Crónica #12 – Villareal 0-2 Real Madrid

Poucos dias antes de mais um embate para a Champions frente ao Ludogorets da Bulgária, o Real Madrid foi ao El Madrigal, estádio do Villareal bater a equipa da casa com 2-0 (mais um golo de Ronaldo) descomplicando com alguma facilidade um jogo que historicamente costuma ser muito difícil para a equipa merengue e, no caso do jogo de hoje, um jogo em que a turma orientada por Marcelino Garcial Toral vendeu muito cara a derrota com um estilo de jogo bastante ofensivo que causou alguns sobressaltos à baliza de Iker Casillas.

Marcelino Garcia Toral promoveu alguma rotação no plantel fazendo entrar no onze formado em 4x4x2 clássico Sérgio Asenjo na baliza, um quarteto defensivo composto por Mario, Matteo Musachio, Victor Ruiz e Gabriel; Bruno e Trigueros no meio-campo, Cani na direita, Moi Gomez à esquerda e uma frente de ataque composta pelo argentino Lucas Vietto na companhia do nigeriano Uche. No banco ficaram por exemplo habituais titulares desta equipa como Tomas Pina ou Giovanni dos Santos.

Já Carlo Ancelotti, sem poder contar com Pepe, voltou a fazer alinhar o seu onze base depois de ter colocado Keylor Navas, Illaramendi e Isco no jogo contra o Elche.

Nos primeiros minutos da partida assistimos a uma entrada de rompante da equipa do Villareal. Com processos de jogo que denotam bastante trabalho, a equipa de Toral começou o jogo a circular a bola de forma rápida a meio-campo com interessantes aberturas para os flancos onde Cani e Mario de um lado e Mói Gomez do outro tentaram por variadíssimas vezes colocar a bola na área através de cruzamentos.
No entanto, a primeira situação de perigo seria a favor do Real Madrid pelo inevitável Cristiano Ronaldo aos 4″. Gananhando a frente a Mario no flanco esquerdo, o português tirou o lateral do caminho em flecção para o centro e tentou um remate em potência que haveria de ser desviado por um adversário para canto. Do canto surgiu uma bola na área que Sérgio Ramos parou com o braço antes de chutar para o fundo das redes de Sérgio Asenjo. Undiano Mallenco invalidou de imediato o golo mas não viu no lance um empurrão de Musacchio a Raphael Varane que impediu o central francês de atacar a bola.

A conseguir ganhar as segundas bolas a meio-campo e com um sentido de distribuição apuradíssimo, tanto Bruno como Cani como Trigueros começaram a inventar algumas situações de perigo para a baliza de Casillas. Aos 7″ Uche chegou a obrigar o guardião internacional espanhol a uma defesa apertadíssima num lance em que tentou tirar Varane do caminho. O guarda-redes do Real Madrid teve 2 minutos depois que sacudir de forma muito pouco ortodoxa um cruzamento de Mario na direita com os pés. Creio que o guarda-redes espanhol quis com este toque pouco ortodoxo naquela zona do terreno sair imediatamente a jogar para Marcelo. No entanto, pôs em risco a sua baliza caso o chuto fosse parar aos pés de algum jogador do Villareal. Aos 12″ Varane teve que cortar inextremis um remate de fora-da-área de um jogador do Villareal que mudou de trajectoria devido a um desvio de Kroos. Casillas estava batido no lance.

Aproveitando o facto de Kroos e Modric estarem no centro do terreno e de Cristiano Ronaldo não ajudar a fechar o flanco direito, a equipa dos arredores de Valência começou a canalizar o seu jogo para o flanco direito.

O avião do regresso…

Ao minuto 16 passou sobre o El Madrigal um avião com um banner onde se lia “Come Home Ronaldo – United Reel”, porventura encomendado por adeptos do Manchester United.

O jogo continuou com alguma intensidade. A equipa do Real respeitou a entrada mais agressiva da equipa do Real e demorou algum tempo a entrar no jogo e a criar jogo ofensivo. Perante a confiança que os construtores do Villareal estavam a demonstrar ao conseguirem evitar a pressão exercida sobre si no meio-campo pelo tridente de meio-campo do Real, Kroos e Modric foram obrigados a pegar mais na bola. Nesta fase da partida, faltava alguma rapidez ao jogo de passes da equipa de Ancelotti a meio-campo facto que facilitava não só a organização defensiva do Villareal como a intercepção de passes a meio-campo que quase sempre eram aproveitadas pelos jogadores do submarino amarillo para sair rapidamente em contra-ataque e tentar colocar bolas nas costas dos centrais madridistas para o poder de aceleração dos seus dois velozes homens da frente. Valeu Raphael Varane aos merengues: muito atento ao longo de toda a partida, não falhou um corte ou um desarme quando foi chamado a intervir na sua raia de acção. Foi traído uma ou duas vezes pelas movimentações de Vietto mas, na globalidade do seu rendimento, foi um dos melhores em campo no El Madrigal.

