O dilema de Liverpool

luis suarez 2

Sempre que um icónico jogador é transferido por uma grande equipa, o treinador dessa mesma equipa tem como missão (caso a direcção lhe disponibilize recursos financeiros aceitáveis para procurar um ou vários jogadores substitutos) encontrar soluções dentro do mercado para amenizar os efeitos da perda desse mesmo jogador. Tenho como dado assente que nenhum jogador é substituível directamente por outro. Como em tudo na vida, no futebol, no máximo, sempre que um substituto faça lembrar o jogador transferido ou consiga atingir num curto ou médio espaço de tempo o nível de performance daquele que rumou, não existem dois jogadores iguais e a forma de jogar da equipa altera-se com um maior ou menor grau de diferença em relação às bases existentes aquando da presença do jogador transferido.

Luis Suarez conseguiu, apesar de ter protagonizado imensas cenas de indisciplina durante a sua estadia de 3 épocas em Anfield Road, criar uma enorme empatia junto do Universo Liverpool. Apesar de só na sua última temporada ter conseguido apresentar um rendimento de excelência, a estrutura do clube britânico segurou o uruguaio como pode e este acabou por cair no goto dos adeptos. O jogador cativou de tal forma os seus colegas de equipa e adeptos nas suas duas primeiras temporadas (creio que estes acreditaram que iria explodir mais tarde ou mais cedo e ajudar o clube a conquistar troféus) que, aquando dos sucessivos castigos com que foi sancionado pela equipa de Liverpool, o capitão Steven Gerrard, a maior figura do clube treinado por Brendan Rodgers, nunca deixou cair o colega e incentivou-o a melhor o seu rendimento e permanecer no clube numa altura em que o uruguaio não queria permanecer em Liverpool porque considerava que os adeptos não gostavam dele e a equipa não era suficientemente competitiva para lutar por títulos. No verão de 2013, quando existia a hipótese do jogador rumar a Madrid, Gerrard foi ter com Suárez e pediu-lhe encarecidamente para ficar mais 1 ano de forma a ser a maior estrela de uma equipa que estava a ser construída para obter altos voos na temporada 2013\2014. O uruguaio não tinha como negar o desejo do capitão e amigo Gerrard. Desde então o seu rendimento em campo melhorou significativamente e o seu comportamento dentro e fora das quatro linhas melhorou satisfatoriamente. Até à mordidela em Chiellini, claro.

No verão de 2014, cotado, quase como sempre nos últimos defesos, como um trunfo apetecível a todas as equipas com grandes objectivos europeus, a direcção de Liverpool sentiu que não poderia pedir mais ao jogador depois de se ter gorado o objectivo de vencer a Premier League. Assim como, sentiram que, perante uma proposta do Barcelona, o jogador não poderia permanecer em Anfield Road. Bastou apenas ao Barcelona acenar com um único trunfo: títulos. Coisa que o uruguaio não tem, excepção feita a um punhado de conquistas internas no futebol holandês ao serviço do Ajax.

A saída de Suárez colocou, como não poderia deixar de ser fruto do facto de ser a grande peça na engrenagem da máquina de Rodgers, uma enorme dor de cabeça ao treinador do Liverpool. Suárez representava golos, assistências, dribles, abertura de espaços para os restantes companheiros de ataque através das suas rápidas e loucas movimentações que desgastam qualquer eixo defensivo, coragem no plano mental para resolver em situações de desvantagem ou em situações de pressão nos jogos contra os outros grandes da Premier League, ambição, garra, auto e hetero motivação, liderança e vitórias, muitas vitórias.

