Crónica #1

França e Espanha iniciaram ontem no Estádio Nacional de França em Saint-Denis (arredores da capital francesa) um novo ciclo na sua história. No estádio nacional francês, os dois seleccionadores tiveram uma postura ambígua na abordagem ao jogo: apesar de já qualificada para o novo modelo do Europeu (será disputado por 24 equipas), a França de Deschamps, organizadora do evento, inserida virtualmente no Grupo I de Portugal (os gauleses jogarão amigavelmente c0ntra as equipas deste grupo) iniciou o seu ciclo sem surpresas de maior nos convocados, aproveitando o legado construído no último ciclo. Já Vicente Del Bosque, campeão europeu em título, começou a preparar a qualificação espanhola no Grupo C (cabeça-de-série de um grupo composto pela Ucrânia, Bielorussia, Eslováquia, Macedónia e Luxemburgo) com a inserção de algumas caras novas na Roja como é o caso dos bascos Mikel San José e Carlos Iturraspe (central e trinco do Athletic de Bilbao) Raul Garcia, poacher do Atlético de Madrid que só aos 28 anos logrou estrear-se internacionalmente pelo seu país.

Ambas as selecções começaram a demonstrar todo o futebol que pretendem por em prática no novo ciclo que se avizinha. Os espanhóis voltaram a ensaiar um estilo de jogo misto, formado pelo jogo em profundidade para Diego Costa (Del Bosque optou por colocar de início Raúl Garcia nas costas do hispano-brasileiro) com alguns toques “simeoneanos” no meio-campo, ou seja, a construção de jogadas em velocidade pelo miolo ao primeiro toque, jogo para o qual contribuíram os processos simples de um meio-campo formado por Busquets, Cazorla, Koke, Fabregas e Raúl Garcia.

Já Deschamps optou por alinhar com o seu onze-tipo (Koscielny foi o único elemento deste onze que não alinhou por lesão), reforçando o meio-campo com a presença do trio de peso gaulês (Pogba, Matuidi, Sissoko) atrás de um trio de avançados composto por Antoine Griezmann, Mathieu Valbuena e Karim Benzema. Não tenho a menor dúvida em afirmar que, após a renúncia de Franck Ribery aos bleus, este será o trio da frente que o antigo médio da Juventus, agora seleccionador francês, irá sincronizar no próximo ciclo de 2 anos. Samir Nasri voltou a não marcar presença na convocatória gaulesa.

A França esteve melhor na partida. Com um meio-campo muito profícuo a anular as investidas de um talentoso meio-campo espanhol, ao nível dos processos ofensivos gauleses, os 3 elementos do meio-campo gaulês repartiram entre si as transições para o ataque, colocaram muita velocidade no jogo (a França de Deschamps está muito bem oleada ao nível de combinações lateral-extremo e triangulações lateral-médio interior-extremo) e não se coibiram de aparecer junto aos extremos a combinar facilmente com eles. O golo gaulês aparece precisamente depois de uma triangulação de belo efeito na área, construída por Karim Benzema, Moussa Sissoko e Mathieu Valbuena. Aparecendo bem no espaço (a ideia inicial seria Benzema recolher aquela bola, deixar um espanhol para trás com uma finta de corpo e rematar) Loic Remy flectiu do flanco direito para o centro da área e inaugurou o marcador.

A selecção espanhola precisa de afinar processos no novo modelo de jogo que pretende instalar. Com muitos passes falhados a meio-campo e um jogo com linhas pouco objectivas e alguma falta de ideias (Diego Costa recuou várias vezes para vir buscar jogo a meio-campo), esta selecção espanhola tem muito trabalho pela frente nos próximos meses.

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