Quem tramou Paulo Bento?

Escrevi aqui no dia 9 de Setembro um rumor que me caiu por sms no telemóvel. Sendo a fonte uma pessoa ligada à FPF por inerência do cargo que ocupa numa Associação de Futebol Distrital, decidi publicar: “Saiu há algumas horas atrás um rumor que especulava sobre o futuro de Paulo Bento no comando técnico da selecção nacional. A informação prestada dá conta de um ambiente de algum descontentamento no seio da estrutura da FPF, tendo um dos seus vice-presidentes ameaçado demitir-se caso o presidente não demita o seleccionador nacional após o voto de confiança que manifestou publicamente no seu trabalho, voto esse que foi traído no primeiro jogo da ronda de qualificação para o Euro 2016 frente à Albânia.”

Na entrevista dada pelo demitido seleccionador nacional à RTP-i (Paulo Bento tratou finalmente de esclarecer quem demitiu) 0 seleccionador nacional afirmou que a decisão não veio de Fernando Gomes, referindo que “por vontade do presidente ainda seria o seleccionador nacional” e rejeitou que Cristiano Ronaldo tivesse exercido a sua influência junto dos dirigentes federativos para que se decidisse em favor da demissão do seleccionador. O rumor por mim publicado tem então um fundo de verdade. Resta portanto saber quem é que manda mais dentro da estrutura da federação que o seu presidente. Quem demitiu Paulo Bento. Terá sido um dos seus vices ou directores?
– Humberto Coelho é por estatuto o principal vice da Federação. Histórico do futebol português e da selecção nacional, antigo seleccionador com provas dadas nos dois anos em que esteve à frente da selecção (qualificação para o euro 2000; a campanha extraordinária que a selecção fez nesse ano na Holanda e na Bélgica) Humberto Coelho jamais se desligou da FPF e continuou directa ou indirectamente a exercer muita influência nas escolhas que vários dirigentes tiveram que efectuar na estrutura do organismo. É em minha opinião o principal responsável pela saída de Paulo Bento. Junta-se-lhe o facto de poucas vezes ter vindo a público elogiar o treinador.
– João Pinto: Em abono da verdade, depois de ter sido condenado pela justiça portuguesa do crime de evasão fiscal relativa aos direitos de imagem e prémios de assinatura relativos à sua assinatura de contrato pelo Sporting em 2000, este antigo colega de Paulo Bento no Sporting e na selecção, jamais deveria ter continuado a exercer o posto que exerce naquele organismo financiado por dinheiros públicos. João Pinto é o director para a selecção A e selecção de esperanças. Não creio que tenha sido o mandante da demissão de Paulo Bento dados os laços criados durante anos no clube e na selecção com o seleccionador. – Mário de Figueiredo – É vice da FPF por inerência do cargo que ocupa. Por vontade de Fernando Gomes e dos restantes altos quadros da FPF não o seria e o organismo que dirige já teria sido extinto. É de conhecimento público a vontade que a FPF tem de voltar a assumir a organização da principal prova do futebol português.
– Rui Manhoso e Carlos Coutada – São os vices com menos influência na FPF. Dois verbos de encher escolhidos por Fernando Gomes porque o organigrama da estrutura federativa assim o exige.
– Hermínio Loureiro – Um vice com muita influência apesar de não o parecer à primeira vista. Com ligações à Secretaria de Estado do Desporto, organismo no qual já ocupou a posição de Secretário de Estado, logo, com ligações óbvias ao poder político, é o vice que tenta puxar a brasa à sardinha da FPF quando esta necessidade de fundos públicos para financiar projecto A ou B. Futebolisticamente falando, é um agente capaz de se mexer junto de Fernando Gomes pelo que não se deve descartar que Hermínio tenha agido com fluidez nos bastidores de modo a provocar um motim contra o seleccionador.
– Elísio Carneiro – Outro diplomata às claras dentro da FPF. É o king maker da coisa no verdadeiro sentido do termo mas exerce mais influência junto das Associações distritais. A decisão também poderá ter saído da sua vontade.
– Carlos Godinho – Ao director da divisão desportiva da FPF é lhe reconhecida uma enorme influência junto de Madaíl e de Fernando Gomes. Não creio que tenha sido o mandante da decisão. Godinho não estaria a ser coerente e estaria a ir contra o seleccionador que ele, João Rodrigues e Gilberto Madaíl escolheram em 2010.

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