Momentos #38

Muito, mas mesmo muito engraçado! Esta foi talvez a mais engraçada manifestação que vi de adeptos em 20 anos de futebol.

Os adeptos do Magdeburg, histórico clube alemão (campeão por 3 vezes da extinta RDA e vencedor da Taça das Taças em 1974) agora caído em desgraça (está na 5ª divisão alemã) tentaram ensinar o caminho da baliza aos seus jogadores devido ao facto da equipa não marcar qualquer golo há 5 jogos. A coreografia até ajudou os jogadores a marcar 1 golo na derrota frente ao Berliner mas serviu de pouco para a impedir…

O Olheiro #7 – Son-Heung Min

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Aos 22 anos, Son-Heung Min ainda não é o melhor jogador asiático da actualidade do futebol (na minha opinião é o japonês Keisuke Honda) mas tem tudo para o ser num futuro a médio prazo.

Agilidade, rapidez, muito técnico no controlo da bola a alta velocidade e na capacidade que tem de fugir às faltas, velocidade nas transições quando chamado a desempenhá-las no contra-ataque tanto pelo flanco direito como pelo esquerdo (no Leverkusen, o flanco-direito é quase sempre entregue a outro jogador muito veloz, Bellarabi) e uma capacidade ímpar de remate fora da área com os dois pés fazem deste coreano de 22 anos um jogador excitante que a meu ver irá rapidamente entrar na grande elite do futebol mundial. Actuando preferencialmente nos flancos (não descurando por exemplo fazer a posição de segundo avançado; no Leverkusen não tem grandes hipóteses para jogar atrás de Kiessling porque a posição 10 pertence ao dono daquilo tudo, nada mais nada menos que Çalhanoglu, outro jogador que os farmecêuticos foram resgatar por uma pipa de massa a Hamburgo; Çalhanoglu não se chegou a cruzar com o coreano em Hamburgo porque foi adquirido ao Karlsruhe com os valores pagos pela transferência do primeiro para Leverkusen), a rapidez de movimentos e a fortíssima capacidade de drible pode fazer com que o coreano parta constantemente para cima dos laterais adversários ou posicione-se numa posição mais interior à entrada da área (aproveitando por exemplo o balanço ofensivo interessante que tem laterais como Tim Jedvaj ou Wendell) para fazer 1 de 2 processos: combinar com o lateral e ir receber deste dentro da área ou receber do lateral nessa posição interior para rodar sobre o defensor e aplicar o seu poderosíssimo remate à entrada da área.

Sentindo-se confortável nos dois flancos, o internacional coreano descoberto em 2008 no Seoul FC\Selecção Coreana de sub-17 pelo departamento de scouting do Hamburgo (os olheiros da Bundesliga estão em força no mercado asiático; neste momento em toda a Bundesliga jogam 19 coreanos e japoneses nos planteis principais do elenco da Liga) foi um dos indiscutíveis beneficiários do efeito Guus Hidink, ou seja, de todo o programa de trabalho aplicado na formação sul-coreana pelo treinador holandês aquando da sua passagem pelo comando e direcção técnica daquela selecção entre 2000 e 2002, sendo convidado em 2010 para a Academia do Hamburgo aos 16 anos. Os 9 golos marcados na pré-temporada em 2010\2011 valeram-lhe um contrato profissional com a equipa do Norte da Alemanha e desde aí foi sempre a subir: 73 jogos oficiais pelo Hamburgo em 3 temporadas, 20 jogos e um bilhete para jogar em Leverkusen devido às dificuldades financeiras atravessadas em 2013 pela equipa da liga hanseática, numa transferência a rondar os 10 milhões de euros, concretizada precisamente pelo director desportivo da equipa de Leverkusen, um confesso admirador das suas capacidades: nada mais, nada menos que o histórico Rudi Voller.

O ano de 2010 também iria marcar a ascenção de Son aos convocados da selecção sul-coreana, subindo desde então de promessa do futebol daquele país asiático a líder indiscutível da selecção no Mundial do Brasil.

