Quid Iuris, LvG?

Moyes

Os adeptos do Liverpool aproveitaram o mau momento do rival Manchester United no momento da visita destes a Anfield Road para ironizarem o então treinador dos Red Devils.

A passagem pelo comando técnico da selecção Holandesa serviu, acima de tudo, para Louis van Gaal voltar a cimentar o seu estatuto no futebol mundial. Finalista vencida em 2010, depois de um Euro 2012 para esquecer, o agora treinador do Manchester United fez um trabalho que decerto poderá dar frutos em 2016 e 2018. Renovando parte dos quadros desta selecção, não teve problemas em lançar muitos jogadores nos momentos-chave da vida da selecção e fez acreditar que a Holanda poderá vencer novamente uma grande competição internacional de selecções no futuro. Jogadores como Tim Krul, Jasper Cilessen, Bruno Martins Indi, Urby Emanuelson, Leroy Fer, Georginio Wijnaldum, Memphis Depay, Kevin Strootman, Daley Blind, Daryl Janmaat, Stefan de Vrij, Ron Vlaar, Jeremain Lens, Jonathan De Guzman, Jordy Claasie já são indiscutíveis convocados desta selecção. Serão diminuidos quando os mais velhos Dirk Kuyt, Klaas-Jan Huntelaar, Nigel de Jong Arjen Robben, Wesley Sneijder e Robin Van Persie, três históricos da Laranja Mecânica moderna ditarem o seu adeus à selecção. A estes deveremos juntar Rafael Van der Vaart, um histórico que neste momento está arredado da sua selecção fruto de degredantes temporadas realizadas em Hamburgo. Contudo, o futebol holandês tem uma enorme facilidade em renovar-se. Já existem talentos na antecâmara da formação holandesa capazes de pegar de estaca nos seus clubes e nas variadas selecções holandesas capazes de acrescentar talento a esta selecção. Falo de nomes como Ricardo Vishna, Terence Kongolo, Joel Veltman, Ricardo van Rhijn, Luuk de Jong, Ruben Schaken, Siem de Jong, Marco van Ginkel, Jean Paul Boetius, Luciano Narsingh ou Quincy Promes. Pelo meio ainda existe uma geração perdida de jogadores que não se afirmou na selecção principal A mas que a qualquer momento, catapultados por boas temporadas desportivas nos seus clubes poderão voltar ao lote de convocáveis desta selecção. Stijn Schaars, Maarten Stekelenburg, Ibrahim Affelay, Eljero Elia, Ola John, Gregory van der Wiel, Ryan Babel, Joris Mathisen, Ricky Van Wolfswinkel ou Jeffrey Bruma perderam-se pelo caminho, fruto de temporadas em que andaram claramente apagados, mas são jogadores com potencial para rebentar novamente e viver uma 2ª vida dentro do futebol holandês.

(anotamento meu)

Com uma qualificação exemplar, apanágio da Laranja Mecânica nos últimos 30 anos, o Mundial de Selecções foi um autêntico teste às capacidades técnicas e à capacidade férrea de liderança de Louis van Gaal. Com uma selecção forte mas não favorita à conquista do torneio, muitos duvidaram das capacidades deste grupo constituído por uma mistura de veteranos consagrados e jovens talentos do futebol holandês. Com um modelo assente num modelo táctico difícil de assimilar para grande parte dos jogadores mundiais (3x4x2x1) e uma identidade de jogo apoiada numa filosofia ofensiva e de circulação de bola, muitos consideravam que a selecção holandesa neste mundial poderia ser a maior catástrofe da história das selecções holandesas. Com paciência e muito trabalho (trabalhar com selecções obriga, pelo pouco tempo que os seleccionadores passam com os jogadores que dispõem, a metodologias de treino mais objectivas do que aquelas que são aplicadas nos clubes) Louis van Gaal aplicou as suas ideias no conjunto de 23 que levou ao Brasil. Perante um clima iminente de crispação (há quem tenha referido que Van Gaal pegou-se com Wesley Sneijder após a recusa do médio do Galatasaray em cumprir as missões em campo que o treinador lhe exigia) e que já no Brasil, Robin Van Persie recusou-se a treinar durante 2 dias e Arjen Robben andou pegado em vários treinos com Bruno Martins Indi dada a violência que o actual central do Porto tratava de aplicar ao frágil joelho do extremo do Bayern de Munique. Se problemas existiram na comitiva holandesa, nenhuns foram evidenciados em campo: a Laranja Mecânica esmagou com uma exibição de gala a Espanha campeã mundial por 5-1 num jogo colectivo memorável, bateu a Austrália, empatou com o Chile, seguiu em frente para a fase a eliminar e com maior ou menor dificuldade apenas haveria de cair nas meias contra a Argentina… de cabeça bem erguida! O 3º lugar dos holandeses no brasil, confirmou as excelentes fases-finais que os holandeses tem feito nos últimos 35 anos e deitou as sementes para um futuro que se apresenta risonho sob a batuta de outro grande mestre holandês: Guus Hidink.

