Selecção Nacional – Opinião e de calculadora na mão

Tudo já se disse sobre a Seleção Nacional após a derrota com a Albânia, quando nem muito há para dizer. Foi uma vitória vergonhosa, um “new low” da Seleção das Quinas. Os culpados estão à vista de todos (sim, não é só um, que já foi bem despedido como podem ver as notícias), mas a incompetência e falta de vergonha que abunda pela Federação é demasiada e já se arrasta há demasiado tempo. Está comprovado que a renovação do Paulo antes do Mundial e a sua subsequente manutenção no posto após a campanha do Mundial foram dois dos maiores erros de sempre da história da Federação. E agora nem foi preciso esperar duas ou três jornadas: bastou uma para já estarmos com a famosa calculadora na mão.

Mas vamos meter os problemas da Federação e da Seleção de parte por um momento, e concentrar na qualificação em si. Mas sabe que um treinador minimamente competente consegue colocar a seleção nos eixos, não olhar a um catálogo de jogadores e potenciar alguns jovens prontos para a seleção A, e é isso que espera do próximo treinador, seja quem for. Os três nomes mais cogitados são bons, cada um com as qualidades e defeitos:

Vitor Pereira – Se a Seleção fosse um clube, era a opção lógica e a melhor opção. O Vitor Pereira esteve 2 anos no FC Porto, num momento em que o clube não estava no seu melhor em termos organizacionais nem tinha a qualidade individual que tinha na era – André Villas Boas ou agora na era Lopetegui. Com o Vitor Pereira, o FC Porto tinha alguma dificuldade em carburar ofensivamente, principalmente na segunda temporada, mas demonstrava uma coesão defensiva e um entendimento das linhas de pressão e das transições ataque – defesa, a meu ver, do melhor que anda por aí. Teve dificuldades em ganhar troféus além dos 2 campeonatos e as campanhas europeias foram instatisfatórias, mas o objetivo principal foi sempre assegurado. Ao longo dos seus tempos no FC Porto, desenvolveu a comunicação e está mais maduro.

O seu maior problema poderá ser a inexistência de uma faceta de seleccionador, para já. Ele próprio já revelou, à RTP Informação, que não quer ser seleccionador a curto-prazo e que não consegue viver sem aquela paixão do dia-a-dia, do treino, das conferências de imprensa. E pessoalmente, não lhe vejo como possível seleccionador, mas se vier terá todo o meu apoio e acredito que somos capazes de conseguir boas coisas com ele.

José Peseiro – Por muitas fontes, a possível escolha para suceder a Paulo Bento pode ser, segundo esse mestre Jaime Pacheco, uma faca de dois legumes. José Peseiro sempre fui um treinador do “quase”, mesmo apesar de colocar as suas equipas a jogar à bola como poucos jogam. Infelizmente, é um treinador que não sabe nem equilibrar o ataque para estar pronto para uma transição defensiva, nem coordenar as movimentações defensivas. Se soubesse meter a equipa portuguesa com Ronaldo a jogar à rola compressor, na máxima de marcar 4 e sofrer 3, seria um risco e seríamos uma nação de encher o olho, mas que poderia continuar a ter dificuldades em obter resultados.

José Peseiro tem outra falha grave, que lhe custou o lugar no Sporting, por exemplo: falta de capacidade de comunicação para com a imprensa (uma das razões por ter má imprensa) e de pulso no balneário. Não sei se seria fácil comandar os destinos da Selecção, ainda para mais sobre a enorme pressão em que está, mas é sem dúvida uma opção legítima, neste momento.

Jesualdo Ferreira – A meu ver, possivelmente a opção mais equilibrada e que poderá fazer mais sentido numa possível fase de transição. O talento nos sub-21 abunda, e deve ser bem aproveitado já a curto-prazo. Julgo que Portugal poderia aproveitar as facilidades que são dadas para se qualificar para o Campeonato Europeu, agora com 24 equipas, e começar a preparar essa transição. O Jesualdo Ferreira sempre foi um treinador capaz de efetuar transições de momentos e lançar novos jogadores desde que tenham qualidade. Sempre foi capaz de montar esquemas e modelos eficazes para vencer, sabe potenciar os seus jogadores e ao que parece, tem uma enorme empatia com eles. Aliás, se formos ver as declarações dos jogadores, o Jesualdo Ferreira é sempre muito acarinhado por quem o treinador.

