateu Lahoz mostrou alguma dualidade de critérios nos amarelos exibidos às duas equipas, esteve muito mal quando decidiu “não ver” o empurrão de Felipe Luis a Nani (se esta primeira falta é assinalada, o brasileiro recebe aqui o primeiro amarelo, sendo expulso na 2ª falta sobre Nani), existiu outro lance onde fiquei com dúvidas: num lance em que Carrillo tenta passar por Cesc Fabrègas dentro da área. O médio inglês não joga a bola e ceifa o extremo peruano.

Nota final para o regresso a Alvalade de José Mourinho – o técnico português bem ao seu estilo, recheou os 90 minutos de muito showoff. Ora a falar com os bombeiros aquando do golo do Chelsea, ora no final quando deixou Marco Silva de mão estendida para ir cumprimentar Rui Patrício. Ao seu estilo!

O poder de comunicação de José Mourinho

josé mourinho

1. Abrir a válvula de pressão – Mourinho é da opinião que já existe pressão suficiente no futebol para não ser necessário chamar a atenção dos outros sobre si mesmo. Uma das coisas que faz com a imprensa é deixá-los falar até decidir que deve dar nas vistas de modo a causar dano num jogador da sua equipa, em caso de fraca prestação, num jornalista ou num treinador adversário. Quando dá nas vistas, fá-lo com um único objectivo: reverter a opinião geral dos adeptos e derrubar um adversário. Por exemplo, quando o Chelsea conseguiu atingir um record de 77 jogos sem perder em Stamford Bridge para o campeonato nos dois períodos de vigência do treinador no clube, Mourinho foi várias vezes questionado sobre o assunto mas desvalorizou-o, não respondendo directamente às questões, de forma a poder não colocar pressão extra na sua equipa nos jogos em casa. Outro exemplo aconteceu recentemente no Chelsea quando num flash-interview disse que David Luiz tinha sido expulso na partida “porque queria uma folga para ir a Portugal ver o Benfica vs Porto” na semana seguinte. Com estas afirmações, o treinador censurou a falta de concentração do jogador no clube e as suas constantes visitas ao país em dias de folga.

2 – Enfrentar o mundo sozinho – Mourinho gosta de ser sozinho contra o mundo. As suas equipas tem que vencer todo o mundo. Um dos segredos de motivação de Mourinho junto dos seus planteis tem como base a ideia que todos odeiam a equipa e estão a torcer fervorosamente pela sua derrota. Mourinho provoca a sua própria controvérsia e alimenta-se dessa mesma controvérsia e da crítica que lhe é feita por terceiros (agentes, jornalistas, treinadores) para moralizar os jogadores contra quem proferiu a crítica. É um mestre neste campo.
Celebre por exemplo ficará aquela frase proferida no FC Porto em que o português “à 12ª jornada” prometeu o título com ou sem situações anormais provocadas pelas arbitragens.

3- A amizade criada com todos os jogadores – Até hoje não vimos um único jogador dizer mal de José Mourinho. Nem mesmo Raúl ou Guti, grandes símbolos do Real Madrid que foram automaticamente afastados da equipa nos primeiros dias de trabalho com José Mourinho. Alguns treinadores fazem questão de se diferenciarem dos jogadores. Alguns chegam inclusive a não falar com alguns nos primeiros dias e a delegar a responsabilidade de transmitir uma certa comunicação para o balneário por via do capitão, como fazia por exemplo Mancini no Manchester City. Mourinho não o faz. Se reparmos bem, quando foi para o Chelsea pela primeira vez, era pouco mais velho que alguns jogadores e, mesmo apesar de ter vencido a Champions com um clube de middle-level no ano anterior, nunca tinha jogado futebol como profissional. Esses dois factores poderiam ter retirado alguma autoridade do português junto do balneário dos Blues. Mourinho entrou em Stamford Bridge a oferecer a sua amizade a todos. Num estilo de liderança ousado, Mourinho ofereceu o seu apoio a todos os jogadores e os seus conselhos, quer futebolísticos, quer extra-futebolísticos.

Exemplo claro foi a reacção de Marco Materazzi à despedida do português do Inter de Milão. O central italiano tinha demonstrado até então ser completamente indomável ao controlo de todos os treinadores que o orientaram. Com Mourinho, disse simplesmente que tinha sido o melhor treinador por quem tinha sido treinado numa longa carreira de quase 20 anos.