Não sendo um jogador substituível no imediato, Brendan Rodgers tentou agir com uma política de contratações muito utilizada nos desportos americanos, sobretudo na NBA: se sai um jogador que é capaz de marcar 30 golos por temporada e oferecer 20 assistências aos companheiros, tentarei substituí-lo com a entrada de vários jogadores capazes de fazer os seus números em conjunto, com potencial para formar uma boa equipa, com potencial para se tornarem grandes estrelas do futebol mundial e com uma margem de manobra interessante para Rodgers moldar à sua semelhança e feitio. Esta velha policy de transferências é como se sabe muito utilizada na NBA. Façamos o esforço de imaginar: se um jogador importante que faz 25 pontos de média por jogo, 7 assistências de média e ganha 6 ressaltos por jogo (naquela Liga Norte-Americana há vários jogadores a fazer estes ou melhores números com uma base de consistência regular), o treinador dessa mesma equipa tentará suplantar a saída de um jogador com a entrada de outro ou de outros capazes de garantir esses números. A equipa depende obrigatoriamente dessas estatísticas para se manter funcional e vitoriosa.

Foi nesta onda de pensamento que Rodgers fez chegar a Anfield Road no passado defeso jogadores como Markovic, Adam Lallana, Ricky Lambert ou Mario Balotelli. Rodgers pretendeu numa primeira abordagem de pensamento que estes conseguissem obter, juntos, o número de golos e assistências do uruguaio. Numa segunda abordagem, Rodgers aproveitou os 84 milhões encaixados pela transferência para acrescer imensas unidades de valor ao ataque de uma equipa que pecou por ter poucas opções durante 13\14, resumindo as opções do meio-campo para a frente a Phillipe Coutinho, Daniel Sturridge, Raheem Sterling, Suárez, Iago Aspas, Joe Allen e Luis Alberto. Para uma equipa que, a meio da temporada, mudou os objectivos firmados para o final desta, assumindo-se como uma equipa candidata ao título da Premier League ao invés de uma equipa candidata aos lugares europeus pelo brilharete que a equipa estava a realizar no campeonato contra todas as expectativas, sabemos bem que estas opções para o ataque eram, à priori, escassas para conquistar esse objectivo num campeonato tão competitivo e com tantas estrelas como é o campeonato inglês.

Contudo, a sensação que me dá e que comprova este mau arranque de temporada da equipa britânico, é a de que Rodgers ainda não conseguiu mover todas as pecinhas do puzzle de forma a completar a filosofia de jogo que pretende para a próxima era do clube de Merseyside. Isto porque, se tomarmos em conta que a equipa com Suárez era moldável ao ponto de tanto poder jogar em ataque organizado com a construção de Gerrard, Jordan Henderson e Joe Allen, beneficiando do drible portentoso de Suárez, da abertura de espaços de Suárez através das suas constantes movimentações para a entrada de outros jogadores na área a finalizar, como, por outro lado também seria uma equipa capaz de jogar a alta velocidade com a prática de um modelo de jogo assente em transições rápidas ou lançamentos longos para as alas para a velocidade de homens como Coutinho, Sterling ou Sturridge, neste momento, os 4 jogadores adquiridos para a frente de ataque demonstram ser jogadores que não encaixam em alguns dos processos que Rodgers gosta de serem aplicados em campo:
– Markovic não é um finalizador puro e é um jogador que encaixa muito bem num modelo de transições rápidas para o contra-ataque. O sérvio sente-se melhor nesse tipo de processos do que no ataque organizado. Em Inglaterra não terá tanta liberdade para colocar as suas poderosas arrancadas em drible pela zona central com incursão na área e finalização como tinha em Portugal. O sérvio será o jogador que combinará melhor com a dupla Sterling\Sturridge se bem que Phillipe Coutinho também é muito forte quando é chamado a pegar o jogo na esquerda e correr em velocidade com o esférico. – Adam Lallana é um tecnicista puro que gosta de jogar com espaço para colocar os seus dribles, espaço esse que não é concedido por grande parte dos pequenos em Inglaterra. Não é jogador para alinhar no contra-ataque.
– Mario Balotelli é um jogador demasiado lento para jogar no contragolpe e não é tão móvel quanto Suárez e tão mortífero no drible de 1×1. O seu jogo assenta no seu poderio físico e na sua potência de remate. Sendo algo lento de movimentos e um jogador que necessita de ter bola à entrada da área para rematar, não combina com a rapidez de movimentos de Sturridge ou Sterling e pode ser até um jogador capaz de congelar a velocidade que a equipa tenta imprimir nas saídas em contra-ataque.
– Ricky Lambert é um rato de área, compreendendo-se apenas a sua contratação para a utilização esporádica em jogos em que a equipa tenha de abandonar a sua identidade em prol de um estilo de jogo mais directo.