O problema do Jesualdo poderá ser o “clutch factor”, já que sempre foi um treinador com dificuldades para vencer em momentos onde tem mesmo que vencer. Também me parece um treinador desatualizado metodologicamente.

Falando agora da qualificação. De referir, para quem não sabe, que os dois primeiros classificados dos nove grupos qualificam-se automaticamente. O terceiro melhor classificado dos nove grupos também se qualifica, sendo que para verificar qual o melhor terceiro classificado nos outros grupos, os resultados frente ao último classificado são eliminados na decisão do melhor terceiro classificados. As restantes oito nações vão a play-off.

Parece, portanto, que as hipóteses de Portugal são boas mesmo apesar desta derrota. Mas já que temos a massa no sítio certo, vamos fazer contas quanto a isso. Sim, muitas contas. Vou propôr uma simulação minimamente realista da campanha de qualificação de Portugal para o Europeu 2016. Com uma pequena definição dos resultados mais possíveis da minha parte (obviamente que será sempre subjectivo), esta simulação poderá ajudar a verificar quais as reais hipóteses de qualificação para o Europeu aos leitores. É óbvio que tudo isto é difícil de aferir “à priori” para qualquer uma das selecções envolvidas, até porque podem surgir factores externos, até lesões (a do Ronaldo, no nosso caso, ia complicar muito as contas devido à dependência), mas serve apenas como simulação académica.

Vamos a isso. Avanço desde já que também acho que a Dinamarca e a Sérvia também vão escorregar, principalmente com a Arménia, que é uma selecção muito mais complicada do que parece à primeira vista. E a caminhada deles também não será perfeita.

Dia 11 de Outubro 2014
Arménia 1 – 1 Sérvia
Albânia 1 – 2 Dinamarca

Os nossos oponentes diretos (Sérvia e Dinamarca) têm uma jornada complicada, porque deslocações nestas campanhas nunca são fáceis. A Arménia também é uma selecção muito complicada e poderá também complicar as contas. Vou assumir que a Sérvia empata na Arménia, um terreno sempre muito complicado. A Arménia, de resto, deixou excelentes indicações contra a Dinamarca.
Já a Dinamarca, irá defrontar uma Albânia super-motivada após a vitória histórica frente a Portugal, mas as debilidades da Albânia vão ficar expostas. A Dinamarca poderá até sofrer um golo, mas irá ganhar com mais ou menos dificuldades.

  1. Dinamarca 6
  2. Albânia 3
  3. Sérvia 1
  4. Arménia 1
  5. Portugal 0

Já estamos em último.

Dia 14 de Outubro 2014
Sérvia 2 – Albânia 0
Dinamarca 2 – Portugal 2

A segunda jornada irá revelar uma equipa Portuguesa sob pressão, a ter que ir ao campo mais complicado da qualificação para vencer. A Dinamarca é uma equipa que normalmente nos coloca dificuldades quando os defrontamos nestas fases (e não só), e espero o mesmo. As condições do terreno são sempre complicadas, o factor casa dos nórdicos é sempre muito forte. Contudo, espero uma boa reacção da Seleção e acho que vamos empatar. A Dinamarca em casa será demasiado forte para conseguir vencer, de qualquer forma, e a sua força nas bolas paradas revelar-se-á fulcrar em obter 1 ponto.
Já no outro jogo, a poderosa Albânia irá cair frente a uma Sérvia cheia de talento e que tem um bom factor casa. As debilidades da Albânia ficarão expostas e será o início do fim para os Albaneses.

  1. Dinamarca 7
  2. Sérvia 4
  3. Albânia 3
  4. Portugal 1
  5. Arménia 1

Dia 14 de Novembro 2014
Portugal 3
– Arménia 0
Sérvia 2 – Dinamarca 1

Portugal terá a primeira vitória frente à Arménia. Vamos fazer uma exibição convincente frente a uma selecção muito complicada pelo talento que tem na frente, mas vamos entrar fortes, expor a linha defensiva do adversário aos nossos pontos mais fortes e obter uma vitória tranquila.
Do outro lado, a Sérvia obterá uma vitória importante que poderá complicar as contas para todos neste grupo.

  1. Sérvia 7
  2. Dinamarca 7
  3. Portugal 4
  4. Albânia 3
  5. Arménia 1

Dia 29 de Março 2015
Albânia 1 – Arménia 2
Portugal 2 – Sérvia 1

Portugal dará continuação à vitória sobre a Arménia do ano passado com uma vitória complicada frente à Sérvia. Naturalmente uma nação com dificuldades em vencer nos momentos complicados, até pela inexperiência da maioria dos seus jogadores, julgo que isso voltará a acontecer frente a um Portugal mais maduro e competitivo.

