Da eslovénia

1. Confesso que fiquei novamente defraudado com a exibição do Sporting. Pensei que durante a semana, o presidente tivesse cometido a graciosidade de ir dar uma palavrinha mais ríspida aos jogadores de modo a alterar a sua atitude, mas, ao fim ao cabo, a atitude foi a mesma, os erros cometidos foram exactamente os mesmos que se tem cometido até aqui, e a qualidade da equipa, neste momento, está longe de ser a melhor.

2. Tenho lido por aí a opinião que Naby Sarr tem o mesmo potencial de Mangala quando chegou ao Porto. Depois de observar o jogador atentamente durante estes 5 jogos oficiais, não posso concordar. Quando chegou ao Porto, Mangala já era internacional sub-21 pela frança e titular indiscutível de um clube de nível médio com aspirações crónicas ao título nacional belga (o Standard de Liège) – o outro é internacional sub-20 pela França mas ao nível do seu antigo clube (Olympique Lyonnais) apenas jogou em 6 ocasiões na temporada passada, passando grande parte da época a jogar pelas reservas do clube. Acresce também o facto do Olympique Lyonnais ter apostado nos últimos anos na sua formação, em virtude das dificuldades financeiras e desportivas que atravessa n0 hiato cavado com a perda do título nacional francês em 2009\2010 após 7 épocas vitoriosas. Se um jogador formado na casa não actua com regularidade no clube quando este está claramente virado ao nível estratégico para apostar nessa mesma prata da casa e é vendido a um clube português por 1 milhão de euros mais objectivos, é sinal que esse mesmo clube não vislumbra futuro no jogador. Se um chegou ao Porto e a princípio cometeu alguns erros, erros que deverão ser considerados como normais na adaptação do jogador à sua nova realidade, mas rapidamente trabalhou para colmatar as lacunas do seu jogo (foi notória a evolução de Mangala ao nível posicional, ao nível de tomadas de decisão, ao nível da diminuição da impetuosidade com que abordava os lances; escondendo de certo modo as limitações que apresenta ao nível de jogo para as suas costas dada a falta de velocidade inerente à sua envergadura física com um sentido posicional exímio), tornou-se o patrão indiscutível da defesa do clube e foi vendido, literalmente, por uma pipa de massa. De Sarr não temos visto mais do que um central lento, extremamente permissivo, com imensas dificuldades em recuperar no terreno quando o avançado contrário é solicitado em desmarcação nas suas costas, fraquíssimo técnicamente, com um nível de decisão nos lances de bradar aos céus (mesmo quando é chamado a desarmar, fá-lo de forma sofrível; no lance do golo do Maribor estava sozinho e tinha tudo para, pelo menos, cabecear para a frente) e com pouca habilidade para sair a jogar. Comparar Mangala quando chegou ao Porto ao actual estado de Naby Sarr e às exibições com que nos tem brindado neste arranque de temporada é como comparar Jesus Cristo ao anjo Lucifer.

3. Estava sozinho. Poderia ter feito tudo: cabecear para a frente, para o guarda-redes, para as alas, para fora. Menos para o lado onde estava o adversário. Maurício ajudou. De Maurício tenho dito: não esperemos muito. Fiel a si próprio é um central duro à moda antiga. Também não sabe avaliar a abordagem ideal que deve ter aos lances, falha que o leva a cometer faltas em lances que não constituem perigo. Dá Pau para todos os gostos quando não deve dar, ficando passivo nas jogadas em que deve brindar o adversário com uma castanhada a doer. Ontem, conseguiu ajudar Sarr a dar 1 ponto e 500 mil euros de prémio ao modesto Maribor da Eslovénia…

4… que é, à semelhança do Sporting uma equipa que não tem qualidade para estar na Champions. Defenderam muito bem e capitalizaram a falta de velocidade no jogo do Sporting, a falta de ambição, os sucessivos passes falhados que Adrien e William fizeram na primeira fase de construção da equipa, a falta de sincronização entre os elementos do ataque do Sporting. Começaram a acreditar que podiam vencer e em duas ou três situações só não marcaram porque estava lá Patrício ou o São Poste.