Se ofensivamente a equipa parece algo desordenada ao nível de peças, defensivamente, esta equipa do Liverpool tem imensas potencialidades apesar dos maus resultados estarem a confirmar o contrário. Dois excelentes laterais com muita propensão ofensiva (Glen Johnson, Alberto Moreno) e outros dois muito equilibrados (Javier Manquillo e José Enrique). No eixo da defesa, Skrtel, Lovren Kolo Touré e Mamadou Sacko são centrais controladores, fortes na marcação, fortes fisicamente, fortes no jogo aéreo. No entanto todos eles pecam por serem centrais algo lentos e com dificuldades para sair a jogar. Daí que Brandon Rodgers aposte imenso na saída de jogo a partir de trás por intermédio de Lucas Leiva ou Emre Can. O alemão é melhor a cumprir esta tarefa que o brasileiro. O brasileiro é mais agressivo e acutilante na pressão que o alemão assim como cobre melhor os espaços que este.

breves #24

Graziano Pellè –

Graziano Pellè

O robusto avançado italiano que Ronald Koeman levou do Feyenoord para o Southampton por 8 milhões de libras goza um dos melhores momentos da sua carreira. Primeiro porque tem sido o abono de família do Southampton. O italiano de 29 que até aqui nunca representou um grande italiano (Lecce, Catania, Crotone, Cesena, AZ Alkmaar, Parma, Sampdoria e Feyenoord) é um dos melhores marcadores da Premier League até ao momento com 4 golos em 6 jogos (5 em 8 se somarmos os jogos realizados para todas as competições) e foi chamado por Antonio Conte para representar a Squadra Azzurra nos compromissos desta contra Azerbeijão e Malta.

Pellè insere-se num lote no qual Mario Balottelli não faz parte. O guarda-redes Perin do Genova, os defesas Angelo Ogbonna da Juventus, Manuel Pasqual da Fiorentina (apesar de não estar a ser titular em todos os jogos da Viola; Vincenzo Montella tem apostado imenso no espanhol Marcos Alonso) Rugani do Empoli, os médios Marco Parolo da Lazio, os médios-ala\extremos Bonaventura do Milan, Alessandro Florenzi da Roma e os avançado Simone Zaza do Sassulo são as grandes novidades da convocatória do antigo treinador da Juve que, ainda está a aproveitar jogos de menor dificuldade para observar jogadores potencialmente convocáveis para este ciclo de 2 anos.

Grandes ausências da convocatória para além de Balotelli são por exemplo  Riccardo Montolivo (Milan; por lesão), Gabbiadini (para já riscado por Conte), Alessio Cerci (Atlético de Madrid) Stephen El-Sharaawy ou Antonio Cassano.

Arsène Wenger\José Mourinho – A FA não irá castigar os dois treinadores pelo incidente realizado à passagem do minuto 20 do derby disputado no domingo. A federação Inglesa não irá actuar porque segundo o árbitro da partida, Martin Atkinson, os dois treinadores responderam positivamente ao aviso que foi feito por si aquando do acto.

Arsène Wenger não se mostrou arrependido do sucedido: “Não estou arrependido do empurrão. Tenho de estar arrependido do quê? Queria ir do ponto A para o B e alguém surgiu no meu caminho e confrontou-me antes de chegar ao ponto B. Queria ver qual era a gravidade da lesão de Alexis Sànchez» – O francês também acusou Mourinho de falta de fairplay.