A confirmar-se como verdade

Citação:

“Todo aquele comportamento, com aquele olhar dele, “que sou muito bem educado”… mas quem anda à porta da tribuna a chamar nomes aos órgãos sociais do Sporting é ele. Quem anda com quatro seguranças a tentar assustar no corredor de Alvalade é ele. É uma vergonha. No jogo anterior ao último, elementos do FC Porto ameaçaram graduados da polícia e o Sporting fez queixa (…) Vamos ao Porto e entramos aos 20 minutos de jogo. No jogo em Alvalade, estavam hora e meia antes na minha casa, a ofender-me. Há uma polícia diferente a norte e a sul. Compreendo que não seja amado. Hei de morrer não sendo hipócrita, rufia… sem ser esta coisa que se arrasta pelo estádio ofendendo tudo e todos. É impressionante ver os jornalistas em pânico” – Bruno de Carvalho, ontem, à Sporting TV

Estamos presente um caso… de justiça civil dificilmente passível de absolvição. Comportamento lastimável. Bruno de Carvalho acabou de encomendar com estas declarações a “sentença de morte”, ou neste caso, a sentença de eliminação para os leões na Taça de Portugal. Não tenho a menor dúvida: o Sporting será recebido no Dragão num dos ambientes mais hostis que haverá memória no futebol português. Ainda falta uma semana para o jogo mas, creio que tal facto fareja-se desde já a milhas.

Aproveito ainda a deixa do presidente leonino ao canal do clube. Conforme deliberação da AG da SAD leonina, esta está a preparar-se para, na AG do Clube, lançar a discussão e a possível expulsão do estatuto de sócio do clube dos 4 dirigentes visados por actos de gestão danosa (Luis Duque, Godinho Lopes, Carlos Freitas e Nobre Guedes) durante a presidência do Engenheiro Godinho Lopes. A confirmar-se como verdade que a SAD leonina, cujo principal administrador na altura era Luis Duque, aumentou o salário a Marat Izmailov na renovação de contrato realizada com o russo (pelo meio, pagou comissões de índole manhosa a terceiros pelos direitos de imagem do russo entre outros direitos) e cometeu mais dois actos lesivos com as contratações de Jeffren e Alberto Rodriguez (dados como inaptos pelo departamento médico do clube após a realização dos habituais exames médicos), os sócios do Sporting serão chamados a decidir, apesar dos estatutos do clube (artigo 27º dos estatutos) não serem claros (são até em certa medida omissos) quanto a este tipo de fenómenos de gestão e quanto à acusação formulada pela SAD leonina junto dos 4 dirigentes.

Contudo, algo parece-me certo: Bruno de Carvalho abriu a caixa de Pandora em Alvalade. Esta caixa não só irá revelar todos os actos de gestão danosa cometidos por dirigentes desde 1992 (ponto de partida da auditoria que está em marcha por intermédio da KPMG) como será a arma que outros dirigentes do clube terão no futuro contra quem a legalidade da gestão de quem a abriu. Costuma dizer o ditado que quem “é o último a chegar que feche a porta” – no caso do clube leonino, quem chega por último tem a partir deste momento toda a legitimidade para questionar o trabalho que o actual presidente do Sporting está a realizar no clube. Outro ditado diz que a “revolução come todos os seus filhos” – a história também irá julgar Bruno de Carvalho. A ver vamos se o filho da revolução não é um dia também ele comido pela mãe.

Curiosamente, neste campo o futebol português ainda tem muito a aprender com a experiência bem sucedida de outros campeonatos e países. Na Alemanha, os clubes profissionais são auditados por entidades independentes, de 3 em 3 meses. Quer com isto dizer que no futebol alemão, as informações (trimestrais, semestrais e anuais) prestadas pelas sociedades à entidade reguladora competente são quase sempre cruzadas em prol de um objectivo que se materializa na salutar gestão financeira dessas sociedades. No futebol alemão, as penalizações para os clubes e dirigentes que pratiquem actos de gestão danosa ou prestem informações erradas ou erráticas (cruzando os dados enviados a cada trimestre com os dados enviados no final do ano) à entidade reguladora e à entidade que organiza os campeonatos são punidas com mão pesada: a descida de divisão pela via administrativa.

Momentos #14

Em linguagem informal pode dizer-se que à 5ª jornada da Bundesliga, o modestíssimo Paderborn 07, equipa sediada no Norte da Vestefália, recentemente promovida ao primeiro escalão do futebol germânico pela primeira vez na sua história (desde a fusão de duas equipas da cidade em 1985), soube o que é levar uma autêntica malha depois de se ter mantido invencível durante as 4 primeiras jornadas da prova.

