Tempos e Resultados – Ligas Europeias

La Liga

Em Espanha, toda a gente já está a fervilhar por causa do clássico da próxima jornada. No Warm-Up para o grande jogo do próximo fim-de-semana, Ronaldo voltou a superar-se no Cidade de Valência na goleada infligida pelo Real ao Levante enquanto Messi marcou na vitória folgada do Barcelona frente ao Eibar por 3-o e encurtou para 2 golos a distância que o separa do recorde do histórico Telmo Zarra. Caso marque 2 ou 3 golos no Bernabéu, Messi poderá até parar a partida por breves momentos para ser homenageado como co-detentor do record de golos na Liga Espanhola ou até detentor do novo recorde a bater. Pelo meio, o Real terá que receber o Liverpool para a Champions assim como o Barcelona terá que disputar também uma partida. Nada que tire o sono a Ancelotti e seus pares dado o percurso mediocre que os Reds tem vindo a executar neste início de temporada. O clássico está definitivamente na cabeça de madridistas e catalães.

O maior destaque da 8ª Jornada da Liga Espanhola foi a vitória do Deportivo sobre o ascendente Valência no Riazor. A equipa de Victor Fernandez fez uma primeira parte de sonho, mostrando ter espantado durante as duas semanas de pausa toda a insegurança defensiva que vinha demonstrando até então. Aproveitando as falhas da defensiva e do meio-campo Valenciano, na hora de atirar à baliza, os Galegos não perdoaram e puseram na tabela classificativa a primeira mancha no percurso imaculado da equipa de Nuno Espírito Santo. O treinador português tratou de afirmar na conferência de imprensa que a “equipa não perderá duas vezes seguidas”.

Fortíssimo continua o Sevilla. A equipa de Unai Emery aproveitou a derrota do Valência para ascender à 2ª posição do campeonato a 3 pontos do Barça. Carlos Bacca e Kevin Gameiro deram a vitória por 2-0 no terreno do levante.
Para Lopetegui ver foi o empate do Athletic no San Mamés a 1 bola frente ao Celta de Vigo. Aduriz colocou os bascos na liderança aos 6″. Nolito empatou na 2ª parte.
Com dois golos no El Madrigal, o internacional Nigeriano Uche colocou o Villareal de Marcelino Garcial Toral em lugares europeus. Sem ganhar continua o Córdoba.

liga espanhola 4

Na próxima jornada teremos o clássico. Real Madrid e Barcelona defrontam-se no Bernabéu no Sábado pelas 17 horas (hora portuguesa). O Valência recebe o Elche, o Sevilla recebe o Villareal e o Atlético fará uma curta deslocação aos arredores para defrontar o Getafe no Coliseum Alfonso Perez.

Málaga e Rayo Vallecano defrontam-se no Rosaleda. Em caso de vitória de uma das equipas e derrota do Villareal ou Celta, uma delas poderá ascender aos lugares europeus. Prevê-se uma luta interessante pelo 6º lugar na Liga Espanhola entre estas equipas e, possivelmente a Real Sociedad e Athletic de Bilbao se ambas começarem a inverter os péssimos resultados que tem realizado. São duas equipas com enorme valor que tem capacidade para mais.

Premier League

liga inglesa 3

No campeonato de terras de Sua Majestade, os 3 da frente à partida para a 8ª jornada venceram os seus desafios. West Ham e Liverpool também venceram, reaproximando-se da frente e aproveitando para ultrapassar o Manchester United que não foi além de um empate em Birmingham perante o West Bromwich Albion de Silvestre Varela e Georgios Samaras. O Arsenal voltou a baquear, desta vez em casa frente ao Hull. Recapitulemos:

Jogo com muitas cores e muitos sabores. O Manchester City vs Tottenham tinha tudo para ser um daqueles jogos épicos que só a Liga Inglesa nos consegue proporcionar. Pressão asfixiante (melhor, rolo ofensivo) do Manchester City tanto no ataque como a pressão à saída da bola do Tottenham garantiu o primeiro golo. Yaya Touré na encruzilhada quase sempre. Um erro crasso de Fernando permitiu aos homens de Pocchettino restabelecer o empate logo a seguir por Christian Eriksen. Já sonhava com um 3-3 ou um 4-4 ou um 4-5 para o Tottenham.

