Tempos e Resultados – Ligas Europeias

La Liga

Em Espanha, toda a gente já está a fervilhar por causa do clássico da próxima jornada. No Warm-Up para o grande jogo do próximo fim-de-semana, Ronaldo voltou a superar-se no Cidade de Valência na goleada infligida pelo Real ao Levante enquanto Messi marcou na vitória folgada do Barcelona frente ao Eibar por 3-o e encurtou para 2 golos a distância que o separa do recorde do histórico Telmo Zarra. Caso marque 2 ou 3 golos no Bernabéu, Messi poderá até parar a partida por breves momentos para ser homenageado como co-detentor do record de golos na Liga Espanhola ou até detentor do novo recorde a bater. Pelo meio, o Real terá que receber o Liverpool para a Champions assim como o Barcelona terá que disputar também uma partida. Nada que tire o sono a Ancelotti e seus pares dado o percurso mediocre que os Reds tem vindo a executar neste início de temporada. O clássico está definitivamente na cabeça de madridistas e catalães.

O maior destaque da 8ª Jornada da Liga Espanhola foi a vitória do Deportivo sobre o ascendente Valência no Riazor. A equipa de Victor Fernandez fez uma primeira parte de sonho, mostrando ter espantado durante as duas semanas de pausa toda a insegurança defensiva que vinha demonstrando até então. Aproveitando as falhas da defensiva e do meio-campo Valenciano, na hora de atirar à baliza, os Galegos não perdoaram e puseram na tabela classificativa a primeira mancha no percurso imaculado da equipa de Nuno Espírito Santo. O treinador português tratou de afirmar na conferência de imprensa que a “equipa não perderá duas vezes seguidas”.

Fortíssimo continua o Sevilla. A equipa de Unai Emery aproveitou a derrota do Valência para ascender à 2ª posição do campeonato a 3 pontos do Barça. Carlos Bacca e Kevin Gameiro deram a vitória por 2-0 no terreno do levante.
Para Lopetegui ver foi o empate do Athletic no San Mamés a 1 bola frente ao Celta de Vigo. Aduriz colocou os bascos na liderança aos 6″. Nolito empatou na 2ª parte.
Com dois golos no El Madrigal, o internacional Nigeriano Uche colocou o Villareal de Marcelino Garcial Toral em lugares europeus. Sem ganhar continua o Córdoba.

liga espanhola 4

Na próxima jornada teremos o clássico. Real Madrid e Barcelona defrontam-se no Bernabéu no Sábado pelas 17 horas (hora portuguesa). O Valência recebe o Elche, o Sevilla recebe o Villareal e o Atlético fará uma curta deslocação aos arredores para defrontar o Getafe no Coliseum Alfonso Perez.

Málaga e Rayo Vallecano defrontam-se no Rosaleda. Em caso de vitória de uma das equipas e derrota do Villareal ou Celta, uma delas poderá ascender aos lugares europeus. Prevê-se uma luta interessante pelo 6º lugar na Liga Espanhola entre estas equipas e, possivelmente a Real Sociedad e Athletic de Bilbao se ambas começarem a inverter os péssimos resultados que tem realizado. São duas equipas com enorme valor que tem capacidade para mais.

Premier League

liga inglesa 3

No campeonato de terras de Sua Majestade, os 3 da frente à partida para a 8ª jornada venceram os seus desafios. West Ham e Liverpool também venceram, reaproximando-se da frente e aproveitando para ultrapassar o Manchester United que não foi além de um empate em Birmingham perante o West Bromwich Albion de Silvestre Varela e Georgios Samaras. O Arsenal voltou a baquear, desta vez em casa frente ao Hull. Recapitulemos:

Jogo com muitas cores e muitos sabores. O Manchester City vs Tottenham tinha tudo para ser um daqueles jogos épicos que só a Liga Inglesa nos consegue proporcionar. Pressão asfixiante (melhor, rolo ofensivo) do Manchester City tanto no ataque como a pressão à saída da bola do Tottenham garantiu o primeiro golo. Yaya Touré na encruzilhada quase sempre. Um erro crasso de Fernando permitiu aos homens de Pocchettino restabelecer o empate logo a seguir por Christian Eriksen. Já sonhava com um 3-3 ou um 4-4 ou um 4-5 para o Tottenham.

Até que dois penaltis assinalados por John Moss (o primeiro deles é completamente inventado pelo árbitro) deram a Kun Aguero uma tarde de sonho no Emirates com um poker e com a liderança (partilhada) da lista de melhores marcadores da competição com Diego Costa. Ambos tem 9 golos apontados em 8 jornadas.

Quando me disseram por sms não queria acreditar. Ronald Koeman está a fazer um bom trabalho no Saint Mary´s Stadium mas, o Sunderland não é o Boavista. Tem John O´Shea, Vito Mannone, Wes Brown, Leonardo Vergini, Sebastien Coates, Lee Cattermole (um dos mais duros trincos do futebol britânico), Sebastian Larsson, Jack Rodwell, Adam Johnson, Ricky Alvarez, Emmanuele Giaccherini, Steven Fletcher, Danny Graham, Jozy Altidore. Em suma, um plantel cheio de internacionais, maior parte deles veteranos nestas andanças e com qualidade à brava para fazer um campeonato tranquilo.

8ª jornada, 8 pontos do Sunderland, 8 golos marcados, no dia dez(oito). Parecia destinado a ser uma tarde de glória para os Black Cats de Ronald Koeman, Graziano Pellè, José Fonte, Victor Wanyama, Morgan Schneiderlin, Dusan Tadic e Sadió Mane. 8-0 sem espinhas a uma equipa sem alma durante os 90 minutos. O holandês está a realizar um trabalho formidável com uma equipa que foi reconstruída de novo (dos 14 participantes do lado dos Black Cats, 7 são reforços da equipa para esta temporada) e arrisca-se a criar uma expectativa enorme junto da massa adepta do clube: no 3º lugar a 6 pontos da liderança com 3 de avanço sobre West Ham, 4 sobre Liverpool, 6 sobre o United sem que o United de Van Gaal e o Liverpool de Rodgers tenham um trajecto vitorioso continuo no tempo e 5 sobre o Arsenal que tarda em encontrar-se em jogos a contar para a Premier League, é absolutamente normal que os adeptos do Southampton, dada a qualidade da equipa, comecem a acreditar que é possível voltar a fazer história e lutar pela Champions League.

Impróprio para cardíacos. Quando Eduardo Vargas fez o empate naquela jogada linda, Harry Redknapp levantou os braços porque pensava que se tratava do golo que iria ditar um empate… Muito longe disso! O árabe do video fartou-se de gritar pelo Mario (Balotelli) mas quem haveria de dar a vitória ao Liverpool seria Steven Caulker, num dia muito azarado para a turma londrina. 4 golos em 8 minutos! Final de loucos!

Só ao 24º jogo pelo United, na 2ª época ao serviço do clube, veríamos o melhor de Marouane Fellaini pelo Manchester United. O belga apontou o seu primeiro golo pelo clube mas, tal golo, assim como o golo apontado por Daley Blind aos 87″ apenas seriam suficientes para impedir a derrota no Haythorns frente ao WBA. Silvestre Varela não constou na lista de convocados da equipa inglesa.

Na próxima jornada, a 9ª, teremos como grande jogo da jornada a recepção do Manchester United ao Chelsea na tarde de domingo pelas 16h. A equipa de Van Gaal terá forçosamente que ganhar se quiser ter algumas aspirações ao título inglês nesta temporada. Terá uma semana para preparar o jogo ao invés do Chelsea que, como se sabe, amanhã defrontará o Maribor em Stamford Bridge para a Champions League. Mourinho deverá utilizar a partida para rodar jogadores com menos minutos de jogo de forma a fazer a gestão de plantel que se adequa a este nível de competição.

O Manchester City terá uma difícil deslocação a Londres para enfrentar um moralizado West Ham. Podem dizer o que disserem deste futebol musculado de Sam Allardyce bem ao estilo britânico. Tem resultado. O Liverpool recebe o Hull City. A equipa de Jelavic já provou ser capaz de se bater taco a taco com qualquer equipa do campeonato. Ao Arsenal tentará regressar às vitórias no terreno do desmoralizado Sunderland, capitalizando os estragos que a goleada sofrida em Southampton possam ter feito no balneário comandado pelo uruguaio Gus Poyet. O Tottenham recebe o Newcastle com olhos num lugar europeu.

Crónica #20 – Atlético de Madrid 2-0 Espanyol

Arranjar bons highlights da Liga Espanhola é das coisas mais fáceis que um blogger desta área temática tem à disposição no Youtube. A Liga Espanhola disponibiliza através do seu canal próprio os highlights detalhados de quase todas as suas partidas da prova. Basta procurar o canal de Youtube “La Liga”.