Destaque para o futebol esteticamente bonito que foi desenvolvido pela equipa de Guardiola nos golos da equipa de Munique.

Final de carreira para Badstuber?

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Holger Badstuber era, há 5 anos atrás, uma das maiores promessas do futebol alemão. Internacional jovem pela Alemanha, viu a época 2009\2010 ser a sua temporada de afirmação quando, no mais profundo desespero provocado por um mau arranque de temporada, Louis van Gaal viu na cantera do clube bávaro um novo balão de oxigénio capaz de inverter a tendência até então demonstrada.

Em 2012, uma grave lesão no joelho nos ligamentos do joelho direito levou o então jogador de 23 anos (nascido em 1989) a 593 dias consecutivos sem poder alinhar pela sua equipa e à morte de um sonho que nunca foi escondido pelo jogador: jogar o campeonato do mundo de 2014 pela selecção alemã.

No início desta temporada, a imprensa internacional afirmou que o regresso do agora jogador de 25 anos seria a melhor contratação da temporada para Guardiola. O espanhol apercebeu-se que o jogador, em condições, tinha lugar no esquema de 3 centrais da equipa germanica, mesmo perante a concorrência apertada de jogadores como Dante, Jerome Boateng, David Alaba (adaptado a central por Guardiola) ou Javi Martinez (jogador que terá que enfrentar um longo período de lesão depois de ter contraído uma lesão grave contra o Borussia de Dortmund no jogo da Supertaça Alemã). Tendo sido titular nas primeiras duas jornadas da Bundesliga, o jogador voltou a lesionar-se com gravidade no sábado, desta feita num dos tendões de aquiles, enfrentando uma paragem estimada de alguns meses.

A imprensa alemã tem advogado durante esta semana a possibilidade do jogador alemão anunciar a sua retirada do futebol profissional. Contudo, o jogador já provou por várias vezes uma imensa força mental capaz de superar os piores momentos e voltar às grandes luzes da ribalta.

– Holger Badstuber é, acima de tudo um grande ídolo da claque do Bayern. Tanto que, na quarta-feira, os adeptos bávaros a meio da 2ª parte do jogo contra o Manchester City fizeram erguer no topo sul do Allianz Arena três tarjas com palavras de alento ao seu jogador. O clube forte que é o Bayern jamais desistirá do seu jogador pela ligação afectuosa que este tem ao clube e aos seus adeptos.

– O percurso de vida de Badstuber é só por si inspirador e demonstra a coragem e a vontade de vencer que o jogador revela: o seu pai obrigava Holder e o seu irmão todos os sábados a visitar pessoas necessitadas nas cantinas sociais da cidade onde nasceu (Memmingen) de forma a que os dois filhos entendessem que na vida tudo só se consegue com esforço.
A educação do homem fez crescer um jogador humilde, trabalhador, que jamais desiste de lutar pelos seus sonhos quaisquer que sejam as suas limitações.

O jovem cresceu, assinou os seus primeiros contratos e o seu pai só não viu o jovem Holger estrear-se pela primeira equipa do Bayern porque um cancro o levou 3 meses antes de Van Gaal dar os primeiros minutos de jogo na Bundesliga. Afirmam os seus colegas na formação do Bayern que Holger é tão organizado e humilde que ainda hoje guarda as cópias de todos os contratos que assinou com o maior clube alemão. Frio e tímido na primeira abordagem com Van Gaal, consta-se que o holandês ficou fascinado com as características do jovem central. Forte no jogo aéreo, sereno a sair a jogar, hábil a desarmar sem falta e a acorrer ao adversário, fruto de um posicionamento exímio, apesar de ter colocado o jovem a jogar à esquerda para tapar o buraco deixado por duas contratações péssimas, escolhas pessoais do holandês (Danijel Pranjic e Edson Braafheid) o alemão não hesitou em dar-lhe minutos de jogo a central sempre que Daniel Van Buyten ou Martin Demichelis não podiam dar o seu contributo à equipa. Holger, assim como outros cantereiros saídos da equipa de reservas do Bayern (Diego Contento, Alaba, Muller) deram um novo ânimo às mudanças que o holandês realizou no clube e foram cruciais na obtenção do título de campeão da Bundesliga em 2011 e na campanha europeia dos bávaros que só terminou na final da Champions desse ano. Seria também importantíssimo na campanha europeia realizada pelo clube alemão no ano seguinte, que também culminou na final numa derrota contra o Chelsea.