Até que dois penaltis assinalados por John Moss (o primeiro deles é completamente inventado pelo árbitro) deram a Kun Aguero uma tarde de sonho no Emirates com um poker e com a liderança (partilhada) da lista de melhores marcadores da competição com Diego Costa. Ambos tem 9 golos apontados em 8 jornadas.

Quando me disseram por sms não queria acreditar. Ronald Koeman está a fazer um bom trabalho no Saint Mary´s Stadium mas, o Sunderland não é o Boavista. Tem John O´Shea, Vito Mannone, Wes Brown, Leonardo Vergini, Sebastien Coates, Lee Cattermole (um dos mais duros trincos do futebol britânico), Sebastian Larsson, Jack Rodwell, Adam Johnson, Ricky Alvarez, Emmanuele Giaccherini, Steven Fletcher, Danny Graham, Jozy Altidore. Em suma, um plantel cheio de internacionais, maior parte deles veteranos nestas andanças e com qualidade à brava para fazer um campeonato tranquilo.

8ª jornada, 8 pontos do Sunderland, 8 golos marcados, no dia dez(oito). Parecia destinado a ser uma tarde de glória para os Black Cats de Ronald Koeman, Graziano Pellè, José Fonte, Victor Wanyama, Morgan Schneiderlin, Dusan Tadic e Sadió Mane. 8-0 sem espinhas a uma equipa sem alma durante os 90 minutos. O holandês está a realizar um trabalho formidável com uma equipa que foi reconstruída de novo (dos 14 participantes do lado dos Black Cats, 7 são reforços da equipa para esta temporada) e arrisca-se a criar uma expectativa enorme junto da massa adepta do clube: no 3º lugar a 6 pontos da liderança com 3 de avanço sobre West Ham, 4 sobre Liverpool, 6 sobre o United sem que o United de Van Gaal e o Liverpool de Rodgers tenham um trajecto vitorioso continuo no tempo e 5 sobre o Arsenal que tarda em encontrar-se em jogos a contar para a Premier League, é absolutamente normal que os adeptos do Southampton, dada a qualidade da equipa, comecem a acreditar que é possível voltar a fazer história e lutar pela Champions League.

Impróprio para cardíacos. Quando Eduardo Vargas fez o empate naquela jogada linda, Harry Redknapp levantou os braços porque pensava que se tratava do golo que iria ditar um empate… Muito longe disso! O árabe do video fartou-se de gritar pelo Mario (Balotelli) mas quem haveria de dar a vitória ao Liverpool seria Steven Caulker, num dia muito azarado para a turma londrina. 4 golos em 8 minutos! Final de loucos!

Só ao 24º jogo pelo United, na 2ª época ao serviço do clube, veríamos o melhor de Marouane Fellaini pelo Manchester United. O belga apontou o seu primeiro golo pelo clube mas, tal golo, assim como o golo apontado por Daley Blind aos 87″ apenas seriam suficientes para impedir a derrota no Haythorns frente ao WBA. Silvestre Varela não constou na lista de convocados da equipa inglesa.

Na próxima jornada, a 9ª, teremos como grande jogo da jornada a recepção do Manchester United ao Chelsea na tarde de domingo pelas 16h. A equipa de Van Gaal terá forçosamente que ganhar se quiser ter algumas aspirações ao título inglês nesta temporada. Terá uma semana para preparar o jogo ao invés do Chelsea que, como se sabe, amanhã defrontará o Maribor em Stamford Bridge para a Champions League. Mourinho deverá utilizar a partida para rodar jogadores com menos minutos de jogo de forma a fazer a gestão de plantel que se adequa a este nível de competição.