E van Gaal voou para mais um desafio em Manchester.

A era Moyes…

David Moyes era naturalmente um delfim de Ferguson. As campanhas realizadas no Everton do técnico escocês, um mediano central que mal se aguentou enquanto jovem num plantel do Celtic, e que cumpriu grande parte da sua carreira em equipas de escalões secundários do futebol inglês (jogando durante 1 temporada na Premier League) não passaram despercebidas a Sir. Alex Ferguson. Apesar de nunca ter sido tornada pública qualquer tentativa de influência do técnico escocês na escolha do seu compatriota, há muitos anos o nome de Moyes era indicado pela imprensa como o favorito de Ferguson para continuar o seu legado assim que este decidisse reformar-se.

De legado em legado, o próprio Moyes sabe perfeitamente o que é construir um legado. Durante 13 anos no Everton, conseguiu transformar um clube na altura falido, no qual os melhores jogadores estavam no mercado (casos mais claros eram Abel Xavier, Alessandro Pistone, Thomas Gravesen), candidato nº1 à descida ao champions numa equipa aguerrida com excelentes resultados desportivos. O Everton chegou a ser 4º na Premier na temporada 045, feito que lhe valeu uma ida à pré-eliminatória da Champions em 056, num ano que poderia ter sido de ouro para as equipas inglesas na competição com a inserção de 5 equipas (as 4 apuradas pela via do campeonato mais a equipa campeã europeia em título, o Liverpool) e caso, obviamente, o Arsenal se tivesse sagrado rei europeu naquela final perdida nos últimos minutos contra o Barcelona de Rijkaard.

Escolhido para saber separar as águas do legado Ferguson e construir o seu próprio legado, Moyes recusou sempre ter sido escolhido para efectuar um período de transição calmo e tranquilo. Contudo, a direcção de Manchester não teria talvez as mesmas ideias para o treinador. Na era Ferguson, com ou sem artistas, os títulos haveriam de aparecer, mesmo nas temporadas em que a equipa não tinha a melhor das performances. Na era Moyes, o manager escocês apercebeu-se rapidamente que o seu carisma não seria igual ao do seu compatriota e apercebeu-se das falhas de plantel que de certo modo eram superadas pelo carisma, pela paixão e pela intensidade que Ferguson incutia nos jogadores. Pediu reforços à direcção, principalmente para o sector defensivo, sector no qual Ferguson nos últimos anos tinha perdido algum tempo a superar os défices existentes pela caducidade física dos seus principais esteios (Nemanja Vidic, Rio Ferdinand, Patrice Evra) com um certo toque de experimentalismo injectado através de sangue novo (Chris Smalling, Phil Jones, Johnny Evans, Fábio e Rafael da Silva) contratado a peso de ouro no que diz respeito por exemplo ao antigo central\lateral-direito do Fulham e ao antigo central do Blackburn Rovers, este último “menino” para 22 milhões de euros!

No meio-campo semelhante problema: Paul Scholes retirou-se de vez após ter feito mais meia-época a pedido de Ferguson. Giggs entretanto passado para o miolo do terreno. Carrick em declínio. Wayne Rooney cada vez mais um 10 dada a perda da rapidez que sempre o caracterizou. Até o homemade Tom Cleverley, jogador cujas características andam longe da ribalta a que a formação de Manchester sempre nos habituou, aposta de Moyes desde o início da época, literalmente amarelou perante as oportunidades no onze titular que o escocês lhe concedeu. Jogo ineficaz nas alas com actores para todos os gostos: Ashley Young, um velocista, Nani, prendia o jogo da equipa, António Valência, muita velocidade, tem dias no cruzamento, demasiada verticalidade e mecanicidade em ganhar as linhas e centrar, ou seja, demasiado previsível para os adversários que tivessem a missão de defender aquele flanco; um japonês inadaptado chamado Shinji Kagawa e um brasileiro fracasso de nome Anderson que Ferguson nunca conseguiu moldar à semelhança de Scholes; um avançado de nome Robin van Persie a contas com muitos problemas físicos após a sua época de ouro na Premier League. Eram precisos reforços.

