O poder de comunicação de José Mourinho

josé mourinho

1. Abrir a válvula de pressão – Mourinho é da opinião que já existe pressão suficiente no futebol para não ser necessário chamar a atenção dos outros sobre si mesmo. Uma das coisas que faz com a imprensa é deixá-los falar até decidir que deve dar nas vistas de modo a causar dano num jogador da sua equipa, em caso de fraca prestação, num jornalista ou num treinador adversário. Quando dá nas vistas, fá-lo com um único objectivo: reverter a opinião geral dos adeptos e derrubar um adversário. Por exemplo, quando o Chelsea conseguiu atingir um record de 77 jogos sem perder em Stamford Bridge para o campeonato nos dois períodos de vigência do treinador no clube, Mourinho foi várias vezes questionado sobre o assunto mas desvalorizou-o, não respondendo directamente às questões, de forma a poder não colocar pressão extra na sua equipa nos jogos em casa. Outro exemplo aconteceu recentemente no Chelsea quando num flash-interview disse que David Luiz tinha sido expulso na partida “porque queria uma folga para ir a Portugal ver o Benfica vs Porto” na semana seguinte. Com estas afirmações, o treinador censurou a falta de concentração do jogador no clube e as suas constantes visitas ao país em dias de folga.

2 – Enfrentar o mundo sozinho – Mourinho gosta de ser sozinho contra o mundo. As suas equipas tem que vencer todo o mundo. Um dos segredos de motivação de Mourinho junto dos seus planteis tem como base a ideia que todos odeiam a equipa e estão a torcer fervorosamente pela sua derrota. Mourinho provoca a sua própria controvérsia e alimenta-se dessa mesma controvérsia e da crítica que lhe é feita por terceiros (agentes, jornalistas, treinadores) para moralizar os jogadores contra quem proferiu a crítica. É um mestre neste campo.
Celebre por exemplo ficará aquela frase proferida no FC Porto em que o português “à 12ª jornada” prometeu o título com ou sem situações anormais provocadas pelas arbitragens.

3- A amizade criada com todos os jogadores – Até hoje não vimos um único jogador dizer mal de José Mourinho. Nem mesmo Raúl ou Guti, grandes símbolos do Real Madrid que foram automaticamente afastados da equipa nos primeiros dias de trabalho com José Mourinho. Alguns treinadores fazem questão de se diferenciarem dos jogadores. Alguns chegam inclusive a não falar com alguns nos primeiros dias e a delegar a responsabilidade de transmitir uma certa comunicação para o balneário por via do capitão, como fazia por exemplo Mancini no Manchester City. Mourinho não o faz. Se reparmos bem, quando foi para o Chelsea pela primeira vez, era pouco mais velho que alguns jogadores e, mesmo apesar de ter vencido a Champions com um clube de middle-level no ano anterior, nunca tinha jogado futebol como profissional. Esses dois factores poderiam ter retirado alguma autoridade do português junto do balneário dos Blues. Mourinho entrou em Stamford Bridge a oferecer a sua amizade a todos. Num estilo de liderança ousado, Mourinho ofereceu o seu apoio a todos os jogadores e os seus conselhos, quer futebolísticos, quer extra-futebolísticos.

Exemplo claro foi a reacção de Marco Materazzi à despedida do português do Inter de Milão. O central italiano tinha demonstrado até então ser completamente indomável ao controlo de todos os treinadores que o orientaram. Com Mourinho, disse simplesmente que tinha sido o melhor treinador por quem tinha sido treinado numa longa carreira de quase 20 anos.