O Manchester City terá uma difícil deslocação a Londres para enfrentar um moralizado West Ham. Podem dizer o que disserem deste futebol musculado de Sam Allardyce bem ao estilo britânico. Tem resultado. O Liverpool recebe o Hull City. A equipa de Jelavic já provou ser capaz de se bater taco a taco com qualquer equipa do campeonato. Ao Arsenal tentará regressar às vitórias no terreno do desmoralizado Sunderland, capitalizando os estragos que a goleada sofrida em Southampton possam ter feito no balneário comandado pelo uruguaio Gus Poyet. O Tottenham recebe o Newcastle com olhos num lugar europeu.

Momentos #25

Durante o Arsenal vs Chelsea, Wenger não foi de modas. De forma repetitiva, Mourinho saiu fora da área técnica que lhe é destinada. O francês não gostou e decidiu descarregar (num gesto muito pouco habitual tendo em conta a sua gentle forma de estar no futebol) todo o seu ódio ao treinador português.

Crónica #15 – Sporting 0-1 Chelsea

O super poderoso Chelsea cumpriu a sua obrigação (enquanto principal favorito ao primeiro lugar do grupo e candidato à vitória na Champions) de vir vencer a Alvalade o Sporting. Se por um lado, pelas oportunidades de golo flagrantes que tiveram ao longo dos 90 minutos, os Blues mereceram a vitória e até justificaram vencer de forma mais expressiva, não é menos verdade que pelo futebol praticado no 2º tempo e por lances onde a equipa leonina poderia ter marcado, o Sporting também fez pela vida e lutou para merecer o empate.

Homem do jogo foi claramente Rui Patrício. No lance do único golo da partida, o difícil cabeceamento ao 2º poste de Matic foi indefensável para o guarda-redes português. Contudo, Patrício podia ter feito mais na abordagem ao cruzamento. Como hesitou permitiu que a bola chegasse em boas condições ao sérvio. A culpa do golo sofrido não deve de maneira alguma ser imputada nem ao guarda-redes nem a Jonathan Silva, o jogador do Sporting encarregue de vigiar Matic e proteger o 2º poste mas sim ao desleixo cometido por Marco Silva na preparação das bolas paradas defensivas: sendo Matic um dos melhores cabeceadores deste Chelsea, nunca poderá aparecer praticamente sozinho ao 2º poste ou sem um marcador capaz de ombrear no jogo aéreo com o médio defensivo do Chelsea.

Devido ao normal nervosismo derivado do facto de estar a jogar contra uma das grandes equipas europeias, o Sporting deu 45 minutos ao Chelsea para colocar no relvado de Alvalade a sua mais poderosa arma: as rápidas transições para o ataque e os fortíssimos lançamentos para as costas da defesa, onde Diego Costa (sempre muito bem municiado por Óscar e Hazard) ou Andre Schurrle se sentiram como peixes na água. Aproveitando situações de perda de bola do meio-campo do Sporting, os jogadores do ataque do Chelsea foram objectivos a lançar estes dois jogadores nas costas dos defensores leoninos. Marco Silva voltou a pedir à sua defesa que subisse rápido no terreno para deixar os avançados contrários em fora-de-jogo, mas, em algumas situações estes não foram rápidos a fazê-lo permitindo que Diego Costa aparecesse a receber a bola (ora através de passes a rasgar por parte de Óscar, ora através de passes a rasgar de Eden Hazard com o brasileiro a executar as suas famosas e eficazes diagonais) e o alemão a aproveitar da melhor forma o espaço em vazio que Jonathan Silva deixava no flanco fruto das suas agressivas subidas no terreno, que, teimosamente não voltaram a ser cobertas por um dos médios interiores como de resto já tinha acontecido na 2ª parte do jogo contra o Porto. Quando Jonathan Silva sobe em demasia no terreno e não consegue recuperar, o espaço é quase sempre fechado por Naby Sarr que, ao fazê-lo descompensa a área, deixando quase sempre Maurício para 2.

