A rotatividade de Lopetegui

lopetegui

Um dos claros défices que Julen Lopetegui apresenta neste momento é a dificuldade que ostenta na gestão do plantel portista. Tal défice advém do facto de Lopetegui estar a viver no Porto a sua primeira experiência enquanto treinador de um clube denominado grande (com objectivos enormes como é o FC Porto, previamente traçados e acordados com o seu treinador quando aceitou o cargo) e, a sua segunda experiência enquanto treinador de um clube de futebol. A primeira como sabemos foi no modesto Rayo Vallecano em 2003, experiência que de resto não correu nada bem ao antigo jogador de Barcelona e Rayo Vallecano. No Real Madrid Castilla não pode dizer que o treinador tenha assumido uma missão maior do que terminar a formação de jogadores vindos da cantera do clube merengue, de forma a prepará-los para a eventualidade de saltarem para a equipa principal do Real Madrid.

Com um plantel desmesuradamente longo e cheio de soluções de qualidade para todas as posições do terreno e estilos de jogo, com um balneário cheio de alguns egos (Quaresma é o exemplo mais claro) o treinador portista está a dar primazia neste arranque de época a uma rotatividade ímpar na história do Futebol Clube do Porto, dada a sobrecarga de jogos que a equipa portista terá ao longo da época.

A rotatividade do plantel por si é optima para manter todos os jogadores moralizados, focados no trabalho e nos objectivos da equipa e moralizados. A rotatividade de um plantel motiva obviamente competitividade entre os atletas porque de facto nenhum sabe quando é que tem a titularidade garantida. Por outro lado, a rotatividade empregue pelo treinador espanhol na equipa portista pode, do ponto de vista psicológico, gerar algum nervosismo e alguma impaciência entre os jogadores. Como ninguém sabe quem vai jogar e quantos jogos consecutivos vai jogar, um efeito de competitividade em excesso dentro do balneário poderá ser prejudicial ao plantel portista na medida em que o balneário poderá ser amplamente minado por um clima de inveja entre jogadores ou bota-abaixismo.

Ao nível dos processos de jogo que o espanhol pretende implantar (a dominação através da posse e circulação de bola; um modelo extremamente parecido com os primórdios do tiki-taka do Barcelona), a excessiva rotatividade de jogadores no plano ofensivo (meio-campo, alas e avançado) não é benéfica. Não é benéfica porque como os jogadores estão sempre a rodar, não existe a uniformização de rotinas e processos de jogo decorrente da utilização de um onze de forma sistemática. Se repararmos bem, um dos grandes problemas do Porto tem sido o capítulo do passe. Como os vários jogadores da frente de ataque do Porto tem uma multi-diversidade de amplitude e longitude de passe, assim como os extremos tem posições-chave no campo, funções-chave e manobras chave (Tello gosta de flectir do centro para a direita, Quaresma gosta de ir para cima do defesa e centrar, Casemiro não consegue ter a eficácia que Ruben Neves tem no passe longo e que Herrera por exemplo não tem; Oliver é um criativo que gosta de jogar solto no terreno, Adrien é um jogador que gosta essencialmente de ser lançado nas costas do terreno; Jackson é um avançado que necessita de aproveitar na área o melhor de um jogo vertical), devido à rotatividade, os jogadores tem que estar constantemente a lembrar-se em campo o posicionamento correcto em que o outro gosta de receber o passe, a criação de desequilíbrio preferida do jogador que tem bola no último sector do terreno, o posicionamento exacto de cada um no terreno, as funções defensivas em que cada um se sente mais à vontade. Tal inexistência de mecanismos leva a que não exista um efeito de sincronização entre os atletas, facto que só se pode trabalhar a partir do estabelecimento de um onze base durante várias partidas. Os resultados estão à vista: o FC Porto é para já uma equipa que tem processos defensivos pouco delineados, uma equipa que falha muitos passes por jogo (os passes levam força a menos ou força a mais) e é uma equipa que não consegue atacar de forma articulada, ou seja, nos jogos do Porto os jogadores do meio-campo para a frente jogam muito distantes uns dos outros, facto que impossibilita que hajam combinações rápidas ao primeiro toque, ou seja, processos que naturalmente criam desequilíbrios em equipas que joguem muito fechadas. Esse modelo defensivo é o modelo mais utilizado pelas equipas pequenas em Portugal.

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