Laurent Koscielny afirmou na chegada ao estágio que a selecção francesa irá fazer no centro de rendimento de Clermont-Ferrand que o seu treinador estava irritado pelo facto de uma entrada que tinha sido feito 4 dias antes por parte de um jogador do Galatasaray sobre Alexis Sanchez ter sido punida com um amarelo e, a entrada que motivou o celeuma (feita por Gary Cahill) não ter sido punida com qualquer cartão. Sabemos bem o quão é apertado o critério disciplinar dos árbitros ingleses…

Já Mourinho realçou que aquele não é o típico comportamento de Wenger: “São duas questões técnicas que estão em causa. Ele entrou no meu espaço. Se era para dar instruções a um jogador tudo bem, mas para pressionar o árbitro a dar um cartão vermelho a um jogador não é justo. Acho que esta não é a imagem de fair play que Wenger deve dar»

Mario Balottelli – O Diário Espanhol Sport noticia hoje que o Liverpool decidiu colocar uma pessoa a vigiar Mario Balottelli para onde quer que o italiano vá na sua vida pública e privada. O clube inglês pretende salvaguardar que o avançado italiano não faz cenas lamentáveis como as que fez em Manchester (orgias com prostitutas, o incêndio que provocou em sua casa) ou em Itália (apanhado a fumar em discotecas, apanhado pela polícia a conduzir alcoolizado) até porque, no contrato de compra e venda que celebrou com o Milan há uma cláusula que obriga os rossoneri a devolver ao Liverpool os 17,6 milhões de libras pagos pelos Reds em caso de mau comportamento continuado do jogador.

Marco Reus – Ao fechar pela 3ª vez a porta à renovação com o Borussia de Dortmund, o Sport notícia que o Barcelona entrou na corrida por Marco Reus. Liverpool, United e Bayern de Munique serão os principais interessados no meister do futebol alemão actual. O jogador alemão já avisou que poderá anular a clásula contratual que detém com o clube da Vestfália, na qual, em 2015, anulando esta cláusula o jogador poderá sair para qualquer clube que pague 25 milhões de euros pelos seus direitos económicos. É possível que o internacional alemão esteja a pressionar o clube germânico para sair na reabertura do mercado em Janeiro.

Thomas Vermaelen – O internacional Belga contratado pelo Barcelona ao Arsenal no Verão por 15 milhões de libras é um dos maiores casos de imprensa do país vizinho. O belga ainda não somou qualquer minuto na equipa culé devido a sucessivas lesões que o tem afectado neste início de temporada. Numa coluna publicada na edição de ontem do Sport, um colunista chegou a interrogar se o jogador foi observado pelos médicos do clube nos habituais exames médicos antes de assinar. A suspeita deverá marcar a actualidade dos próximos dias. Vermaelen voltou a treinar à parte hoje numa sessão de treino invulgar dirigida por Luis Enrique com apenas 10 jogadores (5 da equipa principal e 5 da equipa B) derivado do facto de grande parte dos jogadores das duas equipas estarem ao serviço de selecções AA e selecções jovens de vários países.

Daniel Alves\José Mourinho – José Mourinho respondeu à boca do lateral direito do Barcelona (“Mourinho não inventou o futebol… não descobriu nada!!”) – Com um toque de inteligência o português ridicularizou o brasileiro ao afirmar: “Nem Einstein o poderia ter dito melhor. Daniel Alves tem toda a razão: eu não inventei o futebol, mas foi um português que descobriu o Brasil!”

João de Deus

Sporting – A Sporting SAD anunciou ontem a contratação de João de Deus como o novo técnico da sua equipa B. O antigo treinador do Gil Vicente esteve poucas semanas no desemprego após ter sido despedido da equipa gilista. João de Deus orientou como treinador principal a Selecção de Cabo-Verde, o Ceuta, Farense, Atlético, Oliveirense e Gil Vicente. Sucede a Francisco Barão que se mantem como treinador adjunto da equipa depois de a ter orientado interinamente após o despedimento de Abel ainda na pré-temporada.

Hugo Almeida – O jogador português assinou pelo Cesena da Serie A italiana depois de ter passado com sucesso pelos habituais exames médicos. O Cesena ocupa neste momento o 13º lugar da Lega Calcio.