Como é hábito na Liga Espanhola desde há 2\3 anos para cá, disputou-se mais um jogo da jornada (a 8ª) ao meio-dia local (11 horas em Portugal ) cabendo neste fim-de-semana, fruto dos acordos comerciais de transmissão televisiva que a Liga de Clubes Espanhola tem com o mercado audiovisual do Sudeste Asiático (o jogo da manhã de domingo passa em horário nobre em países como a China e o Japão) ao Atlético de Madrid e Espanyol a disputar a partida no referido horário.

Jogo de sentido único durante os 90 minutos, com clara supremacia do Atlético perante uma equipa do Espanyol que se limitou a defender durante a primeira parte, construíndo apenas 1 lance de perigo durante os 90 minutos.

Diego Simeone não podia contar com um jogador para a partida. Castigado depois de ter sido expulso na última partida a contar para a Liga em Valência, Alessio Cerci viu o jogo da bancada. Miranda foi poupado devido ao facto de ter chegado tarde a Madrid da digressão do escrete na Ásia (jogos contra a Argentina na China e contra o Japão em Singapura já na quarta de manhã). Para o seu lugar Simeone escolheu o central uruguaio José Maria Giménez para fazer dupla com o seu compatriota Diego Godin no eixo da defensiva colchonera. Tiago cumpriu apenas 53″ minutos em campo, fazendo uma excelente exibição apesar da substituição no início da 2ª parte, que apenas se justifica pelo facto do português ter alinhado os dois jogos pela selecção num curto espaço de tempo e, aos 33 anos, já não ser um jogador, como o próprio admite para fazer 90 minutos de 3 em 3 dias. O português contribuiu mais uma vez para o equilíbrio defensivo da equipa madridista, recuperando muitas bolas a meio-campo. Revelou também como é hábito nas suas exibições muita segurança no passe, realizando, segundo a estatística fornecida pela Liga, 43 passes certos em 49 tentativas nos 53 minutos em que esteve em campo. Marcou o primeiro golo da partida ao cair do pano do primeiro tempo, desbloqueando um jogo que até então estava a ser bastante difícil para a equipa rojiblanca pela atitude defensiva demonstrada pelo Espanyol no primeiro tempo.

Já Sérgio Gonzalez (antigo médio do Espanyol, Deportivo e Selecção Espanhola, agora treinador do Espanyol) não pode contar com 3 jogadores influentes na equipa para esta partida: o médio Abraham, o médio ala Victor Sanchez e o defesa-central internacional mexicano Hector Moreno.

Com um começo algo atribulado, o campeão em título entrou em campo pressionado de antemão pelas vitórias conseguidas por Real Madrid e Barcelona no dia anterior. A equipa de Simeone não poderia de maneira alguma perder mais pontos para as outras duas superpotências do campeonato espanhol.
Foi isso que a equipa orientada pelo técnico argentino fez: atacar de início para marcar cedo e gerir a vitória. Contudo, não seria fácil marcar cedo na partida, apesar da primeira oportunidade de golo ter surgido logo aos 2 minutos através de um canto na direita no qual Gabi bateu com algum veneno para a pequena-área onde apareceu Arda a atirar para uma defesa enorme de Kiko Casilla por instinto. A bola ainda sobrou para Mario Mandzukic. Perante a pressão de um opositor tentou emendar mas não conseguiu. Aproveitando algum desposicionamento dos laterais do Espanyol nas alas (Javi Lopez e Victor Alvarez) a equipa de Simeone, em ataque organizado durante a primeira parte dado o bloco baixo aplicado pelo Espanyol, tentou usar os corredores laterais (Ansaldi muito subido no terreno na esquerda; Juanfran bem apoiado na direita por Koke, Gabi ou Raúl Garcia; muita troca posicional entre os homens do meio-campo de Simeone) para colocar bolas na área em cruzamentos muito bem medidos que tanto Diego Colotto como Alvaro Gonzalez conseguiam afastar com eficácia, ou, Mario Mandzukic acabava por desperdiçar cometendo muitas faltas sobre os defensores da equipa de Barcelona.

Desde logo se percebeu que o Espanyol vinha ao Calderón jogar para o empate. Na 1ª parte, a equipa de Sérgio Gonzalez conseguiu articular uma defesa profunda no seu meio-campo, pressionante e mostrou apetência para lutar pela bola e sair em transições em velocidade. Na única transição em contra-ataque que conseguiram meter na partida com relativa facilidade concedida pelo meio-campo colchonero, Sérgio Garcia ganhou a bola na esquerda, passou por dois adversários e serviu ao 2º poste com um cruzamento tenso Lucas Vázquez. O jovem espanhol emprestado pelo Real Madrid atirou para defesa de Moya. A partir daí, o Espanyol não viria a criar perigo de maior para a baliza do guardião do Atlético. Lucas Vazquez foi uma das unidades mais agradáveis na péssima exibição da equipa de Barcelona. O jovem de 23 anos é um jogador muito rápido, muito explosivo e bom no 1×1. Peca apenas por não soltar a bola a tempo quando se coloca em dribles pelo meio-campo, perdendo algumas bolas que depois resultam em contra-ataques perigosos da equipa adversária.

Depois desse lance, até aos 43″ só daria Atlético de Madrid. As ocasiões sucederam-se:
– aos 15″ Koke ensaiou o remate de meia-distância. A bola saiu tensa dos seus pés, obrigando Kiko Casilla a defender para canto.
– aos 16″ Gabi tentou assistir da direita Raúl Garcia na área. O internacional espanhol tentou um pontapé de moínho que saiu ao lado da baliza de Casilla. Este controlou o lance mas quase foi traído pelo golpe de vista.Em ataque organizado, a equipa do Atlético sentia algumas dificuldades para furar a linha média bem articulada que o meio-campo do Espanyol dispunha no seu meio-campo. Sem conseguir jogar entre linhas, Raúl Garcia era obrigado a vir atrás buscar jogo ao meio-campo e Simeone sentiu necessidade de colocar Koke no miolo, fazendo cair Gabi para a direita do terreno (Sérgio Garcia apercebeu-se da inferioridade numérica e mandou colocar 3 jogadores a fechar aquele flanco; Javi Fuentes ajudou o lateral e o ala a fechar o flanco) e Arda para a esquerda, ,local onde também caiu muitas vezes Mandzukic. O Atlético voltava a carregar:
– aos 33″, quando a equipa de madrid já aparentava algum nervosismo por estar a carregar com vários cruzamentos para Mandzukic que Colotto conseguia cortar de forma eficaz, Koke trocou as voltas a Victor Alvarez com uma simulação na qual deu entender ao lateral que iria cruzar, mantendo o esférico por mais alguns segundos na sua posse, cruzou finalmente e Kiko Casilla com uma saída longa quase até ao limite da grande área quase comprometeu perante a pressão e cabeceamento de Mandzukic. Contudo, o árbitro Vicandi Garrido já tinha assinalado falta do avançado croata sobre o guarda-redes recentemente convocado para a selecção Espanhola. Casilla é desejado tanto por Real Madrid como por Atlético. Simeone andará por estes dias algo descontente com o facto de ter gasto imensos milhões nas contratações de Oblak e Miguel Angel Moya e nenhum dos dois estar a ter um rendimento satisfatório. Fala-se na imprensa inglesa que Simeone pediu à direcção de Enrique Cerezo Petr Cech na reabertura do mercado em Janeiro. Kiko Casilla tem demonstrado ser o guarda-redes mais in da Liga durante esta temporada. Muito seguro entre os postes, com grandes reflexos, algo extemporâneo a sair fora deles, mas, muito destemido e eficaz quando é chamado a socar com os punhos bolas divididas ou bolas que levam sucessivos cabeceamentos na área sem que a sua defesa alivie prontamente o esférico.
– Aos 40″ Raúl Garcia tentou rematar da meia-lua com a bola a sair ligeiramente ao lado da baliza da equipa de Barcelona.

Água mole em pedra dura, tanto bate…

Foi o que aconteceu ao minuto 43″ com o golo de Tiago. Um primeiro canto de Gabi tinha deixado a ameaça. Cabeceamento de José Giménez para nova defesa por instinto de Casilla. Novo canto. Canto curto batido por Gabi para Raúl Garcia que vem às imediações da área recolher a bola e tentar um cruzamento rasteiro tenso que Casilla defende para a frente, depois de uma dividida, Garcia fica com a posse do esférico, dá para trás e Gabi coloca a bola com precisão na cabeça de Tiago que disfere um poderoso cabeceamento arqueado que Casilla não tem qualquer hipótese de defender. Estava feito o 1-0 mesmo ao cair do pano. Merecedíssimo para a primeira parte realizada pela equipa da casa.

Estatísticas de intervalo:
-Tiago e Arda – passe – 32\40 para o português, 32\42 para o turco. Razoável eficácia. A bola passou sempre pelo português.

