A fantástica selecção de sub-21

A selecção de sub-21 está de parabéns pela conquista obtida em Paços de Ferreira ao apurar-se pela 9ª vez para o europeu da categoria desde a sua criação em 1978!

Em primeiro lugar, Rui Jorge está de parabéns. O seleccionador português fez um trabalho fantástico, mesmo quando a Selecção A lhe foi roubando atletas fruto das suas necessidades ao longo dos últimos meses (Bruma, João Mário, André Gomes, William Carvalho, Ricardo Horta, Cedric, Ivo Pinto, Anthony Lopes, Ruben Vezo, Rafa, Ivan Cavaleiro), manteve um discurso coerente assente na prosecução de um objectivo que tinha que ser atingido a qualquer custo (a qualificação), moralizou as tropas de que dispôs em redor desses objectivos e no final conseguiu o melhor de dois mundos: a qualificação só com vitórias (a bom da verdade, esta Holanda mostrou muito mais no jogo de Paços de Ferreira do que no jogo de Alkmaar e vendo bem as coisas esteve bastante perto em duas ocasiões de liderar a qualificatória por golos fora) e o desenvolvimento ao mais alto nível de jogadores que, a meu ver, terão quase todos o seu espaço na próxima geração da selecção A.  Pode-se até dizer que esta equipa até fica melhor sem os jogadores que entretanto deixaram de participar no trajecto por terem subido aos AA, mas, para uma fase-de-qualificação daquele nível de exigência, não levar o trio do meio-campo que a Selecção A “roubou” à selecção de sub-21 poderá considerar-se um crime.

A turma portuguesa desenvolveu-se, ganhou experiência internacional, praticou um futebol vistoso e mereceu por inteiro esta qualificação pelo futebol desenvolvido, pelo brilhantismo individual demonstrado por alguns dos seus actores (Bernardo Silva foi sem dúvida aquele que demonstrou mais talento neste trajecto) e pelo trabalho desenvolvido no plano mental. Mesmo a um passo da eliminação quando a Holanda vencia, os jogadores portugueses souberam quase sempre dar a volta por cima e encontrar forças para vencer o jogo.

Esperemos que a caminhada vitoriosa se mantenha na República Checa. Depois deste prodigioso apuramento, é difícil não esconder a ambição que rodeia esta selecção: vencer o Europeu que será disputado no próximo mês de Junho naquele país do centro da europa. No entanto, é preciso ter noção da realidade que esta selecção irá encontrar na República Checa: assim como nós temos um leque de jogadores a jogar ao mais alto nível em grandes ligas europeias e até em grandes clubes europeus (alguns deles são opções regulares em clubes que estão no topo das principais ligas europeias e em clubes que disputam a champions), as outras selecções também os tem e, até tem jogadores muito mais calejados ao nível de experiência internacional como são os casos de Federico Bernardeschi (Itália\Fiorentina), Ter Stegen (Alemanha\Barcelona), Jonas Hoffman (Mainz\Borussia de Dortmund\Alemanha), Bernd Leno (Alemanha\Bayer Leverkusen), Max Meyer (Schalke\Alemanha), Nemanja Radoja (Sérvia\Celta de Vigo), Lucas Andersen (Dinamarca\Ajax), John Guidetti (Celtic\Manchester City\Suécia), Luke Shaw (Manchester United\Inglaterra), Tom Ince (Crystal Palace\Inglaterra) ou a dupla do Tottenham Eric Dier e Harry Kane. Isto não contando com a possibilidade de virmos a ter no Europeu jogadores cujas idades ainda permitem jogar esta competição, mas que já passaram há muito para as selecções principais dos seus países como são os casos de  Milos Jojic e Lazar Markovic (Sérvia), Skodran Mustafi, Erik Durm, Mathias Ginter, Leon Goretzka, Emre Can (Alemanha), Pierre-Emile Hojbjerg e Youssuf Poulsen (Dinamarca) ou Calum Chambers e Raheem Sterling (Inglaterra). Este europeu será sem dúvida a rampa de lançamento de muitos talentos para a alta roda do futebol europeu.

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Uma questão de importância

Compreendo o facto de Fernando Santos precisar de utilizar o jogo contra a França para testar jogadores e testar o modelo de jogo que pretende implantar nesta selecção durante os próximos 2 anos. Compreendo que a ausência de William Carvalho do jogo contra a França possa impedir o seleccionador nacional de testar com exito a equipa pela primeira vez dada a importância do jogador do Sporting num dos sectores vitais do habitual modelo de jogo do seleccionador português (Fernando Santos é um daqueles treinadores que dá muito enfase ao povoamento do meio-campo de forma a não só constituir ali uma enorme e bem articulada cortina de pressão que impeça as equipas adversárias de progredir como deverá pretender que o jogador do Sporting recupere muitas bolas a meio-campo para lançar imediatamente o contra-ataque) mas, dada a importância do jogo de amanhã da selecção de sub-21 (não desconsiderando que esta selecção serve essencialmente para potenciar jogadores ao mais alto nível) não seria benéfico para as aspirações desta selecção que William Carvalho, João Mário e André Gomes pudessem dar o seu contributo em Alkmaar, regressando posteriormente ao compromisso oficial dos AA?

