Crónica #4 – Champions League – Real Madrid 5-1 Basileia

Os merengues entraram com o pé direito na defesa do título europeu conquistado na temporada passada com uma goleada de 5-1, executada sobre a frágil equipa do Basileia orientada pelo português Paulo Sousa. O técnico português, por duas vezes vencedor da competição, uma pela Juventus em 1996 e outra no ano seguinte pelo Borussia de Dortmund, estreou-se na competição enquanto treinador. Pode-se dizer que foi uma estreia que o português decerto nunca se irá esquecer.

Na conferência de imprensa de antevisão da partida, dadas as duas derrotas somadas pelo Real Madrid nas últimas partidas disputadas frente a Real Sociedad (4-2 no Anoeta em San Sebastian) e Atlético de Madrid (no sábado no Bernabeu por 1-2), o italiano Ancelotti tentou aplacar a fúria dos adeptos (na segunda-feira dezenas de adeptos do clube fizeram uma espera aos jogadores à saida do Centro de estágios do clube em Valdebas; Toni Kroos e Iker Casillas foram insultados por alguns adeptos enquanto Gareth Bale viu dois adeptos pontapear-lhe o carro) e moralizar a sua equipa, afirmando que o jogo contra o Basileia poderia servir de ânimo para os seus artistas modificarem o rumo dos acontecimentos e inverterem os resultados negativos e a instabilidade que tem cirandado sobre o balneário da equipa após as polémicas declarações de Cristiano Ronaldo acerca da política de transferências levada a cabo pela direcção liderada por Florentino Perez.

Neste primeiro teste na Champions, o Real tinha como adversário o campeão suiço, o Basel FC, equipa que tem passado as últimas temporadas em clara ascenção no futebol europeu. Há 3 anos, esta equipa suiça, eliminou o Manchester United de Sir. Alex Ferguson na fase-de-grupos da prova (num grupo onde também estava o Benfica) e no ano passado, a equipa suiça logrou vencer em Stamford Bridge por 2-1, num jogo onde Mohammed Salah haveria de confirmar a sua transferência para o Chelsea (consumada pelo maravilhado José Mourinho em Janeiro). A equipa suiça tem aproveitado a Champions para valorizar bastantes activos (já lucrou mais de 70 milhões de euros com as vendas de Xherdan Shaqiri ao Bayern, Granit Xhaka ao Borussia de Moenchagladbach, Mohammed Salah ao Chelsea, Aleksandr Dragovic ou Valentin Stocker ao Hertha de Berlim). Para isso muito contribuiu também o trabalho realizado por antigo internacional suiço Murat Yakin (irmão do histórico jogador do clube Hakan Yakin) no comando técnico do clube.

Acossado pela imprensa espanhola, bastante crítica na forma em como o italiano descompensa as alas com as ausências de Bale e Ronaldo nas tarefas defensivas (como não descem, o lateral fica por norma a defender em inferioridade numérica; nem sempre Kroos ou Modric compensam porque tem jogado em inferioridade no meio-campo contra todos os adversários), o italiano decidiu promover duas alterações para a partida, fazendo entre o jovem Nacho Gonzalez e Marcelo para os lugares de Alvaro Arbeloa e Fábio Coentrão.
Na equipa de Paulo Sousa, o português abordou a partida assente num interessante 3x4x2x1 constituído por 3 centrais fixos (Schar, o veteraníssimo Walter Samuel e o checo Suchy), 2 alas (Behrang Safari à esquerda e o albanês Taulant Xhaka à direita, irmão de Granit Xhaka), 2 centrocampistas (Elnessy e Fabian Frei), 2 médios de índole ofensiva (Zuffi e o paraguaio Derlis Gonzalez, jogador que o Benfica foi buscar há uns anos ao paraguai) no apoio ao fixo Marco Streller.

Nos primeiros minutos da partida, num ritmo de jogo bastante sereno, o Basileia tentou aproveitar as dificuldades que este Real manifesta no jogo interior (DiMaria faz tanta falta neste meio-campo) para defender de forma muito organizada (povoando bem o meio-campo, Paulo Sousa colocou 4 contra Modric e Toni Kroos; o que é facto é que o alemão e o croata mexeram bem na organização de jogo quando o jogo assim o pediu), uma linha de 5 a defender em linha e um meio-campo que rapidamente vasculava para as alas sempre que a bola caía em James (mais à esquerda) ou Ronaldo (mais à direita). O treinador português deu muitas indicações durante a primeira meia-hora para os seus alas e devida compensação às alas pressionarem Ronaldo e não deixarem o português embalar pela linha.

O português haveria de criar a primeira situação de perigo logo aos 5″ quando, driblando Safari na direita atirou forte por cima da barra de Vaclik. O checo limitou-se a controlar. Tentando arrefecer qualquer ímpeto inicial que o Real mostrasse no início da partida, o Basileia circulava bem a bola a meio-campo mas não conseguia criar uma jogada digna desse nome. Nem a concertação defensiva haveria de impedir aos 13″ o primeiro golo da partida quando na direita Nacho quis servir Benzema na área e viu a sua tentativa de cruzamento desarmada por Suchy directamente para a baliza do seu guardião. Mesmo a complicar bastante o jogo, o Real iniciava uma goleada de forma tranquila.