No ataque, o problema começou em William. No primeiro tempo, o jogador não só não conseguiu cobrir os espaços que habitualmente controla como não recuperou bolas e exibiu-se a um péssimo nível no capítulo do passe e da contenção de bola quando a equipa necessitava que, em vez de tresloucadamente passar a bola para o primeiro colega que visse, guardasse mais a bola e deixasse a equipa recompor-se posicionalmente de forma a conseguir construir uma jogada com nexo. Nas alas, Felipe Luis e Branislav Ivanovic estiveram exímios na marcação a Carrillo e a Nani através de uma pressão instantânea sempre que estes dois recebiam a bola e na própria abordagem defensiva. O português não levou a melhor sobre o sérvio em nenhum drible contra ele intentado no primeiro tempo e o peruano nunca conseguiu receber e virar-se para a baliza contrária, optando quase sempre por devolver a bola ao passador ou encaminhá-la para Adrien ou João Mário. Só no segundo tempo, já com o Chelsea a gerir a vantagem com um recuo de linhas defensivas promovido por José Mourinho e com uma estratégia clara de, recuar, defender bem e sair rapidamente no contragolpe através de lançamentos longos, é que vimos Carrillo e Nani mostrar a sua expansividade no drible. O peruano fez três arrancadas loucas que suspiraram bruás de Alvalade, tendo sido uma delas travada inextremis por Gary Cahill à entrada da área inglesa e o português, tirou do sério Felipe Luis pela ala esquerda, obrigando o brasileiro a cometer duas faltas que a meu ver seriam motivo para a sua expulsão por acumulação de amarelos: a primeira quando o árbitro não assinalou um empurrão ostentivo à entrada da área e a segunda no lance junto à linha no qual o antigo jogador do Atlético de Madrid recebeu o seu único amarelo da partida depois de ceifar sem piedade o jogador português.

O próprio Jonathan Silva mostrou muita garra nas duas situações em que conseguiu recuperar a bola no seu flanco e correu desalmadamente com ela em slaloms por entre adversários. O argentino revela-se cada vez mais como um jogador raçudo que, apesar de apresentar algum défice a defender, compensa no plano ofensivo. Para além de ser destemido, vertical e objectivo na subida com bola pelo flanco, é um jogador que tem um excelente cruzamento para a área, factor que pode ser importante dado o poder de fogo de Slimani no jogo aéreo.

Com Adrien a acelerar muito bem a meio-campo e muito assertivo no capítulo do passe e João Mário, ao lado, a dar muita luta no meio-campo, critério e organização no pensamento dos ataques leoninos, faltou ao Sporting novamente créditos na altura de finalizar. Slimani teve uma bola na sua cabeça passível de golo. Nani baqueou na área num lance em que ficou na cara de Courtois, Freddy Montero esteve perto do golo quando ao primeiro poste (solto de marcação) atirou ao lado e Nani, poderia ter chegado ao golo do empate naquele lance típico que tem evidenciado desde que chegou a Portugal no qual recebe na direita, puxa a bola para o meio e remata com pompa com o pé esquerdo. Assim como, do outro lado, aproveitando os erros de Naby Sarr no posicionamento, Oscar e Diego Costa poderiam ter sido mais eficazes na cara de Rui Patrício.

Uma luta particular nesta partida foi a luta travada entre Eden Hazard e Adrien. Na primeira parte, o lateral deixou o criativo do Chelsea à solta. Das suas acções individuais resultaram duas bolas importantíssimas: uma que Schurrle falhou na cara de Patrício depois de o tentar contornar e outra nos pés de Diego Costa. Na segunda parte, o lateral formado em Alvalade cerrou os dentes e como se diz na gíria “pegou o touro pelos cornos” – Hazard não teve tantas veleidades para meter o seu fortíssimo drible curto e para flectir para o meio da ala esquerda, movimento onde causa muito perigo com os seus milimétricos passes a rasgar.