Na 2ª parte, o Espanyol tentou subir as suas linhas e colocar mais velocidade nas transições. Apesar dos jogadores do ataque do Espanyol terem conseguido executar algumas circulações de bola à entrada da área com passes efectivos e constantes combinações, os defensores do Atlético de Madrid nunca deixaram que a equipa catalã causasse perigo para a baliza de Moya.
Tiago cometeu 3 faltas nos primeiros 5 minutos. Simeone tratou de refrescar aquela posição com a entrada de Mário Suarez aos 53″. O espanhol não comprometeu defensivamente, mantendo o mesmo equilíbrio que Tiago tinha conseguido dar ao jogo defensivo da equipa. Por várias vezes, Mário colocou-se junto dos centrais e aliviou com efectividade algumas bolas que os jogadores do Espanyol tentavam colocar na área à espera de um toque de Felipe Caicedo.

Aos 55″, o veterano Sérgio Garcia, grande referência desta equipa do Espanyol pediu para sair. Sérgio Gonzalez colocou Alex Fernandez na sua posição, nas costas de Caicedo. O veteraníssimo dos espanhóis da catalunha ainda ameaçou na primeira parte com duas arrancadas em drible. Não passou da ameaça e da tentativa de servir Lucas Vazquez. Não foi o jogador expansivo que costuma ser e limitou-se a cumprir as orientações dadas por Sérgio Gonzalez (defesa baixa e contra-ataque).

O Atlético voltou a pegar no jogo. Aproveitando mais um desposicionamento do lateral-esquerdo (Alvaro Gonzalez), Arda, agora colado à direita tentou construir algumas jogadas de perigo pelo flanco. Valeram-lhe 3 cantos consecutivos. Aos 57″ e 61″ os jogadores do Atlético haveriam de reclamar duas grandes penalidades:
– na primeira, surgida de um canto ganho de forma inteligente pelo turco, Caicedo abalrroou Diego Godin impedindo o uruguaio de cabecear. Penalty claríssimo que o árbitro da partida não viu.- na segunda, Raúl Garcia rematou na meia-lua para um corte com o braço de um jogador do Espanyol. Pareceu-me que este tentou proteger a cara com as mãos. Lance duvidoso. Não consegui precisar se houve ou não intenção de cortar o lance com a mão ou se esta foi colocada apenas para proteger o rosto ao remate de Garcia. O remate foi feito muito muito perto.

Sergio Gonzalez tentou mexer novamente na equipa com a saída de Felipe Caicedo para a entrada de Christian Stuani. O uruguaio pouco mais haveria de acrescentar ao jogo. Teve oportunidade de reduzir aos 84″ quando, solto de marcação no coração da área, cabeceou por cima da baliza de Moya.

O Atlético voltou a carregar. Se aos 63″ Mandzukic voltou a dar uma oportunidade para Casilla brilhar com um remate forte já dentro da área depois de ter passado por Colotto com uma recepção orientada para a frente com o peito, e três minutos mais tarde, Casilla teve que sair a punhos por duas vezes na mesma jogada (primeiro, na zona de penalty, à tentativa efectuada por Antoine Griezmann “entretanto entrado para o lugar de Arda”, e depois a soco numa bola pelo ar resultante do ressalto que a defensiva do espanyol não aliviou), aos 70″, um lance onde a equipa do Espanyol foi ultrapassada por 2 vezes no ar daria o golo que terminaria com o jogo. Canto batido na direita, bola para o 2º poste, um primeiro cabeceamento, um segundo de Gimenez e Mario Suarez a empurrar novamente no poste contrário. Suarez pediu desculpa ao uruguaio por lhe ter “tirado” um golo já feito pelo seu cabeceamento.

Até ao final, a equipa do Espanyol tentou reagir mas não conseguiu desfeitiar a baliza de Moya. Mais perto esteve Antoine Griezmann de chegar ao 3º golo dos colchoneros em 3 lances lances que não deram em nada porque no primeiro foi desarmado na hora h por um adversário depois de uma excelente desmarcação para as costas da defesa, no segundo, Kiko Casilla não lhe permitiu e no terceiro atirou ao poste depois de passar pelo guardião espanhol.

Vitória justa do Atlético de Madrid que assim conseguiu não perder mais terreno para Barcelona e Real Madrid.

Tempos e resultados – Ligas Europeias

Liga portuguesa 3

Na Liga Portuguesa, os 3 grandes somaram os 3 pontos. O Sporting venceu em Penafiel por 4-0 com uma exibição categorica na 2ª parte e esteve quase a recuperar 2 pontos a Benfica e FC Porto.
Na Luz contra o Arouca, a equipa benfiquista viu Jonas marcar o seu primeiro golo na suada vitória frente ao Arouca, conseguida também no 2º tempo. No Dragão, o Porto também teve que puxar dos galões para derrotar um Braga que merecia muito mais que a derrota pelas claríssimas oportunidades de golo que construiu durante os 90 minutos.

A abrir a jornada, o Guimarães solidificou o excelente arranque de liga que está a realizar (os vimaranenses ainda só perderam 7 pontos em 7 jornadas) com uma vitória esclarecedora sobre o Boavista de Petit. A turma boavisteira vinha de 3 jogos sem perder.

Sem ganhar na Liga continuam Penafiel e Gil Vicente. Os homens de Barcelos empataram frente ao Estoril. A turma de José Couceiro também não está a conseguir transpor para o plano doméstico os bons resultados que tem conseguido na Europa onde, venceu categoricamente na quinta-feira o Panathinaikos na Amoreira.

Na próxima jornada, daqui a 3 semanas (primeiro teremos pausa para selecções e na semana seguinte irá disputar-se a 3ª eliminatória da Taça) o Sporting irá receber em Alvalade o Marítimo, o Benfica terá uma deslocação difícil ao estádio Axa para defrontar o Braga enquanto o FC Porto tem uma deslocação também muito difícil ao pesado terreno do Arouca.

Facto digno de registo é também o número de golos que se tem marcado em média nos jogos da Liga nas primeiras 7 jornadas: 2,46 golos por jogo. Numero fantástico para uma liga que era acusada há alguns anos atrás de ser uma das ligas europeias mais deficitárias neste capítulo.

liga espanhola 3

A nota de destaque óbvia da 7ª jornada da Liga Espanhola vai para a vitória do Valência sobre o Atlético de Madrid no jogo realizado no sábado no Mestalla. André Gomes marcou um dos golos (que grande golo, diga-se) na vitória dos chés contra os colchoneros.

Destaque também para a vitória do Barcelona no terreno do Rayo em Santa Maria de Vallecas (arredores de Madrid), vitória que permitiu aos catalães manter a liderança da prova e ampliar a diferença pontual para o campeão em título de 2 para 5 pontos.

No encerramento da jornada, Cristiano Ronaldo brindou o Bernabéu com mais uma exibição de gala coroada numa goleada por 5-0 frente ao calamitoso Athletic de Bilbao de Iker Muniain e Ernesto Valverde. Quem viu a partida na qual CR7 apontou mais um hat-trick (tem mais de 2 golos de média por jogo na Liga; 6\13) ficou com a ideia que Ronaldo poderia ter logrado marcar muitos mais, tal foi a apetência ofensiva demonstrada pelo português durante os 90 minutos.
A equipa de Valverde continua a varrer o anûs da Liga Espanhola, podendo estar para breve a demissão do técnico espanhol do comando dos bascos nesta que seria esperada a época de afirmação do clube basco na Liga Espanhola e nas competições europeias.

Destaque ainda para o fantástico empate a 3 bolas entre Eibar e Levante num jogo em que os bascos tiveram a vitória nas mãos por duas vezes e para a goleada imposta pelo Sevilla ao Deportivo no Sanchez Pizjuan por 4-1 no domingo de manhã, vitória que permite à equipa de Emery continuar a morder os calcanhares de Valência e Barcelona. A Liga espanhola está de facto muito equilibradíssima no topo da tabela, com 5 equipas separadas por apenas 5 pontos.

Na próxima jornada, dentro de 2 semanas, o Real Madrid vai ao Cidade de Valência defrontar o “aflito” Levante, o Athletic de Bilbao tentará reverter a série de maus resultados contra o Celta (a equipa de Vigo é para já uma das equipas sensação do campeonato em conjunto com o Sevilla) no San Mamés, o Barcelona recebe o Eibar em Camp Nou, o Valência vai a casa do facilmente transponível Deportivo (19 golos averbados em 7 jogos; dá quase uma média de 3 por jogo) enquanto o Sevilla vai ao terreno do Elche.

liga inglesa 2

Na Premier League, o principal destaque vai para a vitória do Chelsea por 2-0 sobre o Arsenal, afundando os Gunners na tabela classificativa (estão fora dos lugares europeus).

Em Old Trafford, assistiu-se ao primeiro jogo que Radamel Falcao decidiu a favor do United frente ao sempre difícil Everton de Roberto Martinez.