Do outro lado, a Arménia irá vencer a Albânia fora, mas um empate também poderá ser possível caso um ou outro jogador importante da Arménia não esteja disponível.

  1. Portugal 7
  2. Sérvia 7
  3. Dinamarca 7
  4. Arménia 4
  5. Albânia 4

Dia 13 de Junho 2015
Arménia 1 – Portugal 1
Dinamarca 2 – Sérvia 1

A nossa viagem à Arménia vai-se revelar complicada, e julgo que vamos empatar. Já o fizemos há uns tempos atrás e eles agora estão mais fortes. Com final de época, a maioria dos nossos melhores jogadores vão estar desgastados e já a pensar nas férias e isso também irá ajudar.

A Dinamarca irá superar uma Sérvia sobre pressão. Não costumam perdoar em casa, e espero o mesmo.

  1. Dinamarca 10
  2. Portugal 8
  3. Sérvia 7
  4. Armenia 5
  5. Albânia 4

Dia 4 de Setembro 2015
Sérvia 1 – Arménia 2
Dinamarca 2 – Albânia 0

Numa jornada onde Portugal não joga, a Sérvia será surpreendida pela Arménia em casa, para mais um choque neste grupo, e assumindo que todos os jogadores estão disponíveis para ambas as equipas.

A Dinamarca irá passar por dificuldades frente à Albânia mas eventualmente irá desbloquear o jogo na segunda parte.

  1. Dinamarca 13
  2. Portugal 8
  3. Arménia 8
  4. Sérvia 7
  5. Albânia 4

Dia 7 de Setembro 2015
Arménia 1 – Dinamarca 1
Albânia 0 – Portugal 2

Praticamente fora das contas, a Albânia irá encarar este jogo de forma menos competitiva, mas será um adversário muito complicado. Quando nos deslocamos a estes países, temos sempre dificuldades em marcar o primeiro, mas julgo que o iremos conseguir eventualmente, possivelmente na segunda parte. Ainda iremos marcar mais um para fechar as contas do dia.

A Dinamarca e a Arménia terão um jogo decisivo para ambas, principalmente a Arménia. Contudo, acho que vão empatar 1-1.

  1. Dinamarca 14
  2. Portugal 11
  3. Arménia 9
  4. Sérvia 7
  5. Albânia 4

E com tudo isto, mesmo assim, os jogos mais importantes estão nas últimas duas jornadas.

Dia 8 de Outubro 2015
Albânia 0 – 0 Sérvia
Portugal 1 – 0 Dinamarca

  1. Portugal 14
  2. Dinamarca 14
  3. Arménia 9
  4. Sérvia 8
  5. Albânia 5

A Sérvia terá uma oportunidade excelente para passar para a frente da Arménia mas irá desaproveitar a oportunidade frente a uma Albânia já pouco competitiva, mas muito coesa defensivamente.

Já Portugal tem o jogo mais importante neste dia. Frente à Dinamarca, já qualificada, irá vir desinteressada mas sempre profissional e com coesão defensiva. Portugal tem sempre muitas dificuldades em quebrar as linhas defensivas nórdicas em casa, e acaba sempre por ficar 1-0, e será isso que irá acontecer. Um jogo fechado, um GR dinamarquês inspirado, mas finalmente Ronaldo é capaz de marcar. E Portugal qualifica-se.

Dia 11 de Outubro 2015
Sérvia 2 – Portugal 1
Arménia 2 – Albânia 1

Portugal irá, na minha opinião, para este jogo já qualificado, ou a lutar pelo segundo lugar. Mesmo com o primeiro escorregão de Aveiro. Assumindo que neste caso já estamos qualificados, Portugal irá desinteressado, irá fazer muitas mudanças e Ronaldo não jogará. Vamos ser uma equipa com sangue novo e irreverente, mas inexperiente frente a uma Sérvia que precisa vencer e esperar que a Albânia ajude.

  1. Portugal 14
  2. Dinamarca 14
  3. Arménia 12
  4. Sérvia 11
  5. Albânia 4

Cheia de subjetividade, como já tinha referido, esta simulação ajudou a definir as conclusões que se impõem considerando as variáveis impostas previamente:

1 – O calendário é benéfico.