Uma exibição de alto nível foi a que Nemanja Matic realizou em Alvalade. Com Mourinho, o sérvio cresceu ainda muito mais. Se com Jesus foi requalificado como um médio defensivo de excelência, sempre presente na cobertura de espaços no miolo e começou a conseguir sair a jogar com toda a pompa e circunstância, rompendo as primeiras linhas de pressão com bola sempre que nenhum colega lhe oferecesse uma linha de passe segura, com Mourinho, o sérvio já funciona quase como um box-to-box, fazendo tudo o que aprendeu com Jesus e acrescentando uma capacidade até aqui desconhecida, a capacidade de imiscuir-se no último terço do terreno com o esférico na sua posse a alta velocidade, capaz, também ele de poder construir situações de finalização para os seus companheiros em situações de manifesta falta de mobilidade dos seus companheiros para criar as tais linhas de passe.

Maurício fez dois cortes providenciais a Diego Costa em acções do hispano-brasileiro e saiu graças a uma atitude muito inteligente: sabendo que dali poderia ter surgido o 2-0 (matava o jogo) para o Chelsea, sendo o último defensor do Sporting cometeu uma falta inteligente ao ceifar o jogador do Chelsea. A eventual expulsão do brasileiro nesse lance é discutível. A regra para estes casos é a seguinte: se corta um lance iminente de golo, o árbitro tem que expulsar. Se não corta um lance iminente de golo, o árbitro deve mostrar apenas o cartão amarelo. Como era o último defensor, o vermelho directo aceitava-se. Mas como Cedric ainda estava no enfiamento da jogada (as imagens do lance mostram o lateral num acto preventivo a correr para o lado onde Diego Costa tinha adiantado a bola caso Maurício fosse ultrapassado para o brasileiro) e o lance faltoso foi cometido muito longe da baliza, também se aceita o amarelo. Qualquer acção disciplinar neste lance depende da interpretação do árbitro da partida.

Ao nível da arbitragem, o árbitro espanhol Mateu Lahoz mostrou alguma dualidade de critérios nos amarelos exibidos às duas equipas, esteve muito mal quando decidiu “não ver” o empurrão de Felipe Luis a Nani (se esta primeira falta é assinalada, o brasileiro recebe aqui o primeiro amarelo, sendo expulso na 2ª falta sobre Nani), existiu outro lance onde fiquei com dúvidas: num lance em que Carrillo tenta passar por Cesc Fabrègas dentro da área. O médio inglês não joga a bola e ceifa o extremo peruano.

Nota final para o regresso a Alvalade de José Mourinho – o técnico português bem ao seu estilo, recheou os 90 minutos de muito showoff. Ora a falar com os bombeiros aquando do golo do Chelsea, ora no final quando deixou Marco Silva de mão estendida para ir cumprimentar Rui Patrício. Ao seu estilo!

O poder de comunicação de José Mourinho

josé mourinho

1. Abrir a válvula de pressão – Mourinho é da opinião que já existe pressão suficiente no futebol para não ser necessário chamar a atenção dos outros sobre si mesmo. Uma das coisas que faz com a imprensa é deixá-los falar até decidir que deve dar nas vistas de modo a causar dano num jogador da sua equipa, em caso de fraca prestação, num jornalista ou num treinador adversário. Quando dá nas vistas, fá-lo com um único objectivo: reverter a opinião geral dos adeptos e derrubar um adversário. Por exemplo, quando o Chelsea conseguiu atingir um record de 77 jogos sem perder em Stamford Bridge para o campeonato nos dois períodos de vigência do treinador no clube, Mourinho foi várias vezes questionado sobre o assunto mas desvalorizou-o, não respondendo directamente às questões, de forma a poder não colocar pressão extra na sua equipa nos jogos em casa. Outro exemplo aconteceu recentemente no Chelsea quando num flash-interview disse que David Luiz tinha sido expulso na partida “porque queria uma folga para ir a Portugal ver o Benfica vs Porto” na semana seguinte. Com estas afirmações, o treinador censurou a falta de concentração do jogador no clube e as suas constantes visitas ao país em dias de folga.