Mas os reforços não vieram como Moyes queria. Veio o man of confidence Marouane Fellaini de Liverpool. O Belga passou o ano no estaleiro e não era bem aquilo que se pretendia para dar estabilidade e poder de choque ao meio-campo. O Belga é demasiado ofensivo para ocupar aquela posição. E o Manchester perdia e varria a metade da tabela durante o início do Outono. A jogar mal, mal e porcamente, e a perder sem fim. Em Janeiro veio Mata. Caríssimo. 45 milhões. E o Espanhol, vendido como salvador da pátria, pouco ou nada acrescentou como se previa a uma equipa ferida de Morte. Morte. David Moyes, altamente crucificado pela imprensa, eliminado de forma precoce da Champions, seria também ele ferido de morte. Giggs assumiu até ao final da temporada.

Nem tudo foi mau na era Moyes. O escocês catapultou para o seu onze o jovem Belga (de ascedência Kosovar e Albanesa) Adrien Januzaj, jovem talento lapidado na formação do clube (iniciou a carreira futebolística num dos clubes satélites do Manchester, o Antuérpia), imediatamente feito mais talento do que aquilo que é de facto (apesar de poder vir a ser um grande jogador dos tempos modernos) dado ter dado um raio de esperança ao trabalho do escocês com os golos que evitaram em diversas situações calamidadades maiores.

Here Comes the Man

Conferência de imprensa de Louis Van Gaal aquando da sua apresentação enquanto treinador do Man. United.

LvG deixou no ar a ideia que não vinha para Manchester fazer turismo ou ser mais um treinador de transição. O respeito pelo prestígio do clube de Manchester, beliscado por uma das piores temporadas dos últimos 3o anos, merecia o melhor. Se a direcção do clube de Manchester praticamente deu a entender que Moyes seria a transição controlada para uma realidade melhor, van, entrou de forma serena em Manchester para se voltar a projectar como um grande treinador de clubes.

Apostado em mudar a forma de trabalhar do clube do Norte de Inglaterra, Louis Van Gaal entrou a matar em Manchester com um conjunto de atitudes e regras que abalaram os velhos sistemas do clube britânico:

– Desde logo, tratou de referir que implementaria o mesmo sistema táctico que deu frutos na selecção holandesa. Desde os seus tempos do Ajax que o treinador, apesar de conservador na sua forma de ser e estar na vida, provou que é um gambler. Não se importa de aceitar desafios complexos em situações específicas complexas da história da equipa que vai treinar. Arrisca e pelo facto de apostar constantemente é um vencedor. Arriscou em Munique e quase tudo venceu. Arriscou na selecção holandesa e saiu como um autêntico vencedor apesar da 3ª posição. Em Manchester não se coibiu de, com os presentes, começar a trabalhar num 3x4x2x1 num clube habituado ao clássico 4x4x2 de Ferguson, num futebol habituado ao classicismo do 4x3x3, ao Kick and Rush que ainda hoje é utilizado pelos mais ortodoxos british como Tony Pulis, Sam Allardyce, num futebol que só nos últimos 15 anos, graças ao trabalho de treinadores estrangeiros como José Mourinho ou Arsene Wenger, começou a acordar para outras realidades tácticas, para diversos estilos de jogo (do cautelismo de Mourinho ou Rafa Benitez, ao futebol-arte do Arsenal do francês, passando pelos latinismos de Gus Poyet.

O Manchester jogaria um futebol ofensivo assente na circulação de bola. Ponto final. Mais uma vez se demonstrou que LvG é aquele tipo de treinador que gosta de controlar e massacrar se assim for necessário. É também um daqueles treinadores que gosta de uma circulação ofensiva rápida, de preferência ao primeiro toque. Não se importa de sofrer 4 se a equipa marcar 5. Contudo, teve necessidade em reforçar a esburacada defesa que recebeu dos seus antecessores.

– Modificou a metodologia de trabalho do clube em pequenos pormenores –

– Para que os jogadores se habituassem às condições de inverno dos relvados ingleses, durante a pré-época mandou cortar a relva dos campos do centro de estágios do clube ao estilo de Old-Trafford e mandou esburacar um dos campos para ali simular aquele campo de batalha na preparação física dos atletas, melhorando o seu nível de resistência logo no início da temporada e optimizando a sua capacidade de jogar em terrenos com alta propensão para o aparecimento de lesões.

