O dilema de Liverpool

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Sempre que um icónico jogador é transferido por uma grande equipa, o treinador dessa mesma equipa tem como missão (caso a direcção lhe disponibilize recursos financeiros aceitáveis para procurar um ou vários jogadores substitutos) encontrar soluções dentro do mercado para amenizar os efeitos da perda desse mesmo jogador. Tenho como dado assente que nenhum jogador é substituível directamente por outro. Como em tudo na vida, no futebol, no máximo, sempre que um substituto faça lembrar o jogador transferido ou consiga atingir num curto ou médio espaço de tempo o nível de performance daquele que rumou, não existem dois jogadores iguais e a forma de jogar da equipa altera-se com um maior ou menor grau de diferença em relação às bases existentes aquando da presença do jogador transferido.

Luis Suarez conseguiu, apesar de ter protagonizado imensas cenas de indisciplina durante a sua estadia de 3 épocas em Anfield Road, criar uma enorme empatia junto do Universo Liverpool. Apesar de só na sua última temporada ter conseguido apresentar um rendimento de excelência, a estrutura do clube britânico segurou o uruguaio como pode e este acabou por cair no goto dos adeptos. O jogador cativou de tal forma os seus colegas de equipa e adeptos nas suas duas primeiras temporadas (creio que estes acreditaram que iria explodir mais tarde ou mais cedo e ajudar o clube a conquistar troféus) que, aquando dos sucessivos castigos com que foi sancionado pela equipa de Liverpool, o capitão Steven Gerrard, a maior figura do clube treinado por Brendan Rodgers, nunca deixou cair o colega e incentivou-o a melhor o seu rendimento e permanecer no clube numa altura em que o uruguaio não queria permanecer em Liverpool porque considerava que os adeptos não gostavam dele e a equipa não era suficientemente competitiva para lutar por títulos. No verão de 2013, quando existia a hipótese do jogador rumar a Madrid, Gerrard foi ter com Suárez e pediu-lhe encarecidamente para ficar mais 1 ano de forma a ser a maior estrela de uma equipa que estava a ser construída para obter altos voos na temporada 2013\2014. O uruguaio não tinha como negar o desejo do capitão e amigo Gerrard. Desde então o seu rendimento em campo melhorou significativamente e o seu comportamento dentro e fora das quatro linhas melhorou satisfatoriamente. Até à mordidela em Chiellini, claro.

No verão de 2014, cotado, quase como sempre nos últimos defesos, como um trunfo apetecível a todas as equipas com grandes objectivos europeus, a direcção de Liverpool sentiu que não poderia pedir mais ao jogador depois de se ter gorado o objectivo de vencer a Premier League. Assim como, sentiram que, perante uma proposta do Barcelona, o jogador não poderia permanecer em Anfield Road. Bastou apenas ao Barcelona acenar com um único trunfo: títulos. Coisa que o uruguaio não tem, excepção feita a um punhado de conquistas internas no futebol holandês ao serviço do Ajax.

A saída de Suárez colocou, como não poderia deixar de ser fruto do facto de ser a grande peça na engrenagem da máquina de Rodgers, uma enorme dor de cabeça ao treinador do Liverpool. Suárez representava golos, assistências, dribles, abertura de espaços para os restantes companheiros de ataque através das suas rápidas e loucas movimentações que desgastam qualquer eixo defensivo, coragem no plano mental para resolver em situações de desvantagem ou em situações de pressão nos jogos contra os outros grandes da Premier League, ambição, garra, auto e hetero motivação, liderança e vitórias, muitas vitórias.

Não sendo um jogador substituível no imediato, Brendan Rodgers tentou agir com uma política de contratações muito utilizada nos desportos americanos, sobretudo na NBA: se sai um jogador que é capaz de marcar 30 golos por temporada e oferecer 20 assistências aos companheiros, tentarei substituí-lo com a entrada de vários jogadores capazes de fazer os seus números em conjunto, com potencial para formar uma boa equipa, com potencial para se tornarem grandes estrelas do futebol mundial e com uma margem de manobra interessante para Rodgers moldar à sua semelhança e feitio. Esta velha policy de transferências é como se sabe muito utilizada na NBA. Façamos o esforço de imaginar: se um jogador importante que faz 25 pontos de média por jogo, 7 assistências de média e ganha 6 ressaltos por jogo (naquela Liga Norte-Americana há vários jogadores a fazer estes ou melhores números com uma base de consistência regular), o treinador dessa mesma equipa tentará suplantar a saída de um jogador com a entrada de outro ou de outros capazes de garantir esses números. A equipa depende obrigatoriamente dessas estatísticas para se manter funcional e vitoriosa.

Foi nesta onda de pensamento que Rodgers fez chegar a Anfield Road no passado defeso jogadores como Markovic, Adam Lallana, Ricky Lambert ou Mario Balotelli. Rodgers pretendeu numa primeira abordagem de pensamento que estes conseguissem obter, juntos, o número de golos e assistências do uruguaio. Numa segunda abordagem, Rodgers aproveitou os 84 milhões encaixados pela transferência para acrescer imensas unidades de valor ao ataque de uma equipa que pecou por ter poucas opções durante 13\14, resumindo as opções do meio-campo para a frente a Phillipe Coutinho, Daniel Sturridge, Raheem Sterling, Suárez, Iago Aspas, Joe Allen e Luis Alberto. Para uma equipa que, a meio da temporada, mudou os objectivos firmados para o final desta, assumindo-se como uma equipa candidata ao título da Premier League ao invés de uma equipa candidata aos lugares europeus pelo brilharete que a equipa estava a realizar no campeonato contra todas as expectativas, sabemos bem que estas opções para o ataque eram, à priori, escassas para conquistar esse objectivo num campeonato tão competitivo e com tantas estrelas como é o campeonato inglês.

