O dilema de Liverpool

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Sempre que um icónico jogador é transferido por uma grande equipa, o treinador dessa mesma equipa tem como missão (caso a direcção lhe disponibilize recursos financeiros aceitáveis para procurar um ou vários jogadores substitutos) encontrar soluções dentro do mercado para amenizar os efeitos da perda desse mesmo jogador. Tenho como dado assente que nenhum jogador é substituível directamente por outro. Como em tudo na vida, no futebol, no máximo, sempre que um substituto faça lembrar o jogador transferido ou consiga atingir num curto ou médio espaço de tempo o nível de performance daquele que rumou, não existem dois jogadores iguais e a forma de jogar da equipa altera-se com um maior ou menor grau de diferença em relação às bases existentes aquando da presença do jogador transferido.

Luis Suarez conseguiu, apesar de ter protagonizado imensas cenas de indisciplina durante a sua estadia de 3 épocas em Anfield Road, criar uma enorme empatia junto do Universo Liverpool. Apesar de só na sua última temporada ter conseguido apresentar um rendimento de excelência, a estrutura do clube britânico segurou o uruguaio como pode e este acabou por cair no goto dos adeptos. O jogador cativou de tal forma os seus colegas de equipa e adeptos nas suas duas primeiras temporadas (creio que estes acreditaram que iria explodir mais tarde ou mais cedo e ajudar o clube a conquistar troféus) que, aquando dos sucessivos castigos com que foi sancionado pela equipa de Liverpool, o capitão Steven Gerrard, a maior figura do clube treinado por Brendan Rodgers, nunca deixou cair o colega e incentivou-o a melhor o seu rendimento e permanecer no clube numa altura em que o uruguaio não queria permanecer em Liverpool porque considerava que os adeptos não gostavam dele e a equipa não era suficientemente competitiva para lutar por títulos. No verão de 2013, quando existia a hipótese do jogador rumar a Madrid, Gerrard foi ter com Suárez e pediu-lhe encarecidamente para ficar mais 1 ano de forma a ser a maior estrela de uma equipa que estava a ser construída para obter altos voos na temporada 2013\2014. O uruguaio não tinha como negar o desejo do capitão e amigo Gerrard. Desde então o seu rendimento em campo melhorou significativamente e o seu comportamento dentro e fora das quatro linhas melhorou satisfatoriamente. Até à mordidela em Chiellini, claro.

No verão de 2014, cotado, quase como sempre nos últimos defesos, como um trunfo apetecível a todas as equipas com grandes objectivos europeus, a direcção de Liverpool sentiu que não poderia pedir mais ao jogador depois de se ter gorado o objectivo de vencer a Premier League. Assim como, sentiram que, perante uma proposta do Barcelona, o jogador não poderia permanecer em Anfield Road. Bastou apenas ao Barcelona acenar com um único trunfo: títulos. Coisa que o uruguaio não tem, excepção feita a um punhado de conquistas internas no futebol holandês ao serviço do Ajax.

A saída de Suárez colocou, como não poderia deixar de ser fruto do facto de ser a grande peça na engrenagem da máquina de Rodgers, uma enorme dor de cabeça ao treinador do Liverpool. Suárez representava golos, assistências, dribles, abertura de espaços para os restantes companheiros de ataque através das suas rápidas e loucas movimentações que desgastam qualquer eixo defensivo, coragem no plano mental para resolver em situações de desvantagem ou em situações de pressão nos jogos contra os outros grandes da Premier League, ambição, garra, auto e hetero motivação, liderança e vitórias, muitas vitórias.

Não sendo um jogador substituível no imediato, Brendan Rodgers tentou agir com uma política de contratações muito utilizada nos desportos americanos, sobretudo na NBA: se sai um jogador que é capaz de marcar 30 golos por temporada e oferecer 20 assistências aos companheiros, tentarei substituí-lo com a entrada de vários jogadores capazes de fazer os seus números em conjunto, com potencial para formar uma boa equipa, com potencial para se tornarem grandes estrelas do futebol mundial e com uma margem de manobra interessante para Rodgers moldar à sua semelhança e feitio. Esta velha policy de transferências é como se sabe muito utilizada na NBA. Façamos o esforço de imaginar: se um jogador importante que faz 25 pontos de média por jogo, 7 assistências de média e ganha 6 ressaltos por jogo (naquela Liga Norte-Americana há vários jogadores a fazer estes ou melhores números com uma base de consistência regular), o treinador dessa mesma equipa tentará suplantar a saída de um jogador com a entrada de outro ou de outros capazes de garantir esses números. A equipa depende obrigatoriamente dessas estatísticas para se manter funcional e vitoriosa.

