Crónica #13 – Inter 1-4 Cagliari

Desastre. É a única palavra que me vem à cabeça para catalogar a exibição do Inter em casa. Com o auxílio de Yuto Nagatomo. O japonês cometeu a proeza de ser expulso por acumulação em 2 minutos com duas faltas completamente desnecessárias e despropositadas sobre Andrea Cossu permitindo à equipa do histórico e controverso treinador checo Zdenek Zeman, à entrada para a 6ª jornada a equipa lanterna vermelha da Série, espalhar o terror no Meazza.

Se há coisa que irrita profundamente Walter Mazzarri é uma defesa perdida e desorganizada como foi a defesa do Inter no jogo de ontem. Mazzarri pertence aquela classe de treinadores italianos que gosta de construir a identidade futebolística da sua equipa de trás para a frente, ou seja, dotando-a de estabilidade defensiva, para, num segundo momento articular todas as peças do futebol ofensivo que pretende colocar em marcha. Por isso é que, à boa moda italiana, ainda aposta num 3x5x2 (5x3x2 nos processos defensivos) com 3 centrais capazes de anular todas as formas de jogo das equipas contrárias e dois alas capazes de fazer todo o corredor, quer ofensiva quer defensivamente. Se este Inter demonstrou no ano passado alguma permeabilidade defensiva, Mazzarri pediu à direcção agora presidida pelo novo accionista maioritário do clube milanês, o indonésio Erick Thorir, reforços para aquele sector. Garantindo o experientíssimo Nemanja Vidic, central fortíssimo no jogo aéreo, na marcação e no desarme, o acutilante e agressivo Gary Medel, jogador que apesar de curto pela baixa estatura para o centro da defesa reúne as características que Mazzarri gosta num bom trinco (aliando por exemplo, o músculo que Behrami acrescentava no Napoli de Mazarri à capacidade de sair a jogar aliada a uma capacidade invulgar de colocação de passes longos que Mazzarri adorava em Gokhan Inler nos tempos vividos no clube da cidade napolitana) e o brasileiro Dodô (central de formação que na Roma foi adaptado por Rudy Garcia a lateral\ala esquerdo), juntou estes 3 jogadores a um vastíssimo conjunto de defesas de alguma qualidade que já dispunha, casos do capitão Andrea Rannochia, Jonathan, Yuto Nagatomo, Juan Jesus, Hugo Campagnaro ou Matteo Andreolli.

Perante as ausências por lesão de Campagnaro ou Jonathan, Mazzarri viu-se forçado a mexer na sua habitual defesa, fazendo entrar para o lado esquerdo Dodô, facto que levou o regresso à posição de origem de Nagatomo para ala direito. Para o lugar do Argentino colocou Andreolli, deixando Ranocchia no banco. Do meio-campo para a frente, Medel alinhou na posição de trinco, atrás da habitual dupla composta por Kovacic e Hernanes como médios interiores e uma dupla de avançados formada por Rodrigo Palácio e Pablo Osvaldo. Apesar do argentino Mauro Icardi ter regressado de lesão, viu os primeiros 70 minutos de jogo no banco de suplentes.

Do outro lado, o lanterna vermelha da Serie A, orientado pelo “cínico” Zdenek Zeman (nada cínico no pensamento mas sim na forma cínica em como as suas equipas costumam jogar) o Cagliari tem vindo a fazer um péssimo arranque de campeonato. No entanto tem um conjunto de jogadores capazes de lutar por uma época muito tranquila na Série A, casos do colombiano Victor Ibarbo à cabeça (não consigo perceber porque é que ainda não rumou a um clube com maior dimensão) do sueco Albin Ekdal, de Andrea Cossu ou do temível Marco Sau, avançado que tem se tem acostumado a figurar, época após época, na lista dos melhores marcadores da prova.