Contudo, a sensação que me dá e que comprova este mau arranque de temporada da equipa britânico, é a de que Rodgers ainda não conseguiu mover todas as pecinhas do puzzle de forma a completar a filosofia de jogo que pretende para a próxima era do clube de Merseyside. Isto porque, se tomarmos em conta que a equipa com Suárez era moldável ao ponto de tanto poder jogar em ataque organizado com a construção de Gerrard, Jordan Henderson e Joe Allen, beneficiando do drible portentoso de Suárez, da abertura de espaços de Suárez através das suas constantes movimentações para a entrada de outros jogadores na área a finalizar, como, por outro lado também seria uma equipa capaz de jogar a alta velocidade com a prática de um modelo de jogo assente em transições rápidas ou lançamentos longos para as alas para a velocidade de homens como Coutinho, Sterling ou Sturridge, neste momento, os 4 jogadores adquiridos para a frente de ataque demonstram ser jogadores que não encaixam em alguns dos processos que Rodgers gosta de serem aplicados em campo:
– Markovic não é um finalizador puro e é um jogador que encaixa muito bem num modelo de transições rápidas para o contra-ataque. O sérvio sente-se melhor nesse tipo de processos do que no ataque organizado. Em Inglaterra não terá tanta liberdade para colocar as suas poderosas arrancadas em drible pela zona central com incursão na área e finalização como tinha em Portugal. O sérvio será o jogador que combinará melhor com a dupla Sterling\Sturridge se bem que Phillipe Coutinho também é muito forte quando é chamado a pegar o jogo na esquerda e correr em velocidade com o esférico. – Adam Lallana é um tecnicista puro que gosta de jogar com espaço para colocar os seus dribles, espaço esse que não é concedido por grande parte dos pequenos em Inglaterra. Não é jogador para alinhar no contra-ataque.
– Mario Balotelli é um jogador demasiado lento para jogar no contragolpe e não é tão móvel quanto Suárez e tão mortífero no drible de 1×1. O seu jogo assenta no seu poderio físico e na sua potência de remate. Sendo algo lento de movimentos e um jogador que necessita de ter bola à entrada da área para rematar, não combina com a rapidez de movimentos de Sturridge ou Sterling e pode ser até um jogador capaz de congelar a velocidade que a equipa tenta imprimir nas saídas em contra-ataque.
– Ricky Lambert é um rato de área, compreendendo-se apenas a sua contratação para a utilização esporádica em jogos em que a equipa tenha de abandonar a sua identidade em prol de um estilo de jogo mais directo.

Se ofensivamente a equipa parece algo desordenada ao nível de peças, defensivamente, esta equipa do Liverpool tem imensas potencialidades apesar dos maus resultados estarem a confirmar o contrário. Dois excelentes laterais com muita propensão ofensiva (Glen Johnson, Alberto Moreno) e outros dois muito equilibrados (Javier Manquillo e José Enrique). No eixo da defesa, Skrtel, Lovren Kolo Touré e Mamadou Sacko são centrais controladores, fortes na marcação, fortes fisicamente, fortes no jogo aéreo. No entanto todos eles pecam por serem centrais algo lentos e com dificuldades para sair a jogar. Daí que Brandon Rodgers aposte imenso na saída de jogo a partir de trás por intermédio de Lucas Leiva ou Emre Can. O alemão é melhor a cumprir esta tarefa que o brasileiro. O brasileiro é mais agressivo e acutilante na pressão que o alemão assim como cobre melhor os espaços que este.

Tempos e Resultados – Ligas Europeias

La Liga

Em Espanha, toda a gente já está a fervilhar por causa do clássico da próxima jornada. No Warm-Up para o grande jogo do próximo fim-de-semana, Ronaldo voltou a superar-se no Cidade de Valência na goleada infligida pelo Real ao Levante enquanto Messi marcou na vitória folgada do Barcelona frente ao Eibar por 3-o e encurtou para 2 golos a distância que o separa do recorde do histórico Telmo Zarra. Caso marque 2 ou 3 golos no Bernabéu, Messi poderá até parar a partida por breves momentos para ser homenageado como co-detentor do record de golos na Liga Espanhola ou até detentor do novo recorde a bater. Pelo meio, o Real terá que receber o Liverpool para a Champions assim como o Barcelona terá que disputar também uma partida. Nada que tire o sono a Ancelotti e seus pares dado o percurso mediocre que os Reds tem vindo a executar neste início de temporada. O clássico está definitivamente na cabeça de madridistas e catalães.

O maior destaque da 8ª Jornada da Liga Espanhola foi a vitória do Deportivo sobre o ascendente Valência no Riazor. A equipa de Victor Fernandez fez uma primeira parte de sonho, mostrando ter espantado durante as duas semanas de pausa toda a insegurança defensiva que vinha demonstrando até então. Aproveitando as falhas da defensiva e do meio-campo Valenciano, na hora de atirar à baliza, os Galegos não perdoaram e puseram na tabela classificativa a primeira mancha no percurso imaculado da equipa de Nuno Espírito Santo. O treinador português tratou de afirmar na conferência de imprensa que a “equipa não perderá duas vezes seguidas”.

Fortíssimo continua o Sevilla. A equipa de Unai Emery aproveitou a derrota do Valência para ascender à 2ª posição do campeonato a 3 pontos do Barça. Carlos Bacca e Kevin Gameiro deram a vitória por 2-0 no terreno do levante.
Para Lopetegui ver foi o empate do Athletic no San Mamés a 1 bola frente ao Celta de Vigo. Aduriz colocou os bascos na liderança aos 6″. Nolito empatou na 2ª parte.
Com dois golos no El Madrigal, o internacional Nigeriano Uche colocou o Villareal de Marcelino Garcial Toral em lugares europeus. Sem ganhar continua o Córdoba.

liga espanhola 4

Na próxima jornada teremos o clássico. Real Madrid e Barcelona defrontam-se no Bernabéu no Sábado pelas 17 horas (hora portuguesa). O Valência recebe o Elche, o Sevilla recebe o Villareal e o Atlético fará uma curta deslocação aos arredores para defrontar o Getafe no Coliseum Alfonso Perez.