– Mandou enxertar árvores altas e cercas em redor do centro de estágios para evitar que os adversários ou os jornais pudessem recolher informações dos treinos da equipa.

– Nos treinos, van Gaal mostrava uma atitude passivo-agressiva perante os jogadores: ensinando e berrando ao mesmo tempo, elogiando e ironizando, não se coibindo de molestar verbalmente o jogador quando este não cumpria na exactidão o pretendido nos exercícios elaborados.

– Nos estágios, van Gaal estudou a personalidade de cada um dos atletas e passou a vigiar tudo: as refeições, os divertimentos nos quartos, as pessoas com quem falavam durante o estágio, as visitas da família, os penteados, os carros, as roupas que os atletas usavam, não se coibindo de fazer alterações nestes hábitos dos jogadores.

– Criou uma database no clube no qual só ele tem acesso com toda a informação que acumula.

Criou uma ambição – vencer.

falcao 3

Mostrou-se insatisfeito com a equipa que recebeu e pediu reforços à direcção. Custe o que custar. A política de transferências de Van Gaal privilegiou a entrada de atletas capazes de enquadrar no seu sistema táctico, reforçando-se com critério. Pode-se afirmar que van Gaal partiu em vantagem quando comparados os milhões em abundância que lhe foram concedidos pela direcção em relação com os milhões concedidos a David Moyes. Contudo, LvG teve critério na sua utilização. Definiu como objectivos a contratação de um central, de um ala esquerdo capaz de ser mais defensivo do que ofensivo, de um médio ofensivo capaz de criar desequilíbrios nos 3 corredores e de mais um avançado finalizador.

O central foi Marcos Rojo, jogador que tanto pode jogar no eixo de 3 defesas idealizado pelo holandês como a ala esquerdo. Neste pingue-pongue, levou consigo Daley Blind por 14 milhões de libras, pagas ao Ajax. Blind tanto poderá ser o ala esquerdo defensivo que van Gaal pretende para defender bem o lado mais utilizado pelas equipas da Premier para atacar como tem versatilidade necessária, resistência e qualidade de passe curto para ser trinco, função que de resto já desempenhou no Ajax. Assim sendo, Rojo jogará a central ou no lado esquerdo quando a equipa pretender jogar ofensivamente por aquele flanco (como o antigo jogador do sporting joga na selecção argentina) e Blind será o ala esquerdo quando a equipa precisar de fechar muito bem aquela ala ou trinco quando Carrick estiver off e Rojo jogar mais balanceado no ataque, visto que a táctica implementada precisa que dois membros do meio-campo façam as devidas compensações às alas. Já o jovem internacional Luke Shaw será utilizado quando a equipa pretender jogar com um ala capaz de defender bem o seu flanco e atacar ainda melhor. Capicce?

Utilizando preferencialmente Phil Jones e Johnny Evans (o contratado Guillermo Varela irá procurar o seu espaço e rentabilizar as oportunidades que van Gaal lhe possa dar) como companheiros do argentino no central, Rafael da Silva terá uma missão ofensiva no flanco direito, aproveitando a sua hábil velocidade e a forma como aparece a apoiar o ataque naquele flanco no último terço.

