Premier League 5ª Jornada – Aston Villa x Arsenal & West Ham x Liverpool

Aston Villa x Arsenal

Um dos jogos que acompanhei durante a tarde desportiva foi o Aston Villa x Arsenal. A equipa de Paul Lambert estava a fazer, até à data do jogo, um campeonato de sonho. Com 3 vitórias e 1 empate, logo atrás do Chelsea na liderança da Premier League e embalados de uma vitória fora frente ao Liverpool (1-0), é o melhor começo do Villa desde a longínqua época de 98/99.

O Arsenal ainda não perdeu para a Liga, mas teve um começo de campeonato algo atribulado: uma vitória em casa frente ao Crystal Palace com um golo nos últimos minutos (2-1), 3 empates consecutivos (um deles frente ao Manchester City em casa), e exibições pouco convincentes. Tiveram a primeira derrota oficial da época frente ao Dortmund para a Liga dos Campeões (0-2 fora), e seria de esperar um jogo complicado frente a um Villa em bom momento.

Wenger optou por deixar no banco Alexis Sanchez e Jack Wilshere, titulares habituais. Para os seus lugares entraram Arteta e Oxlade-Chamberlain. Mas o desenho táctico indicava que Ozil estava de volta à sua melhor posição: a número 10 (finalmente!), com Cazorla a cair mais vezes nos flancos. Já Paul Lambert, surpreendentemente e talvez com medo do meio-campo do Arsenal, colocou Sanchez a titular e relegou Charles N’Zogbia para o banco.

O jogo começou com o Aston Villa por cima. O meio-campo do Arsenal entrou muito adormecido e o Villa estava motivado depois do último resultado. Fabian Delph (em grande forma) e Tom Cleverley estavam a estancar o meio-campo dos Gunners e a puxar a equipa para a frente. Agbonlanhor sempre muito activo, não deu uma bola por perdida e os defesas centrais do Arsenal tiveram algumas dificuldades inicialmente. Contudo, aos poucos e poucos, o Arsenal impôs o seu jogo e equilibrou a contenda, mesmo sem criar muito perigo. Mas em 5 minutos, um jogo que se assumiu difícil para o Arsenal, tornou-se fácil. Um excelente passe de Ramsey apanhou a desmarcação de Ozil que, na cara de Brad Guzan não perdoou. Estava feito o 1-0. Mas sem tempo para respirar, uma excelente jogada de futebol do Arsenal culminou no primeiro golo de Danny Welbeck pela camisola dos Gunners, e 2-0. Como se não bastasse, após 2 minutos, Cissokho (ex-FC Porto) faz um auto-golo na tentativa de parar um cruzamento do adversário. E 3-0. O jogo parecia completamente decidido.

Na segunda parte, tivémos um jogo antítese da Premier League: aborrecido e sem grandes motivos de interesse, mas muito por culpa do Aston Villa. Se há algo que treinador do A. Villa revelou hoje foi a sua falta de capacidade para assumir planos tácticos diferentes consoante a partida. Deu a sensação de que o Villa entrou para jogar de uma forma específica durante os 90 minutos, quando se assistiu a um Villa, na segunda parte, a entregar a bola ao Arsenal e assumir o bloco baixo que tinha até ao 0-0. Infelizmente, pouco mais há a contar do jogo na segunda parte.

Os Gunners, sem terem feito um jogo muito convincente, valeu pelos 5 minutos onde decidiram a partida, e a partir daí foi gestão da posse com muita tranquilidade. Os pupilos de Arsene Wenger tiveram 68% (!) da posse de bola, o que demonstra bem o controlo total que tiveram deste jogo do início ao fim. Com esta vitória sobem temporariamente ao 4º lugar da classificação, com 9 pontos. Já este Villa parece-me uma equipa com alguma falta de soluções no banco, um onze razoável que dará para lutar por um campeonato tranquilo, e nada mais. Paul Lambert trouxe a estabilidade que faltava ao clube desde a saída de Martin O’Neil, mas é preciso algo mais para lutar pelas competições europeias.

West Ham x Liverpool

O outro jogo de interesse desta tarde realizou-se 2 horas e meia depois, e opôs frente-a-frente os comandados de Sam Allardyce frente ao Liverpool. O West Ham não tem tido um começo fácil, com 2 derrotas caseiras (0-1 Tottenham; 1-3 Southampton), 1 empate fora (Hull 2-2) e vitória forasteira frente ao Crystal Palace (3-1). As equipas de Big Sam costumam subir de rendimento com o avançar da temporada, portanto não é completamente inesperado este início, embora estejam a mostrar um nível ofensivo bastante acima do esperado, e comparativamente com a época anterior.