A remodelação de Santos

Não me chocou nadinha a remodelação pincelada pelo novo seleccionador nesta primeira fase de chamadas. Não considero que o novo seleccionador tenha revolucionado ou renovado o quer que seja com a inclusão de jogadores que neste momento acrescentam experiência (a média de idades dos convocáveis até subiu quase 2 anos para os 29) e qualidade (derivado da forma que alguns atravessam nos seus clubes, caso de José Fonte, Ricardo Carvalho ou Tiago). O momento é duro e obriga a selecção a uma resposta fortíssima contra a França e contra a Dinamarca. Se o primeiro, amigável, servirá para Fernando Santos testar o lado esquerdo da defesa (Antunes e Eliseu deverão jogar meio tempo cada um; pessoalmente prefiro a regularidade de processos do jogador do Málaga à instabilidade defensiva e dificuldade que o jogador do Benfica tem nos processos defensivos, em específico na defesa 1×1 e no posicionamento; jogar para as costas de Eliseu parece tarefa fácil para qualquer flanco direito adversário da equipa de Jorge Jesus), experimentar tacticamente os re-seleccionados e dar minutos internacionais a jovens que indiscutivelmente irão ganhar o seu espaço nos convocados, casos de André Gomes, Ivo Pinto e João Mário, o segundo, a doer, obriga, pela obrigação de nos qualificarmos para o Europeu, a um tratamento de choque que só pode ser realizado por quem neste momento tem a experiência e a forma necessária para enfrentar este tipo de desafios. Danny, Quaresma, Tiago e Carvalho são jogadores habituadíssimos a lidar com esse tipo de pressão e tem todas as condições no momento para cumprir os objectivos que (volto a considerar) obrigatórios para uma selecção do nosso nível.

Quanto aos que ficaram de fora: Não tenho uma única crítica a fazer contra o seleccionador nacional. Saíram todos aqueles que estão a mais (só Paulo Bento é que continuava a chover no molhado) e aqueles que para já, não tem neste de perto nem de longe o estatuto de seleccionáveis para a AA, casos de Cavaleiro, Ricardo Horta. Juntando a estes, Ruben Vezo também foi preterido por causa dos compromissos da selecção de sub-21 (playoff de apuramento para o Europeu do escalão frente à Holanda. Se os dois primeiros não tem espaço nesta selecção, assim como Pedro Tiba (claramente a 6ª opção para a posição depois de Adrien, João Mário, Moutinho, André Gomes e Raúl Meireles), já Ruben Vezo tem lugar nesta equipa pelas exibições de altíssimo nível que tem realizado em Valência e pelo facto de Pepe e Ricardo Carvalho estarem bastante perto do adeus à selecção (o primeiro poderá renunciar em 2016, o segundo pode nem sequer jogar esse Europeu caso seja novamente achatado a lesões).

Crónica #15 – Sporting 0-1 Chelsea

O super poderoso Chelsea cumpriu a sua obrigação (enquanto principal favorito ao primeiro lugar do grupo e candidato à vitória na Champions) de vir vencer a Alvalade o Sporting. Se por um lado, pelas oportunidades de golo flagrantes que tiveram ao longo dos 90 minutos, os Blues mereceram a vitória e até justificaram vencer de forma mais expressiva, não é menos verdade que pelo futebol praticado no 2º tempo e por lances onde a equipa leonina poderia ter marcado, o Sporting também fez pela vida e lutou para merecer o empate.

Homem do jogo foi claramente Rui Patrício. No lance do único golo da partida, o difícil cabeceamento ao 2º poste de Matic foi indefensável para o guarda-redes português. Contudo, Patrício podia ter feito mais na abordagem ao cruzamento. Como hesitou permitiu que a bola chegasse em boas condições ao sérvio. A culpa do golo sofrido não deve de maneira alguma ser imputada nem ao guarda-redes nem a Jonathan Silva, o jogador do Sporting encarregue de vigiar Matic e proteger o 2º poste mas sim ao desleixo cometido por Marco Silva na preparação das bolas paradas defensivas: sendo Matic um dos melhores cabeceadores deste Chelsea, nunca poderá aparecer praticamente sozinho ao 2º poste ou sem um marcador capaz de ombrear no jogo aéreo com o médio defensivo do Chelsea.