A verdadeira doutrina social dos Badstuber, levou a que Holger decidisse abrir em 2012, pouco antes da sua primeira lesão, uma escola de futebol destinada à prática da modalidade por parte de crianças vindas de meios desfavorecidos.

Em Dezembro de 2012, uma lesão cuja paragem era prevista para 9 meses acabou por redundar em quase 2 anos de paragem. O jogador ultrapassou 5 cirurgias durante este período de tempo e nunca deixou de lutar pelo seu regresso. Em Janeiro de 2014 chegou a afirmar ao Bild que estava a lutar arduamente para poder regressar (sem ter jogado durante a temporada e perante uma concorrência enorme pelo eixo defensivo da selecção de Low composta por Howedes, Jerome Boateng, Mats Hummels ou Matthias Ginter) no Brasil à selecção. É portanto um jogador que mesmo no fundo do poço não se contenta em apenas regressar ao seu clube ao mais alto nível como em ser indiscutível de um país onde todos os anos surgem dezenas de possíveis convocáveis para a selecção.

Crónica #3 – Bundesliga – Bayer de Leverkusen 3-3 Werder Bremen

Numa jornada extremamente interessante ao nível de jogos em várias das principais ligas europeias, apontei como destaque no meu schedule para o fim-de-semana o jogo inaugural da 3ª jornada da Bundesliga que iria opor frente-a-frente Bayer de Leverkusen e Werder Bremen. Não me arrependi da escolha tomada em detrimento de outro dos adversários do Benfica, o Mónaco, que, à mesma hora defrontava o Olympique Lyonnais no Estádio Gerland para o jogo inaugurar da jornada deste fim-de-semana da Ligue 1.

Bayer de Leverkusen e Werder Bremen protagonizaram na BayArena de Leverkusen (totalmente cheia; 30210 espectadores) o melhor jogo da 3ª jornada da Liga Alemã. A quantidade de reviravoltas executada pelas duas equipas na partida (2) deixaram o resultado final em suspense até ao último segundo.

O Bayer de Leverkusen apresentou-se em campo com um onze muito parecido com o seu onze-tipo. Alinhando num sistema táctico 4x1x3x2 com um falso avançado (Çalhanoglu), o treinador dos farmacêuticos (alcunha pela qual é conhecido o clube de Leverkusen em virtude do facto de ter sido criado para os trabalhadores da multinacional Bayer) Roger Schmidt acabou por fazer apenas uma alteração aquele que deverá ser durante a temporada o seu onze-tipo. O alemão de descendência turca de 18 anos (internacional sub-19 pela Alemanha) Levin Oztunali entrou para a esquerda do ataque, lugar que pertence por norma a Sidney Sam (lesionado). O coreano Son-Heung Min, em destaque neste início de temporada, deu lugar na direita ao seu concorrente directo, o rapidíssimo Karim Bellarabi. Recapitulemos: Schmidt fez alinhar o jovem (intranquilo) Bernd Leno na baliza; uma defesa composta pelo croata Tin Jedvaj (emprestado pela Roma) na direita, Omer Toprak e o bósnio Emir Spahic no centro da defesa e Sebastien Boenisch na esquerda; Lars Bender mais recuado no meio-campo com missões defensivas (essencialmente recuperação de bola) e de primeira fase de construção\transição; mais à frente Schmidt posiciou Oztunali na esquerda, Bellarabi na direita e Gonzalo Castro; na frente de ataque, o jovem talento internacional turco de 20 anos contrato por 14,5 milhões ao Hamburgo Hakan Çalhanoglu foi colocado no apoio ao melhor marcador da Bundesliga 2013\2014 Stefan Kiessling.

A equipa do Noroeste da Alemanha entrou para a 3ª jornada da prova na liderança da mesma com 6 pontos, fruto de 2 vitórias, uma delas na jornada inaugural, na BayArena frente ao Borússia de Dortmund por 2-0.

