O rei vai nu!

Ocorridas quase 24 horas da vergonha que aconteceu em Gelsenkirchen, não consigo de maneira nenhuma compreender a razão que tem motivado o silêncio da UEFA. Para uma instituição que apregoa aos sete ventos os valores do respeito e do fairplay no futebol, a omissão e a não-responsabilização dos actos cometidos que toda a europa repudiou e criticou, só me pode fazer concluir que no fim de contas, as bandeiras apregoadas por aquele organismo são puros clichés que só servem para serem inscritos nos galhardetes que são distribuídos nos jogos organizados pela instituição e prestar uma falsa mensagem a todos os agentes e adeptos.

O principal responsável da vergonha que se passou não é o árbitro da partida mas sim o próprio líder da UEFA, ao permitir que uma equipa participante na competição seja patrocinada pela mesma entidade que é uma das principais patrocinadoras da prova. Todos, inclusive, o árbitro da partida podem, dentro de algumas horas, dias, desculpabilizar-se pelos 3 erros cometidos em prejuízo do Sporting. Indesculpável será, para sempre, a promiscuidade existente entre o Schalke 04 e a organização do evento por uma via comum. O que aconteceu ao Sporting em Gelsenkirchen leva-me a uma pergunta básica, pergunta essa que deverá ser transversal à maioria dos adeptos de futebol em Portugal: até que ponto é que os patrocinadores da Champions League não são eles próprios o lobby interessado em delinear todas as fases da prova em prol do seu interesse próprio? Outras perguntas ocorreram-me de imediato na cabeça: e se o prejudicado fosse o Real Madrid ou o Bayern de Munique? Não teriam os dois clubes força necessária para conseguirem a repetição do jogo junto do organismo? As Federações Alemã e Espanhola não teriam tomado imediatamente uma posição forte junto do organismo ao invés de se manterem no silêncio como a Portuguesa? Valerá a pena para os clubes pequenos participar numa competição que está a ser completamente viciada em prol dos mais poderosos?

Michel Platini parece mais interessado em estragar o futebol com as suas visões loucas do que aplicar as modificações que o futebol moderno exige: para bem do futebol, a decisão humana dos árbitros de baliza, agentes susceptíveis pela condição humana de errar tantas ou mais vezes que o trio de arbitragem, deve ser modificada em prol da tecnologia e da fiabilidade do videoárbitro (nos mesmos moldes da sua bem sucedida aplicação em outras modalidades como o rugby). A promiscuidade de interesses não atinge apenas a relação entre jogadores, empresários e fundos. Concerne também a existência de patrocinadores comuns entre competições e clubes que disputam essas mesmas competições.

O Sporting Clube de Portugal pode queixar-se da subtracção de 4 pontos: um penalty que ficou por marcar em Alvalade frente ao Chelsea que poderia dar o empate ao clube português e os 3 pontos de Gelsenkirchen. Tomo portanto como ponto de partida para a derrota a própria expulsão de Maurício:
– O primeiro amarelo mostrado ao central brasileiro é justíssimo. O segundo amarelo é forçadíssimo. Se aquela carga por trás, longe da baliza, numa disputa pelo ar é passível de cartão amarelo, pois então, poucos centrais são aqueles que deverão por essa europa fora terminar os 90 minutos. Bruno Alves é o exemplo mais claro. Per Mertesacker (Arsenal), Leonardo Bonucci (Juventus), David Luiz (PSG) Sergio Busquets (Barcelona), Pepe (Real Madrid) e Omer Toprak (Leverkusen) são alguns dos centrais que abordam o mesmo tipo de lance com a mesma abordagem de Maurício. E quase sempre, nunca são sancionados com cartão nessas abordagens faltosas. Tudo isto me faz crer, tendo em conta a sólida exibição que Maurício estava a realizar, que Sergei Karasaev sabia perfeitamente que ia condicionar a excelente partida que o Sporting estava a realizar para equilibrar a contenda com a expulsão do central.
– No lance do segundo golo do Schalke, dou de barato pela posição de Huntelaar que é muito difícil ao assistente tirar o fora-de-jogo.- O lance do penalty é uma discussão disparatada e tendenciosa. O árbitro de baliza, responsável pela decisão, tinha o campo totalmente aberto para ver Jonathan Silva (de braços abertos e bem afastados da cabeça) cortar o esférico de forma legal.

Errar é humano. Cometer um erro é humano. Outra história é cometer 3 erros que beneficiam uma equipa. Outra história é, como pudemos observar, a falta de critério de Sergei Karasev. Numa falta vulgar como a de Maurício, praticada por tantos sem consequências disciplinares, o russo não teve pejo em expulsar. Em dois outros lances perigosos passíveis de amarelo, em um não marcou uma falta à entrada da área de Nani e noutro (falta dura de Sarr sobre Obasi na direita) marcou falta mas não sancionou o lateral do Sporting com o devido amarelo. Nas faltas a meio-campo do Schalke, algumas delas a travar iniciativas em contra-ataque, nenhum cartão saiu do bolso do árbitro russo para fazer cumprir as leis do jogo e as indicações da UEFA para essas circunstâncias do jogo.

A equipa leonina está de parabéns pelo jogo que realizou. Com 11 jogadores em campo, foi uma equipa muito organizada defensivamente, bem posicionada quando quis pressionar alto e condicionar a saída de jogo por parte dos centrais e do trinco Neustadter, capaz de recuperar muitas bolas a meio-campo e de suster a pressão exercida pela equipa alemã após o golo do Nani. Ofensivamente, circulou muito bem o esférico e teve a sorte de atingir o primeiro golo da partida num canto.