Foi nesta onda de pensamento que Rodgers fez chegar a Anfield Road no passado defeso jogadores como Markovic, Adam Lallana, Ricky Lambert ou Mario Balotelli. Rodgers pretendeu numa primeira abordagem de pensamento que estes conseguissem obter, juntos, o número de golos e assistências do uruguaio. Numa segunda abordagem, Rodgers aproveitou os 84 milhões encaixados pela transferência para acrescer imensas unidades de valor ao ataque de uma equipa que pecou por ter poucas opções durante 13\14, resumindo as opções do meio-campo para a frente a Phillipe Coutinho, Daniel Sturridge, Raheem Sterling, Suárez, Iago Aspas, Joe Allen e Luis Alberto. Para uma equipa que, a meio da temporada, mudou os objectivos firmados para o final desta, assumindo-se como uma equipa candidata ao título da Premier League ao invés de uma equipa candidata aos lugares europeus pelo brilharete que a equipa estava a realizar no campeonato contra todas as expectativas, sabemos bem que estas opções para o ataque eram, à priori, escassas para conquistar esse objectivo num campeonato tão competitivo e com tantas estrelas como é o campeonato inglês.

Contudo, a sensação que me dá e que comprova este mau arranque de temporada da equipa britânico, é a de que Rodgers ainda não conseguiu mover todas as pecinhas do puzzle de forma a completar a filosofia de jogo que pretende para a próxima era do clube de Merseyside. Isto porque, se tomarmos em conta que a equipa com Suárez era moldável ao ponto de tanto poder jogar em ataque organizado com a construção de Gerrard, Jordan Henderson e Joe Allen, beneficiando do drible portentoso de Suárez, da abertura de espaços de Suárez através das suas constantes movimentações para a entrada de outros jogadores na área a finalizar, como, por outro lado também seria uma equipa capaz de jogar a alta velocidade com a prática de um modelo de jogo assente em transições rápidas ou lançamentos longos para as alas para a velocidade de homens como Coutinho, Sterling ou Sturridge, neste momento, os 4 jogadores adquiridos para a frente de ataque demonstram ser jogadores que não encaixam em alguns dos processos que Rodgers gosta de serem aplicados em campo:
– Markovic não é um finalizador puro e é um jogador que encaixa muito bem num modelo de transições rápidas para o contra-ataque. O sérvio sente-se melhor nesse tipo de processos do que no ataque organizado. Em Inglaterra não terá tanta liberdade para colocar as suas poderosas arrancadas em drible pela zona central com incursão na área e finalização como tinha em Portugal. O sérvio será o jogador que combinará melhor com a dupla Sterling\Sturridge se bem que Phillipe Coutinho também é muito forte quando é chamado a pegar o jogo na esquerda e correr em velocidade com o esférico. – Adam Lallana é um tecnicista puro que gosta de jogar com espaço para colocar os seus dribles, espaço esse que não é concedido por grande parte dos pequenos em Inglaterra. Não é jogador para alinhar no contra-ataque.
– Mario Balotelli é um jogador demasiado lento para jogar no contragolpe e não é tão móvel quanto Suárez e tão mortífero no drible de 1×1. O seu jogo assenta no seu poderio físico e na sua potência de remate. Sendo algo lento de movimentos e um jogador que necessita de ter bola à entrada da área para rematar, não combina com a rapidez de movimentos de Sturridge ou Sterling e pode ser até um jogador capaz de congelar a velocidade que a equipa tenta imprimir nas saídas em contra-ataque.
– Ricky Lambert é um rato de área, compreendendo-se apenas a sua contratação para a utilização esporádica em jogos em que a equipa tenha de abandonar a sua identidade em prol de um estilo de jogo mais directo.