Devido ao normal nervosismo derivado do facto de estar a jogar contra uma das grandes equipas europeias, o Sporting deu 45 minutos ao Chelsea para colocar no relvado de Alvalade a sua mais poderosa arma: as rápidas transições para o ataque e os fortíssimos lançamentos para as costas da defesa, onde Diego Costa (sempre muito bem municiado por Óscar e Hazard) ou Andre Schurrle se sentiram como peixes na água. Aproveitando situações de perda de bola do meio-campo do Sporting, os jogadores do ataque do Chelsea foram objectivos a lançar estes dois jogadores nas costas dos defensores leoninos. Marco Silva voltou a pedir à sua defesa que subisse rápido no terreno para deixar os avançados contrários em fora-de-jogo, mas, em algumas situações estes não foram rápidos a fazê-lo permitindo que Diego Costa aparecesse a receber a bola (ora através de passes a rasgar por parte de Óscar, ora através de passes a rasgar de Eden Hazard com o brasileiro a executar as suas famosas e eficazes diagonais) e o alemão a aproveitar da melhor forma o espaço em vazio que Jonathan Silva deixava no flanco fruto das suas agressivas subidas no terreno, que, teimosamente não voltaram a ser cobertas por um dos médios interiores como de resto já tinha acontecido na 2ª parte do jogo contra o Porto. Quando Jonathan Silva sobe em demasia no terreno e não consegue recuperar, o espaço é quase sempre fechado por Naby Sarr que, ao fazê-lo descompensa a área, deixando quase sempre Maurício para 2.

No ataque, o problema começou em William. No primeiro tempo, o jogador não só não conseguiu cobrir os espaços que habitualmente controla como não recuperou bolas e exibiu-se a um péssimo nível no capítulo do passe e da contenção de bola quando a equipa necessitava que, em vez de tresloucadamente passar a bola para o primeiro colega que visse, guardasse mais a bola e deixasse a equipa recompor-se posicionalmente de forma a conseguir construir uma jogada com nexo. Nas alas, Felipe Luis e Branislav Ivanovic estiveram exímios na marcação a Carrillo e a Nani através de uma pressão instantânea sempre que estes dois recebiam a bola e na própria abordagem defensiva. O português não levou a melhor sobre o sérvio em nenhum drible contra ele intentado no primeiro tempo e o peruano nunca conseguiu receber e virar-se para a baliza contrária, optando quase sempre por devolver a bola ao passador ou encaminhá-la para Adrien ou João Mário. Só no segundo tempo, já com o Chelsea a gerir a vantagem com um recuo de linhas defensivas promovido por José Mourinho e com uma estratégia clara de, recuar, defender bem e sair rapidamente no contragolpe através de lançamentos longos, é que vimos Carrillo e Nani mostrar a sua expansividade no drible. O peruano fez três arrancadas loucas que suspiraram bruás de Alvalade, tendo sido uma delas travada inextremis por Gary Cahill à entrada da área inglesa e o português, tirou do sério Felipe Luis pela ala esquerda, obrigando o brasileiro a cometer duas faltas que a meu ver seriam motivo para a sua expulsão por acumulação de amarelos: a primeira quando o árbitro não assinalou um empurrão ostentivo à entrada da área e a segunda no lance junto à linha no qual o antigo jogador do Atlético de Madrid recebeu o seu único amarelo da partida depois de ceifar sem piedade o jogador português.

O próprio Jonathan Silva mostrou muita garra nas duas situações em que conseguiu recuperar a bola no seu flanco e correu desalmadamente com ela em slaloms por entre adversários. O argentino revela-se cada vez mais como um jogador raçudo que, apesar de apresentar algum défice a defender, compensa no plano ofensivo. Para além de ser destemido, vertical e objectivo na subida com bola pelo flanco, é um jogador que tem um excelente cruzamento para a área, factor que pode ser importante dado o poder de fogo de Slimani no jogo aéreo.

Com Adrien a acelerar muito bem a meio-campo e muito assertivo no capítulo do passe e João Mário, ao lado, a dar muita luta no meio-campo, critério e organização no pensamento dos ataques leoninos, faltou ao Sporting novamente créditos na altura de finalizar. Slimani teve uma bola na sua cabeça passível de golo. Nani baqueou na área num lance em que ficou na cara de Courtois, Freddy Montero esteve perto do golo quando ao primeiro poste (solto de marcação) atirou ao lado e Nani, poderia ter chegado ao golo do empate naquele lance típico que tem evidenciado desde que chegou a Portugal no qual recebe na direita, puxa a bola para o meio e remata com pompa com o pé esquerdo. Assim como, do outro lado, aproveitando os erros de Naby Sarr no posicionamento, Oscar e Diego Costa poderiam ter sido mais eficazes na cara de Rui Patrício.