Federação Espanhola – Na antevéspera do referendo que levará os Catalães a decidir pelos destinos daquela região (independência ou permanência sob a soberania de Madrid) o presidente da Liga de Clubes Espanhol Javier Tebas colocou alguma pressão nos sentimentos dos catalães ao afirmar que caso os cidadãos daquela região votem favoralmente à independência “Barcelona e Espanyol não jogarão a Liga Espanhola”. O lider do organismo que organiza a competição remeteu as suas declarações à Lei do Desporto em vigor. A mesma lei autoriza apenas a competição dentro das competições organizadas por entidades espanholas a clubes não-espanhóis de Andorra.

Montpellier –

montpellier

O mau tempo que se faz sentir em toda a europa já provocou alguns estádios de futebol. Esta era a imagem do estádio La Mousson, propriedade do Montpellier durante a manhã de hoje.

breves #19

Hugo Almeida –

hugo almeida

O ponta-de-lança português assinou pelo Al-Nasr, equipa dos Emirados Árabes Unidos. O jogador estava sem contrato desde 30 de Junho, altura em que o seu vínculo de 3 anos e meio terminou com os turcos do Besiktas. Durante o verão, o jogador esteve muito próximo de assinar por Cesena e West Ham. Apesar de ter ultrapassado o fecho do mercado como um jogador livre, sendo passível de assinar por qualquer clube fora da janela de transferências, nenhum clube europeu manifestou interesse no internacional português que agora vai para o Médio Oriente prosseguir a sua carreira.

Sepp Blatter – O mais alto dirigente do futebol mundial, recandidato ao lugar, afirmou hoje uma das linhas programáticas para o seu próximo mandato: criar jurisprudência desportiva que proiba a acção que os fundos de investimento em jogadores exercem actualmente no futebol mundial.

UEFA\SPORTING – A UEFA publicou na sua página oficial que o Sporting e mais 6 clubes estão a ser investigados pelo seu Comité de Controlo Financeiro (CFCB) por alegadas violações às regras do fairplay financeiro impostas por aquele organismo. Segundo nota publicada no site oficial do organismo, devidamente traduzida: “O CFCB iniciou uma investigação formal a sete clubes (Mónaco, Roma, Besiktas, Inter, Krasnodar, Liverpool e Sporting) por terem apresentado resultados negativos nos relatórios financeiros dos períodos de 2012 e 2013″ – o organismo anunciou também que cinco clubes – Bursaspor, Cluj, Astra Giurgiu, Buducnost Podgorica e Ekranas – viram os seus prémios financeiros retidos. Os clubes sob investigação tem os meses de Outubro e Novembro para apresentar informação complementar para evitar possíveis castigos que vão desde a retenção de prémios europeus à impossibilidade de gastar mais que um valor definido pela UEFA em contratações nesta e na próxima temporada, entre outros castigos possíveis.

A Sporting SAD já fez emitir um comunicado no site oficial do clube, remetendo a violação das regras por parte da anterior direcção da SAD do Clube, cujos responsáveis são Luis Godinho Lopes e Luis Duque.

Bruno de Carvalho – “Absolvição de Pinto da Costa é uma vergonha!” – O presidente do clube leonino afirmou à Sporting TV: “Infelizmente não é nada que não estivéssemos à espera. É dos casos mais vergonhosos do futebol português que infelizmente termina assim. O futebol tem a mania de não querer intromissões… Neste caso houve uma decisão técnica de um tribunal civil, que decidiu pela não legalidade das escutas, e o futebol agarrou essa decisão para ilibar quando toda a gente ouviu e sabe o que ele fez. Não posso por isso admirar uma pessoa que fez isto para alcançar o sucesso”

Lionel Messi\Wellington Oliveira – A cena protagoniza pelo brasileiro e pelo argentino nos minutos finais do jogo disputado na quarta-feira entre Málaga e Barcelona foi explicada pelo Brasileiro. O Brasileiro confessou que apertou com as mãos o queixo do argentino porque alegadamente este o terá insultado de “filho da puta”.