Málaga e Rayo Vallecano defrontam-se no Rosaleda. Em caso de vitória de uma das equipas e derrota do Villareal ou Celta, uma delas poderá ascender aos lugares europeus. Prevê-se uma luta interessante pelo 6º lugar na Liga Espanhola entre estas equipas e, possivelmente a Real Sociedad e Athletic de Bilbao se ambas começarem a inverter os péssimos resultados que tem realizado. São duas equipas com enorme valor que tem capacidade para mais.

Premier League

liga inglesa 3

No campeonato de terras de Sua Majestade, os 3 da frente à partida para a 8ª jornada venceram os seus desafios. West Ham e Liverpool também venceram, reaproximando-se da frente e aproveitando para ultrapassar o Manchester United que não foi além de um empate em Birmingham perante o West Bromwich Albion de Silvestre Varela e Georgios Samaras. O Arsenal voltou a baquear, desta vez em casa frente ao Hull. Recapitulemos:

Jogo com muitas cores e muitos sabores. O Manchester City vs Tottenham tinha tudo para ser um daqueles jogos épicos que só a Liga Inglesa nos consegue proporcionar. Pressão asfixiante (melhor, rolo ofensivo) do Manchester City tanto no ataque como a pressão à saída da bola do Tottenham garantiu o primeiro golo. Yaya Touré na encruzilhada quase sempre. Um erro crasso de Fernando permitiu aos homens de Pocchettino restabelecer o empate logo a seguir por Christian Eriksen. Já sonhava com um 3-3 ou um 4-4 ou um 4-5 para o Tottenham.

Até que dois penaltis assinalados por John Moss (o primeiro deles é completamente inventado pelo árbitro) deram a Kun Aguero uma tarde de sonho no Emirates com um poker e com a liderança (partilhada) da lista de melhores marcadores da competição com Diego Costa. Ambos tem 9 golos apontados em 8 jornadas.

Quando me disseram por sms não queria acreditar. Ronald Koeman está a fazer um bom trabalho no Saint Mary´s Stadium mas, o Sunderland não é o Boavista. Tem John O´Shea, Vito Mannone, Wes Brown, Leonardo Vergini, Sebastien Coates, Lee Cattermole (um dos mais duros trincos do futebol britânico), Sebastian Larsson, Jack Rodwell, Adam Johnson, Ricky Alvarez, Emmanuele Giaccherini, Steven Fletcher, Danny Graham, Jozy Altidore. Em suma, um plantel cheio de internacionais, maior parte deles veteranos nestas andanças e com qualidade à brava para fazer um campeonato tranquilo.

8ª jornada, 8 pontos do Sunderland, 8 golos marcados, no dia dez(oito). Parecia destinado a ser uma tarde de glória para os Black Cats de Ronald Koeman, Graziano Pellè, José Fonte, Victor Wanyama, Morgan Schneiderlin, Dusan Tadic e Sadió Mane. 8-0 sem espinhas a uma equipa sem alma durante os 90 minutos. O holandês está a realizar um trabalho formidável com uma equipa que foi reconstruída de novo (dos 14 participantes do lado dos Black Cats, 7 são reforços da equipa para esta temporada) e arrisca-se a criar uma expectativa enorme junto da massa adepta do clube: no 3º lugar a 6 pontos da liderança com 3 de avanço sobre West Ham, 4 sobre Liverpool, 6 sobre o United sem que o United de Van Gaal e o Liverpool de Rodgers tenham um trajecto vitorioso continuo no tempo e 5 sobre o Arsenal que tarda em encontrar-se em jogos a contar para a Premier League, é absolutamente normal que os adeptos do Southampton, dada a qualidade da equipa, comecem a acreditar que é possível voltar a fazer história e lutar pela Champions League.

Impróprio para cardíacos. Quando Eduardo Vargas fez o empate naquela jogada linda, Harry Redknapp levantou os braços porque pensava que se tratava do golo que iria ditar um empate… Muito longe disso! O árabe do video fartou-se de gritar pelo Mario (Balotelli) mas quem haveria de dar a vitória ao Liverpool seria Steven Caulker, num dia muito azarado para a turma londrina. 4 golos em 8 minutos! Final de loucos!

Só ao 24º jogo pelo United, na 2ª época ao serviço do clube, veríamos o melhor de Marouane Fellaini pelo Manchester United. O belga apontou o seu primeiro golo pelo clube mas, tal golo, assim como o golo apontado por Daley Blind aos 87″ apenas seriam suficientes para impedir a derrota no Haythorns frente ao WBA. Silvestre Varela não constou na lista de convocados da equipa inglesa.

Na próxima jornada, a 9ª, teremos como grande jogo da jornada a recepção do Manchester United ao Chelsea na tarde de domingo pelas 16h. A equipa de Van Gaal terá forçosamente que ganhar se quiser ter algumas aspirações ao título inglês nesta temporada. Terá uma semana para preparar o jogo ao invés do Chelsea que, como se sabe, amanhã defrontará o Maribor em Stamford Bridge para a Champions League. Mourinho deverá utilizar a partida para rodar jogadores com menos minutos de jogo de forma a fazer a gestão de plantel que se adequa a este nível de competição.

O Manchester City terá uma difícil deslocação a Londres para enfrentar um moralizado West Ham. Podem dizer o que disserem deste futebol musculado de Sam Allardyce bem ao estilo britânico. Tem resultado. O Liverpool recebe o Hull City. A equipa de Jelavic já provou ser capaz de se bater taco a taco com qualquer equipa do campeonato. Ao Arsenal tentará regressar às vitórias no terreno do desmoralizado Sunderland, capitalizando os estragos que a goleada sofrida em Southampton possam ter feito no balneário comandado pelo uruguaio Gus Poyet. O Tottenham recebe o Newcastle com olhos num lugar europeu.

breves #24

Graziano Pellè –

Graziano Pellè

O robusto avançado italiano que Ronald Koeman levou do Feyenoord para o Southampton por 8 milhões de libras goza um dos melhores momentos da sua carreira. Primeiro porque tem sido o abono de família do Southampton. O italiano de 29 que até aqui nunca representou um grande italiano (Lecce, Catania, Crotone, Cesena, AZ Alkmaar, Parma, Sampdoria e Feyenoord) é um dos melhores marcadores da Premier League até ao momento com 4 golos em 6 jogos (5 em 8 se somarmos os jogos realizados para todas as competições) e foi chamado por Antonio Conte para representar a Squadra Azzurra nos compromissos desta contra Azerbeijão e Malta.