Depois da expulsão de Maurício, o Sporting voltou a provar que com menos 1 unidade consegue jogar para ganhar em qualquer campo do mundo. A equipa voltou a comportar-se de acordo com a tónica que tem sido desenvolvido por Marco Silva: mostrou resiliência e fé quando em desvantagem, organização, ambição (quando tentou pressionar alto) e cautela quando não tirava partido da pressão alta, descendo imediatamente as linhas para se reorganizar no seu meio-campo e tentar travar da maneira possível os ataques da equipa germânica. Patrício comete um erro imperdoável no primeiro golo, William não estava bem posicionado na jogada que deu o segundo e os centrais do Sporting estavam a dormir no lance do terceiro ao deixar Howedes cabecear à vontade. No entanto, a equipa de Marco Silva foi à luta. Adrien e William fizeram um jogo excepcional. Para além de terem aguentado o meio-campo com firmeza e insustentável cansaço nos minutos finais da partida, ainda tiveram forças para ir lá à frente fazer jogar, pressionar e apontar o golo que daria um pontinho precioso à equipa (no caso de Adrien). Carillo e Nani fecharam as alas como puderam e o peruano foi uma das unidades mais in do Sporting. Quando a equipa parecia não ter forças para reagir, o peruano sempre que teve bola na esquerda ou na direita manifestou garra para correr com a bola na sua posse e driblar os defensivamente fracos laterais do Schalke. Nani poderia ter feito melhor em várias situações: quando o jogo estava 2-3 poderia ter aproveitado um lance no qual entra na área mas não conseguiu ser expedito a rematar.

Aplausos também para as exibições de Cedric (falhou apenas no lance do segundo golo mas acertou em cheio no cruzamento para o 2º poste no golo de Adrien) e Jonathan Silva. O jovem argentino tem um futuro promissor pela frente. Aguentou Obasi como pode (não é fácil defender este nigeriano pela simplicidade como usa e abusa da sua rapidez para ganhar a linha de fundo) e conseguiu ter forças para subir no terreno, executar venenosos cruzamentos para a baliza de Fahrmann e ainda pressionar no último terço nos momentos em que a defensiva do Schalke aliviava bolas para o seu flanco, de modo a recuperar rapidamente a bola e executar uma nova vaga para a área. Paulo Oliveira e Sarr também fizeram interessantes exibições: o primeiro não teve medo de Huntelaar e o francês juntou à capacidade de sair bem a jogar quando a equipa precisou que ele conduzisse o esférico, 2 ou 3 cortes providenciais que evitaram males maiores.

Freddy Montero não tem de forma alguma o poder de choque de Slimani. O colombiano correu muito, pressionou muito e sempre que a equipa tentou colocar-lhe a bola em desespero soube estar no sítio certo para a receber e endossar de imediato para um companheiro sob pressão. Não tenho a menor dúvida em afirmar que se o Sporting tivesse o argelino em campo na altura do 3-3, uma ou duas bolas bem colocadas para a área do Schalke poderiam ter dado a vitória.

Quanto à equipa do Schalke, confesso que esperava mais. A solidez defensiva deixa a desejar. Dois laterais muito fracos do ponto de vista defensivo, facilmente permeáveis no 1×1. Benedikt Howedes é o único da defensiva que mantem a concentração durante os 90 minutos. Nas alas, é só potência de contra-ataque. Tanto Draxler pela esquerda como Obasi pela direita são jogadores que gostam de ter bola em transições rápidas: o alemão quase sempre tenta flectir para o meio em velocidade de forma a tentar desmarcar Huntelaar (quase sempre em fora-de-jogo. O holandês faz um truque de ilusão que engana os assistentes, colocando-se quase sempre à frente da linha defensiva num primeiro momento para num segundo momento, aquando do passe recuar rapidamente e dar a sensação que estava em linha) enquanto o nigeriano é um jogador vertical que, como referi, usa e abusa da velocidade para passar pelos adversários. Qualquer lateral com rapidez de movimentos e agilidade e uma marcação cerrada que não permita espaço ao nigeriano para colocar o seu drible, anula-o facilmente. Kevin-Prince Boateng é uma anedota daquilo que era nos tempos do Milan. Neustadter é um jogador interessante mas não é totalmente ineficaz no passe. Max Meyer esteve pouco tempo em jogo para mostrar aquilo que é: um 10 puro, fantasista. Os ausentes Joel Matip, Leon Goretzka, Jefferon Farfán e Tranquilo Barnetta dão outra consistência defensiva e ofensiva à equipa: o camaronês é fortíssimo no jogo aéreo, o internacional alemão cobre mais espaços que Hoger e dá outra dinâmica à circulação de bola e pensamento ofensivo da equipa, o peruano é dotado de recursos técnicos que Chinedu Obasi não possui e o internacional suiço é um jogador que acrescenta mais poder de fogo de meia-distância ao ataque da equipa orientada por Roberto Di Matteo.

As contas são fáceis de fazer. Sendo realista, o Sporting precisa de bater o Schalke em Alvalade (a equipa demonstrou argumentos que me fazem acreditar que esse será o desfecho final do jogo de Alvalade) e precisa que aconteça um de dois cenários:
– vence o Maribor e o Chelsea em Stamford Bridge e espera que o Schalke escorregue na deslocação à Eslovénia ou na deslocação a Inglaterra.
– vencendo o Schalke, vence o Maribor e espera que os alemães não consigam melhor que 1 ponto nessas duas deslocações. Imperiosa será a vitória frente aos alemães daqui a duas semanas.

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Momentos #38

Muito, mas mesmo muito engraçado! Esta foi talvez a mais engraçada manifestação que vi de adeptos em 20 anos de futebol.

Os adeptos do Magdeburg, histórico clube alemão (campeão por 3 vezes da extinta RDA e vencedor da Taça das Taças em 1974) agora caído em desgraça (está na 5ª divisão alemã) tentaram ensinar o caminho da baliza aos seus jogadores devido ao facto da equipa não marcar qualquer golo há 5 jogos. A coreografia até ajudou os jogadores a marcar 1 golo na derrota frente ao Berliner mas serviu de pouco para a impedir…

Tempos e resultados – Ligas Europeias

Liga portuguesa 3

Na Liga Portuguesa, os 3 grandes somaram os 3 pontos. O Sporting venceu em Penafiel por 4-0 com uma exibição categorica na 2ª parte e esteve quase a recuperar 2 pontos a Benfica e FC Porto.
Na Luz contra o Arouca, a equipa benfiquista viu Jonas marcar o seu primeiro golo na suada vitória frente ao Arouca, conseguida também no 2º tempo. No Dragão, o Porto também teve que puxar dos galões para derrotar um Braga que merecia muito mais que a derrota pelas claríssimas oportunidades de golo que construiu durante os 90 minutos.