FC Porto\Sporting\João Moutinho –

João Moutinho

A C0missão Arbitral da Liga obrigou o FC Porto a pagar 1,8 milhões de euros ao Sporting pelas mais valias do negócio celebrado com o Mónaco aquando da transferência de João Moutinho. O Sporting reclamava receber 25% das mais valias realizadas no negócio (cerca de 3,5 milhões de euros por 14 milhões de mais valias – o Porto comprou Moutinho por 11 e vendeu por 25).

Na sua defesa, a SAD do FC Porto alegou que desse valor se deveriam “descontar” valores respeitantes ao mecanismo de solidariedade FIFA e parte da comissão ao intermediário do negócio, Jorge Mendes. Feito um pagamento de 1,7 milhões aquando da altura da transferência, a Comissão Arbitral obrigou a SAD do Porto a pagar os restantes 1,8 milhões para contabilizar os 3,5M pedidos.

Jurgen Klopp sobre Marco Reus

Marco Reus

“Técnica excepcional, grande rapidez e uma técnica de remate extraordinária. Penso que isso diz quase tudo o que é relevante no futebol. E executa tudo isso a um nível elevadíssimo. Uma crítica possível seria o seu jogo aéreo. Mas o resto está lá. Há ainda a sua maneira de ser. É muito afável. É um jogador de sonho para qualquer treinador” – in, magazine da Bundesliga especial sobre o jogador do Borússia de Dortmund.

O melhor jogador da Bundesliga em 2013\2014 voltou a recusar uma nova proposta contratual apresentada pela direcção do clube de Dortmund e segundo vários rumores, poderá rumar ao Arsenal já em Janeiro. Liverpool e Manchester United também estão de olho no internacional alemão.

O Olheiro #5 – Yevhen Konoplyanka – O mágico que veio do frio

kono

Yevhen Konoplyanka é neste momento um dos maiores pontos de interrogação do futebol europeu. Até hoje, auferindo o jogador um ordenado perto dos 1,2 milhões de euros no Dnipro Dnipropetrovsk (um ordenado bastante acessível a equipas de top e mid-level do futebol europeu) e sabendo a qualidade técnica e as soluções de jogo que o jogador acrescenta, toda a europa do futebol se interroga sobre o porquê do internacional ucraniano permanecer na modesta equipa (com lugar europeu por via do seu campeonato) do Dnipro Dnipropetrovsk.

Arrisco-me a dizer que Konoplyanka é neste momento um dos jogadores mais criativos da Europa. Alinhando preferencialmente como extremo-esquerdo (embora possa também jogar como extremo-direito ou atrás do ponta-de-lança) este jogador de 24 anos consegue ser um jogador criativo (quase um 10) a partir da sua ala. Com um recorte técnico apuradíssimo, a fazer ao jus ao melhor que a escola soviética pode oferecer ao futebol, o jogador da equipa onde actuam conhecidos como Bruno Gama, Matheus ou o central internacional croata Ivan Strinic é um jogador muito versátil capaz de decidir jogos quando a equipa assim o precisa assim como passar 90 minutos a oferecer oportunidades aos seus colegas do ataque através do seu mortal 1×1 em velocidade e da sua apuradíssima capacidade de passe e cruzamento. No contragolpe, este jogador de 24 anos é mortífero. Capaz de acelerar em velocidade pelo corredor central, é um daqueles jogadores que não precisa por exemplo de aproveitar inferioridade numérica da equipa adversária neste departamento de jogo – rapidamente cai em cima dos adversários, cria e finaliza a sua própria jogada. Uma das características da equipa orientada por Myron Markevitch é mesmo essa: uma equipa que defende de forma muito fechada e organizada e sai bem em contra-ataque com Kono e mais 2 jogadores. No entanto, defensivamente, até porque a estratégia de jogo da sua equipa o obriga, é um jogador tacticamente valioso porque apesar de ser o diabo à solta no ataque, é um jogador que sabe defender e sabe fechar o flanco quando a sua equipa assim o necessita.