O City venceu em Birmingham o Aston Villa por 2-0 com dois golos tardios de Kun Aguero e Yaya Touré enquanto o Liverpool voltou às vitórias em Anfield Road frente ao West Bromwich Albion por 2-1.

Quem ocupou uma vaga nos lugares europeus nesta 7ª jornada foi o Tottenham de Mauricio Pocchettino, precisamente, após ter vencido a anterior equipa do técnico argentino, o Southampton de José Fonte. A realizar um excelente campeonato (3ºs com 13 pontos), os Saints viram a sua cavalgada na tabela interrompida pelo Tottenham graças a um golo do “cérebro da nova máquina” de Pochettino, o dinamarquês Christian Eriksen, adversário de Portugal na caminhada para o Euro 2016. Esperemos que Eriksen faça uma péssima exibição frente à turma das quinas no jogo da próxima semana.

Na próxima jornada, como a Premier League tem equipas expcecionais para nos dar um jogo grande por jornada, teremos como cabeça-de-cartaz o jogo que vai opor o Manchester City ao Tottenham no City of Manchester. As duas equipas estão separadas por 3 pontos na tabela classificativa. Os Citizens são segundos a 5 pontos do líder Chelsea. Os Spurs, sextos na tabela, poderão galgar mais lugares caso vençam na grande cidade industrial inglesa.
O Arsenal recebe o Hull City no Emirates. O croata Nikica Jelavic é um homem a ter em conta pela frágil defesa dos Gunners. O croata leva 4 golos em 7 jogos. O Chelsea joga um derby de Londres frente ao Crystal Palace enquanto Liverpool e United vão respectivamente aos terrenos de QPR (lanterna vermelha) e West Bromwich Albion.

liga italiana 2

Na Liga Italiana, a Juventus tornou-se a única equipa invicta no campeonato à 6ª jornada devido ao facto de ter derrotado a outra que mantinha o mesmo estatuto, a AS Roma de Rudy Garcia. Os Romanos não contarão com o técnico francês no banco na recepção ao Chievo na próxima jornada.

A Fiorentina bateu categoricamente o Inter por 3-0 no Artemio Franchi enquanto o Milan aproximou-se dos primeiros lugares com a vitória sobre o Chievo por 2-0 no San Siro. A Sampdoria continua a dar cartas nesta Serie A com uma vitória pela margem mínima (golo do internacional italiano Manolo Gabbiadini) sobre a Atalanta de Bérgamo.

Na próxima jornada, os jogos grande serão disputados entre Fiorentina e Lazio em Firenze e Inter e Napoli. Ambas as equipas precisam de vencer para ascenderem novamente aos lugares europeus. A Juventus irá a Sassuolo cilindrar a equipa de Eusébio Di Francesco. O lugar do antigo internacional italiano no clube da Emília-Romagna está novamente em risco. Não será de admirar que em caso de derrota contra a equipa de Turim, o presidente do clube Carlo Rossi perca a paciência com o técnico e, dentro de mês e meio, caso o novo treinador não apresente resultados, volte novamente a contratar o técnico despedido. É recorrente em Itália existirem essas situações de técnicos que são despedidos e readmitidos várias vezes após o despedimento daqueles que os sucederam.

O Milan vai ao terreno do Hellas Verona de Luca Toni e Javier Saviola, equipa que mesmo apesar de ter perdido o seu maior artista (na temporada passada) Juan Manuel Iturbe para a AS Roma (adquirido ao FC Porto e vendido à equipa Romana) tem ameaçado lutar pelos lugares europeus. O Hellas é uma equipa muito experiente, composta por jogadores como Luca Toni, Javier Saviola, Rafa Marquez, Lazaros Christodoupoulos, Panagiotis Tachsidis, Nenê (ex-Nacional da Madeira) ou Bosko Jankovic.

Marselha

On-fire na Ligue 1 continua o Marselha de Marcelo Bielsa. A equipa de Marselha perdeu recentemente Mathieu Valbuena para o Dinamo de Moscovo, mas, pelos vistos tal transferência não abalou uma equipa que gosta de atacar com lascividade e pressionar alto durante grande parte do jogo, como de resto gosta El Loco, alcunha ganha por Bielsa na argentina devido ao facto das suas equipas falharem nos momentos-chave por causa do pressing a todo o campo que o argentino pretende por em marcha em todas as equipas que orienta durante 70 minutos.

Na 9ª jornada, a equipa de Bielsa foi a Caen vencer a equipa local por 2-1 com mais um golo (tardio mas salvador) de André-Pierre Gignac aos 93 minutos a dar os 3 pontos à equipa que tem como lema “droit au but” – “directos ao objectivo” – de serem campeões novamente, claro.

Gignac deu 3 pontos fulcrais à equipa marselhesa numa jornada em que:

– Os Girondinos de Bordéus perderam no terreno do Reims por 1-0. O cabo-verdiano Odair Fortes marcou o único golo de uma partida onde os girondinos de Tiago Ilori não conseguiram meter velocidade nos seus processos ofensivos para ultrapassar a muralha defensiva do Reims. Esta equipa do Reims, apesar de ocupar um modesto 16º lugar na tabela classificativa da Ligue 1 é uma equipa que gosta de jogar essencialmente num bloco defensivo baixo e sair rapidamente no contra-ataque por intermédio dos flancos, ora pelo cabo-verdiano Odair Fortes (em minha opinião, o jogador mais dotado tecnicamente da equipa) ora pelo flanco contrário onde se posiciona o internacional cabo-verdiano Benjamin Moukandjo.

– No grande jogo da jornada, o PSG perdeu mais 2 pontos (já são 12 os perdidos no total deste campeonato à 9ª jornada pela turma de Laurent Blanc no campeonato) ao empatar com o Mónaco de Leonardo Jardim no jogo grande da jornada disputado no Parc des Princips:

As falhas da defensiva parisiense deverão estar neste momento a incomodar o sossego do seu treinador.

Na próxima jornada, o PSG irá ao terreno do Lens, o antepenúltimo classificado da Ligue 1 enquanto o Mónaco recebe o Evian, o Marselha o sempre difícil Toulouse e o Bordeus o Caen. À espreita por um lugar nas competições europeias estão o Lyon e o Montpellier (de jogadores como Geoffrey Jourdain, Hilton, Siaka Tiéne, Lucas Barrios, Victor Montaño), duas equipas que irão jogar entre si na 10ª jornada.

liga alemã

Na Liga alemã destaque para mais uma goleada do Bayern de Munique por 4-0 frente Hannover, vitória que reforça o estatuto de líder dos bávaros numa jornada em que o Dortmund de Klopp voltou a perder no Westfallen Arena, desta feita frente ao modesto Hamburgo. O Hamburgo venceu pela primeira vez na Liga ao fim de 7 jornadas e está, imagine-se apenas a 3 pontos do Borussia de Dortmund. Outro dos contenders, o Bayer de Leverkusen empatou em casa contra o Paderborn a 2 bolas.

Na próxima jornada, o Bayern de Munique recebe a traiçoeira equipa do Werder Bremen. Os homens de Robin Dutt estão no último lugar com 4 pontos fruto de 4 empates e 3 derrotas. São uma equipa que gosta essencialmente de jogar em contra-ataque. O Bayer de Leverkusen vai ao terreno do Estugarda (a equipa orientada por Armin Veh ainda só ganhou por 1 vez este ano; tem jogadores como Gotoku Sakai, Karim Haggui, Moritz Leitner, Oriol Romeu, Christian Gentner, Adam Hlousek, Filip Kostic ou o avançado sérvio Vedad Ibisevic) enquanto o Borussia de Dortmund terá forçosamente de ganhar no terreno do Colónia.

Momentos #23

O Eibar sucede à Real Sociedad (agora sem Antoine Griezmann) como a equipa com os golos mais bonitos do arranque de temporada da Liga Espanhola. Tanto as finalizações como as jogadas são um início à estética. Estes 3 ao Levante juntam-se aos já aclamados obtidos por Javi Lara à equipa de San Sebastian ou Abraham frente ao Atlético de Madrid.

A equipa orientada por Gaizka Garitano, equipa onde actuam jogadores como Manu Del Moral, Derek Boateng, Federico Piovaccari, Javi Lara, Raúl Albentosa ou o guardião Xabi Irureta joga um futebol de grande qualidade ofensiva, onde se destaca o encadeamento na construção de jogadas de ataque resultante de um mecanismo de circulação de bola muito rápido e efectivo onde todos os jogadores parecem saber na perfeição as movimentações dos colegas, o sítio exacto onde lhes colocar os passes e as movimentações que devem tomar de seguida para criar desequilíbrios através de uma excelente movimentação posicional para os espaços vazios. Javi Lara ou Abraham são por exemplos jogadores dotados de grandes skills técnicos e de uma apreciável capacidade de fazer golos de meia distância.

