Crónica #7 – Deportivo 2-8 Real Madrid

Cristiano Ronaldo, Karim Benzema e Gareth Bale destruiram a equipa galega. Não se pode dizer que este regresso do Real Madrid às goleadas foi um jogo de sentido único porque a equipa comandada por Victor Fernandez fez um jogo muito interessante do ponto de vista ofensivo. Defensivamente, esta equipa galega manifestou muitas dificuldades para pressionar o meio-campo do Real Madrid e conseguir defender as constantes movimentações outside e inside dos 3 da frente.

No Riazor, o Deportivo procurava dar seguimento à vitória obtida no passado fim-de-semana frente ao também recém-promovido Eibar. Já a equipa de Carlo Ancelotti, apesar de ter vencido o Basileia por 5-1 para a 1ª jornada da Champions, tentava recuperar na Corunha de duas derrotas estrondosas para a Liga (4-2 no Anoeta frente à Real Sociedad e 1-2 no Bernabeu frente aos rivais de Madrid).
Com Pepe lesionado, Carlo Ancelotti deu a titularidade ao francês Varane no eixo da defesa. Na direita da defesa, o jovem Nacho (realizou uma partida muito interessante contra o Basileia) voltou a ser rendido pelo habitual suplente para a posição (Alvaro Arbeloa). Na esquerda da defesa, o técnico italiano voltou a apostar na titularidade de Marcelo em detrimento de Fábio Coentrão que ficou no banco dos merengues.
Já Luis Fernandez apostou num onze que anda muito próximo do seu onze-base: o argentino German Lux na baliza, uma defesa composta pelo capitão Laure, pelos centrais Sidnei (emprestado pelo Benfica) e Diakité e pelo lateral-esquerdo (também ele ex-benfica) Luisinho. No meio-campo Fernandez fez alinhar o técnico bósnio Medujanin juntamente com Alex, Juanfran na direita, o antigo jogador do Barcelona Isaac Cuenca na esquerda e Luis Fariña numa posição mais avançada no terreno no apoio directo a Hélder Postiga.

O Deportivo iniciou a partida com uma abordagem muito ofensiva que se traduziu num futebol altamente flanqueado. A equipa galega depositou a bola nos seus desequilibradores nas alas, assistindo-se a bastantes cruzamentos para a área à procura do toque final de Hélder Postiga por parte do lateral Laure (na direita) ou à tentativa de acções individuais de Cuenca na esquerda. O capitão da equipa galega e o antigo jogador do Barcelona foram efectivamente os melhores em campo no que à turma galega diz respeito, apesar do catalão ter-se evidenciado demasiado individualista nas acções de 1×1 e 1 para 2 que tentou realizar várias vezes no flanco esquerdo.

Depois do arranque interessante da turma galega, Luca Modric pegou no jogo do Real. Em grande forma nas últimas semanas, o croata pegou na batuta da equipa e começou a organizar (com os seus passes a rasgar) o jogo ofensivo dos merengues. As ocasiões de golo começaram a suceder-se:
– Com muito espaço para jogar no seu flanco (Bale foi um autêntico terror para Luisinho), aos 11″, o internacional galês tirou o português do caminho e centrou para um cabeceamento de Ronaldo (solto da marcação de Sidnei; o antigo central do Benfica nunca acertou com a marcação ao português ou ao galês Bale sempre que este apareceu nas imediações da área; prova disso foram os dois golos obtidos pelo galês na partida) para uma defesa fácil de Lux.- Iniciando um processo de construção recheado de tabelas a meio-campo e tabelas à entrada da área com a devida envolvência de Karim Benzema (ao vir buscar jogo à entrada da área arrastou consigo os centrais e abriu espaços para a entrada de Ronaldo ou Bale) perante um Deportivo que fez povoar muita gente à entrada da área em zona central, mas, que no fundo foi uma equipa pouco pressionante no primeiro-tempo, aos 15″, o francês veio buscar uma bola fora da área, rodou sobre vários adversários, entrou na caixa e desmarcou Gareth Bale na direita com o Galês a rematar para defesa de German Lux que, neste lance em específico, revelou muita coragem na saída realizada aos pés do galês.
– Aos 19″, depois de Cuenca não ter dado melhor seguimento à tentativa de marcação de um canto curto, James Rodriguez recuperou o esférico, lançou em contra-ataque pela esquerda Luca Modric, que por sua vez, depois de passar em slalom por dois adversários, abriu o jogo para a direita, encontrando Ronaldo. Sem pressão imediata por parte de Luisinho ou Alex, o português teve todo o tempo do mundo para receber a bola e ensaiar o seu poderoso remate que haveria de sair ao lado da baliza de Lux.

O primeiro golo do Real avizinhava-se perante uma equipa da Corunha que tinha em Medujanin o verdadeiro patrão do meio-campo e em Cuenca o criativo. No entanto, defensivamente, a equipa da Corunha foi extremamente permeável pelo trio de ataque da equipa madrilena na medida em que a mobilidade do trio da frente da equipa (mais James) fez com que a equipa de Fernandez não acertasse com as marcações.
Este primeiro golo viria aos 28″ quando Arbeloa cruzou da direita para uma fantástica impulsão de Cristiano Ronaldo e um cabeceamento em arco perfeito que Lux jamais conseguiria defender. Se os gestos físico e técnico (impulsão e cabeceamento) do português foram absolutamente formidáveis (inacessíveis a grande parte dos avançados mundiais), posso também afirmar que este golo só aconteceu porque Sidnei deixou completamente solto o português e chegou bastante tarde ao lance.