A abrir a jornada, o Guimarães solidificou o excelente arranque de liga que está a realizar (os vimaranenses ainda só perderam 7 pontos em 7 jornadas) com uma vitória esclarecedora sobre o Boavista de Petit. A turma boavisteira vinha de 3 jogos sem perder.

Sem ganhar na Liga continuam Penafiel e Gil Vicente. Os homens de Barcelos empataram frente ao Estoril. A turma de José Couceiro também não está a conseguir transpor para o plano doméstico os bons resultados que tem conseguido na Europa onde, venceu categoricamente na quinta-feira o Panathinaikos na Amoreira.

Na próxima jornada, daqui a 3 semanas (primeiro teremos pausa para selecções e na semana seguinte irá disputar-se a 3ª eliminatória da Taça) o Sporting irá receber em Alvalade o Marítimo, o Benfica terá uma deslocação difícil ao estádio Axa para defrontar o Braga enquanto o FC Porto tem uma deslocação também muito difícil ao pesado terreno do Arouca.

Facto digno de registo é também o número de golos que se tem marcado em média nos jogos da Liga nas primeiras 7 jornadas: 2,46 golos por jogo. Numero fantástico para uma liga que era acusada há alguns anos atrás de ser uma das ligas europeias mais deficitárias neste capítulo.

liga espanhola 3

A nota de destaque óbvia da 7ª jornada da Liga Espanhola vai para a vitória do Valência sobre o Atlético de Madrid no jogo realizado no sábado no Mestalla. André Gomes marcou um dos golos (que grande golo, diga-se) na vitória dos chés contra os colchoneros.

Destaque também para a vitória do Barcelona no terreno do Rayo em Santa Maria de Vallecas (arredores de Madrid), vitória que permitiu aos catalães manter a liderança da prova e ampliar a diferença pontual para o campeão em título de 2 para 5 pontos.

No encerramento da jornada, Cristiano Ronaldo brindou o Bernabéu com mais uma exibição de gala coroada numa goleada por 5-0 frente ao calamitoso Athletic de Bilbao de Iker Muniain e Ernesto Valverde. Quem viu a partida na qual CR7 apontou mais um hat-trick (tem mais de 2 golos de média por jogo na Liga; 6\13) ficou com a ideia que Ronaldo poderia ter logrado marcar muitos mais, tal foi a apetência ofensiva demonstrada pelo português durante os 90 minutos.
A equipa de Valverde continua a varrer o anûs da Liga Espanhola, podendo estar para breve a demissão do técnico espanhol do comando dos bascos nesta que seria esperada a época de afirmação do clube basco na Liga Espanhola e nas competições europeias.

Destaque ainda para o fantástico empate a 3 bolas entre Eibar e Levante num jogo em que os bascos tiveram a vitória nas mãos por duas vezes e para a goleada imposta pelo Sevilla ao Deportivo no Sanchez Pizjuan por 4-1 no domingo de manhã, vitória que permite à equipa de Emery continuar a morder os calcanhares de Valência e Barcelona. A Liga espanhola está de facto muito equilibradíssima no topo da tabela, com 5 equipas separadas por apenas 5 pontos.

Na próxima jornada, dentro de 2 semanas, o Real Madrid vai ao Cidade de Valência defrontar o “aflito” Levante, o Athletic de Bilbao tentará reverter a série de maus resultados contra o Celta (a equipa de Vigo é para já uma das equipas sensação do campeonato em conjunto com o Sevilla) no San Mamés, o Barcelona recebe o Eibar em Camp Nou, o Valência vai a casa do facilmente transponível Deportivo (19 golos averbados em 7 jogos; dá quase uma média de 3 por jogo) enquanto o Sevilla vai ao terreno do Elche.

liga inglesa 2

Na Premier League, o principal destaque vai para a vitória do Chelsea por 2-0 sobre o Arsenal, afundando os Gunners na tabela classificativa (estão fora dos lugares europeus).

Em Old Trafford, assistiu-se ao primeiro jogo que Radamel Falcao decidiu a favor do United frente ao sempre difícil Everton de Roberto Martinez.

O City venceu em Birmingham o Aston Villa por 2-0 com dois golos tardios de Kun Aguero e Yaya Touré enquanto o Liverpool voltou às vitórias em Anfield Road frente ao West Bromwich Albion por 2-1.

Quem ocupou uma vaga nos lugares europeus nesta 7ª jornada foi o Tottenham de Mauricio Pocchettino, precisamente, após ter vencido a anterior equipa do técnico argentino, o Southampton de José Fonte. A realizar um excelente campeonato (3ºs com 13 pontos), os Saints viram a sua cavalgada na tabela interrompida pelo Tottenham graças a um golo do “cérebro da nova máquina” de Pochettino, o dinamarquês Christian Eriksen, adversário de Portugal na caminhada para o Euro 2016. Esperemos que Eriksen faça uma péssima exibição frente à turma das quinas no jogo da próxima semana.