4 – Criar um ambiente familiar – Junto da imprensa diverte-os com as piadas ou contenta jornalistas quando leva um vinho para as conferências de imprensa. No balneário, oferece a sua amizade e concentra toda a gente a lutar por um objectivo. Na comunicação que é feita por jogadores do plantel, Mourinho ensaia todos os jogadores a promoverem um discurso de acordo com o objectivo da equipa. Se um jogador revela um pormenor que não é devidamente transmitido por Mourinho ou uma opinião que sai fora do objectivo estabelecido pelo treinador, esse jogador poderá ver o treinador a censurá-lo publicamente por ter prestado aquelas declarações. Na maior parte das vezes, o jogador é castigado com o banco e mais tarde ou mais cedo pede desculpa ao treinador português. Noutros casos, como foram os de Casillas ou Ricardo Carvalho em Madrid, existe um corte de relações.

5 – Desenvolver um escudo – Mourinho é impermeável e insensível a tudo o que vão dizendo sobre as prestações da sua equipa. Não sabemos quais são os problemas que o fazem ter noites de insónia como todos os seres humanos normais, mas sabemos que em público, o treinador português é frio que nem uma rocha. Não lhe importa muito aquilo que lhe possam dizer sobre o seu estilo ou sobre o modelo de jogo da equipa, ele mantém-no até ao momento em que achar conveniente mantê-lo. O Chelsea foi criticado durante quase toda a época devido ao facto de não ter praticado um futebol esteticamente bonito. Muitos ousaram afirmar que com aquele futebol, Mourinho jamais poderia ousar aspirar à conquista de um título. O treinador português aliviou a pressão sobre a equipa quando afirmou que estava a construir uma equipa para ganhar tudo na época seguinte. A tal expressão do “cavalinho que se irá tornar em breve um cavalão de corrida” não era mais do que uma tentativa de aliviar a pressão sobre a equipa sem ter necessidade de modificar o quer que seja no futebol praticado por esta. Mas quando o Chelsea venceu em Anfield e, de certa maneira, tirou um título que parecia garantido ao Liverpool caso conseguisse empatar aquela partida, no final do jogo Mourinho não precisou de falar para que todos entendessem que tinha sido aquele modelo de jogo o único capaz de dar frutos naquela situação em particular.

Crónica #14 – Palermo 0-4 Lazio

No Renzo Barbera em Palermo, a equipa da casa recebeu a Lazio no jogo que tinha a missão de fechar a 5ª jornada da Série A. Duas equipas em apuros (ambas com 3 pontos conquistados em 4 jornadas) e dois treinadores em apuros, imensamente criticados na última semana e até com o lugar em risco (Giuseppe Iachini no Palermo; Stefano Piolo no banco da Lazio) tinham a obrigatoriedade de conquistar os 3 pontos na partida.

Com Bruno Pereirinha (Lazio) e João Silva no banco (ambos não iriam sair do banco) assisti a um jogo desenvolvido numa toada lenta (principalmente no primeiro tempo), demasiado disputado a meio-campo (muitas bolas perdidas pelos elementos das duas equipas neste sector do terreno) e acima de tudo, disputado sob uma falta de criatividade imensa de parte a parte. Apesar do Palermo ter merecido um golo na primeira parte, fruto de variadíssimas situações construídas pelo seu segundo avançado Paulo Dybala (um dos únicos jogadores em destaque na equipa do Palermo; é um avançado muito móvel que gosta de ir buscar jogo fora-da-área e utilizar a sua velocidade para criar desequilíbrios e situações de finalização para si ou para o avançado Andrea Belotti) que o próprio Dybala ou Andrea Belotti não conseguiram concretizar.

Do outro lado, a Lazio demonstrou pouca velocidade nas suas transições (exemplo claro foi a quantidade de bolas que o bósnio Sead Lulic perdeu por ter sido quase sempre demasiado lesto a soltar a bola para um companheiro) e uma apetência quase exclusiva para atacar pelo lado direito, flanco onde o lateral belga Luis Pedro Cavanda e o ala Antonio Candreva combinaram vastas vezes entre si ao longo dos 60 minutos em que o internacional italiano esteve em campo. Dele viria, contra a corrente do jogo, numa altura em que o Palermo construiu várias oportunidades de golo, o cruzamento para o primeiro golo da partida, precisamente, um dos 3 golos do avançado sérvio Filip Djordjevic na partida aos 44″.