Com um meio-campo muito pressionante sobre Kovacic e Hernanes, não deixando os dois jogadores transportar o jogo para o seu meio-campo, a equipa do Cagliari obrigou desde cedo os centrais do Inter e Medel a lançarem bolas longas para a frente do ataque, quase sempre para Rodrigo Palácio ir buscar às alas e criar desequilíbrios na defensiva dos insulares através dos seus dribles. Estilo de jogo da equipa do Cagliari seria nestes primeiros minutos o mesmo que o do Inter mas por outras razões: aproveitando o poderio físico de Victor Ibarbo na direita e a velocidade de Marco Sau ou Andrea Cossu pelo centro e pela esquerda, a equipa do Cagliari estava decidida a ganhar a batalha do meio-campo e consequentemente a recuperar muitas bolas a Kovacic para depois montar venenosos contra-ataques pelas alas, corredores onde tanto Ibarbo como Cossu conseguem facilmente tirar do caminho os seus mais directos adversários e criar perigo junto das balizas contrárias.

Foi precisamente numa bola lançada em profundidade para o ataque que surgiu o primeiro golo da partida para o Cagliari ao minuto 9: Nagatomo falhou a intercepção de cabeça (creio que houve falta do jogador do Cagliari que estorvou o japonês pois baixou-se) e penteou (como se uma assistência se tratasse) a bola para Marco Sau se isolar e fuzilar Samir Handanovic com um remate forte.
O Inter foi rápido a responder, também em profundidade, num lance aos 11″: Vidic colocou a bola longa para o último terço do terreno e Pablo Osvaldo, em situação de fora-de-jogo não se fez ao lance, permitindo que Rodrigo Palácio vindo de trás, recebesse o esférico e se isolasse na cara do guardião do Cagliari. Pensando que seria assinalado fora-de-jogo pela acção do seu colega, o argentino perdeu ímpeto e permitiu uma defesa segura ao guardião visitante com um remate frouxo.

Desde logo se percebeu que o Inter iria dar uma tonalidade mais profunda ao seu jogo. Pegando no jogo à saída da área, Gary Medel meteu alguns passes longos tanto para a entrada de Palácio nos corredores como para o ala esquerdo Dodô. O antigo jogador da Roma não conseguiu colocar um único drible sobre o lateral Balzano como defensivamente deixou que Ibarbo jogasse à vontade por aquele flanco. Por isso é que Mazzarri decidiu substituí-lo ao intervalo. Com relativa facilidade, Cossu foi incomodando Nagatomo na esquerda (até lhe arrancar a expulsão) e Albin Ekdal distribuía jogo no centro sem a pressão que por exemplo exercia sobre as transições do Inter, em particular sobre Hernanes.

Resposta do Inter

Na melhor fase dos milaneses na partida de ontem, aos 17″, Palácio sofreu uma falta do central Daniel Avelar (muito seguro em quase toda a partida na vigilância ao argentino e posteriormente a Mauro Icardi) e, aproveitando uma desconcentração defensiva da equipa da Sardenha, bateu rápido para a área para Pablo Osvaldo empurrar para o empate da equipa nerazzurri. Os jogadores do Cagliari correram imediatamente para o árbitro da partida Luca Avanti, quiçá para reclamar o facto deste não ter autorizado a marcação rápida da falta.

Hernanes e Kovacic tentaram meter mais velocidade na circulação de bola da equipa, apostando em furar o bloco de pressão que era feito essencialmente por Ekdal e Dessena com rápidas transições na posse do esférico…

Viria o descalabro até ao intervalo

Aos 24″ Nagatomo comete a primeira falta sobre Cossu. Amarelo justíssimo pela entrada a ceifar. 2 minutos depois comete a segunda falta sobre o veterano extremo de 34 anos a meio-campo, num lance em que o jogador do Cagliari, sem aparante perigo apenas tentou tabelar com Albin Ekdal para ir buscar à bola à frente. Com uma falta completamente despropositada sem bola, o japonês ganhara ali de Avanti a lotaria para ir tomar banho mais cedo. Crente que a saída do japonês não iria criar desequilíbrios defensivos, Mazzarri decidiu apenas reposicionar a defesa com a colocação de Andreolli no lado direito no lugar do japonês, alinhando em 4x3x1x1 sem que por exemplo Hernanes auxiliasse o lateral a defender as rápidas investidas de Cossu pelo flanco. Do outro lado, perante a ameaça Ibarbo e as excelentes subidas do lateral Balzano, Kovacic foi raramente visto a ajudar Dodô –  Começava o inferno do Inter:
– logo no minuto seguinte, solicitado com uma abertura para o seu flanco, Victor Ibarbo tentou avançar pelo flanco direito, contemporizou, colocou atrás para Dessena e este obrigou Handanovic a uma defesa apertadíssima para a frente. Se num primeiro momento Vidic estorvou Marco Sau impedindo-o de finalizar, vindo de trás, Albin Ekdal empurrou para o fundo das redes da baliza defendida por Handanovic fazendo o 1-2.
– na sequência de um fora-de-jogo mal assinalado ao ataque do Inter após passe longo de Medel a isolar Palácio, o Ekdal voltou a colocar a bola em Ibarbo e o colombiano, um dos vastíssimos exemplos de qualidade que os cafeteros colocaram na europa, tirou um coelho da cartola ao tirar a bola do caminho dos dois defensores com um toque para a frente, correu para a área para apanhar o esférico, ganhou o lance a Juan Jesus, tirou o brasileiro do caminho para ganhar a linha de fundo e com toda a tranquilidade, aproveitando a desorientação total da defensiva do Inter assistiu o sueco Ekdal para o 1-3.