Se ofensivamente a equipa parece algo desordenada ao nível de peças, defensivamente, esta equipa do Liverpool tem imensas potencialidades apesar dos maus resultados estarem a confirmar o contrário. Dois excelentes laterais com muita propensão ofensiva (Glen Johnson, Alberto Moreno) e outros dois muito equilibrados (Javier Manquillo e José Enrique). No eixo da defesa, Skrtel, Lovren Kolo Touré e Mamadou Sacko são centrais controladores, fortes na marcação, fortes fisicamente, fortes no jogo aéreo. No entanto todos eles pecam por serem centrais algo lentos e com dificuldades para sair a jogar. Daí que Brandon Rodgers aposte imenso na saída de jogo a partir de trás por intermédio de Lucas Leiva ou Emre Can. O alemão é melhor a cumprir esta tarefa que o brasileiro. O brasileiro é mais agressivo e acutilante na pressão que o alemão assim como cobre melhor os espaços que este.

Breve análise às selecções adversárias de Portugal na campanha para o Euro 2016

Sérvia

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Começando pela sérvia de Nemanja Matic, na minha opinião, o principal adversário da selecção portuguesa nesta contenda de qualificação que hoje dá o seu pontapé de saída.

A selecção Sérvia apresenta-se nesta qualificação para o euro 2016 com o objectivo de se qualificar directamente para a prova ou conseguir o apuramento através da melhor 3ª posição dos grupos. Na tentativa de fazer esquecer da cabeça dos sérvios a desilusão que tem sido a prestação desta selecção nas anteriores rondas de qualificação para grandes competições (a sérvia já não marca presença numa grande competição internacional desde 2006), a selecção orientada pelo experiente seleccionador holandês Dick Advocaat (pode-se dizer que sérvia apostou forte e feio neste ciclo de 2 anos visto que o holandês é um homem muito experiente ao comando de selecções; é a 5ª selecção que orienta, depois de ter orientado os Emirados Árabes Unidos, Coreia do Sul, Bélgica e Rússia; algumas das experiências enquanto seleccionador deram-se em selecções a viver um período ascendente no panorama internacional, à semelhança desta selecção sérvia) atinge neste novo ciclo de 2 anos, provavelmente, o seu pico auge, pelo que será de esperar que esta equipa se qualifique para a prova e possa obter um resultado de destaque na prova que será organizada pela Federação Francesa de Futebol.

Advocaat tem no seu conjunto de convocáveis uma data de jogadores que dispensam apresentações. Nomes como Aleksandr Kolarov, Vladimir Stojkovic, Nemanja Matic, Ljubomir Fejsa, Miralem Sulejmani,  Nemanja Vidic, Zoran Tosic, Lazar Markovic, Matija Nastasic, Branislav Ivanovic, Adem Ljajic, Milos Jojic, Zdravko Kuzmanovic, Filip Dordjevic ou o jovem ponta-de-lança do Anderlecht Alexander Mitrovic (goleador mortífero de 19 anos que a bom da verdade será, na minha opinião, um dos grandes bombardeiros do futebol europeu dentro de poucos anos) constituem-se como um bom cartão de visita que neste momento num treinador do mundo seria capaz de rejeitar uma proposta para orientar nos próximos dois anos.

Advocaat deverá apresentar um onze-tipo assente no 4x2x3x1, aproveitando as indicações exploratórias do seu antecessor no anterior ciclo (Sinisa Mihaylovic) no qual assentam a estabilidade defensiva e ofensiva (pelas alas) acrescentada pela dupla de centrais composta por Vidic e Ivanovic e pelos laterais (extremamente ofensivos) Kolarov e Dusan Basta. Como soluções alternativas, o holandês ainda terá ao seu dispor o jovem Nastasic (Manchester City), o versátic Nenad Tomovic (utilizado essencialmente por Montella na Fiorentina como lateral-direito ou central num esquema de 3 centrais, caído para o lado direito) ou Antonio Rukavina do Villareal.