Recentemente voltou a falar-se de um possível saída deste jogador internacional pela ucrânia em 36 ocasiões. O jogador teve a um passo de sair para Liverpool em Janeiro deste ano numa transferência na qual se especulava que os Reds iriam pagar 16 milhões de libras pelo seu passe. Contudo, o presidente do Dnipro vetou a transferência. O jogo iria enquadrar na estratégia de Brandon Rodgers na medida em que é um jogador que adora actuar em ataque livre e espontâneo e consegue meter muita velocidade no seu jogo, características que Brandon Rodgers admira pela filosofia de jogo em velocidade que já colocou em marcha no clube de Anfield Road. West Ham, Manchester United e Zenit também já mostraram interesse no jogador. Só os Hammers apresentaram uma proposta ao clube ucraniano, proposta que rondava os 9,5 milhões de libras.

 

Premier League 5ª Jornada – Aston Villa x Arsenal & West Ham x Liverpool

Aston Villa x Arsenal

Um dos jogos que acompanhei durante a tarde desportiva foi o Aston Villa x Arsenal. A equipa de Paul Lambert estava a fazer, até à data do jogo, um campeonato de sonho. Com 3 vitórias e 1 empate, logo atrás do Chelsea na liderança da Premier League e embalados de uma vitória fora frente ao Liverpool (1-0), é o melhor começo do Villa desde a longínqua época de 98/99.

O Arsenal ainda não perdeu para a Liga, mas teve um começo de campeonato algo atribulado: uma vitória em casa frente ao Crystal Palace com um golo nos últimos minutos (2-1), 3 empates consecutivos (um deles frente ao Manchester City em casa), e exibições pouco convincentes. Tiveram a primeira derrota oficial da época frente ao Dortmund para a Liga dos Campeões (0-2 fora), e seria de esperar um jogo complicado frente a um Villa em bom momento.

Wenger optou por deixar no banco Alexis Sanchez e Jack Wilshere, titulares habituais. Para os seus lugares entraram Arteta e Oxlade-Chamberlain. Mas o desenho táctico indicava que Ozil estava de volta à sua melhor posição: a número 10 (finalmente!), com Cazorla a cair mais vezes nos flancos. Já Paul Lambert, surpreendentemente e talvez com medo do meio-campo do Arsenal, colocou Sanchez a titular e relegou Charles N’Zogbia para o banco.

O jogo começou com o Aston Villa por cima. O meio-campo do Arsenal entrou muito adormecido e o Villa estava motivado depois do último resultado. Fabian Delph (em grande forma) e Tom Cleverley estavam a estancar o meio-campo dos Gunners e a puxar a equipa para a frente. Agbonlanhor sempre muito activo, não deu uma bola por perdida e os defesas centrais do Arsenal tiveram algumas dificuldades inicialmente. Contudo, aos poucos e poucos, o Arsenal impôs o seu jogo e equilibrou a contenda, mesmo sem criar muito perigo. Mas em 5 minutos, um jogo que se assumiu difícil para o Arsenal, tornou-se fácil. Um excelente passe de Ramsey apanhou a desmarcação de Ozil que, na cara de Brad Guzan não perdoou. Estava feito o 1-0. Mas sem tempo para respirar, uma excelente jogada de futebol do Arsenal culminou no primeiro golo de Danny Welbeck pela camisola dos Gunners, e 2-0. Como se não bastasse, após 2 minutos, Cissokho (ex-FC Porto) faz um auto-golo na tentativa de parar um cruzamento do adversário. E 3-0. O jogo parecia completamente decidido.