4 – Criar um ambiente familiar – Junto da imprensa diverte-os com as piadas ou contenta jornalistas quando leva um vinho para as conferências de imprensa. No balneário, oferece a sua amizade e concentra toda a gente a lutar por um objectivo. Na comunicação que é feita por jogadores do plantel, Mourinho ensaia todos os jogadores a promoverem um discurso de acordo com o objectivo da equipa. Se um jogador revela um pormenor que não é devidamente transmitido por Mourinho ou uma opinião que sai fora do objectivo estabelecido pelo treinador, esse jogador poderá ver o treinador a censurá-lo publicamente por ter prestado aquelas declarações. Na maior parte das vezes, o jogador é castigado com o banco e mais tarde ou mais cedo pede desculpa ao treinador português. Noutros casos, como foram os de Casillas ou Ricardo Carvalho em Madrid, existe um corte de relações.

5 – Desenvolver um escudo – Mourinho é impermeável e insensível a tudo o que vão dizendo sobre as prestações da sua equipa. Não sabemos quais são os problemas que o fazem ter noites de insónia como todos os seres humanos normais, mas sabemos que em público, o treinador português é frio que nem uma rocha. Não lhe importa muito aquilo que lhe possam dizer sobre o seu estilo ou sobre o modelo de jogo da equipa, ele mantém-no até ao momento em que achar conveniente mantê-lo. O Chelsea foi criticado durante quase toda a época devido ao facto de não ter praticado um futebol esteticamente bonito. Muitos ousaram afirmar que com aquele futebol, Mourinho jamais poderia ousar aspirar à conquista de um título. O treinador português aliviou a pressão sobre a equipa quando afirmou que estava a construir uma equipa para ganhar tudo na época seguinte. A tal expressão do “cavalinho que se irá tornar em breve um cavalão de corrida” não era mais do que uma tentativa de aliviar a pressão sobre a equipa sem ter necessidade de modificar o quer que seja no futebol praticado por esta. Mas quando o Chelsea venceu em Anfield e, de certa maneira, tirou um título que parecia garantido ao Liverpool caso conseguisse empatar aquela partida, no final do jogo Mourinho não precisou de falar para que todos entendessem que tinha sido aquele modelo de jogo o único capaz de dar frutos naquela situação em particular.

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interessante

fernando santos 3

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O novo seleccionador nacional fez, na primeira semana, aquilo que Paulo Bento fez poucas vezes em quase 4 anos. Quantas e quantas vezes não víamos o antigo seleccionador nas bancadas da Luz a ver um Benfica recheado de estrangeiros (lembro-me de um jogo para a Champions em que o único português em campo era Carlos Martins) – dos 3 tipos de observação possíveis (directa, indirecta e mista) há treinadores que preferem fazer o seu trabalho in-loco (observação directa) para conseguir perceber com clareza o estilo de jogador que pretendem observar. No Marítimo – Vitória de Guimarães, Fernando Santos terá em campo 5\6 possíveis convocáveis a médio prazo: Ruben Ferreira (numa das posições históricas de carência das selecções AA) Danilo Pereira, Alex, Tomané, André André, Hernâni e Cafú.

Momentos #6

Tudo serve para dar boa disposição ao início de um treino. No treino de crianças, um bom aquecimento motor pode ser feito com o fofinho Jogo do Gavião ou com uma espécie de Jogo do Roubo de Cadeiras com bola, ou seja, num exercício no qual os atletas, dentro da grande área, correm com a bola dominada e um sem bola vindo de fora tem a missão de roubar a bola a um desses colegas. Este exercício serve não só para aquecer mas também, considerando a inexistência da assimilação imediata de alguns destes processos por parte dos jovens atletas, para exercitar o transporte de bola, o sentido posicional quando se domina e a transporta a bola e a visão de jogo.

Ao nível dos atletas séniores, a boa disposição matinal num grupo de trabalho pode ser incrementada com o clássico meínho, com um jogo de futevolei, com o jogo dos postes ou até com o jogo das estacas, este, no qual os atletas colocam uma estaca no relvado e tentam atirar a bola até acertar ou derrubar a estaca.

No treino de hoje do Barcelona, Lionel Messi, Daniel Alves e Javier Mascherano divertiram-se a jogar uma espécie de futebasket com um contentor do lixo do campo de treinos da equipa. A diversão pode ser avaliada no vídeo em cima.