Crónica #10 – Celta 2-1 Deportivo

celta 2

23881 espectadores (estádio praticamente cheio) puderam assistir a uma interessante partida de futebol nos bonito estádio dos Balaídos em mais um clássico disputado entre as duas melhores equipas galegas. A vitória acabou por sorrir aos homens da casa por 2 bolas a uma no efervescente caldeirão da cidade de Vigo.

A equipa da casa, orientada pelo seu antigo jogador nos primeiros anos do século XXI Eduardo Berizzo, recentemente coroado campeão Chileno ao serviço do modesto O´Higgins, aproveitou o clássico galego para cimentar o excelente início de época que está a realizar com 2 vitórias e 3 empates. Já a equipa de Victor Fernandez, vinda de uma angustiante goleada por 2-8 no Riazor frente ao Real Madrid, numa exibição em que apenas fez valer como positiva a reacção tida nos primeiros 20 minutos da 2ª parte, não recuperou do penoso resultado de sábado e voltou a revelar muitas lacunas ao nível defensivo e ao nível dos processos ofensivos. Faltam mais elementos criativos à equipa da cidade da Corunha.

Celta: Sérgio Alvarez; Planas, Andreu Fontás, Gustavo Cabral, Hugo Mallo; Radoya,  Alex Lopez, Krohn-Deli, Fabián Orellana, Nolito, Joaquin Larrivey.

Deportivo: German Lux, Laure, Alberto Lopo, Sidnei, Luisinho; Alex Bergantinos, Medujanin, Isaac Cuenca, Juanfran, Luis Fariña e Hélder Postiga.

Victor Fernandez voltou a deixar Ivan Cavaleiro no banco, não obstante da agradavel segunda parte que o internacional português realizou ante o Real Madrid. Já outro português da equipa, Diogo Salomão, continua fora das contas do treinador que já orientou o FC Porto por lesão.

Uma entrada a todo o gás do Celta, explorando as fragilidades defensivas mais uma vez evidenciadas pela equipa da Corunha (Sidnei fez mais uma exibição intranquila, Luisinho voltou a ser muito permeável, Alberto Lopo foi muito combativo mas voltou a falhar nos momentos chave) fez toda a diferença perante uma amorfa equipa do Corunha que ao longo dos 90 minutos mostrou um deserto de ideias tremendo, falta de agressividade no sector intermédio, pouca pressão e um futebol algo desengonçado que não abona muito em favor de quem pretende manter-se no principal escalão do futebol espanhol.

Nos primeiros minutos a equipa do Celta começou por jogar para a sua principal estrela, o antigo jogador do Benfica Nolito. Pela ala esquerda do ataque da equipa de Berizzo, Nolito foi um autêntico diabo à solta. Apesar da equipa ter processos de construção de jogo muito simples e eficazes (tanto Alex Lopez como o dinamarquês Krohn-Deli usam e abusam de passes longos de flanco a flanco e de passes picados em desmarcação para as alas ou para Larrivey tentando colocar os visados à vontade nas costas dos defensores), sempre que a equipa galega precisa de ser eficaz, coloca a bola no seu extremo porque sabe que Nolito, através do seu fantástico drible, é um jogador capaz de sozinho criar as suas oportunidades de golo.

Foi precisamente isso que o antigo jogador do Benfica fez logo aos 4″ quando, solicitado com uma abertura na esquerda, entrou na área, trocou as voltas a Sidnei com um drible ziguezagueante e atirou a contar ao primeiro poste, aproveitando uma péssima colocação de German Lux na baliza.
Desde cedo, a equipa do Celta pressionou alto e impediu que a equipa do Deportivo tentasse responder. Sempre que um homem do deportivo recebia a bola no meio-campo contrário era logo importunado com um controle defensivo de um jogador do Celta. Hélder Postiga, por exemplo, sempre que vinha atrás receber jogo para tentar fugir à impiedosa marcação de Andreu Fontás, era sempre acompanhado pelo central formado nas escolas do Barcelona. Este usou e abusou do seu físico para desarmar várias vezes o internacional português, cometendo algumas faltas sobre o mesmo. No final da primeira parte, uma falta sobre Postiga valeu-lhe o amarelo e dois minutos depois, uma nova falta não assinalada pelo árbitro Del Cerro Grande deveria ter ditado a expulsão do central catalão. Voltando aos primeiros minutos…

Abusando da rapidez de processos de Alex Lopez (muito marcado por Alex Bergantinos, o melhor do Depor nos Balaídos) e pela fluidez e largura que tanto Krohn-Dehli como o sérvio Radoja davam ao jogo da equipa vestida de azul celeste, o jogo aplicado pelo Celta era uma delícia para os seus dois maiores criativos. Nolito pela esquerda e Fabián Orellana pela direita não se cansaram de tentar situações de drible de forma a conseguirem criar boas situações de golo para si ou para o avançado da equipa Joaquin Larrivey. O argentino contratado ao Rayo Vallecano foi, passe-se a expressão, um mouro de trabalho. Tanto para o seu marcador directo (Alberto Lopo) como fora-da-área.
Nolito continuou a espalhar o seu perfume. Aos 9″ rodopiou sobre dois jogadores e ofereceu um remate em zona frontal a Alex Lopez. Lux seguiria com os olhos uma bola que saíria por cima da sua baliza. Tanto em contra-ataque como em ataque organizado, o extremo deu uma enorme dinâmica ao ataque do Celta. Para além da dinâmica garantida, impediu que Laure, um lateral direito muito experiente, capitão desta equipa do Depor, que gosta muito de subir pelo flanco para cruzar, subisse no terreno. A sua constante presença no último terço no terreno e a ameaça que representou ao longo da primeira parte obrigou o lateral a não subir como gosta pelo flanco.