À frente da defesa jogarão os inexcedíveis Matic e Fejsa, bem conhecidos do público português. Ambos terão a missão de varrer o meio-campo e auxiliar a defesa. Enquanto o médio defensivo do Benfica tem essencialmente tarefas defensivas (estando Jesus ainda por evoluir a sua capacidade de transporte de jogo à semelhança daquilo que fez com o agora jogador do Chelsea), o médio do Chelsea será aquilo que bem lhe conhecemos: um jogador capaz de acrescentar imenso músculo à batalha do meio-campo, fortíssimo no jogo aéreo, capaz de auxiliar os centrais quando a equipa assim o precisar e facilmente iniciar as transições ofensivas da equipa em todos os sentidos: saída com bola e organização dos primeiros momentos de circulação e construção de jogo ofensivo; à falta de linhas de passe a meio-campo, o sérvio também será capaz de avançar com bola pelo terreno e rapidamente desbloquear situações de obstrução provocadas ora por defesa intensiva à zona em bloco baixo, ora por marcações individuais no meio-campo, estratégia defensivas, a primeira muito utilizada por selecções como a Armena, a segunda por selecções como a Dinamarca. Contra Portugal, será interessante apreciar o duelo de trincos protagonizados por Fejsa e Matic no lado sérvio e William Carvalho no lado português.

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Mais à frente, creio que Advocaat optará por dar criatividade à equipa com a inserção de 3 jogadores tecnicamente portentosos: Ljajic e Jojic como falsos extremos e Lazar Markovic no apoio a Aleksander Mitrovic. O ponta-de-lança de 19 anos tem um pecúlio admirável no Anderlecht, clube no qual em 39 jogos marcou 21 golos. Desde os sub-19 da sérvia, vestiu por 27 vezes a camisola dos 3 escalões da FSF, marcando 12 golos. Mitrovic foi decisivo na campanha dos sub-19 sérvios na vitória conquistada no ano passado no Europeu do escalão, tendo sido orientado nessa selecção por outro conhecido do futebol português (Ljubinko Drulovic). Outras opções para as alas incluem o extremo Zoran Tosic, extremo que acrescenta muita verticalidade ao jogo da equipa e uma capacidade interessante nos cruzamentos e nas incursões na ala a partir do flanco direito, ou o extremo do Benfica Sulejmani, jogador que atingiu a titularidade da sua selecção no ciclo orientado pelo actual treinador da Sampdoria.

A selecção sérvia terá mais 4 factores que serão decisivos nesta ronda de qualificação:
– O primeiro será o conhecimento que os seus jogadores tem do futebol português e da selecção portuguesa.
– O segundo será o ambiente terrível que os seus adeptos farão nos jogos em casa. Belgado costuma ser uma capital muito hóstil a todas as selecções que a visitem.
– O rigor táctico que Advocaat incute nas suas equipas: a sérvia tem defensivamente gente capaz tanto de pressionar alto para não deixar jogar; factor que poderá colocar muitas dificuldades à equipa portuguesa como de baixar o bloco para uma defesa profunda que não concede espaços a ninguém.
– A agressividade da sua defesa: Ivanovic e Vidic são mestres no desarme e no jogo áereo, Matic é mestre em todos os departamentos do jogo defensivo e ainda é capaz de criar perigo em bolas paradas ofensivas. Dusan Basta é um lateral extremamente enérgico; apesar de não ser tecnicamente dotado, é muito agressivo defensivamente e sobe muito bem pelo flanco; no outro lado, Kolarov é um lateral-esquerdo que não compromete defensivamente e que tem uma excelente capacidade de cruzamento e muita eficácia nas bolas paradas).  

Aproveitando uma geração muito talentosa que foi campeã europeia de sub-19 em 2013, não será de espantar que Advocaat vá inserindo sangue novo na selecção se convocar atletas como o jovem extremo\avançado de 18 anos Andrija Zivkovic (Partizan; os jornais portugueses apontaram-no como reforço do Benfica para este verão), o defesa Milos Velijkovic (Tottenham), o médio Nemanja Radoja (Celta de Vigo) ou o extremo esquerdo Filip Kostic do Estugarda, jogador que foi apontado durante este verão ao Sporting.

Dinamarca

Morten Olsen

Apesar de ter passado os últimos 4 anos a reconstruir a selecção dinamarquesa após o abandono de históricos como Christi Poulsen, Martin Jorgensen, Dennis Romedahl, John Dahl Tomasson ou Thomas Sorensen, Morten Olsen é capaz de ser o maior inimigo das 4 selecções adversárias da Dinamarca nesta ronda de qualificação. O experiente seleccionador dinamarquês de 65 anos, em funções na Federação desde 2000 (é neste momento o seleccionador com mais tempo no activo nas 206 federações mundiais) costuma vender cara a vitória dos seus adversário tanto em Copenhaga como fora de portas e quer levar a Dinamarca a uma grande competição mundial depois do fracasso que redundou a qualificação dinamarquesa para o Mundial 2014.

