A verdadeira história por detrás da candidatura de Fernando Seara à liga

Benfica e FC Porto chegaram a um problema: quem é que poderia mandar numa Liga falida, sem orçamento, a contas com um passivo para o qual não tem receitas, e acima de tudo, incapaz de sanear as guerras de horários promovidas entre os dois canais de televisão que detém os direitos de transmissão dos jogos do campeonatos.

Luis Felipe Vieira tinha medo que o FC Porto, devidamente apoiado por Joaquim Oliveira apresentasse o seu candidato. Jorge Nuno Pinto da Costa tinha medo que o Benfica apresentasse o seu candidato ou que o actual presidente em funções se recandidatasse. O mesmo era, aquele que tinha incentivado a sua Comissão de Inquéritos a lavrar um parecer favoravel aos intentos do Sporting no caso do atraso do FC Porto contra o Marítimo. O mesmo foi aquele que nada fez para o Benfica renegociar os direitos de transmissão dos seus jogos em casa com a Olivedesportos, gerando assim a criação do monstro Benfica TV. Ambos tinham medo que o louco Rui Alves chegasse ao poder assim como tinham medo que o Sporting apoiasse Mário de Figueiredo

Vieira convocou um homem de confiança: Seara. Disse-lhe que as coisas estavam difíceis. Incentivou a candidatar-se sem apoio oficial do Benfica. Pediu-lhe segredo em relação à conversa e incentivou-o a ir ao FC Porto procurar um apoio expresso ou tácito de Jorge Pinto da Costa. E Seara lá foi: afirmou que não era o candidato do Benfica. Apresentou ideias para apaziguar a Liga. Prometeu patrocínios. Pinto da Costa concordou não lançar qualquer candidato desde que um nome fosse riscado da mesa: Filipe Soares Franco, ex-presidente do Sporting, persona non-grata até hoje no Reino do Dragão.

Vieira ficou contente. Perversificou. Chamou Rui Rangel. Contou-lhe a conversa com Seara assim como o feedback descrito por Seara numa conversa telefónica após a audiência com Pinto da Costa. Pediu-lhe que informalmente, sem o mencionar, entrasse em contacto com Seara e manifestasse o seu apoio para criar uma lista conjunta. Na verdade, Vieira testou a lealdade de Fernando Seara quando o incentivou a ir ao Porto pedir o apoio de PC e Joaquim Oliveira. Luis Filipe Vieira teve a certeza que necessitava compreender: Seara era afinal um homem capaz de tudo para chegar à presidência do organismo. Seara aceitou. Reuniram-se. Rangel mostrou-se quase sempre desinteressado em ocupar um lugar de destaque da lista de Seara. Não podendo ser candidato à mesa da AG da Liga por ser uma figura muito próxima de Vieira, Seara achou por bem dar-lhe uma vice-presidência no organismo. Rangel declinou a proposta.

No dia anterior à entrega de listas, estava tudo preparado. Seara figurava como candidato à presidência numa lista conjunta com os homens de Rangel, abençoada por Vieira e Jorge Nuno Pinto da Costa, sem que ambos dessem o apoio oficial dos dois clubes ou a cara pelo projecto. O Sporting continuava neutro. Rui Alves seria facilmente aniquilado pelos votos dos afiliados dos dois clubes. Mesmo que à última da hora, o Sporting apoiasse Mário de Figueiredo ou Rui Alves, não teria votos suficientes para vencer a contenda. Há uma reunião num conhecido hotel de Lisboa para afinar vozes. Existe um desentendimento. Rangel muda de ideias e quer ser vice-presidente da Lista depois de receber uma chamada de Luis Filipe Vieira onde este lhe diz que não podem confiar totalmente em Seara. Vieira ordena: “Tens que resolver isso para poderes controlar. Não podemos confiar num tipo que irá ceder perante a pressão deles.” Rangel faz um ultimato a Seara. Seara afirma que não pode mudar a lista porque já se comprometeu com todos os candidatos da sua lista quanto às posições desta. Rangel abandona a sala.

No dia seguinte, Seara apresenta na sede da Liga de Clubes uma lista na qual é candidato à presidência. Rangel faz o mesmo, apresentando uma lista exactamente igual à de Seara com o antigo autarca da Câmara Municipal de Sintra como candidato à presidência. E é aqui que começa todo o embróglio…

(este post terá continuação)

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5 thoughts on “A verdadeira história por detrás da candidatura de Fernando Seara à liga

  1. Está muito próximo de teoria da conspiração, mas aceita-se, já que o futebol em Portugal sempre esteve envolto em conspirações, faltas de “fair-play”, desonestidade intelectual, promiscuidades para todos os gostos e muita vigarice, corrupção… tudo às claras, como se os adeptos de futebol não passassem de um bando de estúpidos, incapazes de somar dois com dois.

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  2. Em matéria de corrupção & afins no futebol, eu acredito que Portugal está muito pior do que a Itália. Não parece porque em Itália clubes (a Juventus é um exemplo) descem de divisão, jogadores de selecção (Paolo Rossi, por exemplo) são suspensos por corrupção & derivados, e corruptos vão dentro. Lembremo-nos que por causa de uma chico espertice (contrato com Inter e Barcelona a ver quem dava mais), o Luís Figo ficou proibido de jogar em Itália pelo período de 2 anos. Em suma, os italianos são dados a vigarices, corrupção e o diabo que escolha, mas a justiça para eles funciona. Por cá… alguma vez alguém ouviu o Pinto da Costa dizer que a voz que toda gente ouviu nas escutas do Apito Dourado não é dele? Não será o silêncio sobre o assunto uma confissão dos crimes de que sempre foi acusado? E por aqui fiquemos… Saudações desportivas!

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    • Tem toda a razão caro Jo Passos.

      A diferença existente entre as duas justiças em casos análogos é tão só e somente a possibilidade que uns (neste caso os italianos) tem de fazer uso de todos os instrumentos de prova a que a justiça tem acesso para concluir a verdade sobre um caso que a lei portuguesa “teima” em não permitir no julgamento de um caso em Portugal.
      No caso do Apito Dourado, as provas estiveram lá. Só não foram usadas como tal porque a lei portuguesa assim não o permite. Veja-se por exemplo o caso do Calciocaos em 2006: Luciano Moggi, na altura director-geral da Juventus viu-lhe serem imputadas provas vindas de escutas telefónicas. Aliás, quase todos os envolvidos foram acusados com base em escutas telefónicas, devidamente corroboradas como provas do crime em tribunal de acordo com a lei italiana.

      Raramente ouvimos Pinto da Costa a dizer o quer que seja sob o caso em questão. Só ouvimos o seu gargarejo quando foi ilibado de todas as acusações. A lei não só não o condenou por um facto que é público (corrompeu) como ainda enobreceu a sua figura enquanto corrupto que fugiu à lei e perpetuou um regime de corrupção que continuará a ser posto em prática por Pinto da Costa ou por qualquer outro dirigente desportivo em Portugal. Pior que a lei não condenar quem deve ser condenado, é não agir na prevenção de possíveis crimes no futuro. Porque a lei serve para isso mesmo: para prevenir antes de condenar, para garantir um exemplo recto antes desse exemplo ser dado pelos piores motivos.

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  3. Pingback: A candidatura de Luis Duque à Liga de Clubes | O Golo de Figo

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