O grande tendão da equipa basca é efectivamente a gestão do jogo através da posse quando em vantagem e as imensas fragilidades defensivas que o seu sector mais recuado demonstra, inclusive em jogos onde constroem vantagens confortáveis.

Crónica #12 – Villareal 0-2 Real Madrid

Poucos dias antes de mais um embate para a Champions frente ao Ludogorets da Bulgária, o Real Madrid foi ao El Madrigal, estádio do Villareal bater a equipa da casa com 2-0 (mais um golo de Ronaldo) descomplicando com alguma facilidade um jogo que historicamente costuma ser muito difícil para a equipa merengue e, no caso do jogo de hoje, um jogo em que a turma orientada por Marcelino Garcial Toral vendeu muito cara a derrota com um estilo de jogo bastante ofensivo que causou alguns sobressaltos à baliza de Iker Casillas.

Marcelino Garcia Toral promoveu alguma rotação no plantel fazendo entrar no onze formado em 4x4x2 clássico Sérgio Asenjo na baliza, um quarteto defensivo composto por Mario, Matteo Musachio, Victor Ruiz e Gabriel; Bruno e Trigueros no meio-campo, Cani na direita, Moi Gomez à esquerda e uma frente de ataque composta pelo argentino Lucas Vietto na companhia do nigeriano Uche. No banco ficaram por exemplo habituais titulares desta equipa como Tomas Pina ou Giovanni dos Santos.

Já Carlo Ancelotti, sem poder contar com Pepe, voltou a fazer alinhar o seu onze base depois de ter colocado Keylor Navas, Illaramendi e Isco no jogo contra o Elche.

Nos primeiros minutos da partida assistimos a uma entrada de rompante da equipa do Villareal. Com processos de jogo que denotam bastante trabalho, a equipa de Toral começou o jogo a circular a bola de forma rápida a meio-campo com interessantes aberturas para os flancos onde Cani e Mario de um lado e Mói Gomez do outro tentaram por variadíssimas vezes colocar a bola na área através de cruzamentos.
No entanto, a primeira situação de perigo seria a favor do Real Madrid pelo inevitável Cristiano Ronaldo aos 4″. Gananhando a frente a Mario no flanco esquerdo, o português tirou o lateral do caminho em flecção para o centro e tentou um remate em potência que haveria de ser desviado por um adversário para canto. Do canto surgiu uma bola na área que Sérgio Ramos parou com o braço antes de chutar para o fundo das redes de Sérgio Asenjo. Undiano Mallenco invalidou de imediato o golo mas não viu no lance um empurrão de Musacchio a Raphael Varane que impediu o central francês de atacar a bola.

A conseguir ganhar as segundas bolas a meio-campo e com um sentido de distribuição apuradíssimo, tanto Bruno como Cani como Trigueros começaram a inventar algumas situações de perigo para a baliza de Casillas. Aos 7″ Uche chegou a obrigar o guardião internacional espanhol a uma defesa apertadíssima num lance em que tentou tirar Varane do caminho. O guarda-redes do Real Madrid teve 2 minutos depois que sacudir de forma muito pouco ortodoxa um cruzamento de Mario na direita com os pés. Creio que o guarda-redes espanhol quis com este toque pouco ortodoxo naquela zona do terreno sair imediatamente a jogar para Marcelo. No entanto, pôs em risco a sua baliza caso o chuto fosse parar aos pés de algum jogador do Villareal. Aos 12″ Varane teve que cortar inextremis um remate de fora-da-área de um jogador do Villareal que mudou de trajectoria devido a um desvio de Kroos. Casillas estava batido no lance.

Aproveitando o facto de Kroos e Modric estarem no centro do terreno e de Cristiano Ronaldo não ajudar a fechar o flanco direito, a equipa dos arredores de Valência começou a canalizar o seu jogo para o flanco direito.

O avião do regresso…

Ao minuto 16 passou sobre o El Madrigal um avião com um banner onde se lia “Come Home Ronaldo – United Reel”, porventura encomendado por adeptos do Manchester United.

O jogo continuou com alguma intensidade. A equipa do Real respeitou a entrada mais agressiva da equipa do Real e demorou algum tempo a entrar no jogo e a criar jogo ofensivo. Perante a confiança que os construtores do Villareal estavam a demonstrar ao conseguirem evitar a pressão exercida sobre si no meio-campo pelo tridente de meio-campo do Real, Kroos e Modric foram obrigados a pegar mais na bola. Nesta fase da partida, faltava alguma rapidez ao jogo de passes da equipa de Ancelotti a meio-campo facto que facilitava não só a organização defensiva do Villareal como a intercepção de passes a meio-campo que quase sempre eram aproveitadas pelos jogadores do submarino amarillo para sair rapidamente em contra-ataque e tentar colocar bolas nas costas dos centrais madridistas para o poder de aceleração dos seus dois velozes homens da frente. Valeu Raphael Varane aos merengues: muito atento ao longo de toda a partida, não falhou um corte ou um desarme quando foi chamado a intervir na sua raia de acção. Foi traído uma ou duas vezes pelas movimentações de Vietto mas, na globalidade do seu rendimento, foi um dos melhores em campo no El Madrigal.

Quem não consegue marcar contra o Real, ao primeiro erro que cometa…

Foi precisamente na fase de maior ascendente do Villareal na partida que o Real selou o seu triunfo.
Aos 27″ uma fantástica acção de Vietto no meio dos dois centrais do Real dá ao argentino a possibilidade de atirar à baliza de Casillas. O argentino remata em arco por cima da baliza merengue. 2 minutos depois, um lance de insistência de Cani na esquerda faz a bola rodar até ao flanco direito onde aparece Mario a rematar cruzado para defesa de Casillas.

Até que Modric e Ronaldo puseram em campo a sua excelência. Aos 32″ Kroos endossa a bola ao croata à entrada da área, e ao mesmo tempo em que este recebe, Ronaldo atrai as marcações com um movimento na frente de um defensor e permite que o croata estoire em cheio na baliza de Asenjo que pouco podia fazer para parar o forte remate do croata. O movimento de Ronaldo, visível nas imagens, faz toda a diferença no lance.

O Villareal respondeu de imediato no minuto seguinte: uma fantástica decalage de passes do flanco esquerdo para o flanco direito muito bem contemporizada faz chegar a bola a Cani que cruza para cabeceamento de Vietto ao lado da baliza de Casillas. A equipa de Marcelino Toral acreditou que era possível chegar à igualdade até ao intervalo e num lance resultante de um canto que não é aproveitada pela equipa de amarelo, James recupera a bola e lança imediatamente Benzema em velocidade com um passe longo de excelência. O francês conquista o esférico a um defensor do Villareal, tira-o do caminho e serve Ronaldo no coração da área para o 2-o. Lance típico de contra-ataque do Real com o francês a demonstrar muita inteligência na forma em como parou a bola, viu a entrada dos companheiros da área, tirou o defensor do caminho e assistiu o português para o seu 10º golo na Liga.

A equipa do Villareal não baixou os braços e até ao intervalo criou 2 situações de perigo: a primeira num remate de meia-distância de Trigueros que Casillas defendeu com dificuldade para os pés de Vietto (em fora-de-jogo devidamente assinalado por um dos assistentes de Undiano Malenco; o argentino tentaria a emenda que seria defendida por Casillas) e num segundo em que o mesmo trigueros no coração da área responde a um cruzamento de Cani na esquerda com um potente remate que é desviado corajosamente pelo brasileiro Marcelo para canto. O corte do Brasileiro equivaleu literalmente a um golo da sua equipa. A bola de Trigueros levava selo de golo. A propósito, o médio ofensivo do Villareal foi uma das figuras desta primeira parte pela rapidez que incutiu nos processos de circulação da equipa com a sua simplicidade acções (receber e passar). Na segunda parte eclipsou-se e foi substituído.

Ao intervalo, apesar da maior agressividade e arrogância demonstrada pelo Villareal na abordagem ao jogo, era o Real quem capitalizava com dois pequenos erros da equipa da casa.

Na segunda parte, como seria de esperar, para não desgastar a equipa fisicamente, Ancelotti não teve problemas nenhuns em baixar as linhas da equipa e entregar as despesas de jogo ao Villareal, apostando em saídas rápidas no contra-ataque por intermédio de Ronaldo e Benzema.