Pellè insere-se num lote no qual Mario Balottelli não faz parte. O guarda-redes Perin do Genova, os defesas Angelo Ogbonna da Juventus, Manuel Pasqual da Fiorentina (apesar de não estar a ser titular em todos os jogos da Viola; Vincenzo Montella tem apostado imenso no espanhol Marcos Alonso) Rugani do Empoli, os médios Marco Parolo da Lazio, os médios-ala\extremos Bonaventura do Milan, Alessandro Florenzi da Roma e os avançado Simone Zaza do Sassulo são as grandes novidades da convocatória do antigo treinador da Juve que, ainda está a aproveitar jogos de menor dificuldade para observar jogadores potencialmente convocáveis para este ciclo de 2 anos.

Grandes ausências da convocatória para além de Balotelli são por exemplo  Riccardo Montolivo (Milan; por lesão), Gabbiadini (para já riscado por Conte), Alessio Cerci (Atlético de Madrid) Stephen El-Sharaawy ou Antonio Cassano.

Arsène Wenger\José Mourinho – A FA não irá castigar os dois treinadores pelo incidente realizado à passagem do minuto 20 do derby disputado no domingo. A federação Inglesa não irá actuar porque segundo o árbitro da partida, Martin Atkinson, os dois treinadores responderam positivamente ao aviso que foi feito por si aquando do acto.

Arsène Wenger não se mostrou arrependido do sucedido: “Não estou arrependido do empurrão. Tenho de estar arrependido do quê? Queria ir do ponto A para o B e alguém surgiu no meu caminho e confrontou-me antes de chegar ao ponto B. Queria ver qual era a gravidade da lesão de Alexis Sànchez» – O francês também acusou Mourinho de falta de fairplay.

Laurent Koscielny afirmou na chegada ao estágio que a selecção francesa irá fazer no centro de rendimento de Clermont-Ferrand que o seu treinador estava irritado pelo facto de uma entrada que tinha sido feito 4 dias antes por parte de um jogador do Galatasaray sobre Alexis Sanchez ter sido punida com um amarelo e, a entrada que motivou o celeuma (feita por Gary Cahill) não ter sido punida com qualquer cartão. Sabemos bem o quão é apertado o critério disciplinar dos árbitros ingleses…

Já Mourinho realçou que aquele não é o típico comportamento de Wenger: “São duas questões técnicas que estão em causa. Ele entrou no meu espaço. Se era para dar instruções a um jogador tudo bem, mas para pressionar o árbitro a dar um cartão vermelho a um jogador não é justo. Acho que esta não é a imagem de fair play que Wenger deve dar»

Mario Balottelli – O Diário Espanhol Sport noticia hoje que o Liverpool decidiu colocar uma pessoa a vigiar Mario Balottelli para onde quer que o italiano vá na sua vida pública e privada. O clube inglês pretende salvaguardar que o avançado italiano não faz cenas lamentáveis como as que fez em Manchester (orgias com prostitutas, o incêndio que provocou em sua casa) ou em Itália (apanhado a fumar em discotecas, apanhado pela polícia a conduzir alcoolizado) até porque, no contrato de compra e venda que celebrou com o Milan há uma cláusula que obriga os rossoneri a devolver ao Liverpool os 17,6 milhões de libras pagos pelos Reds em caso de mau comportamento continuado do jogador.

Marco Reus – Ao fechar pela 3ª vez a porta à renovação com o Borussia de Dortmund, o Sport notícia que o Barcelona entrou na corrida por Marco Reus. Liverpool, United e Bayern de Munique serão os principais interessados no meister do futebol alemão actual. O jogador alemão já avisou que poderá anular a clásula contratual que detém com o clube da Vestfália, na qual, em 2015, anulando esta cláusula o jogador poderá sair para qualquer clube que pague 25 milhões de euros pelos seus direitos económicos. É possível que o internacional alemão esteja a pressionar o clube germânico para sair na reabertura do mercado em Janeiro.

Thomas Vermaelen – O internacional Belga contratado pelo Barcelona ao Arsenal no Verão por 15 milhões de libras é um dos maiores casos de imprensa do país vizinho. O belga ainda não somou qualquer minuto na equipa culé devido a sucessivas lesões que o tem afectado neste início de temporada. Numa coluna publicada na edição de ontem do Sport, um colunista chegou a interrogar se o jogador foi observado pelos médicos do clube nos habituais exames médicos antes de assinar. A suspeita deverá marcar a actualidade dos próximos dias. Vermaelen voltou a treinar à parte hoje numa sessão de treino invulgar dirigida por Luis Enrique com apenas 10 jogadores (5 da equipa principal e 5 da equipa B) derivado do facto de grande parte dos jogadores das duas equipas estarem ao serviço de selecções AA e selecções jovens de vários países.

Daniel Alves\José Mourinho – José Mourinho respondeu à boca do lateral direito do Barcelona (“Mourinho não inventou o futebol… não descobriu nada!!”) – Com um toque de inteligência o português ridicularizou o brasileiro ao afirmar: “Nem Einstein o poderia ter dito melhor. Daniel Alves tem toda a razão: eu não inventei o futebol, mas foi um português que descobriu o Brasil!”

