breves #18

Bruno de Carvalho\France Football – A afamada revista da especialidade francesa avaliou o presidente do Sporting quanto à sua cruzada contra os fundos de investimento em jogadores, apelidando o presidente leonino de Dom Quixote do Futebol.

Nani – O jogador do Sporting teve um acidente de automóvel durante a tarde de ontem numa das artérias da capital perto do Casino Lisboa. O jogador saiu ileso da ocorrência.

Beira-Mar – A SAD do clube aveirense divulgou esta semana a saída do presidente do clube António Cruz do conselho de administração da SAD por “razões pessoais” e confirmou que realizou os pagamentos dos salários do plantel relativos ao mês de Agosto. Restantes funcionários da SAD e do clube tem salários em atraso há vários meses, chegando-me a confessar um deles que não recebe há 7 meses.

ilidio vale

Selecção Nacional – Na apresentação de Fernando Santos como seleccionador nacional, o presidente da Federação Fernando Gomes revelou que enquanto o novo seleccionador cumprir castigo, quem irá orientar a Selecção é Ilídio Vale, antigo seleccionador da formação da Federação Portuguesa de Futebol. Vale foi o seleccionador vice-campeão mundial de sub-20 em 2011. Apesar da Comissão de Apelo da FIFA ainda não se ter deliberado quanto ao recurso do castigo de 8 jogos oficiais apresentado pelo novo seleccionador português, a FPF decidiu contratá-lo porque teve acesso a informações que garantem que a pena será reduzida a 2 jogos. A ver vamos se não sai o tiro pela culatra.

Selecção Nacional 2 – Foi divulgado off-the-record que o novo seleccionador nacional irá auferir perto de 1 milhão de euros por ano.

shikabala 2

Shikabala – O jogador egipcio está desaparecido há vários dias. O Jogo avançou hoje que o jogador está no seu país e não quer regressar a Alvalade. Para já, as fontes do clube leonino que prestaram a informação ao referido jornal, avançam que foi aberto um processo disciplinar ao jogador, não estando para já equacionada a rescisão do contrato com o jogador.

Fran Escribá – O antigo adjunto de Quique Flores, actual treinador do Elche afirmou ontem que “Cristiano Ronaldo é como Michael Jordan”

Cristiano Ronaldo – O jogador veio a público desmentir os rumores que afirmam que estará à espera do final da temporada para negociar a sua saída de Madrid e regressar a Old Trafford.

os incompetentes

“(…) É certo que o treinador encontrou vários jogadores em fase descendente e não teve um leque de seleccionáveis ao nível de outros tempos, mas Paulo Bento cometeu vários erros. E provavelmente estava desgastado de mais para continuar depois do Mundial. Fernando Gomes, Humberto Coelho e João Vieira Pinto tinham obrigação de ter feito um diagnóstico correcto quando voltaram do Brasil.

Como não fizeram o diagnóstico correcto (ou não tiveram coragem para implementar a solução correcta), a demissão de Paulo Bento só pode ser vista de uma forma: mais do que a incompetência de quem sai, mostra a incompetência de quem fica.”

Hugo Daniel Sousa, na edição de sábado do Jornal Público.

Quem tramou Paulo Bento?

Escrevi aqui no dia 9 de Setembro um rumor que me caiu por sms no telemóvel. Sendo a fonte uma pessoa ligada à FPF por inerência do cargo que ocupa numa Associação de Futebol Distrital, decidi publicar: “Saiu há algumas horas atrás um rumor que especulava sobre o futuro de Paulo Bento no comando técnico da selecção nacional. A informação prestada dá conta de um ambiente de algum descontentamento no seio da estrutura da FPF, tendo um dos seus vice-presidentes ameaçado demitir-se caso o presidente não demita o seleccionador nacional após o voto de confiança que manifestou publicamente no seu trabalho, voto esse que foi traído no primeiro jogo da ronda de qualificação para o Euro 2016 frente à Albânia.”