No meio-campo, Van Gaal optará tendencialmente por um sistema de 2: um trinco (Carrick ou Blind) e um transportador de jogo. Essa função poderá ser bem desempenhada por Marouane Fellaini, se o Belga estiver disposto a ser aquele médio cheio e completo que era no Everton, ou seja, aquele médio capaz de iniciar a primeira fase de construção e facilmente aparecer em terrenos mais adiantados a utilizar a sua capacidade de meia-distância, de apoio às unidades ofensivas e de incursão na área, onde de resto, tem um excelente jogo de cabeça. Em todo o caso Van Gaal fez questão de ir buscar um dos 8 mais talentosos do futebol mundial. Nada mais nada menos que o basco Ander Herrera, jogador capaz de pensar na perfeição toda a manobra ofensiva da equipa através da sua tremenda capacidade de passe, tanto curto como longo. Numa abordagem mais pragmatica, Van Gaal também estará disposto a executar a evolução de Rooney no terreno, colocando o 10 a jogar numa posição intermédia entre o típico 8 e o 10, tamanho e medida do que fazia Paul Scholes na era Ferguson ou Wesley Sneijder na selecção holandesa, papel que de resto o actual jogador do Galatasaray nunca soube interpretar bem na selecção. Ou seja, o internacional inglês terá como funções vir atrás receber jogo, distribuir para os flancos e aparecer a finalizar. O internacional inglês também poderá ser utilizado atrás dos pontas-de-lança ao lado do DiMaria. Teorizando a ideia de Van Gaal, deverá o internacional inglês nesta fórmula ser um 2º avançado, ficando DiMaria com um papel muito semelhante aquele que Robben tinha na selecção Holandesa, ou seja, um vagabundo no ataque do United, incumbido de criar jogo e, aproveitando o trabalho que Mourinho fez com o jogador em Madrid, acelerá-lo a meio-campo e ainda servir de primeiro bloco de pressão alta (como Van Gaal de resto gosta para ter bola e dominar as partidas), papel onde o argentino encaixa como sabemos muito bem. Este sistema só funcionará se as alas estiverem muito bem entregues à subida dos laterais. Contudo, o argentino poderá encaixar o seu jogo no flanco fraco, ou seja, no flanco onde o ala terá apenas missões defensivas.

Na frente, RVP e Falcao serão sinónimo de golos caso consigam voltar à sua melhor condição física. O Holandês parte em vantagem mas com as suas movimentações malucas, o colombiano poderá ser mais profícuo na estratégia colectiva que o holandês pretende para a equipa. Ao estar em constante movimentação na área e na entrada desta sempre que vai atrás receber jogo, o colombiano poderá ter o condão de arrastar consigo as defensivas e abrir espaços para os colegas que vem de trás, principalmente para DiMaria ou Rooney. Como Ander Herrera facilmente as coloca em desmarcação para a entrada de alguém na área, seja a que distância for, teremos todo o ataque do United a funcionar como um verdadeiro colectivo.

A pergunta que vocês neste momento deverão estar a fazer é a seguinte: onde é que entram nesta estratégia jogadores como Januzaj, Valência, Juan Mata, Anderson, Darren Fletcher ou Ashley Young?

A maleabilidade táctica de van Gaal começa na sua defesa. Como Blind pode saltar para o meio-campo e Rojo para uma posição mais central caso actue pela esquerda, Smalling ou Phil Jones podem jogar na direita e o 3x4x2x1 pode ser rapidamente desmanchado para um 4x3x3 clássico quando a equipa dele o precisar, em situação de apuros ou de pura ineficiência. Rapidamente van Gaal poderá voltar à forma clássica de colocar um criativo na esquerda (Januzaj), DiMaria nesse mesmo flanco ou um extremo vertical na direita (Valência), todos a jogarem directo para as grandes referências de área da equipa.

Já Mata, Ashley Young, Fletcher e Anderson parecem ser neste início de temporada, jogadores dispensáveis por van Gaal até prova em contrário. O treinador já admitiu que pretenderá reforçar a equipa com Arturo Vidal (Juventus) ou Kevin Strootman em Janeiro. O médio que custou 45 milhões de euros em Janeiro aos Devils poderá ser vendido ou servir de moeda de troca em qualquer um dos negócios. Anderson e Young serão emprestados em Janeiro e poucas oportunidades terão até lá nesta equipa. A Fletcher mais tarde ou mais cedo serão abertos os portões de saída do clube dado que é um jogador que não se enquadra minimamente com a filosofia de jogo do técnico holandês.

Realçar a formação do clube

Se no aperto de Munique, quando a equipa jogava mal e não vencia, e em Novembro o Bayern ocupava um modesto 8º lugar na Bundesliga da qual se tornaria campeão em 2010, quando era criticado por todos, inclusive pela direcção e o seu lugar estava por um fio, no desespero lançou van Gaal elementos que andavam pelas reservas do clube como Diego Contento, Holger Badstuber, David Alaba e Thomas Muller, pedras que se vieram a revelar basilares no sucesso da equipa bávara naquela temporada, em Manchester, van Gaal começou a premiar antecipadamente uma cultura de mérito junto dos jovens das reservas da equipa britânica. Assim sendo não será de estranhar que para além de Wilfried Zaha (já utilizado por Moyes na temporada passada) saltem de um momento para o outro jovens da formação como os avançados James Wilson, Will Keane ou Tom Lawrence, o central Michael Keane ou Reece James ou o médio Jesse Lingard.

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