Já a equipa do Bremen, orientada pelo alemão de ascedência indiana Robin Dutt, antigo treinador do Leverkusen em 2011\2012, fez alinhar um onze assente no sistema táctico 4x4x2, com um meio-campo liderado pelo antigo trinco do Rayo Vallecano Alexandre Galvez (transferido para o clube alemão neste defeso a custo zero), Eljero Elia numa das alas, Fin Bartels na outra (este jogador tem uma velocidade espantosa e é mortífero no contra-ataque) e uma dupla de ataque constituída pelo jovem camaronês (nascido na Alemanha) de 19 anos Davie Selke e pelo internacional argentino de 25 anos Franco DiSanto, jogador que já passou pelo Chelsea.

A equipa de Bremen somou 2 empates nas duas primeiras jornadas. Registaram-se para esta partida as ausências de titulares como Philip Bargfrede, Ludovic Obraniak e Luca Caldirola (central) estando a defesa entregue ao antigo internacional alemão Clemens Fritz à direita, Sebastian Prodl e Lukinya ao centro e ao argentino Garcia à esquerda

O Bayer de Roger Schmidt rapidamente tentou ter posse de bola, tornar o jogo muito rápido e muito vivo e apresentar a sua extraordinária verticalidade e objectividade para inaugurar o marcador. Neste início de partida, estiveram em destaque os dois jogadores que preenchem o corredor direito da equipa – Tin Jedvaj (sobe muito pelo flanco) e Karim Bellarabi tentaram criar superioridade numérica pelo flanco ao combinarem ao primeiro toque entre si pelo flanco. Apesar de algo trapalhão, o jovem extremo de 24 anos tentou servir da melhor maneira que pode o seu ponta-de-lança Stefan Kiessling.

Ao adoptar um sistema de pressão alta, assim que detinham o esférico na sua posse, os homens do meio-campo de Leverkusen tentaram criar jogadas de envolvimento ao primeiro toque, nas quais também participou Kiessling, recuando ligeiramente no terreno para poder receber a bola e endossá-la com relativa fluidez e rapidez de jogo para os flancos. Foi precisamente neste tipo de processos de circulação que nasceram a primeira ocasião de perigo e a jogada do primeiro golo desta: se a primeira jogada de perigo resultou num remate de meia-distância de Gonzalo Castro ao poste da baliza do Werder Bremen, aos 16″ Çalhanoglu solicitou Kiessling à entrada da área e este não perdeu tempo a colocar a bola na direita para a subir de Tin Jedvaj que, num remate fortíssimo, estufou as redes de Raphael Wolf.

O que se seguiu ao golo do Leverkusen foi uma avalanche de oportunidades para a equipa da casa fazer o 2-0. Recorrendo por diversas vezes à falta para travar o fortíssimo poder físico de Kiessling ou o drible em velocidade de Bellarabi, os 4 defesas da equipa orientada por Robin Dutt permitiram uma data de oportunidades para Çalhanoglu bater livres para a área de Raphael Wolf. O médio criativo de 20 anos revela ser um autêntico perigo nestas acções. Com uma portentosa capacidade de execução técnica de bolas paradas, consegue dar um arco perfeito à bola que tanto pode ser mortífero quando atira directamente à baliza (o Benfica jamais deverá cometer faltas até um perímetro máximo de 30 metros da baliza porque tanto em zona frontal como mais à esquerda, estão a oferecer um autêntico penalty a Çalhanoglu) ou quando bombeia a bola para a área à procura do jogo aéreo de jogadores como Kiessling, Toprak ou Emir Spahic. Os centrais do Leverkusen revelaram muita apetência no jogo aéreo ofensivo da equipa, demonstrando algum défice no jogo defensivo. Por várias vezes falharam intercepções de cabeça quando a bola era bombeada para as suas costas pelos jogadores do Bremen, entre outros desequilíbrios defensivos, cuja elucidação pude comprovar nos golos marcados em contra-ataque pela equipa de Robin Dutt.