2 – Enfrentar o mundo sozinho – Mourinho gosta de ser sozinho contra o mundo. As suas equipas tem que vencer todo o mundo. Um dos segredos de motivação de Mourinho junto dos seus planteis tem como base a ideia que todos odeiam a equipa e estão a torcer fervorosamente pela sua derrota. Mourinho provoca a sua própria controvérsia e alimenta-se dessa mesma controvérsia e da crítica que lhe é feita por terceiros (agentes, jornalistas, treinadores) para moralizar os jogadores contra quem proferiu a crítica. É um mestre neste campo.
Celebre por exemplo ficará aquela frase proferida no FC Porto em que o português “à 12ª jornada” prometeu o título com ou sem situações anormais provocadas pelas arbitragens.

3- A amizade criada com todos os jogadores – Até hoje não vimos um único jogador dizer mal de José Mourinho. Nem mesmo Raúl ou Guti, grandes símbolos do Real Madrid que foram automaticamente afastados da equipa nos primeiros dias de trabalho com José Mourinho. Alguns treinadores fazem questão de se diferenciarem dos jogadores. Alguns chegam inclusive a não falar com alguns nos primeiros dias e a delegar a responsabilidade de transmitir uma certa comunicação para o balneário por via do capitão, como fazia por exemplo Mancini no Manchester City. Mourinho não o faz. Se reparmos bem, quando foi para o Chelsea pela primeira vez, era pouco mais velho que alguns jogadores e, mesmo apesar de ter vencido a Champions com um clube de middle-level no ano anterior, nunca tinha jogado futebol como profissional. Esses dois factores poderiam ter retirado alguma autoridade do português junto do balneário dos Blues. Mourinho entrou em Stamford Bridge a oferecer a sua amizade a todos. Num estilo de liderança ousado, Mourinho ofereceu o seu apoio a todos os jogadores e os seus conselhos, quer futebolísticos, quer extra-futebolísticos.

Exemplo claro foi a reacção de Marco Materazzi à despedida do português do Inter de Milão. O central italiano tinha demonstrado até então ser completamente indomável ao controlo de todos os treinadores que o orientaram. Com Mourinho, disse simplesmente que tinha sido o melhor treinador por quem tinha sido treinado numa longa carreira de quase 20 anos.

4 – Criar um ambiente familiar – Junto da imprensa diverte-os com as piadas ou contenta jornalistas quando leva um vinho para as conferências de imprensa. No balneário, oferece a sua amizade e concentra toda a gente a lutar por um objectivo. Na comunicação que é feita por jogadores do plantel, Mourinho ensaia todos os jogadores a promoverem um discurso de acordo com o objectivo da equipa. Se um jogador revela um pormenor que não é devidamente transmitido por Mourinho ou uma opinião que sai fora do objectivo estabelecido pelo treinador, esse jogador poderá ver o treinador a censurá-lo publicamente por ter prestado aquelas declarações. Na maior parte das vezes, o jogador é castigado com o banco e mais tarde ou mais cedo pede desculpa ao treinador português. Noutros casos, como foram os de Casillas ou Ricardo Carvalho em Madrid, existe um corte de relações.