Já o Liverpool continua uma equipa bastante inconsistente, à imagem do início do ano passado. Ora ganha, ora perde, e agora sem Luis Suarez, demonstra um futebol muito amorfo e dependente de 2/3 individualidades. Neste momento, o Liverpool não pode contar com Sturridge, para mim o melhor jogador inglês da atualidade, e a veia goleadora da equipa têm-se ressentido dessa falta. No seu lugar tem atuado Borini, sem convencer minimamente. Na última terça-feira, a equipa de Anfield Road teve imensas dificuldades para superar uma equipa bastante abaixo em termos individuais e coletivos (Ludogorets 2-1), o que também demonstra alguma incapacidade individual e coletiva neste momento. Alguns jogadores que foram comprados na silly season também ainda não parecem completamente adaptados à Premier League e ao estilo de jogo de Brendan Rogers (por exemplo, Markovic, Lallana, até mesmo Balotelli), e quando comparamos os plantéis de ataque ao top-4 da Premier, reparamos que o Liverpool tem um plantel, no global, muito inferior a Chelsea, City e United, e algo inferior a Arsenal.

Brendan Rogers promoveu uma ou outra alteração, tendo em conta o desgaste acumulado. Lucas Leiva foi a surpresa no onze, provavelmente para soltar Sterling e Henderson para funções mais atacantes. Manquillo, com exibições pouco convincentes, continuou a receber a confiança do treinador do Liverpool. Sakho, desta vez, começou no banco.

O West Ham surpreendou e chegou à vantagem muito cedo, logo aos 2′, num livre do lado direito, a bola pingou sem dificuldades ao segundo poste, onde um jogador encostou de cabeça para o centro da área, onde estava o central Reid completamente desmarcado, e que só teve que encostar para fazer o 1-0. Este golo teve um efeito anímico devastador no Liverpool, que se mostrou muito ansioso e sem conseguir construir jogo ofensivo de forma continuada. O West Ham aproveitava todas as oportunidades para contra-atacar, e aos 13′ voltou a marcar, através de um momento genial do extremo Sakho. Após conseguir entrar na grande área, fez um chapéu perfeito a Mignolet.

A verdade é que o West Ham estava a fazer o melhor jogo da época. Num bloco baixo e compacto, muito organizados, são eficientes quando contra-atacam e conseguem arranjar momentos de finalização exterior ou interior com relativa facilidade.

Já o Liverpool, 20 minutos iniciais medíocres. Chegou ao ponto de Brendan Rogers mudar a táctica aos 25′, com a entrada de Sakho para o lugar de Manquillo. Adaptou um 3-5-2 com Alberto Moreno na esquerda e Sterling no flanco direito. E foi mesmo Raheem Sterling, sempre irrequieto entre o flanco direito e o centro, que lá consegui marcar. Numa investida de Balotelli (muito mal durante o jogo todo), tentou rematar, a bola ressaltou em Reid e veio parar a Sterling, que à entrada da área mandou um remate potente, sem hipótese para Adrian. Estava feito o 2-1 e esperava-se um Liverpool pronto para arrancar para a reviravolta. Enganem-se. O Liverpool continuou amorfo, sem ideias, num 3-5-2 que parecia ainda pouco trabalhado para ser solução para os problemas da equipa.

Na segunda parte, saiu Lucas Leiva e entrou Lallana, ainda longe do patamar físico desejado. Contudo, a entrada de Lallana deu outra vivacidade ao meio-campo e à construção das jogadas do Liverpool, como sempre. Lallana transformou-se, nos primeiros 25 minutos da segunda parte, num verdadeiro motor e participou em diversas boas jogadas. Contudo, a equipa foi perdendo gás, o West Ham foi-se acomodando cada vez mais nas suas sete quintas. Até que aos 88′, já perto do fim e numa completa fase de desespero do Liverpool, um contra-ataque eficaz do West Ham, onde Downing encontrou Amalfitano, que tinha entrado na segunda parte, e que à entrada da área, finalizou de bica, à Romário, para o 3-1 final. Com esta vitória, o West Ham ultrapassa o Liverpool na classificação, ficando com 7 pontos, enquanto que os Reds ficam com 6 pontos, resultantes de 2 vitórias e 3 derrotas.

Grande jogo de Mark Noble no meio-campo do West Ham, para mim o MoM. O capitão é um verdadeiro líder, joga e faz jogar. Esteve também na assistência para o 2-0. Adrian (GR) muito seguro cá atrás, Reid e o Kouyate impecáveis no plano defensivo. Enner Valencia muito atrevido, mas algo inconsequente.

Já o Liverpool parece sem saída possível desta espiral descendente. A equipa apresenta dificuldades de construção notórias contra qualquer adversário, desde o Ludogorets até ao City. Nota-se que há jogadores sem qualidade para serem soluções (Manquillo, Lucas, Borini), outros fora do nível físico que se pretende (Sturridge, Lallana), outros que ainda não estão adaptados (Markovic, Balotelli) e outros que continuam a fazer erros a mais (Sakho, Lovren). Além disso, a atitude táctica de Brendan, um treinador que admiro muito, é no mínimo estranha. Parece que ainda procura encontrar a melhor solução para potenciar a sua equipa ao máximo, quando a pré-época já lá vai há cerca de 1 mês. Rogers tem de encontrar rapidamente uma forma de manter o mínimo de equilibrio da equipa, estabilizá-la emocionalmente e deixar os esquemas de 2 pontas de lança para um canto. Um 4-3-3 poderia resultar melhor e esconder as graves debilidades na construção da equipa do Liverpool. Notas positivas apenas para Alberto Moreno (flanco esquerdo sempre bem preenchido), Henderson (regular) e Sterling (não deu por barata a derrota).

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