João de Deus

Sporting – A Sporting SAD anunciou ontem a contratação de João de Deus como o novo técnico da sua equipa B. O antigo treinador do Gil Vicente esteve poucas semanas no desemprego após ter sido despedido da equipa gilista. João de Deus orientou como treinador principal a Selecção de Cabo-Verde, o Ceuta, Farense, Atlético, Oliveirense e Gil Vicente. Sucede a Francisco Barão que se mantem como treinador adjunto da equipa depois de a ter orientado interinamente após o despedimento de Abel ainda na pré-temporada.

Hugo Almeida – O jogador português assinou pelo Cesena da Serie A italiana depois de ter passado com sucesso pelos habituais exames médicos. O Cesena ocupa neste momento o 13º lugar da Lega Calcio.

Federação Espanhola – Na antevéspera do referendo que levará os Catalães a decidir pelos destinos daquela região (independência ou permanência sob a soberania de Madrid) o presidente da Liga de Clubes Espanhol Javier Tebas colocou alguma pressão nos sentimentos dos catalães ao afirmar que caso os cidadãos daquela região votem favoralmente à independência “Barcelona e Espanyol não jogarão a Liga Espanhola”. O lider do organismo que organiza a competição remeteu as suas declarações à Lei do Desporto em vigor. A mesma lei autoriza apenas a competição dentro das competições organizadas por entidades espanholas a clubes não-espanhóis de Andorra.

Montpellier –

montpellier

O mau tempo que se faz sentir em toda a europa já provocou alguns estádios de futebol. Esta era a imagem do estádio La Mousson, propriedade do Montpellier durante a manhã de hoje.

Tempos e resultados – Ligas Europeias

Liga portuguesa 3

Na Liga Portuguesa, os 3 grandes somaram os 3 pontos. O Sporting venceu em Penafiel por 4-0 com uma exibição categorica na 2ª parte e esteve quase a recuperar 2 pontos a Benfica e FC Porto.
Na Luz contra o Arouca, a equipa benfiquista viu Jonas marcar o seu primeiro golo na suada vitória frente ao Arouca, conseguida também no 2º tempo. No Dragão, o Porto também teve que puxar dos galões para derrotar um Braga que merecia muito mais que a derrota pelas claríssimas oportunidades de golo que construiu durante os 90 minutos.

A abrir a jornada, o Guimarães solidificou o excelente arranque de liga que está a realizar (os vimaranenses ainda só perderam 7 pontos em 7 jornadas) com uma vitória esclarecedora sobre o Boavista de Petit. A turma boavisteira vinha de 3 jogos sem perder.

Sem ganhar na Liga continuam Penafiel e Gil Vicente. Os homens de Barcelos empataram frente ao Estoril. A turma de José Couceiro também não está a conseguir transpor para o plano doméstico os bons resultados que tem conseguido na Europa onde, venceu categoricamente na quinta-feira o Panathinaikos na Amoreira.

Na próxima jornada, daqui a 3 semanas (primeiro teremos pausa para selecções e na semana seguinte irá disputar-se a 3ª eliminatória da Taça) o Sporting irá receber em Alvalade o Marítimo, o Benfica terá uma deslocação difícil ao estádio Axa para defrontar o Braga enquanto o FC Porto tem uma deslocação também muito difícil ao pesado terreno do Arouca.

Facto digno de registo é também o número de golos que se tem marcado em média nos jogos da Liga nas primeiras 7 jornadas: 2,46 golos por jogo. Numero fantástico para uma liga que era acusada há alguns anos atrás de ser uma das ligas europeias mais deficitárias neste capítulo.

liga espanhola 3

A nota de destaque óbvia da 7ª jornada da Liga Espanhola vai para a vitória do Valência sobre o Atlético de Madrid no jogo realizado no sábado no Mestalla. André Gomes marcou um dos golos (que grande golo, diga-se) na vitória dos chés contra os colchoneros.

Destaque também para a vitória do Barcelona no terreno do Rayo em Santa Maria de Vallecas (arredores de Madrid), vitória que permitiu aos catalães manter a liderança da prova e ampliar a diferença pontual para o campeão em título de 2 para 5 pontos.

No encerramento da jornada, Cristiano Ronaldo brindou o Bernabéu com mais uma exibição de gala coroada numa goleada por 5-0 frente ao calamitoso Athletic de Bilbao de Iker Muniain e Ernesto Valverde. Quem viu a partida na qual CR7 apontou mais um hat-trick (tem mais de 2 golos de média por jogo na Liga; 6\13) ficou com a ideia que Ronaldo poderia ter logrado marcar muitos mais, tal foi a apetência ofensiva demonstrada pelo português durante os 90 minutos.
A equipa de Valverde continua a varrer o anûs da Liga Espanhola, podendo estar para breve a demissão do técnico espanhol do comando dos bascos nesta que seria esperada a época de afirmação do clube basco na Liga Espanhola e nas competições europeias.

Destaque ainda para o fantástico empate a 3 bolas entre Eibar e Levante num jogo em que os bascos tiveram a vitória nas mãos por duas vezes e para a goleada imposta pelo Sevilla ao Deportivo no Sanchez Pizjuan por 4-1 no domingo de manhã, vitória que permite à equipa de Emery continuar a morder os calcanhares de Valência e Barcelona. A Liga espanhola está de facto muito equilibradíssima no topo da tabela, com 5 equipas separadas por apenas 5 pontos.

Na próxima jornada, dentro de 2 semanas, o Real Madrid vai ao Cidade de Valência defrontar o “aflito” Levante, o Athletic de Bilbao tentará reverter a série de maus resultados contra o Celta (a equipa de Vigo é para já uma das equipas sensação do campeonato em conjunto com o Sevilla) no San Mamés, o Barcelona recebe o Eibar em Camp Nou, o Valência vai a casa do facilmente transponível Deportivo (19 golos averbados em 7 jogos; dá quase uma média de 3 por jogo) enquanto o Sevilla vai ao terreno do Elche.

liga inglesa 2

Na Premier League, o principal destaque vai para a vitória do Chelsea por 2-0 sobre o Arsenal, afundando os Gunners na tabela classificativa (estão fora dos lugares europeus).