Como tal, os únicos lances de perigo foram construídos pelo Villareal:
– aos 47″ uma triangulação pela esquerda permite a entrada do lateral Gabriel na área. O remate saiu torto. O lateral adaptado, central de origem não tem pé esquerdo.
– aos 51″ Cani centrou para a área e Lucas Vietto, rodeado de 4 adversários não teve espaço para colocar o seu remate. Contemporizou bem e entregou ao remate de Mario. Lucas Vietto esteve em destaque na segunda parte. Provou ser um jogador capaz de se movimentar facilmente na área e fora desta. Por várias vezes foi fora da área receber jogo da sua linha média e acelerar a circulação de bola para os flancos, arrastando consigo Varane ou Sérgio Ramos. É um jogador bastante interessante que tanto consegue aparecer na área a finalizar as jogadas como com as suas constantes saídas da área participa do processo ofensivo da equipa, dá-lhe mais rapidez e mais inteligência e arrasta defensores consigo para abrir espaços para o seu colega de ataque poder entrar.
O jogo diminuiu de ritmo. Marcelino Toral decidiu colocar em campo em poucos minutos os irmãos Giovanni e Jonathan da Silva e o extremo Espinoza. Jonathan da Silva veio dar mais velocidade à construção de jogo da equipa com processos de passe muito simples quase sempre ao primeiro toque. Já o seu irmão prendeu imenso o jogo com as suas tentativas de drible. Carvajal não lhe permitiu muitas veleidades no duelo individual. E a equipa da casa, apesar de estar bem instalada no meio-campo merengue não conseguiu até ao final da partida construir mais oportunidades de perigo. Ancelotti limitou-se a fazer a gestão de plantel com as entradas de Nacho para o lugar de lateral-esquerdo (Marcelo teve que ser assistido a um olho, provavelmente às lentes de contacto depois de ter levado com uma bola na cara numa disputa de bola) Asier Illaramendi e Isco.

Tempos e Resultados

É altura de visitar as tabelas classificativas dos principais campeonatos europeus e traçar algumas notas sobre o rumo dos campeonatos europeus, analisando com brevidade resultados e classificações no presente e antecipando a próxima jornada. (print screens do Zerozero.pt)

Liga Portuguesa:

liga portuguesa

Com o Benfica na liderança isolada da Liga, a 6ª jornada trás um jogo que poderá fazer cimentar a liderança da equipa encarnada. Sporting e Porto jogam em Alvalade um jogo cujo resultado final será sempre favorável à equipa de Jorge Jesus.

O Benfica visita o Estoril. A equipa comandada por José Couceiro iniciou este campeonato de forma muito intermitente com apenas 1 vitória. Nenhuma transição de ciclo é fácil, muito menos quando a transição que está a ser realizada por Couceiro tem como objectivo manter o nível que a equipa Estorilista construiu com Marco Silva e com um conjunto de jogadores (Jefferson, Carlos Eduardo, Steven Vitória Evandro, Licá) que já não estão na equipa da linha. O jogo contra o Estoril não será fácil para a equipa de Jorge Jesus visto que poderá moralizar os estorilistas para se galvanizarem de forma a conquistar um bom resultado e inverter os maus resultados obtidos nas primeiras jornadas.

Em destaque nas primeiras jornadas de campeonato, Rio Ave e Vitória de Guimarães tem jogos com um grau de dificuldade elevado em Braga e no Funchal. Sporting de Braga e Marítimo aparecem à entrada para a 6ª jornada à porta dos lugares europeus. Em caso de vitória destas duas equipas, a equipa Maritimista pode subir para o top-3 da Liga e a equipa Bracarense deverá entrar em lugares europeus.

O Belenenses quer dar seguimento em Paços de Ferreira um início de temporada muito risonho. Terá a equipa de Lito Vidigal, Nélson, Miguel Rosa, Fredy e Deyverson capacidade para lutar por um lugar europeu?

Luta de aflitos: O Boavista recebe no Bessa o Gil Vicente. Boa oportunidade para a turma de Petit cavar alguma diferença para a linha-de-água perante um Gil que recentemente mudou de treinador. José Mota é promessa de um futebol mais agressivo e acutilante para a turma presidida por António Fiúsa. Os boavisteiros estão moralizados pelos 4 pontos conquistados nos últimos 2 jogos, sobretudo pelo saboroso empate arrancado no Dragão.

Liga Espanhola:

liga espanhola 2

La Liga é liderada pelo Valência. A equipa ché iniciou o campeonato a todo o gás. Ainda ontem, com uma exibição colectiva e individual fantástica, caso de André Gomes, a equipa da comunidade Valenciana bateu o lanterna-vermelha Córdoba por 3-0. Ascendendo à liderança devido ao empate do Barcelona no dia anterior frente ao Málaga, a equipa Valenciana tentará no domingo dar sequência aos excelentes resultados numa deslocação muito difícil ao Anoeta, estádio onde mora uma Real Sociedad com aspirações europeias.

Na próxima jornada da Liga Espanhola, o Real Madrid tem uma deslocação de dificuldade média ao terreno do Villareal. A equipa de Giovanni dos Santos e Cani também tem como objectivo a conquista de um lugar europeu.
O Barcelona recebe o Granada em Nou Camp. Prevê-se uma vitória fácil para os catalães.
Já o Atlético de Madrid de Simeone recebe o sempre difícil Sevilla amanha no Vicente Calderón. A equipa Sevillana chega ao reduto do campeão com mais 2 pontos na tabela e com um futebol muito pragmatico no qual para já não se acusa a saída de dois dos seus principais jogadores na temporada 13\14: o croata Rakitic e o lateral-esquerdo Espanhol Alberto Moreno (actualmente no Liverpool). Denis Suarez e Carlos Bacca tem estado em destaque nas primeiras jornadas da Liga Espanhola.

Em destaque por motivos negativos está o Athletic de Bilbao de Ernesto Valverde. A equipa basca está a sofrer da mesma maleita da Real Sociedad na época passada. Arrancando mais cedo que as restantes equipas da Liga em virtude da participação no playoff da Champions, a equipa de Bilbao protagonizou um dos piores arranques da história do clube nas primeiras 5 jornadas, podendo efectivamente estar a pagar pela participação da Champions. Aconteceu o mesmo com a Real Sociedad no ano passado. Os homens de San Sebastian conseguiram dar a volta ao texto com o desenrolar dos acontecimentos. Vamos ver se a equipa de Valverde não se afunda. Na 6ª jornada, antes da deslocação ao terreno dos bielorussos do Bate Borisov para a Champions, a equipa basca pode remontar na tabela se vencer o Eibar.

ronaldo 3

Na lista dos melhores marcadores, Ronaldo distanciou-se do goleador do Valência Paco Alcácer e do companheiro de equipa Gareth Bale.

Liga Italiana

liga italiana

Juventus e Roma continuam invencíveis na liderança da Série A. A Roma, catapultada por grandes exibições de Gervinho ainda não perdeu. Marcando os mesmos golos que a Juve em 4 jornadas, a equipa Romana só concedeu um golo. A equipa de Allegri ainda não concedeu nenhum.

São seguidas por Udinese, Inter e Sampdória. A turma de Mazzarri tem vindo a demonstrar muita coesão defensiva (Medel e Vidic endireitaram uma defesa muito permissiva; apenas 1 golo sofrido em 4 jogos).

A Fiorentina é apenas 9ª. A equipa está a praticar um futebol interessante neste arranque de época. Contudo, a equipa tem acusado um défice enorme no capítulo da finalização. Com Giuseppe Rossi novamente lesionado, Mário Gomez, Juan Cuadrado, Joaquin, Khouma Boubacar ou Bernardeschi não tem conseguido capitalizar o caudal de jogo que é construído pelas unidades ofensivas da equipa. Contra o Sassuolo, a equipa de Firenze dispôs de 10 oportunidades de golo. Borja Valero, por exemplo, mandou duas bolas aos postes contra a equipa de Eusébio DeFranceschi.

Na 5ª jornada da Série A, a Roma inaugura a jornada contra o Hellas Verona de Luca Toni enquanto a Juventus vai a Bergamo jogar contra a mediana Atalanta.
No domingo, o Inter recebe o Cagliari de Zdenek Zeman, actual lanterna vermelha da liga. A equipa de Mazzarri deverá vencer com alguma facilidade a partida com a equipa orientada pelo histórico treinador checo.
O Milan desloca-se a Cesena enquanto Torino e Fiorentina, as duas representantes do país na Liga Europa, jogam em Turim. Ambas as equipas procuram retomar aos bons resultados. A equipa de Turim ainda não conseguiu ultrapassar as saídas dos seus jogadores mais influentes: Alessio Cerci e Ciro Immobile.

Liga Inglesa:

liga inglesa

Com o Chelsea na liderança após 5 jornadas, no topo da tabela aparecem algumas surpresas: desde logo o Southampton de José Fonte. Quando se esperava algum decréscimo de rendimento da equipa derivado das vendas de jogadores-chave da temporada passada (Dejan Lovren, Adam Lallana, Ricky Lambert, Luke Shaw) a equipa agora orientada pelo nosso conhecido Ronald Koeman, reforçou-se com jogadores como Graziano Pellè (ex-Feyenoord) o médio defensivo Morgan Schneiderlin, o lateral Ryan Bertrand (ex-Chelsea) ou Sadió Mane e está a conseguir manter o nível obtido em 13\14. A segunda surpresa deste início de temporada é o Aston Villa. Arredados desde há muitos anos da luta por lugares europeus, a equipa de Birmingham tem sido catapultada para os primeiros lugares graças às excelentes exibições do mais recente eleito de Roy Hodgson para a selecção dos três leões Fabian Delph.