Na entrevista dada pelo demitido seleccionador nacional à RTP-i (Paulo Bento tratou finalmente de esclarecer quem demitiu) 0 seleccionador nacional afirmou que a decisão não veio de Fernando Gomes, referindo que “por vontade do presidente ainda seria o seleccionador nacional” e rejeitou que Cristiano Ronaldo tivesse exercido a sua influência junto dos dirigentes federativos para que se decidisse em favor da demissão do seleccionador. O rumor por mim publicado tem então um fundo de verdade. Resta portanto saber quem é que manda mais dentro da estrutura da federação que o seu presidente. Quem demitiu Paulo Bento. Terá sido um dos seus vices ou directores?
– Humberto Coelho é por estatuto o principal vice da Federação. Histórico do futebol português e da selecção nacional, antigo seleccionador com provas dadas nos dois anos em que esteve à frente da selecção (qualificação para o euro 2000; a campanha extraordinária que a selecção fez nesse ano na Holanda e na Bélgica) Humberto Coelho jamais se desligou da FPF e continuou directa ou indirectamente a exercer muita influência nas escolhas que vários dirigentes tiveram que efectuar na estrutura do organismo. É em minha opinião o principal responsável pela saída de Paulo Bento. Junta-se-lhe o facto de poucas vezes ter vindo a público elogiar o treinador.
– João Pinto: Em abono da verdade, depois de ter sido condenado pela justiça portuguesa do crime de evasão fiscal relativa aos direitos de imagem e prémios de assinatura relativos à sua assinatura de contrato pelo Sporting em 2000, este antigo colega de Paulo Bento no Sporting e na selecção, jamais deveria ter continuado a exercer o posto que exerce naquele organismo financiado por dinheiros públicos. João Pinto é o director para a selecção A e selecção de esperanças. Não creio que tenha sido o mandante da demissão de Paulo Bento dados os laços criados durante anos no clube e na selecção com o seleccionador. – Mário de Figueiredo – É vice da FPF por inerência do cargo que ocupa. Por vontade de Fernando Gomes e dos restantes altos quadros da FPF não o seria e o organismo que dirige já teria sido extinto. É de conhecimento público a vontade que a FPF tem de voltar a assumir a organização da principal prova do futebol português.
– Rui Manhoso e Carlos Coutada – São os vices com menos influência na FPF. Dois verbos de encher escolhidos por Fernando Gomes porque o organigrama da estrutura federativa assim o exige.
– Hermínio Loureiro – Um vice com muita influência apesar de não o parecer à primeira vista. Com ligações à Secretaria de Estado do Desporto, organismo no qual já ocupou a posição de Secretário de Estado, logo, com ligações óbvias ao poder político, é o vice que tenta puxar a brasa à sardinha da FPF quando esta necessidade de fundos públicos para financiar projecto A ou B. Futebolisticamente falando, é um agente capaz de se mexer junto de Fernando Gomes pelo que não se deve descartar que Hermínio tenha agido com fluidez nos bastidores de modo a provocar um motim contra o seleccionador.
– Elísio Carneiro – Outro diplomata às claras dentro da FPF. É o king maker da coisa no verdadeiro sentido do termo mas exerce mais influência junto das Associações distritais. A decisão também poderá ter saído da sua vontade.
– Carlos Godinho – Ao director da divisão desportiva da FPF é lhe reconhecida uma enorme influência junto de Madaíl e de Fernando Gomes. Não creio que tenha sido o mandante da decisão. Godinho não estaria a ser coerente e estaria a ir contra o seleccionador que ele, João Rodrigues e Gilberto Madaíl escolheram em 2010.

Paulo Bento abandona a selecção nacional

O Seleccionador nacional rescindiu hoje com a Federação Portuguesa de Futebol. Não existia a meu ver outra opção. Depois do voto de confiança manifestado pelo presidente do organismo na renovação contratual assinada pelo técnico antes da participação da Selecção Nacional no Mundial e do novo voto de confiança manifestado após o desastre desta mesma participação, após a derrota da selecção frente à Albânia, o seleccionador não reunia condições para permanecer no cargo. O ciclo da selecção terá forçosamente que ser renovado por um novo seleccionador, com outra metodologia de trabalho, com outras ideias e outro nível de ambições.

Apesar da imprensa avançar com o nome do actual seleccionador dos sub-21 Rui Jorge como o novo seleccionador nacional (apesar do bom trabalho que está a realizar neste escalão, Rui Jorge não é para mim a pessoa mais indicada para o cargo dada a sua parca experiência enquanto treinador no escalão de séniores) creio que a melhor opção para a FPF é a contratação de um reputado técnico estrangeiro com experiência ao comando de selecções. O único nacional capaz, a meu ver, de realizar um bom trabalho é Fernando Santos, não sendo o antigo seleccionador grego uma má escolha para o cargo. No entanto, neste momento estão sem colocação treinadores que cumprem a observância deste requisito como Gerardo Tata Martino (antigo seleccionador paraguaio; Newells old Boys e Barcelona), Alberto Zaccheroni (antigo seleccionador do Japão) ou Radomir Antic (antigo seleccionador sérvio).