Em Old Trafford, assistiu-se ao primeiro jogo que Radamel Falcao decidiu a favor do United frente ao sempre difícil Everton de Roberto Martinez.

O City venceu em Birmingham o Aston Villa por 2-0 com dois golos tardios de Kun Aguero e Yaya Touré enquanto o Liverpool voltou às vitórias em Anfield Road frente ao West Bromwich Albion por 2-1.

Quem ocupou uma vaga nos lugares europeus nesta 7ª jornada foi o Tottenham de Mauricio Pocchettino, precisamente, após ter vencido a anterior equipa do técnico argentino, o Southampton de José Fonte. A realizar um excelente campeonato (3ºs com 13 pontos), os Saints viram a sua cavalgada na tabela interrompida pelo Tottenham graças a um golo do “cérebro da nova máquina” de Pochettino, o dinamarquês Christian Eriksen, adversário de Portugal na caminhada para o Euro 2016. Esperemos que Eriksen faça uma péssima exibição frente à turma das quinas no jogo da próxima semana.

Na próxima jornada, como a Premier League tem equipas expcecionais para nos dar um jogo grande por jornada, teremos como cabeça-de-cartaz o jogo que vai opor o Manchester City ao Tottenham no City of Manchester. As duas equipas estão separadas por 3 pontos na tabela classificativa. Os Citizens são segundos a 5 pontos do líder Chelsea. Os Spurs, sextos na tabela, poderão galgar mais lugares caso vençam na grande cidade industrial inglesa.
O Arsenal recebe o Hull City no Emirates. O croata Nikica Jelavic é um homem a ter em conta pela frágil defesa dos Gunners. O croata leva 4 golos em 7 jogos. O Chelsea joga um derby de Londres frente ao Crystal Palace enquanto Liverpool e United vão respectivamente aos terrenos de QPR (lanterna vermelha) e West Bromwich Albion.

liga italiana 2

Na Liga Italiana, a Juventus tornou-se a única equipa invicta no campeonato à 6ª jornada devido ao facto de ter derrotado a outra que mantinha o mesmo estatuto, a AS Roma de Rudy Garcia. Os Romanos não contarão com o técnico francês no banco na recepção ao Chievo na próxima jornada.

A Fiorentina bateu categoricamente o Inter por 3-0 no Artemio Franchi enquanto o Milan aproximou-se dos primeiros lugares com a vitória sobre o Chievo por 2-0 no San Siro. A Sampdoria continua a dar cartas nesta Serie A com uma vitória pela margem mínima (golo do internacional italiano Manolo Gabbiadini) sobre a Atalanta de Bérgamo.

Na próxima jornada, os jogos grande serão disputados entre Fiorentina e Lazio em Firenze e Inter e Napoli. Ambas as equipas precisam de vencer para ascenderem novamente aos lugares europeus. A Juventus irá a Sassuolo cilindrar a equipa de Eusébio Di Francesco. O lugar do antigo internacional italiano no clube da Emília-Romagna está novamente em risco. Não será de admirar que em caso de derrota contra a equipa de Turim, o presidente do clube Carlo Rossi perca a paciência com o técnico e, dentro de mês e meio, caso o novo treinador não apresente resultados, volte novamente a contratar o técnico despedido. É recorrente em Itália existirem essas situações de técnicos que são despedidos e readmitidos várias vezes após o despedimento daqueles que os sucederam.

O Milan vai ao terreno do Hellas Verona de Luca Toni e Javier Saviola, equipa que mesmo apesar de ter perdido o seu maior artista (na temporada passada) Juan Manuel Iturbe para a AS Roma (adquirido ao FC Porto e vendido à equipa Romana) tem ameaçado lutar pelos lugares europeus. O Hellas é uma equipa muito experiente, composta por jogadores como Luca Toni, Javier Saviola, Rafa Marquez, Lazaros Christodoupoulos, Panagiotis Tachsidis, Nenê (ex-Nacional da Madeira) ou Bosko Jankovic.

Marselha

On-fire na Ligue 1 continua o Marselha de Marcelo Bielsa. A equipa de Marselha perdeu recentemente Mathieu Valbuena para o Dinamo de Moscovo, mas, pelos vistos tal transferência não abalou uma equipa que gosta de atacar com lascividade e pressionar alto durante grande parte do jogo, como de resto gosta El Loco, alcunha ganha por Bielsa na argentina devido ao facto das suas equipas falharem nos momentos-chave por causa do pressing a todo o campo que o argentino pretende por em marcha em todas as equipas que orienta durante 70 minutos.

Na 9ª jornada, a equipa de Bielsa foi a Caen vencer a equipa local por 2-1 com mais um golo (tardio mas salvador) de André-Pierre Gignac aos 93 minutos a dar os 3 pontos à equipa que tem como lema “droit au but” – “directos ao objectivo” – de serem campeões novamente, claro.

Gignac deu 3 pontos fulcrais à equipa marselhesa numa jornada em que:

– Os Girondinos de Bordéus perderam no terreno do Reims por 1-0. O cabo-verdiano Odair Fortes marcou o único golo de uma partida onde os girondinos de Tiago Ilori não conseguiram meter velocidade nos seus processos ofensivos para ultrapassar a muralha defensiva do Reims. Esta equipa do Reims, apesar de ocupar um modesto 16º lugar na tabela classificativa da Ligue 1 é uma equipa que gosta de jogar essencialmente num bloco defensivo baixo e sair rapidamente no contra-ataque por intermédio dos flancos, ora pelo cabo-verdiano Odair Fortes (em minha opinião, o jogador mais dotado tecnicamente da equipa) ora pelo flanco contrário onde se posiciona o internacional cabo-verdiano Benjamin Moukandjo.

– No grande jogo da jornada, o PSG perdeu mais 2 pontos (já são 12 os perdidos no total deste campeonato à 9ª jornada pela turma de Laurent Blanc no campeonato) ao empatar com o Mónaco de Leonardo Jardim no jogo grande da jornada disputado no Parc des Princips:

As falhas da defensiva parisiense deverão estar neste momento a incomodar o sossego do seu treinador.