Benzema continuou a ir buscar muito jogo fora da área. Aos 31″ voltou a vir buscar jogo a Modric fora, para depois efectuar um remate rasteiro para defesa fácil de Lux. Aos 35″ foi ao flanco esquerdo construir o lance do 2º golo madrileno. Com um gesto simples, passou a bola para James numa posição mais interior à entrada da área e o colombiano num remate em arco (perfeito) colocou a bola no canto superior direito da baliza de German Lux. O argentino limitou-se a olhar para o redondo arco que o craque colombiano colocou naquele remate que deu o 0-2 para a equipa de Carlo Ancelotti.

A equipa galega perdeu o norte e passados 6 minutos haveria de sofrer o 3º golo (novamente em contra-ataque) numa parvoíce pegada de toda a defensiva galega (German Lux sai antecipadamente ao lance e comete falta; lei da vantagem bem assinalada por Perez Montero) permitindo o bis a Ronaldo.

Ao intervalo, a vantagem de 3 golos do Real e avizinhava uma 2ª parte minimamente tranquila em que a turma de Ancelotti poderia gerir o jogo a seu belo prazer e gerir o esforço. Porém, os galegos queriam dar uma melhor imagem do que aquela que foi dada no primeiro tempo.

Luis Fernandez iniciou o segundo tempo com uma alteração. Ivan Cavaleiro entrou para o lugar do “ausente” Postiga. Assentes na distribuição de jogo do bósnio Medujanin e nos desequilíbrios que Cuenca tentava dar à equipa através das suas acções individuais em drible nas alas, o Depor deu bastante alento à sua fiel massa adepta (no final da partida todo o Riazor aplaudiu de pé os seus jogadores) entrando a todo o gás no 2º tempo.

Cientes que já tinham perdido o jogo, os galegos arriscaram no ataque, aos 49″ Luisinho subiu pela esquerda e centrou para Cuenca cabecear contra Sérgio Ramos. Perez Montero considerou que o central cortou a bola com o braço, apesar do lance ser duvidoso, e assinalou prontamente uma grande penalidade que Medujanin converteu para 1-3. Os galegos acreditaram que podiam tirar mais proveito do jogo: dois minutos depois Isaac cuenca trabalhou na direita e rematou para defesa incompleta de Casillas para os pés de Cavaleiro. O português foi lesto a atirar a contar, deixando Casillas emendar o erro cometido com uma palmada que impediu o jogador emprestado pelo Benfica à equipa galega de fazer o 2-3.
Aos 56″, Casillas defendeu um remate frouxo de Luis Fariña. Dois minutos depois, num simples e rápido lance em contra-golpe no qual o ataque do Depor fez rodar o esférico do centro para o flanco direito e do flanco direito para Ivan Cavaleiro na esquerda com um passe longo, o português teve espaço para ensaiar o remate fazendo um remate em arco por cima da baliza do internacional espanhol.

As constantes ameaças dos galegos à equipa de Casillas levaram Carlo Ancelotti a refrescar o meio-campo com a entrada de Isco e Illarramendi (Modric perdeu o meio-campo quando sobressaiu Medujanin) e o ataque com a estreia de Chicarito Hernandez na Liga Espanhola. O Real voltou a ganhar o meio-campo e a partir dessa base construiu com um futebol esteticamente bonito a sua goleada triunfal:
– Aos 65″ Marcelo tirou da cartola um incrível passe em desmarcação para a área a rasgar para a entrada de Bale que atirou para o fundo das redes de Lux com a bola a entrar caprichosamente depois de ter tocado no poste direito da baliza do Depor.
– Numa jogada tirada a papel químico (só mudou o autor da assistência e o tipo de finalização executada pelo galês), Isco solicitou Bale com um passe semelhante aquele que foi realizado por Marcelo minutos antes com o galês a apostar desta vez com um remate picado por cima de Lux. Mais uma vez Sidnei e Diakité ficaram pregados ao solo aquando da desmarcação do galês.

Para fechar a contagem Sidnei cometeu um erro proibido em zona defensiva que permitiu o hat-trick a Ronaldo (1-6) e Chicarito (aquele que era conhecido em Manchester por aparecer muito bem ao 2º poste a finalizar jogadas de ataque dos Red Devils) mostrou que também é um jogador capaz de rematar de meia distância, marcando 2 golos de belíssimo efeito. Pelo meio aos 83″, Verdu fez o 2º golo para os galegos num jogo em que pelo que a equipa galega fez ofensivamente não merecia ter saído com tamanha goleada. A equipa do Real demonstrou uma eficácia quase perfeita na hora de atirar à baliza, materializando em golo praticamente todas as ocasiões que teve ao longo dos 90″ Defensivamente, esta equipa do Corunha tem muito trabalho pela frente para não sofrer mais dissabores no decurso desta temporada. Com dois centrais que demonstraram ter imensas dificuldades na marcação frente a equipas que optem por jogar com 2 pontas-de-lança ou com a incursão de um 2º jogador na área, com um lateral esquerdo que é muito permeável defensivamente e com um meio-campo que é capaz de organizar e criar mas mostra-se incapaz de pressionar, Fernandez terá que rectificar alguns destes pontos para poder alcançar o objectivo principal da histórica equipa galega, agora presidida por uma junta de salvação constituída por adeptos após a destituição da presidência do também ele histórico Augusto César Lendoiro no ano passado.

 

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