Manchester City e Manchester United tem cometido alguns deslizes neste inicio da temporada. A equipa de Manchester perdeu contra o Leicester City de Esteban Cambiasso e Charlie Adam em casa enquanto a equipa de Van Gaal teve um péssimo arranque de temporada, muito por culpa das borlas que a sua refeita defesa deu nas primeiras jornadas. Não é que o holandês dê muita importância ao comportamento defensivo da equipa pois é um daqueles que não se importa de sofrer 4 golos desde que marque 5. No entanto, numa liga tão equilibrada com equipas tão poderosas do ponto de vista ofensivo, a equipa de Manchester não irá a lado algum quando continuar a sofrer 5 golos de equipas com o nível do Leicester City, apesar, de, como referi, esta equipa do Leicester ter vendido no City of Manchester num jogo onde defendeu de forma exímia perante um sufocante Manchester City.

Na 6ª jornada da Premier League, o jogo grande é o excitante derby Londrino entre Arsenal e Tottenham. A equipa de Wenger pretende colar-se ao Chelsea (recebe o Aston Villa em Stamford Bridge). A equipa de White Hart Lane tem feito um arranque mediano. Vencer o Arsenal não só servirá para a equipa aproximar-se dos lugares europeus como, obviamente, servirá como uma dose de confiança para os próximos compromissos da equipa sediada no Norte de Londres.
O United de DiMaria e Falcao irá receber o West Ham (8º com 7 pontos), o Liverpool de Brendan Rodgers jogará mais um excitante derby daquela cidade contra o Everton enquanto o City vai ao terreno do Hull City.

Liga Francesa

liga francesa

A Ligue 1 está a ser dominada por ora pelo Marseille de Marcelo Bielsa. Apesar desta equipa ter vendido recentemente o seu playmaker Mathieu Valbuena ao Dinamo de Moscovo, Marcelo Bielsa tem feito valor o seu clássico modelo de jogo. A equipa marselhesa tem entrado muito dominadora nas partidas com vontade de marcar cedo, pressionar alto, consolidar o resultado e controlar com posse de bola. André-Pierre Gignac está a viver a sua melhor época na equipa de Marselha com 8 golos em 7 jogos. O internacional francês é o melhor marcador da liga, piscando o olho a uma possível convocatória para a selecção gaulesa.

Em destaque também tem estado o Bordéus, actual 2º classificado. Em recuperação na tabela tem estado o Monaco de Leonardo Jardim. João Moutinho está a recuperar a sua melhor forma, tendo sido decisivo nas últimas vitórias dos monegascos em conjunto com o seu parceiro de miolo Toulalan.

Na 8ª jornada da prova o Mónaco recebe o Nice. O PSG desloca-se ao sempre difícil terreno do Toulouse. O Marselha recebe em casa o 3º classificado, o Saint-Ettiène. Não se prevê uma tarefa fácil para a equipa de Bielsa.

Bundesliga:

bUNDESLIGA

No seguimento da vitória caseira frente ao Paderborn 07, o Bayern de Munique ascendeu à liderança da prova com mais 1 ponto que o Bayer Leverkusen (assumem-se como candidatos ao título) e que o Hannover. A turma bávara já tem 4 pontos de avanço sobre o intermitente Borussia de Klopp. O Borussia ainda está a contas com várias lesões no seu plantel, casos de Nuri Sahin, Gundogan ou Mats Hummels.
O adversário do Sporting na Champions (Schalke 04) está a realizar um péssimo arranque de temporada.

Na 6ª jornada da prova, o Schalke recebe o Dortmund em Gelsenkirchen num jogo onde nenhuma das equipas deverá pretender perder mais pontos. O Bayern de Munique vai ao terreno do Colónia enquanto o Leverkusen vai ao Europa Park jogar contra o Freiburg.

Repare-se no fundo da tabela da prova: Werder Bremen de Robin Dutt, Estugarda e Hamburgo, três históricos do futebol alemão ocupam os lugares abaixo da linha de água. Se a equipa de Dutt tem argumentos para rapidamente sair daquelas posições, as equipas de Estugarda e Hamburgo tem que reverter rapidamente o rumo dos acontecimentos para não sofrerem dissabores nos próximos meses.

Liga periférica em destaque: Eredivisie

liga holandesa 2

Valeu a pena esperar. O PSV construiu nos últimos anos um colectivo forte para quebrar a supremacia do Ajax na prova. Alavancado pelas excelentes exibições de Memphis Depay a equipa de Stijn Schaars e Santiago Arias lidera a liga holandesa com mais 3 pontos que o tricampeão em título. O Feyenoord está a varrer os lugares de despromoção com 5 pontos conquistados em 6 jogos.

Crónica #11 – Málaga 0-0 Barcelona

malaga

Uma noite desinpiradíssima da equipa de Luis Enrique no La Rosaleda permitiu o empate aos malaguenhos (ainda não perderam em casa este ano) e a recuperação de dois pontos ao Real Madrid. A equipa do Barça perdeu à 5ª jornada os primeiros 2 pontos nesta liga.

Para a recepção à equipa catalã, o treinador da casa Juanma Garcia optou por colocar a equipa em campo num esquema táctico 4x5x1, por vezes 4x6x0 quando o avançado Amrabat caía para uma das alas. Garcia fez alinhar o camaronês Kameni na baliza, uma defesa composta pelo venezuelano Roberto Rosalez na direita, a habitual dupla de centrais composta por Sérgio Sanchez e Wellington Oliveira e Miguel Torres na esquerda; para não ficar em inferioridade numérica contra o meio-campo da equipa de Luis Enrique, povoou o meio-campo com o médio defensivo Ignacio Camacho juntamente com Duda, Sergi Daerden, colocando o venezuelano Juanpi e o jovem canterero Samu Castillejo nas alas; na frente Nordin Amrabat foi a principal referência ofensiva apesar de não ser um avançado de área.

Já Luis Enrique tem promovido alguma rotação no plantel do Barcelona. O próprio já afirmou, apesar das críticas a que tem sido sujeito por parte da imprensa da especialidade, que pretende efectuar alguma rotação no plantel ao longo da época. À conta dessa rotação, algumas estrelas da equipa já ficaram de fora de algumas partidas deste início de temporada.
Sem poder contar com Luis Suarez, Jeremy Mathieu, Dani Alves ou Javier Mascherano, Luis Enrique fez alinhar Claudio Bravo na baliza (Ter-Andre Stegen parece estar a perder a batalha para o Chileno que os culés foram buscar a San Sebastian), estreou o lateral Douglas na direita, formou o eixo da defesa com Marc Bartra e Gerard Piqué e colocou na esquerda o habitual dono da posição Jordi Alba; no meio-campo, Busquets como o homem mais recuado, jogando atrás de Rakitic (a jogar como interior direito) e Andrés Iniesta como interior esquerdo; na frente, Neymar começou mais colado ao flanco esquerdo (haveria de se encostar mais a Messi com o decorrer do jogo), Messi como falso avançado e Pedro na precisa posição de Neymar no flanco contrário.

A equipa catalã iniciou o jogo com a sua habitual pressão alta a toda a largura do terreno de forma a não deixar a equipa do sul jogar. Com Bartra a vigiar de perto o principal perigo da equipa adversária (Amrabat) de nada valeu esta marcação individual. Fugindo à marcação do central espanhol, o avançado marroquino cirandou por todo o lado durante os 90″, obrigando o central da formação do Barça a acompanhá-lo para todo o lado. Foi visto muitas vezes na esquerda e na direita a participar nos processos de circulação da equipa bem como a aproveitar tudo aquilo que os companheiros lhe poderiam dar para meter a sua espantosa aceleração: lançamentos laterais para as linhas, bolas para as costas da defesa. Amrabat foi de facto um enorme quebra cabeças para a defensiva catalã ao longo dos 90 minutos. No entanto, a sua equipa não conseguiu lucrar com o jogo que tentava construir através dos flancos pois a equipa não tem ninguém que consiga jogar na área para aproveitar o jogo que é construído pelo jogador nas alas bem como o arrastamento que promove com as suas movimentações. Esta é uma das lacunas da equipa de Málaga. Para acompanhar um jogador com as características de Amrabat, a equipa deveria ter um ponta-de-lança goleador na área. Roque Santa Cruz (iniciou o jogo no banco) é à primeira vista esse tipo de jogador mas está a passar pelo seu natural período de decadência.