Na próxima jornada, o PSG irá ao terreno do Lens, o antepenúltimo classificado da Ligue 1 enquanto o Mónaco recebe o Evian, o Marselha o sempre difícil Toulouse e o Bordeus o Caen. À espreita por um lugar nas competições europeias estão o Lyon e o Montpellier (de jogadores como Geoffrey Jourdain, Hilton, Siaka Tiéne, Lucas Barrios, Victor Montaño), duas equipas que irão jogar entre si na 10ª jornada.

liga alemã

Na Liga alemã destaque para mais uma goleada do Bayern de Munique por 4-0 frente Hannover, vitória que reforça o estatuto de líder dos bávaros numa jornada em que o Dortmund de Klopp voltou a perder no Westfallen Arena, desta feita frente ao modesto Hamburgo. O Hamburgo venceu pela primeira vez na Liga ao fim de 7 jornadas e está, imagine-se apenas a 3 pontos do Borussia de Dortmund. Outro dos contenders, o Bayer de Leverkusen empatou em casa contra o Paderborn a 2 bolas.

Na próxima jornada, o Bayern de Munique recebe a traiçoeira equipa do Werder Bremen. Os homens de Robin Dutt estão no último lugar com 4 pontos fruto de 4 empates e 3 derrotas. São uma equipa que gosta essencialmente de jogar em contra-ataque. O Bayer de Leverkusen vai ao terreno do Estugarda (a equipa orientada por Armin Veh ainda só ganhou por 1 vez este ano; tem jogadores como Gotoku Sakai, Karim Haggui, Moritz Leitner, Oriol Romeu, Christian Gentner, Adam Hlousek, Filip Kostic ou o avançado sérvio Vedad Ibisevic) enquanto o Borussia de Dortmund terá forçosamente de ganhar no terreno do Colónia.

Momentos #25

Durante o Arsenal vs Chelsea, Wenger não foi de modas. De forma repetitiva, Mourinho saiu fora da área técnica que lhe é destinada. O francês não gostou e decidiu descarregar (num gesto muito pouco habitual tendo em conta a sua gentle forma de estar no futebol) todo o seu ódio ao treinador português.

Crónica #15 – Sporting 0-1 Chelsea

O super poderoso Chelsea cumpriu a sua obrigação (enquanto principal favorito ao primeiro lugar do grupo e candidato à vitória na Champions) de vir vencer a Alvalade o Sporting. Se por um lado, pelas oportunidades de golo flagrantes que tiveram ao longo dos 90 minutos, os Blues mereceram a vitória e até justificaram vencer de forma mais expressiva, não é menos verdade que pelo futebol praticado no 2º tempo e por lances onde a equipa leonina poderia ter marcado, o Sporting também fez pela vida e lutou para merecer o empate.

Homem do jogo foi claramente Rui Patrício. No lance do único golo da partida, o difícil cabeceamento ao 2º poste de Matic foi indefensável para o guarda-redes português. Contudo, Patrício podia ter feito mais na abordagem ao cruzamento. Como hesitou permitiu que a bola chegasse em boas condições ao sérvio. A culpa do golo sofrido não deve de maneira alguma ser imputada nem ao guarda-redes nem a Jonathan Silva, o jogador do Sporting encarregue de vigiar Matic e proteger o 2º poste mas sim ao desleixo cometido por Marco Silva na preparação das bolas paradas defensivas: sendo Matic um dos melhores cabeceadores deste Chelsea, nunca poderá aparecer praticamente sozinho ao 2º poste ou sem um marcador capaz de ombrear no jogo aéreo com o médio defensivo do Chelsea.

Devido ao normal nervosismo derivado do facto de estar a jogar contra uma das grandes equipas europeias, o Sporting deu 45 minutos ao Chelsea para colocar no relvado de Alvalade a sua mais poderosa arma: as rápidas transições para o ataque e os fortíssimos lançamentos para as costas da defesa, onde Diego Costa (sempre muito bem municiado por Óscar e Hazard) ou Andre Schurrle se sentiram como peixes na água. Aproveitando situações de perda de bola do meio-campo do Sporting, os jogadores do ataque do Chelsea foram objectivos a lançar estes dois jogadores nas costas dos defensores leoninos. Marco Silva voltou a pedir à sua defesa que subisse rápido no terreno para deixar os avançados contrários em fora-de-jogo, mas, em algumas situações estes não foram rápidos a fazê-lo permitindo que Diego Costa aparecesse a receber a bola (ora através de passes a rasgar por parte de Óscar, ora através de passes a rasgar de Eden Hazard com o brasileiro a executar as suas famosas e eficazes diagonais) e o alemão a aproveitar da melhor forma o espaço em vazio que Jonathan Silva deixava no flanco fruto das suas agressivas subidas no terreno, que, teimosamente não voltaram a ser cobertas por um dos médios interiores como de resto já tinha acontecido na 2ª parte do jogo contra o Porto. Quando Jonathan Silva sobe em demasia no terreno e não consegue recuperar, o espaço é quase sempre fechado por Naby Sarr que, ao fazê-lo descompensa a área, deixando quase sempre Maurício para 2.