5 – Desenvolver um escudo – Mourinho é impermeável e insensível a tudo o que vão dizendo sobre as prestações da sua equipa. Não sabemos quais são os problemas que o fazem ter noites de insónia como todos os seres humanos normais, mas sabemos que em público, o treinador português é frio que nem uma rocha. Não lhe importa muito aquilo que lhe possam dizer sobre o seu estilo ou sobre o modelo de jogo da equipa, ele mantém-no até ao momento em que achar conveniente mantê-lo. O Chelsea foi criticado durante quase toda a época devido ao facto de não ter praticado um futebol esteticamente bonito. Muitos ousaram afirmar que com aquele futebol, Mourinho jamais poderia ousar aspirar à conquista de um título. O treinador português aliviou a pressão sobre a equipa quando afirmou que estava a construir uma equipa para ganhar tudo na época seguinte. A tal expressão do “cavalinho que se irá tornar em breve um cavalão de corrida” não era mais do que uma tentativa de aliviar a pressão sobre a equipa sem ter necessidade de modificar o quer que seja no futebol praticado por esta. Mas quando o Chelsea venceu em Anfield e, de certa maneira, tirou um título que parecia garantido ao Liverpool caso conseguisse empatar aquela partida, no final do jogo Mourinho não precisou de falar para que todos entendessem que tinha sido aquele modelo de jogo o único capaz de dar frutos naquela situação em particular.

Foto do dia

lampard

He is a Man City player. Maybe I am too pragmatic in football but he decided to come to a competitor of Chelsea and love stories are obviously over. He did his job as the super-professional he is and he scored. This is England, and this is Chelsea. Chelsea people can never forget what people have done at this club. It happened with me when I met Chelsea with Inter, and it happened with Lamps.” – José Mourinho sobre o golo que Lampard marcou ao Chelsea.

 

breves #17

yaya 2

hazard vs yaya

Durante o intervalo do jogo que opôs Manchester Ciry e Chelsea, Yayá Touré e Eden Hazard pegaram-se no acesso aos balneários. Toda a imprensa inglesa, bem como o Costa-Marfinense afirmaram hoje que a palmada que o médio do City tentou dar no 10 do Chelsea foi na brincadeira. O Belga levou a coisa a sério e ficou-se a travar de razões com o marfinense. A FA está a investigar o sucedido.

O video pode ser visto aqui.

Peter Lim – O empresário singapurenho, dono dos passes de André Gomes e Rodrigo, ainda não concluiu a aquisição da SAD do Valência. A entidade que regula os mercados de valores mobiliários espanhola ainda não autorizou a compra da sad do clube ché por parte do ascendente magnata asiático. Contudo, hoje foi divulgado que se tornou sócio do Salford City, o curioso clube da 8ª divisão que é detido por 5 ex-jogadores do Manchester United da geração Ferguson (Giggs, irmãos Neville, Ryan Giggs e Paul Scholes) em honra ao clube da cidade onde todos nasceram e cresceram, excepto o galês Giggs. O clube é treinado por Paul Scholes.

Cesc Fabrègas – O espanhol anunciou nas redes sociais que não foi para o Arsenal porque os Gunners não accionaram a clásula de recompra que tinham incluído no contrato de compra e venda aquando da sua transferência para o Barcelona. A administração do Arsenal acusou recentemente o jogador de não ter aceitado uma proposta feita pelos Gunners neste verão.

Bruno de Carvalho\Manuel Fernandes – Respondendo às críticas do presidente do Sporting, o antigo capitão, treinador e dirigente do Sporting Clube de Portugal, um dos profissionais que foi despedido do clube aquando da entrada do actual presidente na administração da SAD, afirmou ontem no programa playoff da SIC Notícias que os comentários do presidente foram baixos e injustos: “Pior funcionário da história do clube? Isto é do mais baixo que se pode dizer, não é conversa de um presidente do Sporting. Estive 17 anos naquele clube, o presidente já esteve na minha casa e viu que não enriqueci à custa do Sporting» – O presidente considerou o antigo capitão do Sporting o pior funcionário da história do clube.

Maicon – Depois de rever as imagens da entrada que motivou a expulsão do brasileiro, não tenho a menor dúvida em afirmar que a expulsão é justíssima. Foi uma entrada duríssima por trás quando o adversário já se tinha desfeito da bola que pôs em risco a integridade física do companheiro de profissão. As indicações da FIFA quanto a estes lances são bem claras: expulsão.