O Basileia tentou responder de seguida: Taulant Xhaka esboçou o cruzamento da direita para o experiente Marco Streller que à boa moda de um ponta-de-lança digno da posição se antecipou ao primeiro poste a Pepe e empurrou às malhas laterais da baliza de Casillas com o espanhol a controlar o lance. Casillas foi assobiado durante quase toda a partida, excepção feito aos aplausos que o Bernabeu lhe brindou a meio da primeira parte, ainda por causa dos golos sofridos contra o Atlético de Madrid, golos nos quais, a meu ver, não teve culpa nenhuma.

modric 2

O jogo estava a ser monótono. O Real continuava a apostar num jogo exterior, devidamente distribuído com sucessivas rotações de flanco por parte de Toni Kroos, onde Ronaldo tentava criar desequilíbrios no 1×1 (sem efeitos práticos) ou Marcelo, bem subido no terreno tentava servir Benzema e Bale na área (mais uma vez Bale, Ronaldo e James trocaram várias vezes de posicão, com o galês a iniciar o jogo bem perto do francês). Quando o croata Modric se libertou da pressão que era feita pelo egípcio Elnessy na companhia de Zuffy o jogo acelerou e os merengues construíram o seu resultado.

Logo após uma cabeçada de Pepe que Vaclik teve que defender com uma enorme defesa de recurso, com duas jogadas de génio aos minutos Modric desbloqueou um jogo opaco: aos 29″ quando combinou com Ronaldo num primeiro momento a meio-campo, desmarcando de seguida com um longo passe de trivela Gareth Bale pela esquerda à entrada da área (Bale consumaria o acto de rebeldia do croata com um arqueado chapéu sobre Vaclik seguido de uma emenda triunfal para a baliza do checo) e de seguida, no minuto seguinte, num passe, também ele de trivela para a direita para a corrida de Bale sobre o central Suchy seguido de cruzamento típico para a pequena área onde surgiu Cristiano Ronaldo a empurrar para a baliza do Basileia, fazendo o seu primeiro golo desta temporada na prova (72º na prova; é novamente melhor marcador da prova à condição com mais 1 golo que Lionel Messi).

O croata montou o espectáculo, colheu no seu bolso a aficción que se deslocou ao Bernabeu, meteu a viola no saco e geriu a sua partida da melhor forma que soube.

6 minutos depois seria James a obter o 4º golo: numa fantástica jogada iniciada por Benzema, Ronaldo e Bale demonstraram toda a sua inteligência quando o português, tirando um adversário do caminho da bola já na área viu a movimentação de Bale a entrar na pequena área (processo ofensivo que o português e o galês fazem constantemente) mas também viu que 4 jogadores do Basileia encaminharam-se para anular o galês. De forma inteligente, Ronaldo colocou para trás onde apareceu Benzema sozinho a rematar para defesa incompleta de Vaclik para a frente. Surgido de trás, o colombiano só teve que empurrar para o 4-0.

No minuto seguinte…

Aos 37″ o Basileia resumiu-se à sua defesa. Não conseguindo elaborar uma jogada com cabeça, tronco e membros, a equipa suiça não só perdia demasiadas bolas a meio-campo quando tentava sair como fazia as transições em contra-ataque sempre que podia num ritmo bastante lento que permitia à defesa do Real Madrid reagrupar-se e reorganizar-se rapidamente. Só aos 37″ num lance todo ele desenvolvido ao primeiro toque desde a saída de jogo por parte do veterano Walter Samuel é que a bola veio parar ao paraguaio Derlis Gonzales (aproveitando um furo existente entre Sérgio Ramos e Marcelo; o primeiro porque largou o seu oponente directo para ir pressionar a meio-campo e o lateral porque não fechou o espaço no miolo deixado pelo central) que aproveitou para marcar o tento de honra da sua equipa num remate rasteiro cruzado que não deu hipóteses de defesa a Casillas.

Derlis Gonzalez foi o mais esclarecido em campo por parte do Basileia. O paraguaio revelou-se muito mexido, procurando muito a bola e, sendo rápido na recepção e passe, procurou quase sempre jogar fácil, ou seja, receber, passar novamente e encaminhar-se para um espaço para receber novamente.

No minuto seguinte, Marco Streller cabeceou para defesa fácil do guardião espanhol. O lance colocou novamente a equipa de Ancelotti em alerta e o Real voltou ao ataque, guardando a posse de bola até ao intervalo.

Na 2ª parte, extremamente enfadonha diga-se, Derlis Gonzales tentou o 2º golo mas viu Casillas negá-lo com uma defesa onde mostrou os seus apurados reflexos. Fabian Schar teve uma oportunidade aos 76″ e aos 79″ Benzema e Ronaldo destruíram a defesa de Paulo Sousa e o francês selou a goleada madrilena com o seu poderoso remate.

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