Na segunda parte, Stefano Piolo optou por entregar a posse de bola aos homens de Iachini e por recuar as suas linhas. Com uma defesa profunda e muito pressionante a meio-campo de forma a impedir que Edgar Barreto pudesse organizar o jogo dos sicilianos de forma a furar as linhas baixas da equipa Romana, nos minutos finais, quando o Palermo já apostava tudo para chegar ao golo do empate, a Lazio aproveitou um considerável balanceamento ofensivo da equipa da casa para sair a alta velocidade para o meio-campo desta e conseguir obter mais 3 golos potr intermédio de Djordjevic aos 75 e 83 minutos e Marco Parolo aos 90. Pelo meio ficou uma grande penalidade por marcar por parte do árbitro da partida Marco Di Bello na área da Lazio.

O resultado final foi exageradíssimo mas, acima de tudo, foi penalizador para a falta de eficácia demonstrada pelo Palermo na 2ª parte. Stefano Pioli ganhou um novo balão de oxigénio com a vitória que fez ascender a Lazio ao 9º lugar com 6 pontos, os mesmos da Fiorentina que é 10ª da classificação. Conhecendo o presidente do Palermo como conheço (o excentrico Maurizio Zamparini), este não deverá demorar muitos dias até despedir Giuseppe Iachini. O Palermo continua na penúltima posição com 3 pontos, os mesmos de Empoli, Parma e Sassuolo.

 

Momentos #15 – O golo olímpico de Recoba

A vontade não era muita, sabemos. Mas a técnica individual do jogador, a forma como tratava por tu a bola, coladinha ao pé naquele jeito tão elegante, naqueles passes milimetricamente colocados no colega, naqueles dribles nos quais o uruguaio, do nada, criavam sempre uma situação de perigo. Assim como os livres que o uruguaio fazia encaminhar certeiramente em arco perfeito para o fundo das redes da baliza contrária, os passes em desmarcação para isolar Vieri, os cruzamentos perfeitos para o local exacto onde o seu companheiro pretendia aproveitar aquela bola.

Alvaro Recoba era tudo isso. Alvarov Recoba era, apesar de molengão, um jogador que empenhava magia no seu futebol e em pequenos pormenores decidia. Podia passar 90 minutos ao lado do jogo. Quando quisesse, decidia o jogo num pequeno pormenor de classe.

Ainda continua a decidir nesses pequenos pormenores recheados de virtuosismo, aos 38 anos, pelo clube que o fez despontar ao mais alto nível, o Nacional de Montevide0 (a equipa de formação deste ex-internacional uruguaio, conhecido no seu país por El Chino, é o Danúbio, equipa por onde passou novamente em 2010\2011 antes de voltar ao Nacional), equipa pela qual leva desde 2011 16 golos em 68 jogos disputados e um título na bagagem, o de campeão uruguaio em 2011\2012.

breves #21

Selecção Nacional – É possível adiantar que o Seleccionador português pré-convocou 40 jogadores a alinhar no estrangeiro. Para além dos já conhecidos José Fonte (Southampton), Danny (Zenit), Ricardo Carvalho (Mónaco), Orlando Sá (Legia de Varsóvia) Tiago (Atlético de Madrid), dos habituais convocáveis que alinham no estrangeiro, juntam-se agora os nomes de Manuel Fernandes (Besiktas), Castro (Kasimpasa), Licá (Rayo Vallecano) e os 5 portugueses que alinham no Dinamo de Zagreb (Ivo Pinto, Wilson Eduardo, Eduardo, Gonçalo Santos e Paulo Machado).

