Crónica: França – Portugal

Portugal foi (mais uma vez) derrotado pela França. Desta vez por 1-2, num jogo de carácter amigável realizado no Stade de France e que marcou a estreia de Fernando Santos ao leme da Seleção Nacional.

Portugal entrou em 4-4-2 losango, com Rui Patricio; Eliseu, Bruno Alves, Pepe, Cédric; Tiago, Moutinho, André Gomes, Nani; Ronaldo, Danny. Um onze inédito, uma táctica inédita, mas que começou mal. A França entrou fortíssima, criou superioridades numéricas nas alas e lá marcou, num bom lance de ataque, onde Benzema concluíu após uma defesa incompleta de Rui Patrício. Estava feito o 0-1. Portugal sentiu a entrada francesa e o golo. A equipa estava num colete de forças e defendia demasiado de Ronaldo para esticar o jogo. Estava difícil quebrar a primeira linha de pressão francesa e a excelente entrosão entre o trio francês Pogba (que jogo!), Matuidi e Cabaye. Aos poucos, a equipa foi começando a impor o seu jogo, principalmente a partir do momento que Moutinho e Danny começaram a subir de rendimento. Portugal criou duas excelentes oportunidades para marcar, por Danny e Nani, mas faltou sempre “um danoninho”…

Na segunda parte, Fernando Santos mudou alguns jogadores, entrou Ricardo Carvalho para o lugar de Bruno Alves e William Carvalho para o lugar de André Gomes. A equipa manteve o 4-4-2 losango, Tiago subiu para 8 e a equipa melhorou imenso. William Carvalho tomou conta do centro do terreno, Tiago ficou com mais liberdade para soltar a bola com um-dois toques. A equipa começou a carburar, começou a jogar no último terço atacante e criou 2 boas oportunidades de golo. Quando estávamos por cima…golo da França. Mais uma infantilidade do lado direito de Portugal (Cédric…) a dar espaço a Evra, bom cruzamento, Benzema segura bem a bola e solta para Pogba que colocou a bola fora do alcance de Rui Patricio. Game Over?

Diriam muitos. João Mário entra e logo a seguir, consegue “sacar” um penalti por falta inexistente de Pogba. Na conversão do mesmo, Quaresma não perdoou e voltou a fazer Portugal acreditar no empate (que a meu ver, era merecido). Mas a França, a partir do golo sofrido, aumentou os índices de concentração e, já com as saídas de Ronaldo, Nani e com o desgaste acumulado de Danny, ficámos com menos espaço para marcar a diferença no último terço. Resultado final: 2-1.

Em suma, um jogo que, a meu ver, deixa boas perspetivas para o jogo contra a Dinamarca. Ofensivamente, estamos a carburar relativamente (mal seria, com tanto talento), temos um meio-campo que fez frente a um dos melhores trios internacionais da atualidade, e parece-me que vamos conseguir um resultado frente à Dinamarca.

Rui Patricio (3) – Sem culpa nos golos, era difícil fazer mais no primeiro e faltava uma apoio mais próximo a impedir a recarga de Benzema. Seguro com os pés.

Eliseu (2) – Notou-se que estava com falta de confiança e cometeu um erro grave, que felizmente não deu golo. Aos poucos foi-se soltando, e já na segunda estava completamente envolvido na manobra atacante de Portugal…mas sempre com dificuldades a defender. Uma exibição globalmente abaixo do razoável.

Pepe (4) – Apesar de termos sofrido dois golos, foi o melhor em campo de Portugal. Interceptou inúmeras bolas na grande área, ganhou quase todos os duelos aéreos e também teve momentos onde apoiou o ataque na construção. Goste-se ou não do estilo, continua a ser um grande central. O nosso melhor central.

Bruno Alves (2) – Apoiou bem Pepe mas falta-lhe capacidade de construção. Também me pareceu algo lento a recuperar a posição. Deveria estar a cobrir Benzema no lance do primeiro golo.

Cédric (2) – O elo mais fraco da defesa, apesar de ter a mesma nota de Eliseu. Imensas dificuldades a defender. Continua a não cruzar bem. Nota positiva para a circulação de bola na sua zona, melhor do que no flanco contrário.

Tiago (3) – Na primeira parte, assumiu a posição de 6 e não esteve no seu melhor. Fernando Santos pediu-lhe para circular a bola com 1-2 toques e cometeu alguns erros devido às linhas de pressão da França. Na segunda parte, com a entrada de William, subiu para 8, a sua melhor posição, e o seu rendimento melhorou muito. Foi importante na forma como assumimos o jogo na segunda parte.

Moutinho (3) – Sempre em alta rotação, apesar de ter feito um jogo menos conseguido em termos individuais. Trabalhou sempre em prol da equipa, assumiu o jogo na primeira parte e na segunda parte ajudou em assumir o controlo da partida. Acabou desgastado.

André Gomes (2) – Nota-se que está em boa forma, com a confiança em alta, mas não fez um bom jogo. O André tem uma imensa facilidade em esticar o jogo com o passe e está cada vez melhor na forma com aborda os lances no último terço, mas acabou engolido pelo meio-campo francês. Teve uma boa oportunidade na primeira parte, que concretizou pessimamente. Saiu ao intervalo.

Nani (3) – Nani jogou numa posição entre o flanco direito e o centro, mas no papel assumiu o vértice adiantado do 4-4-2 losango. Fez uma exibição acima do razoável, bons momentos técnicos e de entrosamento com Danny e criou uma boa oportunidade na primeira parte. Na segunda parte perdeu fulgor e foi eventualmente substituído.

Danny (3) – Apesar de ter falhado duas boas oportunidades, foi fundamental na ligação entre o meio-campo e o ataque. As triangulações aconteceram muito devido a ele.

Ronaldo (2) – Não fez um bom jogo. Varane tapou-o muito bem. Não teve a sorte do jogo quando precisava dela, mas nunca virou a cara à luta. Um bom cabeceamento para uma excelente defesa de Mandanda. Que se esteja a guardar para a missão Dinamarca.

William Carvalho (4) – Excelente exibição do médio do Sporting. Impôs a sua lei com uma circulação de bola assertiva no passe curto e longo, e deu robustez à zona central do meio-campo.

Ricardo Carvalho (3) – A idade, quando se tem esta qualidade, ainda é um posto. Podia ter sido mais agressivo no remate de Pogba para o 2-0, mas esteve sempre bem a guardar a sua zona.

Eder (2) – Entrou para dar mais presença na área e apoio frontal na saída para a transição. Esteve bem no último aspecto, não adicionou nada no primeiro.

Quaresma (1) – Marcou o golo. Em todas as intervenções que fez, péssimo. Até dava nota não fosse o golo.

João Mário (3) – Excelente entrada do médio do Sporting. “Sacou” o penalti, deu capacidade de transporte no segundo terço do campo e fez um excelente remate colocado que não entrou por pouco. Aos poucos, começa-se a ganhar noção que poderá estar nele um grande futuro.

Vieirinha (-) – Sem tempo.

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