A selecção dinamarquesa destaca-se com um conjunto composto por jogadores muito experientes e jogadores muito jovens. Se a inexperiência de muitos jogadores nesta renovada selecção dinamarquesa pode constituir-se como um ponto fraco desta selecção, é certo afirmar que os mais velhos, para além da experiência acumulada de 6\7 anos de selecção, acrescentam muito talento técnico a uma selecção que gosta de jogar largo e pressionar a meio-campo.

Na baliza, Olsen tem duas escolhas: Stephen Andersen do Copenhaga e Kasper Schmeichel do Leicester City. A viver a sua segunda experiência na Premier League (a primeira foi ao serviço do Manchester City no reinado de Sven-Goran Eriksson quando Kasper ainda era um projecto de guarda-redes a quem tentavam puxar todo o gabarito do seu pai) Kasper Schmeichel está aos 27 anos capaz de seguir as pisadas do bom dinamarquês e ter o seu momento de afirmação no futebol britânico. Já o guarda-redes do Copenhaga, começou a viver esta época o princípio da fase descendente da sua carreira, apesar de, tecnicamente, ser um guarda-redes fantástico entre os postes.

A linha defensiva tipo de Olsen no habitual 4x3x3 nórdico será composta pelo antigo jogador do Benfica, agora no Evian, Daniel Wass na direita, pela jovem locomotiva do Ajax Nicolai Bolesen na esquerda (cuidado com as subidas rapidíssimas deste jogador no flanco e com a sua capacidade exímia de cruzamento, como de resto, é normal nos laterais dinamarqueses e na estratégia ofensiva desta selecção em virtude do facto de ter pontas-de-lança eficazes no jogo aéreo) e pelos experientes centrais Simon Kjaer (Lille) e Daniel Agger do Liverpool. Fortíssimos na marcação e no jogo aéreo, pecam apenas por serem pouco rápidos quando o jogo é remetido para as suas costas. No 1×1 contra ponta-de-lanças rápidos pecam por ser algo duros de rins, abusando imenso na força física e no jogo faltoso para travar os seus oponentes. Os experientes Lars Jacobsen e Simon Poulsen poderão dar uma ajuda nas faixas laterais em caso de lesão dos dois jogadores supra mencionados para as posições. São ambos laterais duros e certinhos. Poulsen é algo incerto a atacar mas é um lateral muito agressivo a defender.

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Morten Olsen tem na sua linha média o seu forte. Tacticamente muito disciplina, esta selecção tem em William Kvist o seu esteio defensivo. A organizar o jogo estarão os dois estrategas da equipa. Christian Eriksen é um prodígio no capítulo do passe (a rasgar) e no pensamento de toda a manobra ofensiva da selecção. Acrescenta a vantagem de ser fatal nos livres directos, facto que obriga a que a selecção portuguesa não caia no erro de cometer faltas tanto na zona frontal como no lado esquerdo do ataque dinamarquês. Eriksen já mostrou no Ajax e no Tottenham ser capaz de bater livres certeiros tanto no centro como na esquerda, num perímetro considerável entre os 23 e os 30 metros da baliza. Já o médio do Ajax Lasse Schone é outro dos virtuosistas desta selecção, principalmente no capítulo do passe. Contudo, o médio do Ajax também é mortífero no remate de meia distância e não se coibe de tentar criar desequilíbrios no miolo através do seu 1×1. Schone tem como substituto Krohn-Deli, médio que se encontra também ele a entrar na fase descendente da carreira.