5. O que é que se passa com Adrien, William, Jefferson, André Martins Carrillo? – Se o primeiro anda a brindar-nos com jogos cheios de passes falhados atrás de passes falhados e o segundo tem jogos em que consegue batalhar e ganhar muitas bolas no meio-campo, outros em que todas as bolas lhe passam ao lado e, todos, em que não consegue meter 10 passes a 5 metros no início da construção da equipa após recuperação de bola, é caso para perguntar se estes dois jogadores andam com a cabeça em Alvalade. A resposta é simples: não.

Outro que não tem andado entre nós é Jefferson. Marco Silva já deveria ter colocado Jonathan Silva na esquerda da defesa. Nem que a escolha tivesse como propósito afectar o orgulho do brasileiro. Jefferson está a revelar falta de concorrência na sua posição. Defende mal (dá um espaço enorme ao ala contrário para manietar a bola de acordo com a sua vontade; não fecha ao meio, no ataque nem cruza nem mija nem tosse; Jefferson anda por ali a correr desenfreadamente com a bola pela linha até que ele saia do terreno de jogo).

Os dois últimos são dois case-studies de valor para qualquer psicológo interessado na área desportiva. O primeiro faz grandes pré-temporadas. Terminando os jogos de preparação ausenta-se do campo durante 12 meses, limitando-se a correr por lá de vez em quando. Já foi testado por Jardim como um médio interior cuja função era ligar o jogo de Adrien (médio interior mais à esquerda) ao flanco direito do ataque. Combinava bem com Cedric e Wilson Eduardo na temporada passada. Foi desaparecendo aos poucos. Com Marco Silva tem jogado numa posição mais central à entrada da área como apoio pelo miolo a Slimani. (Como seria importante o Sporting ter um jogador que desequilibrasse pelo centro para o jogo não ser tão previsível de ver à equipa contrária!!). Sempre que pode, André Martins vai para a direita e desaparece de jogo.
Do peruano, conhecemos a experiência de um jogador que faz 1 jogo bom a cada 5 horríveis. Não jogando na esquerda perde uma interessante característica de jogo que executa bem: as incursões na área em drible do flanco esquerdo para o meio seguidas de remate ao 2º poste. Jogando na direita, contra equipas, como foi o caso do Maribor, cujos treinadores estudem bem o jogo do peruano, basta colocar o lateral a pressioná-lo assim que recebe a bola para o jogador prender e congelar qualquer jogada que o Sporting tente executar pelo seu flanco.

Em 3 meses no comando técnico do Sporting, a equipa não tem estabilidade defensiva, tem dois centrais que não são capazes de sair a jogar e com isso furar as primeiras linhas de pressão adversárias, um meio campo intermitente que é muito batalhador mas não é eficaz na recuperação de bola, na pressão a meio campo e na distribuição de jogo, um fio-de-jogo demasiado flanqueado e previsível (por isso é que Nani sempre que pode vem buscar a bola ao centro) que, à falta de pior, não consegue sequer colocar a bola em condições na sua referência atacante. Do trabalho do antigo técnico do Estoril salva-se apenas a lucidez que João Mario acrescenta ao jogo do Sporting sempre que entra, descobrindo boas soluções de passe, flanqueando o jogo com velocidade nos momentos em que a equipa tem superioridade numérica no flanco, e a evolução que o treinador está a tentar realizar na criação de desequlíbrios ao nível do miolo com as tentativas que tanto Nani como Mané fazem em tentar furar pela zona central em tabelinhas. A juntar à negativa e penosa circulação de jogo que tem que passar por toda a gente até se criar uma jogada digna de registo, há uma imensa falta de vontade de alguns jogadores permanecerem no clube aliada a uma falta de preparação física enorme de alguns jogadores.

Enquanto a equipa estiver a jogar a este nível, não vai muito longe. Numa competição como a Champions, todos os erros serão capitalizados pelo adversário. Se ontem, o Maribor não aproveitou para construir uma vitória algumas desconcentrações defensivas, não se espere por Alvalade que tanto o Chelsea como o Schalke sejam perdulários quando jogarem contra o Sporting. Medindo o actual estado do futebol leonino e o potencial das duas equipas, pode vir Bruno de Carvalho afirmar quantas vezes quiser que o objectivo é passar a fase-de-grupos. Não o conseguirá nem que a vaca tussa. Tomara até que não sejamos goleados em Inglaterra e na Alemanha.

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