Quem não consegue marcar contra o Real, ao primeiro erro que cometa…

Foi precisamente na fase de maior ascendente do Villareal na partida que o Real selou o seu triunfo.
Aos 27″ uma fantástica acção de Vietto no meio dos dois centrais do Real dá ao argentino a possibilidade de atirar à baliza de Casillas. O argentino remata em arco por cima da baliza merengue. 2 minutos depois, um lance de insistência de Cani na esquerda faz a bola rodar até ao flanco direito onde aparece Mario a rematar cruzado para defesa de Casillas.

Até que Modric e Ronaldo puseram em campo a sua excelência. Aos 32″ Kroos endossa a bola ao croata à entrada da área, e ao mesmo tempo em que este recebe, Ronaldo atrai as marcações com um movimento na frente de um defensor e permite que o croata estoire em cheio na baliza de Asenjo que pouco podia fazer para parar o forte remate do croata. O movimento de Ronaldo, visível nas imagens, faz toda a diferença no lance.

O Villareal respondeu de imediato no minuto seguinte: uma fantástica decalage de passes do flanco esquerdo para o flanco direito muito bem contemporizada faz chegar a bola a Cani que cruza para cabeceamento de Vietto ao lado da baliza de Casillas. A equipa de Marcelino Toral acreditou que era possível chegar à igualdade até ao intervalo e num lance resultante de um canto que não é aproveitada pela equipa de amarelo, James recupera a bola e lança imediatamente Benzema em velocidade com um passe longo de excelência. O francês conquista o esférico a um defensor do Villareal, tira-o do caminho e serve Ronaldo no coração da área para o 2-o. Lance típico de contra-ataque do Real com o francês a demonstrar muita inteligência na forma em como parou a bola, viu a entrada dos companheiros da área, tirou o defensor do caminho e assistiu o português para o seu 10º golo na Liga.

A equipa do Villareal não baixou os braços e até ao intervalo criou 2 situações de perigo: a primeira num remate de meia-distância de Trigueros que Casillas defendeu com dificuldade para os pés de Vietto (em fora-de-jogo devidamente assinalado por um dos assistentes de Undiano Malenco; o argentino tentaria a emenda que seria defendida por Casillas) e num segundo em que o mesmo trigueros no coração da área responde a um cruzamento de Cani na esquerda com um potente remate que é desviado corajosamente pelo brasileiro Marcelo para canto. O corte do Brasileiro equivaleu literalmente a um golo da sua equipa. A bola de Trigueros levava selo de golo. A propósito, o médio ofensivo do Villareal foi uma das figuras desta primeira parte pela rapidez que incutiu nos processos de circulação da equipa com a sua simplicidade acções (receber e passar). Na segunda parte eclipsou-se e foi substituído.

Ao intervalo, apesar da maior agressividade e arrogância demonstrada pelo Villareal na abordagem ao jogo, era o Real quem capitalizava com dois pequenos erros da equipa da casa.

Na segunda parte, como seria de esperar, para não desgastar a equipa fisicamente, Ancelotti não teve problemas nenhuns em baixar as linhas da equipa e entregar as despesas de jogo ao Villareal, apostando em saídas rápidas no contra-ataque por intermédio de Ronaldo e Benzema.

Como tal, os únicos lances de perigo foram construídos pelo Villareal:
– aos 47″ uma triangulação pela esquerda permite a entrada do lateral Gabriel na área. O remate saiu torto. O lateral adaptado, central de origem não tem pé esquerdo.
– aos 51″ Cani centrou para a área e Lucas Vietto, rodeado de 4 adversários não teve espaço para colocar o seu remate. Contemporizou bem e entregou ao remate de Mario. Lucas Vietto esteve em destaque na segunda parte. Provou ser um jogador capaz de se movimentar facilmente na área e fora desta. Por várias vezes foi fora da área receber jogo da sua linha média e acelerar a circulação de bola para os flancos, arrastando consigo Varane ou Sérgio Ramos. É um jogador bastante interessante que tanto consegue aparecer na área a finalizar as jogadas como com as suas constantes saídas da área participa do processo ofensivo da equipa, dá-lhe mais rapidez e mais inteligência e arrasta defensores consigo para abrir espaços para o seu colega de ataque poder entrar.
O jogo diminuiu de ritmo. Marcelino Toral decidiu colocar em campo em poucos minutos os irmãos Giovanni e Jonathan da Silva e o extremo Espinoza. Jonathan da Silva veio dar mais velocidade à construção de jogo da equipa com processos de passe muito simples quase sempre ao primeiro toque. Já o seu irmão prendeu imenso o jogo com as suas tentativas de drible. Carvajal não lhe permitiu muitas veleidades no duelo individual. E a equipa da casa, apesar de estar bem instalada no meio-campo merengue não conseguiu até ao final da partida construir mais oportunidades de perigo. Ancelotti limitou-se a fazer a gestão de plantel com as entradas de Nacho para o lugar de lateral-esquerdo (Marcelo teve que ser assistido a um olho, provavelmente às lentes de contacto depois de ter levado com uma bola na cara numa disputa de bola) Asier Illaramendi e Isco.

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