Sem deixar respirar a equipa de Bremen (não conseguiu criar uma jogada de perigo até ao golo fortuito obtido em cima do intervalo), a equipa de Leverkusen pode queixar-se da falta de sorte no primeiro tempo. Em abono da verdade, a equipa de Roger Schmidt poderia ter marcado 4 ou 5 golos em diversas jogadas de perigo que foi construindo no primeiro tempo:
– aos 20″ um contra-ataque conduzido pelo corredor central por Bellarabi após recuperação de bola efectuada por Lars Bender a meio-campo redundou num remate do extremo para defesa incompleta para a frente de Wolf para os pés de Kiessling, mas, o internacional alemão na recarga com tudo para fazer o 2-0 passou a bola ao guardião do Bremen.
– aos 27″ çalhanoglu bateu um canto em arco para o 2º poste onde apareceu Stefan Kiessling mais alto que tudo e todos a executar um amorti para a pequena área directamente para Spahic, que, antecipando-se ao seu marcador directo empurrou para a baliza. A bola haveria de caprichosamente bater na trave e não entrar.
– aos 30″ çalhanoglu e Kiessling puseram mais uma vez à prova Wolf, fazendo o guardião duas belas defesas.
– dois minutos depois, Lars Bender desmarcou Bellarabi em velocidade, este bateu o defesa Lukinya em velocidade, voltou a dar-lhe um nó cego na área mas não conseguiu melhor do que um remate à cara de Wolf.
– O extremo Oztunali haveria de receber uma bola na área e rematar rapidamente em rotação com a bola a embater novamente na trave.

A equipa do Bremen estava portanto aos 35″ completamente encostada às cordas e impedida de ter a posse de bola. O domínio do Bayer era esmagador mas o 2º golo não aparecia. Faltava uma pontinha de sorte ao futebol de encadeamento ao primeiro toque, rápido e objectivo, em que cada jogador sabe perfeitamente as linhas de passe que vão ser criadas assim como os espaços onde vão aparecer os colegas nas suas movimentações, da equipa de vermelho e preto.
Essa pontinha de sorte que impediu o Werder Bremen de não sair para o intervalo na BayArena com uma goleada apareceu precisamente no último minuto da primeira parte. É certo que pelo meio, a equipa de Dutt já tinha feito dois remates à baliza: um sem perigo por Eljero Elia logo no 1º minuto e outro com perigo por intermédio de Fin Bartels. após a primeira das três falhas que Bernd Leno cometeu a sair dos postes (este jovem guarda-redes de 20 anos mostrou ser algo inseguro quando é chamado a sair fora dos postes). Na primeira oportunidade que a equipa conseguiu meter o seu rapidíssimo contragolpe, quase sempre iniciado pelas alas após recuperação de bola a meio-campo, na esquerda, Santiago Garcia tenta servir Franco DiSanto ao meio, este embrulha-se com Sebastien Boenisch (a tapar ao meio uma jogada onde se denota um claro desequilíbrio defensivo provocado pela ausência dos centrais que tentaram acorrer de imediato ao argentino) e a bola sobra para o flanco direito onde aparece Fin Bartels a finalizar para o golo do empate.

Nesta jogada revelou-se um dos principais défices defensivos da equipa: quando solicitados a defender contra-ataques, não existe um clara noção de ocupação de espaços defensivos por parte dos 4 defensores do Bayer de Leverkusen, existindo situações em que os 2 centrais acorrem simultaneamente ao portador da bola, criando desequilíbrios que muitas vezes colocam homens isolados nas suas costas perante o desamparado Bernd Leno.

Com um empate a 1 bola ao intervalo, a 2ª falta começou com uma atitude mais proactiva, mas também mais faltosa por parte da equipa do Bremen. Os 4 centrais em jogo (Prodl, Lukinya, Spahic e Toprak) cometeram muitas faltas nos duelos contra os pontas-de-lança das duas equipas (Kiessling e Franco DiSanto) – apesar de não ter aparecido em zonas de finalização (o jogo em contra-ataque da equipa também não proporcionou que o argentino se mexesse na área) DiSanto foi naturalmente incentivado a procurar jogo fora da área, facto que obrigou a uma marcação apertada de Spahic. O argentino revelou-se muito trabalhador durante os 90 minutos, auxiliando inclusive a equipa a defender.

O empate trouxe algum nervosismo à equipa da casa nos primeiros 10 minutos do 1º tempo. Apesar de continuar a procurar o 2º golo, a equipa perdeu algum discernimento, principalmente a meio-campo. E isso levou o Bremen a consolidar a primeira reviravolta da partida. Quem visse o jogo que o Bayer realizou na primeira-parte jamais pensaria que Franco DiSanto aos 59″ haveria, numa jogada tirada a papel químico daquela na qual resultaria o golo do empate aos 44″ colocar os visitantes a vencer na partida, de resto, com um fantástico túnel realizado sob Leno no acto de finalização da jogada.