Na próxima jornada, como a Premier League tem equipas expcecionais para nos dar um jogo grande por jornada, teremos como cabeça-de-cartaz o jogo que vai opor o Manchester City ao Tottenham no City of Manchester. As duas equipas estão separadas por 3 pontos na tabela classificativa. Os Citizens são segundos a 5 pontos do líder Chelsea. Os Spurs, sextos na tabela, poderão galgar mais lugares caso vençam na grande cidade industrial inglesa.
O Arsenal recebe o Hull City no Emirates. O croata Nikica Jelavic é um homem a ter em conta pela frágil defesa dos Gunners. O croata leva 4 golos em 7 jogos. O Chelsea joga um derby de Londres frente ao Crystal Palace enquanto Liverpool e United vão respectivamente aos terrenos de QPR (lanterna vermelha) e West Bromwich Albion.

liga italiana 2

Na Liga Italiana, a Juventus tornou-se a única equipa invicta no campeonato à 6ª jornada devido ao facto de ter derrotado a outra que mantinha o mesmo estatuto, a AS Roma de Rudy Garcia. Os Romanos não contarão com o técnico francês no banco na recepção ao Chievo na próxima jornada.

A Fiorentina bateu categoricamente o Inter por 3-0 no Artemio Franchi enquanto o Milan aproximou-se dos primeiros lugares com a vitória sobre o Chievo por 2-0 no San Siro. A Sampdoria continua a dar cartas nesta Serie A com uma vitória pela margem mínima (golo do internacional italiano Manolo Gabbiadini) sobre a Atalanta de Bérgamo.

Na próxima jornada, os jogos grande serão disputados entre Fiorentina e Lazio em Firenze e Inter e Napoli. Ambas as equipas precisam de vencer para ascenderem novamente aos lugares europeus. A Juventus irá a Sassuolo cilindrar a equipa de Eusébio Di Francesco. O lugar do antigo internacional italiano no clube da Emília-Romagna está novamente em risco. Não será de admirar que em caso de derrota contra a equipa de Turim, o presidente do clube Carlo Rossi perca a paciência com o técnico e, dentro de mês e meio, caso o novo treinador não apresente resultados, volte novamente a contratar o técnico despedido. É recorrente em Itália existirem essas situações de técnicos que são despedidos e readmitidos várias vezes após o despedimento daqueles que os sucederam.

O Milan vai ao terreno do Hellas Verona de Luca Toni e Javier Saviola, equipa que mesmo apesar de ter perdido o seu maior artista (na temporada passada) Juan Manuel Iturbe para a AS Roma (adquirido ao FC Porto e vendido à equipa Romana) tem ameaçado lutar pelos lugares europeus. O Hellas é uma equipa muito experiente, composta por jogadores como Luca Toni, Javier Saviola, Rafa Marquez, Lazaros Christodoupoulos, Panagiotis Tachsidis, Nenê (ex-Nacional da Madeira) ou Bosko Jankovic.

Marselha

On-fire na Ligue 1 continua o Marselha de Marcelo Bielsa. A equipa de Marselha perdeu recentemente Mathieu Valbuena para o Dinamo de Moscovo, mas, pelos vistos tal transferência não abalou uma equipa que gosta de atacar com lascividade e pressionar alto durante grande parte do jogo, como de resto gosta El Loco, alcunha ganha por Bielsa na argentina devido ao facto das suas equipas falharem nos momentos-chave por causa do pressing a todo o campo que o argentino pretende por em marcha em todas as equipas que orienta durante 70 minutos.

Na 9ª jornada, a equipa de Bielsa foi a Caen vencer a equipa local por 2-1 com mais um golo (tardio mas salvador) de André-Pierre Gignac aos 93 minutos a dar os 3 pontos à equipa que tem como lema “droit au but” – “directos ao objectivo” – de serem campeões novamente, claro.

Gignac deu 3 pontos fulcrais à equipa marselhesa numa jornada em que:

– Os Girondinos de Bordéus perderam no terreno do Reims por 1-0. O cabo-verdiano Odair Fortes marcou o único golo de uma partida onde os girondinos de Tiago Ilori não conseguiram meter velocidade nos seus processos ofensivos para ultrapassar a muralha defensiva do Reims. Esta equipa do Reims, apesar de ocupar um modesto 16º lugar na tabela classificativa da Ligue 1 é uma equipa que gosta de jogar essencialmente num bloco defensivo baixo e sair rapidamente no contra-ataque por intermédio dos flancos, ora pelo cabo-verdiano Odair Fortes (em minha opinião, o jogador mais dotado tecnicamente da equipa) ora pelo flanco contrário onde se posiciona o internacional cabo-verdiano Benjamin Moukandjo.

– No grande jogo da jornada, o PSG perdeu mais 2 pontos (já são 12 os perdidos no total deste campeonato à 9ª jornada pela turma de Laurent Blanc no campeonato) ao empatar com o Mónaco de Leonardo Jardim no jogo grande da jornada disputado no Parc des Princips:

As falhas da defensiva parisiense deverão estar neste momento a incomodar o sossego do seu treinador.

Na próxima jornada, o PSG irá ao terreno do Lens, o antepenúltimo classificado da Ligue 1 enquanto o Mónaco recebe o Evian, o Marselha o sempre difícil Toulouse e o Bordeus o Caen. À espreita por um lugar nas competições europeias estão o Lyon e o Montpellier (de jogadores como Geoffrey Jourdain, Hilton, Siaka Tiéne, Lucas Barrios, Victor Montaño), duas equipas que irão jogar entre si na 10ª jornada.

liga alemã

Na Liga alemã destaque para mais uma goleada do Bayern de Munique por 4-0 frente Hannover, vitória que reforça o estatuto de líder dos bávaros numa jornada em que o Dortmund de Klopp voltou a perder no Westfallen Arena, desta feita frente ao modesto Hamburgo. O Hamburgo venceu pela primeira vez na Liga ao fim de 7 jornadas e está, imagine-se apenas a 3 pontos do Borussia de Dortmund. Outro dos contenders, o Bayer de Leverkusen empatou em casa contra o Paderborn a 2 bolas.

Na próxima jornada, o Bayern de Munique recebe a traiçoeira equipa do Werder Bremen. Os homens de Robin Dutt estão no último lugar com 4 pontos fruto de 4 empates e 3 derrotas. São uma equipa que gosta essencialmente de jogar em contra-ataque. O Bayer de Leverkusen vai ao terreno do Estugarda (a equipa orientada por Armin Veh ainda só ganhou por 1 vez este ano; tem jogadores como Gotoku Sakai, Karim Haggui, Moritz Leitner, Oriol Romeu, Christian Gentner, Adam Hlousek, Filip Kostic ou o avançado sérvio Vedad Ibisevic) enquanto o Borussia de Dortmund terá forçosamente de ganhar no terreno do Colónia.