No ataque, o problema começou em William. No primeiro tempo, o jogador não só não conseguiu cobrir os espaços que habitualmente controla como não recuperou bolas e exibiu-se a um péssimo nível no capítulo do passe e da contenção de bola quando a equipa necessitava que, em vez de tresloucadamente passar a bola para o primeiro colega que visse, guardasse mais a bola e deixasse a equipa recompor-se posicionalmente de forma a conseguir construir uma jogada com nexo. Nas alas, Felipe Luis e Branislav Ivanovic estiveram exímios na marcação a Carrillo e a Nani através de uma pressão instantânea sempre que estes dois recebiam a bola e na própria abordagem defensiva. O português não levou a melhor sobre o sérvio em nenhum drible contra ele intentado no primeiro tempo e o peruano nunca conseguiu receber e virar-se para a baliza contrária, optando quase sempre por devolver a bola ao passador ou encaminhá-la para Adrien ou João Mário. Só no segundo tempo, já com o Chelsea a gerir a vantagem com um recuo de linhas defensivas promovido por José Mourinho e com uma estratégia clara de, recuar, defender bem e sair rapidamente no contragolpe através de lançamentos longos, é que vimos Carrillo e Nani mostrar a sua expansividade no drible. O peruano fez três arrancadas loucas que suspiraram bruás de Alvalade, tendo sido uma delas travada inextremis por Gary Cahill à entrada da área inglesa e o português, tirou do sério Felipe Luis pela ala esquerda, obrigando o brasileiro a cometer duas faltas que a meu ver seriam motivo para a sua expulsão por acumulação de amarelos: a primeira quando o árbitro não assinalou um empurrão ostentivo à entrada da área e a segunda no lance junto à linha no qual o antigo jogador do Atlético de Madrid recebeu o seu único amarelo da partida depois de ceifar sem piedade o jogador português.

O próprio Jonathan Silva mostrou muita garra nas duas situações em que conseguiu recuperar a bola no seu flanco e correu desalmadamente com ela em slaloms por entre adversários. O argentino revela-se cada vez mais como um jogador raçudo que, apesar de apresentar algum défice a defender, compensa no plano ofensivo. Para além de ser destemido, vertical e objectivo na subida com bola pelo flanco, é um jogador que tem um excelente cruzamento para a área, factor que pode ser importante dado o poder de fogo de Slimani no jogo aéreo.

Com Adrien a acelerar muito bem a meio-campo e muito assertivo no capítulo do passe e João Mário, ao lado, a dar muita luta no meio-campo, critério e organização no pensamento dos ataques leoninos, faltou ao Sporting novamente créditos na altura de finalizar. Slimani teve uma bola na sua cabeça passível de golo. Nani baqueou na área num lance em que ficou na cara de Courtois, Freddy Montero esteve perto do golo quando ao primeiro poste (solto de marcação) atirou ao lado e Nani, poderia ter chegado ao golo do empate naquele lance típico que tem evidenciado desde que chegou a Portugal no qual recebe na direita, puxa a bola para o meio e remata com pompa com o pé esquerdo. Assim como, do outro lado, aproveitando os erros de Naby Sarr no posicionamento, Oscar e Diego Costa poderiam ter sido mais eficazes na cara de Rui Patrício.

Uma luta particular nesta partida foi a luta travada entre Eden Hazard e Adrien. Na primeira parte, o lateral deixou o criativo do Chelsea à solta. Das suas acções individuais resultaram duas bolas importantíssimas: uma que Schurrle falhou na cara de Patrício depois de o tentar contornar e outra nos pés de Diego Costa. Na segunda parte, o lateral formado em Alvalade cerrou os dentes e como se diz na gíria “pegou o touro pelos cornos” – Hazard não teve tantas veleidades para meter o seu fortíssimo drible curto e para flectir para o meio da ala esquerda, movimento onde causa muito perigo com os seus milimétricos passes a rasgar.

Uma exibição de alto nível foi a que Nemanja Matic realizou em Alvalade. Com Mourinho, o sérvio cresceu ainda muito mais. Se com Jesus foi requalificado como um médio defensivo de excelência, sempre presente na cobertura de espaços no miolo e começou a conseguir sair a jogar com toda a pompa e circunstância, rompendo as primeiras linhas de pressão com bola sempre que nenhum colega lhe oferecesse uma linha de passe segura, com Mourinho, o sérvio já funciona quase como um box-to-box, fazendo tudo o que aprendeu com Jesus e acrescentando uma capacidade até aqui desconhecida, a capacidade de imiscuir-se no último terço do terreno com o esférico na sua posse a alta velocidade, capaz, também ele de poder construir situações de finalização para os seus companheiros em situações de manifesta falta de mobilidade dos seus companheiros para criar as tais linhas de passe.

Maurício fez dois cortes providenciais a Diego Costa em acções do hispano-brasileiro e saiu graças a uma atitude muito inteligente: sabendo que dali poderia ter surgido o 2-0 (matava o jogo) para o Chelsea, sendo o último defensor do Sporting cometeu uma falta inteligente ao ceifar o jogador do Chelsea. A eventual expulsão do brasileiro nesse lance é discutível. A regra para estes casos é a seguinte: se corta um lance iminente de golo, o árbitro tem que expulsar. Se não corta um lance iminente de golo, o árbitro deve mostrar apenas o cartão amarelo. Como era o último defensor, o vermelho directo aceitava-se. Mas como Cedric ainda estava no enfiamento da jogada (as imagens do lance mostram o lateral num acto preventivo a correr para o lado onde Diego Costa tinha adiantado a bola caso Maurício fosse ultrapassado para o brasileiro) e o lance faltoso foi cometido muito longe da baliza, também se aceita o amarelo. Qualquer acção disciplinar neste lance depende da interpretação do árbitro da partida.

Ao nível da arbitragem, o árbitro espanhol Mateu Lahoz mostrou alguma dualidade de critérios nos amarelos exibidos às duas equipas, esteve muito mal quando decidiu “não ver” o empurrão de Felipe Luis a Nani (se esta primeira falta é assinalada, o brasileiro recebe aqui o primeiro amarelo, sendo expulso na 2ª falta sobre Nani), existiu outro lance onde fiquei com dúvidas: num lance em que Carrillo tenta passar por Cesc Fabrègas dentro da área. O médio inglês não joga a bola e ceifa o extremo peruano.

Nota final para o regresso a Alvalade de José Mourinho – o técnico português bem ao seu estilo, recheou os 90 minutos de muito showoff. Ora a falar com os bombeiros aquando do golo do Chelsea, ora no final quando deixou Marco Silva de mão estendida para ir cumprimentar Rui Patrício. Ao seu estilo!