A vantagem do Bremen não durou muito e provocou a ira dos visitados. A equipa de Leverkusen provou que consegue reagir muito bem à inferioridade no marcador e que tem força para procurar rapidamente inverter o resultado. Gonzalo Castro voltou a pegar no jogo da equipa e Roger Schmidt decidiu colocar mais criatividade em campo, tirando o desinspirado Oztunali para a entrada do coreano Min. Min encaixou-se na direita e Bellarabi passou para o flanco esquerdo. O coreano veio refrescar a velocidade empregue pela equipa na ala direita e tentou animar a criação de jogo com os seus rapidíssimos dribles contra os duros defensores de Bremen. O argentino Garcia teve dificuldade em segurar o coreano que, após um brilhante livre executado por Çalhanoglu para o 2-2 aproveitou da melhor maneira mais uma jogada rápida de envolvimento entre Kiessling e o lateral Jedvaj (o croata colocou-lhe rapidamente a bola numa posição mais interior à entrada da área) para dar um completo nó cego sobre o seu opositor directo, retirá-lo da disputa do lance e rematar para o fundo das redes. Estavamos aos 73″. Em 14 minutos, a equipa de Leverkusen conseguiu obter 2 golos, mas, pelo meio, poderia ter sofrido o 2-3 quando Davie Selke não foi capaz de desfeitiar Bernd Leno em mais uma rápida saída da equipa para o contra-ataque que haveria de isolar o jovem avançado de 19 anos na cara do guarda-redes local.

A nova cambalhota no marcador levou Robin Dutt a apostar tudo no ataque. Descendo Alex Galvez no terreno, deu ordens ao central congolês Lukinya para se posicionar atrás dos pontas-de-lança com a missão de participar no futebol aéreo que a equipa passou a praticar. Com muitas dificuldades para travar as bolas aéreas, os centrais do Bayer ficaram a dormir por exemplo aos 71″ (ainda antes do golo de Min) quando o congolês saltou mais alto que Spahic, penteou uma bola à entrada da área para as costas de Toprak, onde apareceu novamente Bartels a tentar contornar Leno. Neste lance, valeu a coragem do guardião local ao conseguir desarmar o extremo do Werder Bremen com uma palmada na bola com a sua mão esquerda.

O melhor da partida haveria de estar guardado para os 85″ num lance em que Franco DiSanto conseguiu dar sequência a uma jogada quase perdida na direita, o cruzamento apareceu por parte do recém-entrado Marion Busch e o central Sebastien Prodl apareceu na área ao 2º poste a empurrar para o empate. Como o futebol é uma caixinha de surpresas, o Werder Bremen só não venceu de forma irónica em Leverkusen porque o também entrado Hajrovic não deu a melhor sequência a mais uma rápida jogada de contra-ataque aos 88″: em vez de desmarcar DiSanto na direita, tentou fintar 4 adversários e acabou por perder a bola.

Fica a clara sensação que o Leverkusen poderia ter ganho facilmente este jogo caso tivesse beneficiado de alguma sorte na sua finalização, mas, o empate também acaba por ser merecido pelos erros infantis praticados pelos dois centrais da equipa de Roger Schmidt. Uma equipa com a ambição da equipa germânica (aproximar-se e quem sabe lutar pelo título da Bundesliga) e com o seu nível (irá jogar a Champions como se sabe no grupo do Benfica) não pode ter 2 centrais tão fracos do ponto de vista posicional.

Para além das fragilidades defensivas desta equipa, estarão à atenção do Benfica, a fácil, rápida e objectiva circulação de bola desta equipa, a criatividade dos seus homens da frente, as movimentações desgastantes de Kiessling no último terço do terreno, ora aparecendo fora da área a participar nos processos de circulação e construção de jogo, ora na área, o poder da equipa nas bolas paradas com dois exímios executantes (Çalhanoglu e Gonzalo Castro) e as fragilidades que a equipa apresenta na batalha do meio-campo. Lars Bender acaba por ser o único jogador do meio-campo da equipa que se empenha a sério na recuperação de bola a meio-campo. A equipa executa uma pressão alta asfixiante, uma boa pressão a meio-campo, mas acaba por ter só um homem com características de poder de choque para as 2ªas bolas neste em virtude do balanceamento muito ofensivo de Gonzalo Castro.