Com a equipa do Inter apanhadita das ideias,

a equipa do Cagliari limitou-se a explorar as descompensações defensivas da equipa do Inter… aproveitando a passividade defensiva em zona central Cossu tabelou com Sau à entrada da área e rematou em arco ao lado da baliza de Handanovic, aos 41″, aproveitando a passividade de Andreolli na direita Sau recebeu na área e foi prontamente derrubado em falta por Nemanja Vidic. Luca Avanti não teve dúvidas e assinalou de imediato grande penalidade a favor da equipa vinda da Sardenha. Se na transformação Andrea Cossu atirou para o lado direito uma bola com pouca velocidade que Handanovic defendeu em estilo, dando um novo balão de oxigénio aos milaneses…

na sequência do lance, o Cagliari voltou a carregar forte e feio no último terço do terreno e Albin Ekdal consumou o hat-trick na partida num lance iniciado num canto da direita. Cossu meteu a bola na área, Vidic não acompanhou a movimentação de um dos centrais do Cagliari, este tocou a bola para a confusão apanhando o sueco no sítio e na hora certa para o 4º golo da equipa de Zeman.

Já diz o ditado que em “casa arrombada, trancas à porta” – Foi precisamente esse o pensamento que Walter Mazzarri teve ao intervalo. A jogar com 10, quando deveria ter reorganizado a defesa através de uma substituição não o fez. Ao intervalo fez questão de fazer entrar Freddy Guarin para o lugar de Gary Medel e Gaetano D´Agostino para o lugar de Dodô, voltando a ensaiar um novo quarteto defensivo com o antigo jogador do Siena na direita, Vidic e Andreolli no centro e Juan Jesus no lado esquerdo. D´Agostino e Juan Jesus conseguiram estancar o perigo vindo das alas e ainda subiram muito bem no terreno para bombear bolas para as áreas.

A equipa de Zeman fez descer as suas linhas e entregou a posse à equipa do Inter. Apesar de ter tido muita posse em zona central do terreno, o melhor que a equipa do Inter conseguiu foram dois remates: um de Palácio e outro de Osvaldo, ambos na área, para defesa fácil do guardião do Cagliari. Numa segunda parte onde o jogo esteve perto de partir várias vezes, ficou a pairar no ar a sensação que o Cagliari até podia ter ampliado a vantagem para 5 ou 6-1.

A equipa de Zeman sempre que arrastava o jogo para o meio-campo do Inter na tentativa de gerir o jogo através da posse de bola, conseguiu criar mais perigo, como por exemplo no remate que o substituto Diego Farias fez à malha lateral da baliza de Handanovic após uma abertura de Ekdal do centro para o lado direito da área ou no contra-ataque conduzido por Victor Ibarbo num 2 para 3 que o colombiano magicou uma oportunidade de golo para Andrea Cossu. Valeu o corte providencial de Hernanes num lance em que Samir Handanovic estava batido.

Nos últimos 15 minutos, o jogo não teria um único momento especial. A destacar tenho apenas um cartão amarelo exibido a Freddy Guarin e ao lateral direito do Cagliari Balzano depois de ambos terem trocado uns mimos após a disputa de um lance e a entrada de Mauro Icardi na partida. O argentino não trouxe resultados práticos ao jogo com a sua exibição.

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