O Olheiro #7 – Son-Heung Min

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Aos 22 anos, Son-Heung Min ainda não é o melhor jogador asiático da actualidade do futebol (na minha opinião é o japonês Keisuke Honda) mas tem tudo para o ser num futuro a médio prazo.

Agilidade, rapidez, muito técnico no controlo da bola a alta velocidade e na capacidade que tem de fugir às faltas, velocidade nas transições quando chamado a desempenhá-las no contra-ataque tanto pelo flanco direito como pelo esquerdo (no Leverkusen, o flanco-direito é quase sempre entregue a outro jogador muito veloz, Bellarabi) e uma capacidade ímpar de remate fora da área com os dois pés fazem deste coreano de 22 anos um jogador excitante que a meu ver irá rapidamente entrar na grande elite do futebol mundial. Actuando preferencialmente nos flancos (não descurando por exemplo fazer a posição de segundo avançado; no Leverkusen não tem grandes hipóteses para jogar atrás de Kiessling porque a posição 10 pertence ao dono daquilo tudo, nada mais nada menos que Çalhanoglu, outro jogador que os farmecêuticos foram resgatar por uma pipa de massa a Hamburgo; Çalhanoglu não se chegou a cruzar com o coreano em Hamburgo porque foi adquirido ao Karlsruhe com os valores pagos pela transferência do primeiro para Leverkusen), a rapidez de movimentos e a fortíssima capacidade de drible pode fazer com que o coreano parta constantemente para cima dos laterais adversários ou posicione-se numa posição mais interior à entrada da área (aproveitando por exemplo o balanço ofensivo interessante que tem laterais como Tim Jedvaj ou Wendell) para fazer 1 de 2 processos: combinar com o lateral e ir receber deste dentro da área ou receber do lateral nessa posição interior para rodar sobre o defensor e aplicar o seu poderosíssimo remate à entrada da área.

Sentindo-se confortável nos dois flancos, o internacional coreano descoberto em 2008 no Seoul FC\Selecção Coreana de sub-17 pelo departamento de scouting do Hamburgo (os olheiros da Bundesliga estão em força no mercado asiático; neste momento em toda a Bundesliga jogam 19 coreanos e japoneses nos planteis principais do elenco da Liga) foi um dos indiscutíveis beneficiários do efeito Guus Hidink, ou seja, de todo o programa de trabalho aplicado na formação sul-coreana pelo treinador holandês aquando da sua passagem pelo comando e direcção técnica daquela selecção entre 2000 e 2002, sendo convidado em 2010 para a Academia do Hamburgo aos 16 anos. Os 9 golos marcados na pré-temporada em 2010\2011 valeram-lhe um contrato profissional com a equipa do Norte da Alemanha e desde aí foi sempre a subir: 73 jogos oficiais pelo Hamburgo em 3 temporadas, 20 jogos e um bilhete para jogar em Leverkusen devido às dificuldades financeiras atravessadas em 2013 pela equipa da liga hanseática, numa transferência a rondar os 10 milhões de euros, concretizada precisamente pelo director desportivo da equipa de Leverkusen, um confesso admirador das suas capacidades: nada mais, nada menos que o histórico Rudi Voller.

O ano de 2010 também iria marcar a ascenção de Son aos convocados da selecção sul-coreana, subindo desde então de promessa do futebol daquele país asiático a líder indiscutível da selecção no Mundial do Brasil.

A confirmar-se como verdade

Citação:

“Todo aquele comportamento, com aquele olhar dele, “que sou muito bem educado”… mas quem anda à porta da tribuna a chamar nomes aos órgãos sociais do Sporting é ele. Quem anda com quatro seguranças a tentar assustar no corredor de Alvalade é ele. É uma vergonha. No jogo anterior ao último, elementos do FC Porto ameaçaram graduados da polícia e o Sporting fez queixa (…) Vamos ao Porto e entramos aos 20 minutos de jogo. No jogo em Alvalade, estavam hora e meia antes na minha casa, a ofender-me. Há uma polícia diferente a norte e a sul. Compreendo que não seja amado. Hei de morrer não sendo hipócrita, rufia… sem ser esta coisa que se arrasta pelo estádio ofendendo tudo e todos. É impressionante ver os jornalistas em pânico” – Bruno de Carvalho, ontem, à Sporting TV

Estamos presente um caso… de justiça civil dificilmente passível de absolvição. Comportamento lastimável. Bruno de Carvalho acabou de encomendar com estas declarações a “sentença de morte”, ou neste caso, a sentença de eliminação para os leões na Taça de Portugal. Não tenho a menor dúvida: o Sporting será recebido no Dragão num dos ambientes mais hostis que haverá memória no futebol português. Ainda falta uma semana para o jogo mas, creio que tal facto fareja-se desde já a milhas.

Aproveito ainda a deixa do presidente leonino ao canal do clube. Conforme deliberação da AG da SAD leonina, esta está a preparar-se para, na AG do Clube, lançar a discussão e a possível expulsão do estatuto de sócio do clube dos 4 dirigentes visados por actos de gestão danosa (Luis Duque, Godinho Lopes, Carlos Freitas e Nobre Guedes) durante a presidência do Engenheiro Godinho Lopes. A confirmar-se como verdade que a SAD leonina, cujo principal administrador na altura era Luis Duque, aumentou o salário a Marat Izmailov na renovação de contrato realizada com o russo (pelo meio, pagou comissões de índole manhosa a terceiros pelos direitos de imagem do russo entre outros direitos) e cometeu mais dois actos lesivos com as contratações de Jeffren e Alberto Rodriguez (dados como inaptos pelo departamento médico do clube após a realização dos habituais exames médicos), os sócios do Sporting serão chamados a decidir, apesar dos estatutos do clube (artigo 27º dos estatutos) não serem claros (são até em certa medida omissos) quanto a este tipo de fenómenos de gestão e quanto à acusação formulada pela SAD leonina junto dos 4 dirigentes.