Alguma imprensa portuguesa inclui também na lista de potenciais candidatos ao cargo os nacional Manuel José e Vitor Pereira.

Breves #4

Eu percebo perfeitamente a relação entre o seleccionador nacional e o presidente da federação: um quer subverter a selecção a um esquema de angariação de receitas para pagamento das obras faraónicas que está a projectar no Jamor; o seleccionador aceita porque no fundo quer fazer pouco (de mês a mês) e ganhar o dele; com um seleccionador a sério acabavam-se os amigáveis em Boston contra a Irlanda bem como os do Panamá e do Gabão. O seleccionador por seu lado faz um laisser-passer da estratégia do presidente da federação porque sabe que ganha aquilo que não ganhará noutra entidade patronal e neste mundo é mais um treinador sem mercado. Vicissitudes de uma relação baseada na incompetência.

Crónica #2 – Portugal vs Albânia – Crónica de uma incompetência anunciada

nani

Um dejá vu… Aquela situação anteriormente vista. Aquela estreia sofrida contra uma equipa secundária que redunda num empate… ou numa derrota escandalosa. Os albaneses conseguiram hoje em Aveiro a sua 4ª vitória em rondas de apuramento para uma grande prova internacional. Depois de terem vencido grandes selecções europeias como a Macedónia, o Casaquistão ou a Noruega, a Albânia bate fora a selecção Portuguesa. E a incompetência apregoada pelo líder federativo como explicação do fracasso luso em terras brasileiras estendeu-se desde terras de vera cruz para cá.

Exibição desinpiradíssima de uma equipa que entrou sem dinâmica (o conceito de dinâmica apenas se aplica no primeiro tempo às combinações elaboradas por Nani e João Moutinho no flanco direito; os dois foram os únicos que conseguiram ter a lucidez necessária para tocar o andor para a frente), sem fio-de-jogo (como é que esta equipa poderia ter fio-de-jogo se nunca o teve?; se considerarmos que o único fio-de-jogo da equipa é levar a bola até aos corredores, o lateral e o extremo combinarem entre si e um deles cruzar, sim, esse é o fio-de-jogo da selecção na era Paulo Bento) e acima de tudo sem ideias para dar a volta quando se encontrava a perder.

As oportunidades foram muitas: duas cabeçadas de Ricardo Costa, uma de Pepe a livre de Nani ao lado, um remate de Nani à entrada da área bloqueado por um defesa albanês, um remate em arco de Ricardo Horta na 2ª parte à trave seguida de um autêntico penaste de Pepe por cima da baliza quando o central tinha tempo para dominar e fazer melhor; dois remates de Coentrão da esquerda: um ao lado, outro para Berisha fazer uma defesa para a fotografia).

Não se pode dizer que a Albânia tivesse chegado ao Municipal de Aveiro com a lição estudada. Pouco ou nada se viu desta selecção de leste. Na primeira parte aproveitaram a falta de dinâmica da selecção assim como a escassez de ideias, limitando-se a defender com bastante agressividade (agressividade a mais em alguns momentos do jogo) com uma defesa baixa, onde sobressaiu a marcação individual a meio-campo a João Moutinho. Com um meio-campo e um ataque estático, em muitas ocasiões do jogo, o médio do Mónaco, a passar ao lado de uma grande carreira no clube monegasco, olhava para os colegas mas não tinha linhas de passe. Existiram momentos de jogo em que estavam 5 jogadores nacionais escondidos atrás da linha média dos albaneses, à espera que Moutinho sacasse de um lance que lhes permitisse receber a bola à entrada da área. Depois de uma primeira parte desinspirada, os albaneses acreditaram que poderiam levar mais que um ponto do Municipal de Aveiro e, na única jogada com cabeça tronco e membros, João Pereira facilitou o cruzamento no flanco direito e Pepe, igual a si próprio, a 5 metros do seu marcado directo, deixou o avançado albanês fazer o único golo da partida.

Bento mudou. Tirou William Carvalho (lento de movimentos; interessante na primeira fase de organização de jogo; extremamente permeável do ponto de vista defensivo como de resto viria a verificar-se aos 42″ quando um jogador albanês irrompeu pela área e o trinco do Sporting limitou-se a deixá-lo passar para a linha de fundo, num lance onde felizmente não existiram consequências de maior) e colocou em campo Ricardo Horta. Antes já tinha substituído o queixoso Vieirinha (exibição apagadíssima do extremo do Wolfsburgo durante a primeira parte) para colocar em campo um “inútil” Cavaleiro que mal se viu no 2º tempo, excepto num lance em que quis fintar tudo e todos e levar a bola para casa, deixando-a sair pela linha de fundo. O extremo do Malaga ainda tentou dar alguma dinâmica ao jogo e, poucos minutos depois da sua entrada no rectângulo de jogo sacou do lance mais prodigioso da turma das quintas no inferno de Aveiro, atirando a bola à trave num remate em arco.