2  Mesmo com a derrota caseira frente à Albânia, será quase impossível Portugal não se qualificar assumindo que conseguiremos vencer os jogos em casa (obrigatório) e ganhar em casa da Albânia (fulcral). Assumindo que nesse caso, chegaríamos ao último jogo frente à Sérvia com os 12 pontos e assumindo que perderíamos em casa da Arménia e da Dinamarca, Dinamarca já estaria qualificada e Arménia teria 12 pontos. Portugal poderia acabar a lutar pelo 3ºlugar com a Sérvia, ou não, e até poderia ser que a Sérvia estivesse eliminada e Portugal a lutar a sério pela vitória para assegurar o 3ºlugar. Sim, porque com 12 pontos, a probabilidade de ser o melhor terceiro já é muito elevada, com 15 seremos o melhor terceiro quase de certeza.

3 – E mesmo se não formos o terceiro lugar com mais pontuação, temos o play-off onde iremos apanhar equipas menos cotadas, e seremos cabeças-de-série (Portugal se vai a play-off, a UEFA define cabeças-de-série, campeonato europeu sem Ronaldo…).

4 – A conclusão que quero chegar: vamos estar no Campeonato Europeu.

 

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3 thoughts on “Selecção Nacional – Opinião e de calculadora na mão

  1. Juro que não me lembrei do professor pardal Borba. Olha que não seria uma má escolha. Conhece bem a casa onde treinou durante anos e a facilidade que tem em trabalhar com jovens poderia ser benéfica para a renovação que se pretende. O pior é o milhão de euros que aufere, valor que é considerado como proibitivo para os cofres da FPF. Relembro-te que o Bento auferia cerca de 550 mil euros anuais. Se quisesse baixar drasticamente o ordenado, não seria também uma má escolha para adjunto neste momento tão complexo para a nossa selecção.
    Estamos mesmo encalacrados com esta derrota. A sérvia tem o potencial que conhecemos, a Dinamarca tem aquele futebol musculado (agora muito bem compensado com a bola no chão e o fio-de-jogo apuradíssimo que o Eriksen e o Schone sabem meter) que causa muitas dificuldades à nossa selecção. Não só ganhar em Copenhaga (como em Belgrado) será uma tarefa hercúlea como ambas as selecções tem futebol para vir ganhar cá visto que são equipas que conseguem defender bem em todos os modelos defensivos (sendo provavel que o Olsen opte por vir a Portugal defender com um modelo profundo e extremamente bem organizado lá atrás a fechar as linhas de passe de Portugal a meio-campo) e saem muito bem no contragolpe com um futebol muito objectivo e vertical.
    Outro dos nossos inimigos será a Arménia. É uma equipa super matreira que joga todas as partidas para o empate. É uma equipa que está preparada para defender os 90 minutos de forma agressiva nos últimos 30 metros, fechando as linhas de passe com uma defesa vasculante, ou seja, com a linha média sempre a acompanhar a rotação do jogo para os flancos de forma a que os alas contrários (sabem bem do perigo que constituem jogadores como Nani, Ronaldo, Tosic, Markovic, Ljajic) não consigam criar desequilíbrios pelos flancos (contra a Arménia palpito que sempre que a bola vá para os flancos, apareçam 3 armenos para 2 portugueses sendo que em caso de desequilíbrio criado, a estratégia andará sempre por actuar de forma faltosa sobre os extremos portugueses). No ataque, dada a filosofia ultra defensiva, quando recupera ou tem bola, esta Arménia gosta de colocar imediatamente o jogo na aceleração de jogo de Mkhitaryan e sair para o contragolpe com 2 ou 3 jogadores, de forma a nunca deixar a equipa desequilibrada cá atrás.

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    • concordo com praticamente tudo. Mas também é como digo: em casa, temos a obrigação de ganhar todos os jogos, porque no global acabamos por ser melhores que os outros. As linhas frontais dessas 3 equipas é fortíssima, e cá atrás a Dinamarca é fortissima com Kjaer, Agger…mas a Arménia e a Sérvia não defende bem se não juntarem os blocos.

      De resto, o Jesualdo era ideal para começar a promover a sério malta que já merecia estar na A. Rafa Silva, Bruma, Rony Lopes…

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      • Só é fortíssima porque não temos um avançado rápido e bom de drible. Se o tivessemos, a história era outra. São muito duros de rins. Vão chamar um Figo ao Ederzito. Mal virem um CR pela frente, borram-se e deixam passar.

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