Benfica – A equipa de Jorge Jesus continua a preparar no Seixal a deslocação a Leverkusen para a 2ª jornada da Champions. Com Artur castigado devido à expulsão frente ao Zenit e Paulo Lopes e Julio César lesionados, a escolha de Jesus irá recair sobre o jovem Bruno Varela, guardião titular da equipa B. Jorge Jesus afirmou hoje na conferência de imprensa realizada hoje no Seixal: “Não há nada em que pensar. O Paulo está fora e tenho dúvidas quanto ao Júlio. Mas se não jogar o Júlio, joga o Varela. Acreditamos nos jogadores que estão connosco. O Varela é um jovem de qualidade, no dia em que tiver a sua oportunidade vai agarrá-la.” “O Varela tem muito futuro e é um dos jovens em quem acreditamos. Se tiver de jogar, temos total confiança nele”

Benfica 2 – O site italiano Tuttomercatto noticiou que os russos do Zenit deverão ter chegado à Luz uma proposta de 30 milhões por Salvio. O argentino é um desejo do clube russo desde os tempos de Luciano Spalletti. O mercado russo de transferências só fecha amanhã pelas 21 horas portuguesas.

José Mourinho – Na conferência de imprensa de antevisão do jogo em Alvalade, o treinador do Chelsea falou sobre os meses que passou como adjunto de Bobby Robson em Alvalade:

“Não esqueço aquilo que passei nesta casa. Tentei ajudar naquilo que foi possível numa fase bonita da minha carreira, que foi no princípio. A única má recordação de Alvalade é do dia em que saí. Diverti-me muito com Sousa Cintra, à exceção do dia em que me despediu”

O técnico afirmou ainda que gostava que o Sporting passasse aos oitavos-de-final na 2ª posição do grupo, atrás, obviamente, dos Blues. Para a deslocação a Alvalade o técnico português não conta com Ramires e Didier Drogba. Mourinho dispensou fazer o habitual treino de adaptação em Alvalade.

Boavista –

Boavista

7 points in a row. O Boavista continua a demonstrar que a União faz a força. 3-2 ao Gil Vicente com direito a remontada com o triplo dos golos que a equipa do Bessa tinha feito em 3 jornadas (os primeiros 3 marcados por jogadores da equipa visto que o golo obtido contra a Académica foi marcado pelo lateral esquerdo Richard Ofori na própria baliza).

José Fonte –

josé fonte

O experiente central de 31 anos do Southampton falou hoje à TSF sobre a sua primeira pré-convocação para a selecção nacional e sobre o jogo entre Chelsea e Sporting:

«O Sporting tem jogadores na frente que podem desequilibrar, como o Nani ou o Carrillo, e no meio-campo tem o William Carvalho, que tem despertado o interesse de clubes ingleses. Espero um jogo interessante, bonito. Sendo português e tendo jogado no Sporting, que me desculpe o mister Mourinho, mas gostava que ganhasse o Sporting. Tem a vantagem que é jogar em casa e a motivação de estar e regresso à Champions, quer mostrar qualidade e dar alegrias aos adeptos. O Chelsea é uma potencial mundial, está a fazer um começo de época tremendo, com o Diego Costa a fazer golos e o Fàbregas atrás a fazer assistências. Vai ser difícil mas, se conseguir manter-se organizado, é possível que o Sporting consiga fazer bom resultado. No futebol tudo é possível.»

Sobre o facto de ter sido pré-convocado para a selecção nacional pela primeira vez aos 31 anos, o central mostrou-se disponível para representar a selecção e cheio de vontade de lutar por um lugar na convocatória de Fernando Santos.

Sporting\William Carvalho – Sporting e jogador deverão ter chegado a acordo quanto a uma renovação de contrato. O jogador deverá auferir um ordenado próximo dos 850 mil euros anuais. A cláusula de rescisão continuará fixada nos 45 milhões de euros.

Hugo Almeida – Existiu um volte-face no negócio que foi apalavrado entre o internacional português e o Al-Nasr dos Emirados Árabes Unidos. O português não chegou a acordo com o clube daquele país do Médio Oriente, sendo que ainda está a estudar algumas propostas que tem em mãos de um clube inglês (presume-se que o West Ham) e várias propostas do Médio Oriente.

Karagounis\Selecção Grega – A Federação Grega afirmou que o antigo jogador Giorgios Karagounis (daquela selecção helénica, do Panathinaikos, Inter, Fulham e Benfica) terá um cargo na estrutura federativa, cargo que ainda não é conhecido.