Contudo, algo parece-me certo: Bruno de Carvalho abriu a caixa de Pandora em Alvalade. Esta caixa não só irá revelar todos os actos de gestão danosa cometidos por dirigentes desde 1992 (ponto de partida da auditoria que está em marcha por intermédio da KPMG) como será a arma que outros dirigentes do clube terão no futuro contra quem a legalidade da gestão de quem a abriu. Costuma dizer o ditado que quem “é o último a chegar que feche a porta” – no caso do clube leonino, quem chega por último tem a partir deste momento toda a legitimidade para questionar o trabalho que o actual presidente do Sporting está a realizar no clube. Outro ditado diz que a “revolução come todos os seus filhos” – a história também irá julgar Bruno de Carvalho. A ver vamos se o filho da revolução não é um dia também ele comido pela mãe.

Curiosamente, neste campo o futebol português ainda tem muito a aprender com a experiência bem sucedida de outros campeonatos e países. Na Alemanha, os clubes profissionais são auditados por entidades independentes, de 3 em 3 meses. Quer com isto dizer que no futebol alemão, as informações (trimestrais, semestrais e anuais) prestadas pelas sociedades à entidade reguladora competente são quase sempre cruzadas em prol de um objectivo que se materializa na salutar gestão financeira dessas sociedades. No futebol alemão, as penalizações para os clubes e dirigentes que pratiquem actos de gestão danosa ou prestem informações erradas ou erráticas (cruzando os dados enviados a cada trimestre com os dados enviados no final do ano) à entidade reguladora e à entidade que organiza os campeonatos são punidas com mão pesada: a descida de divisão pela via administrativa.

breves #23

Selecção Brasileira – Souza, antigo médio do Porto, agora no São Paulo, foi chamado por Dunga para substituir Ramires na convocatória para os jogos contra a Argentina e Japão. Dunga encontra-se a preparar uma fase experimental na selecção. Com os olhos no futuro, ou seja, na próxima Copa América em 2015 e na qualificação para o Mundial 2018, o novo seleccionador brasileiro aproveita os amigáveis que a canarinha irá realizar em Outubro para testar novos jogadores. Assim sendo, Diego Tardelli (Atlético Mineiro), Ricardo Goulart e Everton Ribeiro (Cruzeiro), Rafael Cabral (Napoli), Mário Fernandes (CSKA) Felipe Luis (Chelsea) Danilo (Porto) Dodô (Inter) Miranda (Atlético de Madrid) Gil (Corinthians) Elias (Corinthians) e Robinho (Santos) foram convocados pelo seleccionador brasileiro. A chamada de Robinho foi a grande surpresa da convocatória. De fora ficaram jogadores como Fred, Jô, Dante, Marcelo ou Hernanes.

Selecção Brasileira 2 – A Confederação Brasileira de Futebol quer marcar um amigável no Mineirão frente à Selecção Alemã para “exorcizar” o doravante denonimado Mineiraço – a derrota nas meias-finais do Campeonato do Mundo frente aos alemães por 7-1.

Jordi Clasie – O internacional holandês do Feynoord afirmou ao Jogo que Julen Lopetegui chegou a abordá-lo para pedir para se transferir para o clube da invicta.

Jorge Jesus\Benfica – Na conferência de imprensa realizada após a derrota em Leverkusen por 3-1, derrota encarnada que, apesar do futebol vistoso praticado pelos articulados e técnicos alemães, fica manchada com um enorme erro de arbitragem do inglês Martin Atkinson no lance do penalty que deu o 3º golo ao Leverkusen numa altura em que o Benfica poderia ter facilmente construído outro resultado na BayArena, Jorge Jesus afirmou que “desportivamente uma final da Liga Europa é mais importante que os quartos da champions”.

Uma final europeia é sempre uma final europeia. No entanto, de nada valem as presenças em duas finais europeias se as taças não forem depositadas no bonito Museu Cosme Damião. Creio que o treinador do Benfica teve o azar de afirmar mais uma das suas parvoíces. O grupo em que o clube está inserido não é fácil: as 4 equipas tem um valor similar e, todas poderão ganhar jogos umas às outras. Contudo, seria de esperar que o treinador campeão nacional, não vulgarizasse desta maneira uma posição nas 8 melhores equipas da europa só porque a sua equipa não está para já a ter o melhor rendimento na competição. Numa altura em que volta a ser amplamente criticado pelas suas declarações, o treinador do Benfica deveria ser mais comedido. Com este tipo de declarações está a passar uma mensagem de fraqueza para o balneário que poderá efectivamente ser prejudicial num futuro próximo.

rui patricio

Rui Patrício – A espantosa exibição do internacional português, abrilhantada com as 5 paradas fabulosas que fez a Diego Costa (2), Mohammed Salah e Andre Schurrle (2) levaram a UEFA a incluir o guardião português no onze da 2ª jornada da prova, onze onde também figura Jackson Martinez do Porto.

FC Porto – Na semana passada, Jorge Nuno Pinto da Costa afirmou ao canal do clube que Jorge Mendes o tinha contactado no sentido de lhe apresentar o interesse de Peter Lim na aquisição da SAD Portista. O histórico dirigente afirmou que o “clube não está à venda” reiterando a ideia que enquanto for presidente do clube e da SAD o Porto não terá investidores externos.

Ontem, o presidente do Porto lançou uma Oferta Pública de Aquisição Geral e obrigatória a 18,79% das acções desta que eram detidas pela Somague Engenharia.