Defensivamente, esta equipa do Málaga provou logo nos primeiros minutos uma excelente organização defensiva, povoando muita gente no meio-campo para não deixar que os construtores de jogo do Barça (Rakitic e Iniesta) pudessem fazer o habitual jogo entre linhas (as típicas tabelinhas que estes jogadores fazem entre si, tabelinhas seguidas de passe para as costas da defesa, tabelinhas com corte nas costas, os dribles desequilibradores de Messi à entrada da área) que Rakitic, Iniesta, Messi e Neymar sabem fazer tão bem. Impedidos de jogar para o jogador argentino, a equipa de Barcelona foi praticamente obrigada durante toda a partida a jogar para as alas, onde Jordi Alba sempre muito bem subido no terreno foi municiado com imensas bolas para colocar o seu mortífero cruzamento. Se na ala esquerda Roberto Rosalez deu muito espaço ao internacional espanhol por causa da constante flecção de Neymar para zonas mais centrais do terreno, levando Juanma Garcia a colocar Amrabat naquele flanco para estancar as subidas do lateral espanhol, do lado direito, Miguel Torres anulou muito bem Douglas Pereira dos Santos.

O primeiro lance de perigo viria aos 7″. Na sequência de um canto marcado por Rakitic que Kameni iria segurar sem dificuldades, o camaronês correu com a bola até ao limite da área e vendo Amrabat a iniciar uma movimentação do centro para a esquerda no meio-campo em velocidade (o marroquino pediu-lhe a bola com um aceno) chutou longo para o espaço onde o avançado entrou. Dominando a bola perante a presença de Jordi Alba (o único jogador do Barça que não sobe nos cantos), o marroquino trabalhou sobre o lateral e atirou para uma defesa fácil por parte de Claudio Bravo.

Desde logo percebi pelas movimentações de Rakitic que o jogador croata está a ser completamente anulado nesta equipa. Reduzindo a sua influência enquanto um excelente organizador de jogo que gosta de iniciar as transições em velocidade pelo miolo e servir os companheiros de ataque com deliciosos passes em ruptura, o verdadeiro estilo de jogo que marca a diferença que o croata faz no jogo, Rakitic aparenta estar algo preso ao jogo de posse e circulação desta equipa do Barcelona. Não parece ser o jogador expansivo que era em Sevilla. Nesta partida, limitou-se literalmente a receber a bola de um companheiro e a passá-la directamente para as subidas do lateral Douglas.

Aos 14″, num livre mais descaído para a direita, bem ao jeito de Messi, o astro argentino haveria de atirar por cima da baliza de Kameni. Muito escondido entre os centrais do Málaga, o argentino esteve ausente da primeira parte do La Rosaleda. Haveria de reaparecer a partir dos 40″ quando recuou no terreno para pegar no jogo da sua equipa na primeira fase de construção.
2 minutos depois, Jordi Alba haveria de centrar pela esquerda para o primeiro poste onde apareceu Pedro (bem marcado e estorvado na sua acção por Wellington) a desviar a bola com um toque subtil num lance que não causou perigo para a baliza de Kameni.

Aproveitando a descompensação já explicada no lado direito da equipa do Málaga, dada a incapacidade que a equipa catalã demonstrava em aplicar o seu veloz jogo de combinações pelo centro do terreno e em acelerar o jogo a meio-campo sempre que recuperava a bola, Iniesta e Neymar começaram a jogar mais para as subidas de Jordi Alba. Aos 25″ o  lateral voltou a cruzar para o coração da área. Messi tentou entrar no sitio certo para cabecear a bola mas acabou por falhar o cabeceamento. A bola sobrou para trás onde Pedro apareceu capaz de matar no peito e finalizar. No entanto, o avançado do Barcelona falhou o domínio e a bola acabou por sair pela linha final.

A partir deste lance, o jogo tornou-se mais quezilento (recheado de pequenas faltas e muitas interrupções) e muito mal jogado por parte das duas equipas. Maior ascendente para o Barcelona na partida apesar da equipa catalã não conseguir materializar a extensa posse de bola que teve durante o primeiro tempo. Aos 41″ num lance construído novamente na esquerda por Alba, Pedro tentou finalizar com um remate em rotação que foi embater no peito de Wellington. O avançado reclamou grande penalidade mas Hernandez Hernandez, o árbitro nomeado para a partida viu com clareza aquilo que confirmei na repetição televisiva: a bola bateu no peito do duro central brasileiro.

O que Hernandez Hernandez não viu foi um puxão a Messi quando, junto ao intervalo, este se preparava para entrar na área para finalizar um cruzamento de Jordi Alba. O argentino iniciou a jogada: vindo buscar a bola atrás, driblou dois jogadores malaguenhos lateralizando de seguida Pedro que tocou para trás para Jordi Alba. O lateral voltou a cruzar tenso para a área. Neste espaço de tempo, o argentino fez uma movimentação interior para poder ir finalizar aquela bola. Pelo caminho foi puxado na sua camisola por um jogador do Málaga, impedindo-o de chegar a tempo de empurrar a bola para a baliza de Kameni. O árbitro da partida nada marcou e tanto Messi como Neymar chegaram atrasados ao cruzamento e deixaram a bola sair pela linha lateral do flanco contrário.

Ao intervalo, o empate justificava-se pela inabilidade que o Barcelona estava a ter em conseguir colocar mais velocidade no jogo, mais criatividade capaz de abanar com a excelente organização defensiva da equipa malaguenha e mais pragmatismo no jogo.

A 2ª parte foi, na sua globalidade, muito confusa. Ao intervalo, Luis Enrique não conseguiu ditar aos seus jogadores uma fórmula capaz de alterar o rumo dos acontecimentos. A equipa do Barcelona manteve a esmagadora posse de bola mas não conseguiu ter um momento de brilhantismo (colectivo ou individual) que lhe permitisse vencer a partida.
Com um recomeço algo faltoso e muito mal jogado de parte a parte (durante os minutos 50 e 55 as equipas chegaram a praticar um atípico futebol de chutão para o ar) nenhuma das equipas conseguiu assentar o jogo. Só aos 57″ é que o Barcelona fez uma jogada minimamente encadeada pelo flanco direito na qual Douglas Santos combinou com Pedro no centro que por sua vez deu para Rakitic um pouco mais atrás. O croata centrou largo para o 2º poste onde apareceu Neymar a ganhar a frente a Rosalez que, na hora h, tirou o pão da boca a Neymar. O lateral-direito Venezuelano foi ambíguo ao longo dos 90″: defensivamente, conseguiu cortar algumas vazas de jogo a Neymar mas, na saída em velocidade foi errático no passe. Preocupado em defender o brasileiro deu muito espaço para Alba manobrar os seus cruzamentos na ala esquerda.

A partir deste lance tivemos mais Messi e Iniesta na partida. Contudo, o estilo de jogo praticado pelos dois resumiu-se a um par de dribles e a longas aberturas para a entrada dos laterais pelos flancos, sem que estes conseguissem obter resultados práticos.

Aos 63″ Luis Enrique tentou dar novas ideias ao ataque da equipa, tirando Neymar e Pedro de campo para as entradas de dois cantereros da equipa: o extremo-esquerdo Sandro Ramirez e o avançado Munir El Hadadi. Recuando em definitivo Messi para perto de Iniesta, El Hadadi foi-se colocar como homem de área da equipa de forma a tentar aproveitar os cruzamentos que vinham dos flancos. Mais perto de Iniesta, Messi não conseguiu combinar com o médio ofensivo espanhol.
Poucos minutos depois, Juanma Garcia respondeu com a saída do esforçado Duda (muito bem defensivamente na cobertura de espaços em zona central) para a entrada de Luis Alberto, médio esquerdo emprestado pelo Liverpool.
Uma acção individual do jogador emprestado pelos Reds pela esquerda levaria Douglas a cometer uma falta junto à entrada da área. Do canto curto, o trinco Ignacio Camacho seria capaz de rematar em força ao primeiro poste para defesa muito apertada de Claudio Bravo para o poste. Piqué foi ávido a garantir o ressalto do poste e atirar para canto. Pode-se dizer que esta foi a única oportunidade de golo da partida. Bons reflexos por parte do guardião internacional chileno.

Aos 73″ Luis Enrique tentou refrescar o flanco direito com a entrada de Adriano para o lugar de Douglas. A noite não era do Barcelona. Messi ainda tentou pegar no jogo e num lance individual pelo lado direito, tirou dois adversários do caminho, encaminhou-se para a linha mas foi desarmado por Wellington Oliveira. Na sequência do lance, o brasileiro agrediu o argentino apertando-lhe violentamente o queixo com a mão. O argentino aproveitou a deixa para se deixar cair teatralmente no relvado. Hernandez Hernandez poupou a expulsão ao central do Málaga. Concluíndo o jogo com mais coração que razão, aproveitou o Málaga para somar um 1 ponto frente à equipa catalã.