A incompetência manteve-se.

Assim como o fio-de-jogo (ou a falta dele) de Paulo Bento. Durante os 90 minutos, os portugueses voltaram a insistir no típico “bola para as alas, combinação entre alas e cruzamento” – este estilo de jogo resulta quando na área se tem um avançado mortífero. Éder não é esse avançado mortífero. Ou pelo menos só o demonstra ser em Braga. A bom da verdade, Éder nem sequer é ponta-de-lança para este estilo de jogo. Sendo um jogador de área (preferencialmente de um toque), não podemos ter lá um ponta-de-lança “só porque sim ou só porque não existe melhor” – Éder não é jogador para vir atrás buscar bola e participar no processo de construção de jogo porque não é um jogador dotado tecnicamente o suficiente para sair da área (e arrastar o seu marcador directo, construído um espaço que deveria obrigatoriamente ser aproveitado por alguém da linha média capaz de aparecer a finalizar) e dar de primeira para as alas de forma a conseguir baralhar as marcações e abrir esse mesmo espaço para a entrada de um 2º jogador. Para além disso, Éder não pode de maneira alguma fazer 2 faltas sobre o central adversário a cada 3 bolas bombeadas para a área ou ser, como o foi hoje, demasiado lesto no ataque às bolas que cruzaram a área e no remate, como o foi numa bola que lhe apareceu na zona de penalty à qual não conseguiu rematar, limitando-se a esperar que o jogador albanês, fortuitamente, o carregasse dentro da área.

Quanto a André Gomes, penso que foi tirada a prova dos 9: o jogador do Valência não joga nada. Não acrescenta nada à equipa. Todos os processos que executa estão carregados de uma lentidão tamanha, convidativa a que a outra equipa se sente numa cadeirinha e espere o previsível passe que o antigo médio do Benfica venha a executar.

Para terminar, destaque para a péssima arbitragem de Ruddy Bouquet. O francês nomeado pela UEFA para esta partida esteve muito mal no capítulo técnico disciplinar. Na primeira parte deixou os albaneses distribuir pancada a gosto. 2 das entradas mais ríspidas (uma sobre Coentrão e outra soube Moutinho roçaram claramente o vermelho directo). Nessa mesma altura deixou o guardião Berisha demorar uma eternidade para bater os pontapés de baliza. Na 2ª parte não viu uma falta descarada sobre Nani e uma grande penalidade sobre Pepe. Contudo, a péssima arbitragem do francês não apaga a péssima exibição portuguesa na partida desta noite.

Já diz o ditado antigo que “não basta parecer a mulher de César, é preciso sê-la” – este velho provérbio de origem Romana encaixa que nem uma luva para o presidente da Federação Portuguesa de Futebol. Os problemas de fundo do futebol português que foram amplamente debelados após a eliminação do mundial não podem ser resolvidos com paninhos quentes. Não se pode atirar areia para os olhos na admissão de incompetência de toda a comitiva se as estruturas não forem radicalmente abaladas. As mudanças elaboradas no seio das selecções, em específico, da selecção sénior acabaram por provar que se calhar os únicos incompetentes foram os anteriores médicos da mesma. Ou somos todos incompetentes e damos lugar a quem seja mais competente que nós, ou então, à boa moda portuguesa, enterra-se a viola no saco, assobia-se ao ar e, como dizem nuestros hermanos espanhóis “no pasa nada” – Fernando Gomes optou pelo 2º modelo de conduta e poderá estar acometido a morrer pela boca como o peixe.

P.S: Não se esperem facilidades nos próximos jogos. A Arménia esteve muito perto de tirar dividendos da visita a Copenhaga, tendo estado a vencer por 0-1. Os dinamarqueses viraram o resultado para 2-1 no 2º tempo mas os armenios deram um alerta: estão no Grupo I para lutar pelas vagas que dão apuramento directo. Se esta Albânia, uma equipa sem disciplina táctica e sem jogadores tecnicamente dotados, conseguiu vir buscar 3 pontos a Aveiro, os Armenos, 100 vezes maisn disciplinados tacticamente e capacitados tecnicamente poderão vir a Portugal fazer o mesmo.