Sporting – A equipa leonina assinou ontem um protocolo com a duração de 5 anos com a equipa profissional Norte-Americana New England Revolution (MLS) num acordo que visa a troca de know-how sobre a formação de jovens atletas e possíveis acordos comerciais entre as duas equipas. Assim sendo, existe a possibilidade do Sporting ter direito de preferência sobre alguns jogadores da equipa Norte-Americana assim como esta poderá receber por empréstimo jogadores formados na Academia de Alcochete ou enviar jovens talentos da sua formação para evolução futebolística na Academia de Alcochete junto das equipas das camadas jovens do clube leonino. O acordo também prevê a realização de vários amigáveis ao longo destes 5 anos entre as duas equipas e a possibilidade de equipas do clube leonino poderem realizar estágios de alto rendimento nos Estados Unidos da América e vice-versa no que diz respeito à equipa da MLS na Academia de Alcochete.

Vitor Pereira – O antigo treinador do Porto contrariou as palavras proferidas por Jorge Nuno Pinto da Costa. O presidente do Porto revelou recentemente que não quis renovar com o treinador de Espinho porque os adeptos não sentiam empatia pelo treinador. O antigo bicampeão nacional pelo Porto afirmou que o presidente convidou-o a renovar o vínculo com os Dragões mas não aceitou a proposta.

Andreas Brehme – O Relvado publicou ontem um interessante artigo que dá conta que o glorioso lateral-esquerdo alemão que decidiu a conquista do título mundial a favor da Mannschaft no Itália´90 com aquele penalty nos últimos minutos frente à Argentina de Maradona, está a passar por um mau período na sua vida. Falido e com dívidas, o antigo jogador do Inter de Milão de Trappatoni poderá perder a sua casa nos próximos dias.

Franz Beckenbauer já se disponibilizou para ajudar o antigo jogador de 53 anos. Outro ex-futebolista, agora empresário, também já ofereceu emprego a Brehme como funcionário de limpeza. Aqui fica um pequeno video de tributo ao internacional alemão:

Crónica #16 – CSKA 0-1 Bayern de Munique

No Khimkhi Arena, nos arredores de Moscovo, palco escolhido pelos dirigentes do CSKA para a realizar o jogo desta 2ª jornada da Champions em campo neutro à porta fechada em virtude dos desacatos cometidos pelos seus adeptos em Roma na 1ª jornada da competição, o Bayern de Munique de Pep Guardiola venceu com relativa facilidade a turma russa por 1-0.

Do lado russo, Leonid Slutsky viu-se confrontado com muitas adversidades dentro do seu plantel. A equipa russa pretendia limpar a péssima imagem deixada no Olímpico da capital romana, local onde foi goleada por 5-1 pela turma orientada por Rudy Garcia. Já a equipa de Pep Guardiola encarava este encontro de forma tranquila depois de ter vencido o Manchester City por 1-0 no Allianz Arena com um golo de Jerome Boateng nos últimos minutos a esconder uma exibição sofrível dos bávaros.

Com muitos ausentes devido a lesões, alguns importantes na manobra ofensiva da equipa como é Alan Dzagoev, o treinador do campeão russo só convocou 16 atletas para a partida. Apresentando um onze composto por Akinfeev na baliza; um eixo defensivo composto pelo brasileiro Mario Fernandes na direita, Vasily Berezutski, Sergei Ignashevic e Schennikov na esquerda; Alexei Berezutski como trinco, Milanov na esquerda, o israelita Natcho atrás dos avançados e Zoran Tosic na direita e uma frente de ataque composta pelo nigeriano Ahmed Musa e Roman Eremenko, o treinador russo visava dar alguma luta ao Bayern de Munique de Guardiola, a contas ainda com algumas ausências de peso na equipa como são Jerome Boateng, Franck Ribery ou Bastian Schweinsteiger.
Alinhando no sistema táctico que tem trabalhado desde o início da época, o catalão escalonou para esta partida: Neuer, Benatia, Dante, Alaba; Lahm, Alonso; Bernat, Muller, Robben, Gotze; Muller e Lewadowski. Motivo de destaque nesta equipa do Bayern é sem dúvida a versatilidade que Guardiola tem pretendido tirar de vários jogadores ao longo das partidas em que, devido às constantes trocas posicionais, são chamados a desempenhar várias posições no terreno e consequentemente às várias funções designadas pelo treinador nessas mesmas posições. Os jogadores do Bayern tem correspondido minimamente à ideia que está a ser sobejamente idealizada e trabalhada pelo seu treinador. Sem um jogador no lado direito, cabia a Benatia descair para a direita para defender Milanov, devidamente compensado e apoiado por Philipp Lahm. Sempre que Benatia ia a esse flanco fechar, Alaba fechava no seu centro; contudo, o austíaco alinhou quase sempre na posição de médio interior esquerdo, auxiliando Xabi Alonso e Phillip Lahm na construção de jogo e, descaíndo para o lado esquerdo de forma a criar desequilíbrios junto do ala esquerdo Juan Bernat. Na frente nada de novo: Muller com as suas habituais movimentações fora-da-área, Gotze a cair nas duas alas e Robben preferencialmente no flanco direito com oportunidade para executar as suas maravilhosas flecções para zonas interiores em drible.

O Bayern controlou a partida através da sua posse de bola. Praticando o seu habitual jogo de paciência perante uma equipa russa que se foi fechando lá atrás da maneira que melhor soube, optando sair rapidamente no contragolpe, preferencialmente com passes em profundidade para a velocidade de Ahmed Musa.

Nos primeiros minutos, a equipa germânica conseguiu construir algumas jogadas interessantes. Se nas primeiras oportunidades construídas, a equipa falhou na finalização e no último passe (aos 9″ quando Gotze dentro da área colheu um excelente cruzamento de Bernat na esquerda e atirou por cima da área; ou no minuto seguinte quando Robben flectiu do flanco direito para zona central em drible, rematando para defesa apertada de Akinfeev) sem que o CSKA conseguisse sair proficuamente do seu meio-campo (excepto numa ocasião em que Milanov rematou para defesa fácil de Neuer depois de uma jogada construída na direita por Tosic), aos 20″, Gotze desbloqueou a situação num lance em que ao tentar furar à entrada da área por uma cortina defensiva composta por jogadores da equipa russa, foi derrubado pelo lateral (adaptado) brasileiro Mário Fernandes. Fica somente a dúvida se a falta começa fora-da-área ou se existe continuidade da mesma para dentro da área. Na minha óptica, creio que começa fora-da-área mas continua dentro da caixa, havendo portanto lugar à marcação de grande penalidade.