Krohn-Deli também poderá jogar nas alas, corredores onde Morten Olsen tem diversas soluções e onde pretenderá o correcto municiamento da sua principal referência ofensiva, o errático Niklas Bendtner, avançado cuja carreira tem estado bastante longe daquilo que há muitos anos a crítica da modalidade idealizava. No entanto, Bendtner costuma realizar exibições de sonho pela sua selecção, sendo aos 26 anos um dos mais internacionais desta selecção (59 internacionalizações) e um dos melhores marcadores de sempre da equipa Viking (24 golos). Bendtner iniciou a época no Wolfsburg, equipa onde será suplente do veteraníssimo internacional croata Ivica Olic. Se tivermos em conta que o Wolfsburg, de regresso às competições europeias, poderá realizar uma campanha fantástica na Bundesliga (candidato a top-4) e na Liga Europa (será expectável que atinja os quartos-de-final) Bendtner poderá aparecer em grande forma durante esta temporada. Suplente de Bendtner será o avançado de 20 anos Viktor Fischer, jogador que ao contrário do avançado do Wolfsburgo, gosta de ter a bola no pé e criar as suas próprias jogadas de perigo. Fischer será em conjunto com o talentoso extremo-esquerdo sub-21 holandês Ricardo Kishna, um dos próximos produtos de exportação da talentosa escola do Ajax de Amesterdão.

Morten Olsen deverá incluir nas convocatórias jovens talentos como os jovens defesas Peter Ankersen ou Jonas Knudssen, o centrocampista do Twente Kasper Kusk, o médio ala direito do Bayern de Munique Pierre Hojberg (será bastante utilizado por Guardiola durante a época visto que caiu claramente no goto do treinador espanhol), o médio do Leeds Kasper Sloth, o médio do OB Emile Larsen, o médio do Copenhaga Thomas Delaney ou o avançado do Toulouse Braithwaith. Estes jogadores constituem-se como uma nova fornada de atletas de alto nível que irão formar a selecção dinamarquesa dentro de 2 anos.

Ao nível de estilo de jogo, a selecção portuguesa deve preparar-se para jogar contra uma equipa muito certinha a defensivamente, constituída por jogadores que sabem exactamente que posições ocupar no terreno e que tipo de tarefas executar no terreno, ávidos a pressionar intensivamente a meio-campo, a não deixar jogar e a tentar executar um futebol ofensivo que irá oscilar entre a fluidez que Schone e Eriksen dão ao jogo no solo e o futebol musculado e directo típico desta selecção.

Os dinamarqueses irão reencontrar a Arménia, equipa que humilhou esta selecção nórdica na última ronda de qualificação com um espectacular 0-4 em Copenhaga.

Arménia

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Posso catalogar de forma rápida esta selecção armena como a Quinta de Mykhtarian. O jogador do Borussia de Dortmund é o astro (o melhor jogador arménio de sempre) de uma selecção que normalmente joga com 11 jogadores enfiados no último terço do terreno.

Esta selecção armena é uma selecção em claro ascendente.

Em primeiro lugar, porque tem uma Federação que tem apostado imenso no desenvolvimento do jogo nesse país, ora pela criação de infraestruturas modernas, ora pelos intercambios que tem feito com clubes russos ao nível de desenvolvimento de talentos jovens, ora pela contratação de staffs técnicos compostos por profissionais experientes no campo de desenvolvimento de selecções com menor potencial.

Em segundo lugar porque joga num sistema táctico rígido que costuma ser muito difícil de ultrapassar pelas equipas que jogam em futebol organizado (um ferrolho agressivo que não dá espaços para jogar) alternado com uma capacidade incrível de saída de 2\3 jogadores (de forma a não desequilibrar a equipa defensivamente) para o contragolpe em velocidade. A capacidade que o médio criativo do Borussia de Dortmund tem em acelerar o jogo quando tem a bola no seu poder e consequente passe em desmarcação para a velocidade dos seus avançados tem causado alguns dissabores nos últimos anos a selecções mais poderosas.

Em terceiro lugar, pode-se dizer que a selecção armena já não é uma daquelas típicas selecções de desconhecidos de baixo potencial contra quem a selecção portuguesa jogava nos anos 90. Esta selecção do leste europeu já tem muita gente a jogar em campeonatos competitivos (principalmente no russo), mercê da aposta que as equipas europeias tem efectuado na evolução de talentos deste país. Os jogadores armenos não são maus tecnicamente, costumam ser muito velozes e são muito disciplinados tacticamente, principalmente em situação de defesa do perímetro de 22 metros. Costumam ser jogadores interessantes para equipas cujos treinadores gostem de defender em defesa baixa e sair preferencialmente no contragolpe.