Uma luta particular nesta partida foi a luta travada entre Eden Hazard e Adrien. Na primeira parte, o lateral deixou o criativo do Chelsea à solta. Das suas acções individuais resultaram duas bolas importantíssimas: uma que Schurrle falhou na cara de Patrício depois de o tentar contornar e outra nos pés de Diego Costa. Na segunda parte, o lateral formado em Alvalade cerrou os dentes e como se diz na gíria “pegou o touro pelos cornos” – Hazard não teve tantas veleidades para meter o seu fortíssimo drible curto e para flectir para o meio da ala esquerda, movimento onde causa muito perigo com os seus milimétricos passes a rasgar.

Uma exibição de alto nível foi a que Nemanja Matic realizou em Alvalade. Com Mourinho, o sérvio cresceu ainda muito mais. Se com Jesus foi requalificado como um médio defensivo de excelência, sempre presente na cobertura de espaços no miolo e começou a conseguir sair a jogar com toda a pompa e circunstância, rompendo as primeiras linhas de pressão com bola sempre que nenhum colega lhe oferecesse uma linha de passe segura, com Mourinho, o sérvio já funciona quase como um box-to-box, fazendo tudo o que aprendeu com Jesus e acrescentando uma capacidade até aqui desconhecida, a capacidade de imiscuir-se no último terço do terreno com o esférico na sua posse a alta velocidade, capaz, também ele de poder construir situações de finalização para os seus companheiros em situações de manifesta falta de mobilidade dos seus companheiros para criar as tais linhas de passe.

Maurício fez dois cortes providenciais a Diego Costa em acções do hispano-brasileiro e saiu graças a uma atitude muito inteligente: sabendo que dali poderia ter surgido o 2-0 (matava o jogo) para o Chelsea, sendo o último defensor do Sporting cometeu uma falta inteligente ao ceifar o jogador do Chelsea. A eventual expulsão do brasileiro nesse lance é discutível. A regra para estes casos é a seguinte: se corta um lance iminente de golo, o árbitro tem que expulsar. Se não corta um lance iminente de golo, o árbitro deve mostrar apenas o cartão amarelo. Como era o último defensor, o vermelho directo aceitava-se. Mas como Cedric ainda estava no enfiamento da jogada (as imagens do lance mostram o lateral num acto preventivo a correr para o lado onde Diego Costa tinha adiantado a bola caso Maurício fosse ultrapassado para o brasileiro) e o lance faltoso foi cometido muito longe da baliza, também se aceita o amarelo. Qualquer acção disciplinar neste lance depende da interpretação do árbitro da partida.

Ao nível da arbitragem, o árbitro espanhol Mateu Lahoz mostrou alguma dualidade de critérios nos amarelos exibidos às duas equipas, esteve muito mal quando decidiu “não ver” o empurrão de Felipe Luis a Nani (se esta primeira falta é assinalada, o brasileiro recebe aqui o primeiro amarelo, sendo expulso na 2ª falta sobre Nani), existiu outro lance onde fiquei com dúvidas: num lance em que Carrillo tenta passar por Cesc Fabrègas dentro da área. O médio inglês não joga a bola e ceifa o extremo peruano.

Nota final para o regresso a Alvalade de José Mourinho – o técnico português bem ao seu estilo, recheou os 90 minutos de muito showoff. Ora a falar com os bombeiros aquando do golo do Chelsea, ora no final quando deixou Marco Silva de mão estendida para ir cumprimentar Rui Patrício. Ao seu estilo!

Pré-convocatória de Fernando Santos

O seleccionador ainda não divulgou publicamente a sua pré-convocatória e fez questão de afirmar ontem à entrada de Alvalade que não o iria fazer ali.
No entanto, já começaram a sair os primeiros rumores que dão conta que o seleccionador nacional pré-convocou alguns nomes riscados por Paulo Bento no decurso do seu mandato à frente da selecção nacional (Ricardo Carvalho e Danny) e tem demonstrado aceitação em utilizar a semana de trabalho que terá a meio de Outubro e o amigável contra a França para trabalhar e ver em acção jogadores menos referenciados por Paulo Bento como são os casos de José Fonte, Orlando Sá, André André ou Ruben Ferreira. Pedro Tiba, João Mário, Miguel Rodrigues, Ricardo Horta, Ivan Cavaleiro ou Cedric também aparecem na pré-convocatória do novo seleccionador.

Fernando Santos poderá deslocar-se nos próximos dias a Madrid de forma a convencer Tiago a regressar à selecção nacional.