Com um remate eficaz para o meio da baliza, Thomas Muller inaugurou o marcador.

Entre os 24″ e os 39″ minutos viriamos a assistir ao melhor momento da equipa russa na partida. Apesar de estar a ser dominada através das longuíssimas trocas de bola dos jogadores do meio-campo do Bayern e de jogadores como Natcho, Alexei Berezutski ou Roman Eremenko não terem conseguido sair em transições rápidas da forma mais desejável sempre que a equipa recuperava bola graças a uma pressão efectivíssima de Lahm, Alaba e Alonso no meio-campo, a equipa russa conseguiu durante estes 12 minutos ir à área do Bayern criar perigo, conquistar alguns cantos e ousar ameaçar a baliza de Neuer:
– quando aos 24″ o internacional finlandês de origem Russa Roman Eremenko tentou um remate em rotação já dentro da área que saiu por cima da baliza de Neuer.- quando aos 36″ Ahmed Musa, lançado em profundidade com uma bola longa ganha um despique na esquerda contra Mehdi Benatia, irrompe pela área dos bávaros e não consegue bater Neuer.
– aos 39″ Roman Eremenko manda uma bola à quina da trave da equipa alemã.

É certo que pelo meio, aos 26″ foi anulado um golo a Robert Lewandowski numa jogada de combinação muito vistosa ao primeiro toque entre Muller, Goetze e o avançado polaco. No momento da abertura de Muller para isolar o polaco este estava em fora-de-jogo.

A equipa de Guardiola podia inclusive ter ido para o intervalo a vencer por 2-0. Poucos minutos passados do maior ascendente dos russos na partida, mesmo a terminar a primeira parte, num lance em que Akinfeev foi rei: Robben recebeu a bola à entrada da área, entrou na caixa sob oposição do seu marcador directo (Schennikov) mas na hora de rematar foi perdulário e permitiu o corte ao lateral esquerdo internacional russo. Na sequência do corte do russo, a bola sobrou para Lewandowski que não conseguiu melhor que a Robben. Sobrando para uma terceira tentativa, a bola chega até Gotze. O alemão remata mas a bola é desviada por Sergei Ignashevic para as mãos de Akinfeev. O capitão da equipa russa, de 35 anos, foi um dos melhores em campo. Perante a sempre difícil postura de Lewandowski na partida, dentro da área, Sergei Ignashevic foi resolvendo com eficácia grande parte dos lances onde foi obrigado a intervir.

Na 2ª parte, o ritmo e a intensidade de jogo diminuiram. O Bayer continuou, na globalidade dos 45 minutos, a gerir a vantagem obtida no primeiro tempo através de uma pausada circulação de bola no meio-campo russo. Os russos arriscaram muito menos daquilo que tinham arriscado no primeiro tempo, limitando-se mais uma vez a bombear bolas longas à procura de Ahmed Musa e de Seydou Doumbia, entrado aos 65″ para o lugar do “ausente” Bebras Natcho. A equipa russa voltou a acusar dificultantes em suplantar a primeira linha de pressão dos bávaros e não conseguiu ter a rapidez necessária para ultrapassar o meio-campo com um futebol simples, de preferência com poucos toques no esférico.

Aos 52″ o lateral Schennikov esteve novamente muito bem a impedir um possível 2º golo dos alemães quando, chamado a fechar no centro do terreno impediu que Lewandowski finalizasse em potência na cara de Akinfeev após assistência perfeita de Mario Gotze. O internacional alemão, histórico da Mannschaft ad-eternum pelo golo decisivo que deu a vitória no Mundial deste ano, fez uma exibição muito interessante, recebendo tanto mais colado ao flanco esquerdo como ao flanco direito, flanco onde até chegou a entrar na área de influência de Arjen Robben (tabelou algumas vezes com o holandês).

O CSKA respondeu na sua única oportunidade na 2ª parte: lançado novamente em profundidade, Ahmed Musa tentou o remate frente aos dois centrais adversários vendo o seu remate bloqueado. O ressalto sobrou para Alaba com o austríaco a cometer um erro infantil dentro da área ao cabecear a bola para o lado onde apareceu novamente Musa a rematar. O austríaco emendou um erro com um desarme providencial ao remate do nigeriano.

Até ao final do jogo, já com Xherdan Shaqiri, Rafinha (Guardiola jogou pelo seguro colocando um lateral no flanco fraco do Real, flanco que foi explorado por Musa durante toda a partida) e posteriormente Cláudio Pizarro em campo, o Bayern retirou qualquer possibilidade do adversário tentar o empate através de uma posse de bola cuidada no meio-campo adversário, pertencendo até à equipa germânica o último lance de perigo na partida por intermédio do antigo extremo do Basileia. Shaqiri conseguiu-se isolar na cara de Akinfeev mas não conseguiu bater o mítico guarda-redes do CSKA. Akinfeev estorvou muito bem a acção do internacional suiço com a sua saída, fazendo com que este atirasse ligeiramente ao lado do seu poste direito. Akinfeev foi um dos melhores na partida. O melhor na partida foi na minha opinião Xabi Alonso. A sua qualidade de passe e a forma como pauta os ritmos de jogo desta equipa do Bayern assentam que nem uma luva nesta equipa. Do lado da equipa russa, Ahmed Musa empenhou-se imenso na partida mas foi muito perdulário para este nível nas 3 oportunidades que teve nos pés para empatar.  Manuel Neuer tem mérito numa delas com uma grande defesa aos pés do nigeriano.