O seleccionador dos arménios é o suiço Bernard Challandes. Aos 63 anos cumpre aqui a sua primeira experiência ao serviço de uma selecção sénior, quase 40 anos depois de uma carreira quase toda ela realizada ao serviço dos principais emblemas helvéticos. Challandes leva no currículo uma passagem pela equipa sub-21 da Suiça entre 2001 e 2007, anos em que pelas suas mãos foram evoluíndo jogadores como Ricardo Cabanas, Stephen Lichsteiner, Phillipe Senderos, Johan Djorou, Gokhan Inler, Valon Behrami, Ghttps://wordpress.com/post/74020198/75elson Fernandes, Blerim Dzemaili, Diego Benaglio, Reto Ziegler, entre outros… No palmarés, este experiente suiço conta apenas com uma liga suiça, obtida em 2008\2009 ao serviço do Zurique.

Nesta selecção armena irá orientar jogadores (adversários da nossa selecção) como o veterano guardião do Dinamo de Moscovo Roman Berezovski (aos 40 anos inicia um novo ciclo com a sua selecção, sendo o jogador mais internacional de sempre da mesma com 87 internacionalizações) o médio Gevorg Ghazaryan do Olympiacos, o médio ofensivo brasileiro naturalizado Marcos Pizelli (agora nos casaques do Aktobe; este médio ofensivo é muito rápido e cria muito perigo nas transições ofensivas pois é capaz de cavalgar 50 metros com bola e aplicar um poderoso remate de fora da área) e o semi-conhecido avançado Edgar Manucharyan, produto das escolas de formação no Ajax, avançado muito alto que adora finalizar de cabeça ou em força, agora jogador nos russos do Ural.

A selecção armena tem 3 estrelas emergentes: os jogadores do Spartak de Moscovo Araz Ozbilis e Yura Movsisian (o primeiro é um médio-centro, o 2º um avançado móvel) e o jovem Vahagn Militosyan, jovem nascido em França que preferiu optar pela nacionalidade armena. Joga na Ligue 2, no Grenoble.

Albania

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Sem a resistência de outros tempos, característica que o fez evidenciar no cenário europeu ao serviço de Marseille, Sunderland, Galatasaray e Lazio, o experiente Lorik Cana de 31 anos é o grande jogador da história do futebol albanês. Deverá iniciar a partida desta noite no Estadio Municipal de Aveiro a central, posição que tem adoptado na selecção desde há alguns anos para cá.

A selecção albanesa é a selecção mais frágil deste grupo I, mas, é preciso ter prudência na abordagem ao jogo que iremos fazer contra os albaneses. Aposto desde já que esta selecção irá entrar em Aveiro com o objectivo claro de defender o 0-0 inicial e levar um ponto do nosso país.

Desta selecção albanesa sou humilde em reconhecer que conheço Cana e pouco mais. Sei que é uma equipa defensiva assim como conheço um ou outro jogador dos seus quadros. Um deles é por exemplo o guarda-redes Samir Ukjani do Chievo, outro, o habitual titular da baliza albanesa Etrit Berisha, guarda-redes bastante sólido que actualmente joga no Kalmar FF da Suécia.

No meio-campo esta selecção tem dois jogadores que são muito utilizados nos seus clubes (Basha no Torino e Rama no Valladolid) contendo na frente um avançado que fez na carreira na europa, o veterano Bogdani (não estará ao que tudo indica presente em Aveiro), jogador que aos 37 anos, após passagens interessantes por Reggina, Salernitana, Hellas Verona, Siena, Chievo Verona e Livorno (apontou 90 golos nas 13 épocas nas quais jogou em Itália) encontra-se sem clube para jogar. Pelo que pude apurar pretende inclusive terminar a sua carreira.

Apostada em trazer para o seu seio jogadores descendentes de albaneses (a Federação Albanesa chegou a propor a chamada à sua selecção a Januzaj do Manchester United) nascidos noutros países (principalmente em países como a Jugoslávia, Alemanha e Suiça) é novidade para o jogo de Aveiro a convocação de Taulant Xhaka, irmão do internacional suiço Granit Xhaka, jogador do Basileia.