Para corroborar os processos ofensivos simples da equipa, aos 31″ em poucos toques foi criada uma situação de imenso perigo para a baliza de Lux: Gustavo Cabral (central com um recorte técnico apuradíssimo que nos últimos minutos cometeria uma grande penalidade) fez um passe de 50 metros para a esquerda para Nolito tocar de primeira para o centro para uma entrada de Orellana a rematar em arco com perigo para a baliza de Lux. O Chileno aproveitou imensas vezes o espaço concedido por Luisinho ora nas costas (espaço motivado pelo facto do lateral ser algo lento a recuperar do ataque) ora num confronto directo entre os dois jogadores para tentar servir Larrivey e Nolito da melhor maneira.

Nota de destaque nesta primeira parte também foi o duelo de Alex´s: Bergantiños do Depor com Lopez do Celta com o primeiro a levar quase sempre a melhor que o 2º. Bergantiños tentou inclusive dar alguma qualidade na organização de jogo da equipa, organização muito incipiente neste primeiro tempo. Victor Fernandez terá muito trabalho para conseguir meter esta equipa a jogar com algum critério.

Na 2ª parte, pedia-se que o Depor entrasse com uma atitude parecida aquela que entrou no jogo do passado sábado contra o Real Madrid. Nos primeiros 10 minutos, o Depor necessitou apenas de duas oportunidades para empatar a partida:
– aos 50″ Postiga, ligeiramente mais descaído para a direita, de costas para os adversários, recebeu uma bola de Laure, tocou-a novamente para o lateral que lançou imediatamente Juanfran na ala direita; o jogador do Bétis foi pelo flanco fora até cruzar para o coração da área onde apareceu o português a rematar fraco para defesa de Sérgio Alvarez.
– 4 minutos depois seria o português a iniciar a jogada que ditaria o golo do empate para a equipa visitante. Fintando um adversário na direita, tocou para a subida de Juanfran que, um pouco à semelhança do lance anterior, cruzou para a área para a entrada de Isaac Cuenca. O antigo jogador do Barcelona foi mais eficaz que o internacional português.

O Celta reagiu prontamente ao golo sofrido. Mais uma vez, Nolito recebeu na esquerda, tirou Bergantiños do caminho e atirou em arco para grande defesa de Germán Lux. 9 minutos depois seria Krohn-Deli a rematar à malha lateral de Lux. Do lado do Depor, com sucessivas incursões no flanco direito, Juanfran demonstrava-se o mais insatisfeito com o empate na equipa de Victor Fernandez.

Os treinadores decidiram naquele momento mexer na equipa: Berizzo tirou o decrescente Alex Lopez, colocando Augusto Fernandez no seu lugar. Fernandez respondeu de imediato com a entrada de Cavaleiro para o lugar do desinpirado Cuenca. Aproveitando ainda mais o jogo pelas alas, tanto por acções individuais de Nolito e Orellana como pela incursão dos laterais Planas e Mollo, os homens da casa haveriam de chegar ao golo num lance em que após Planas ter ganho um canto num duelo individual na linha de fundo com Juanfran, Nolito bateu o canto directamente para a pequena área onde apareceu Larrivey solto de qualquer marcação (falha dos centrais) a atirar para o 2-1 do Celta na partida.

Ligeiramente apagado na 2ª parte, Krohn-Deli decidiu dar um arzinho da sua graça. O adversário da selecção portuguesa na caminhada para o Euro 2016 decidiu tirar dois coelhos da sua extensa cartola para matar de vez a partida. No primeiro assistiu Orellana para mais um remate em arco que causou perigo à baliza de Lux; num segundo lance, desmarcou Joaquin Larrivey nas costas da defensiva do Depor com o argentino a não conseguir desfeitiar o seu compatriota Germán Lux com um chapéu que foi habilmente defendido pelo guarda-redes da equipa da Corunha.

Nos minutos finais, já mais com o coração do que com a razão, aparece o grande caso da 2ª parte. Subido no terreno quase em desespero aos 87″, Sidnei tabela na esquerda com Cavaleiro, vai receber ao jogador português, entra com o esférico na área, tenta o cruzamento e Gustavo Veloso, central do Celta até aquele momento imaculado na sua exibição tenta o carrinho e corta a bola com o braço. O árbitro da partida aponta imediatamente para a marca dos 11 metros onde, o canhoto Medujanin atira para o lado contrário para uma brilhante parada em voo de Sérgio Alvarez. Com a defesa ao penalty do Bósnio, antigo jogador do Gaziantespor da Turquia, o guarda-redes do Celta carimbou os 3 pontos, que, minutos mais tarde, já nos descontos, poderiam ter sido colocados em risco quando, para travar uma incursão de Ivan Cavaleiro na área, o lateral Hugo Mollo parou uma bola do português para executar a mudança de velocidade e incursão na área com uma palmada na bola. O lance motivou os protestos da turma de Fernandes. O árbitro da partida não assinalou a grande penalidade. Os galegos tem razões de queixa do árbitro Del Cerro Grande pelos dois erros graves cometidos no perdão do 2º amarelo a Fontás na primeira parte e no penalty não assinalado a Hugo Mollo.

 

 

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