Na segunda parte, tivémos um jogo antítese da Premier League: aborrecido e sem grandes motivos de interesse, mas muito por culpa do Aston Villa. Se há algo que treinador do A. Villa revelou hoje foi a sua falta de capacidade para assumir planos tácticos diferentes consoante a partida. Deu a sensação de que o Villa entrou para jogar de uma forma específica durante os 90 minutos, quando se assistiu a um Villa, na segunda parte, a entregar a bola ao Arsenal e assumir o bloco baixo que tinha até ao 0-0. Infelizmente, pouco mais há a contar do jogo na segunda parte.

Os Gunners, sem terem feito um jogo muito convincente, valeu pelos 5 minutos onde decidiram a partida, e a partir daí foi gestão da posse com muita tranquilidade. Os pupilos de Arsene Wenger tiveram 68% (!) da posse de bola, o que demonstra bem o controlo total que tiveram deste jogo do início ao fim. Com esta vitória sobem temporariamente ao 4º lugar da classificação, com 9 pontos. Já este Villa parece-me uma equipa com alguma falta de soluções no banco, um onze razoável que dará para lutar por um campeonato tranquilo, e nada mais. Paul Lambert trouxe a estabilidade que faltava ao clube desde a saída de Martin O’Neil, mas é preciso algo mais para lutar pelas competições europeias.

West Ham x Liverpool

O outro jogo de interesse desta tarde realizou-se 2 horas e meia depois, e opôs frente-a-frente os comandados de Sam Allardyce frente ao Liverpool. O West Ham não tem tido um começo fácil, com 2 derrotas caseiras (0-1 Tottenham; 1-3 Southampton), 1 empate fora (Hull 2-2) e vitória forasteira frente ao Crystal Palace (3-1). As equipas de Big Sam costumam subir de rendimento com o avançar da temporada, portanto não é completamente inesperado este início, embora estejam a mostrar um nível ofensivo bastante acima do esperado, e comparativamente com a época anterior.

Já o Liverpool continua uma equipa bastante inconsistente, à imagem do início do ano passado. Ora ganha, ora perde, e agora sem Luis Suarez, demonstra um futebol muito amorfo e dependente de 2/3 individualidades. Neste momento, o Liverpool não pode contar com Sturridge, para mim o melhor jogador inglês da atualidade, e a veia goleadora da equipa têm-se ressentido dessa falta. No seu lugar tem atuado Borini, sem convencer minimamente. Na última terça-feira, a equipa de Anfield Road teve imensas dificuldades para superar uma equipa bastante abaixo em termos individuais e coletivos (Ludogorets 2-1), o que também demonstra alguma incapacidade individual e coletiva neste momento. Alguns jogadores que foram comprados na silly season também ainda não parecem completamente adaptados à Premier League e ao estilo de jogo de Brendan Rogers (por exemplo, Markovic, Lallana, até mesmo Balotelli), e quando comparamos os plantéis de ataque ao top-4 da Premier, reparamos que o Liverpool tem um plantel, no global, muito inferior a Chelsea, City e United, e algo inferior a Arsenal.

Brendan Rogers promoveu uma ou outra alteração, tendo em conta o desgaste acumulado. Lucas Leiva foi a surpresa no onze, provavelmente para soltar Sterling e Henderson para funções mais atacantes. Manquillo, com exibições pouco convincentes, continuou a receber a confiança do treinador do Liverpool. Sakho, desta vez, começou no banco.

O West Ham surpreendou e chegou à vantagem muito cedo, logo aos 2′, num livre do lado direito, a bola pingou sem dificuldades ao segundo poste, onde um jogador encostou de cabeça para o centro da área, onde estava o central Reid completamente desmarcado, e que só teve que encostar para fazer o 1-0. Este golo teve um efeito anímico devastador no Liverpool, que se mostrou muito ansioso e sem conseguir construir jogo ofensivo de forma continuada. O West Ham aproveitava todas as oportunidades para contra-atacar, e aos 13′ voltou a marcar, através de um momento genial do extremo Sakho. Após conseguir entrar na grande área, fez um chapéu perfeito a Mignolet.

A verdade é que o West Ham estava a fazer o melhor jogo da época. Num bloco baixo e compacto, muito organizados, são eficientes quando contra-atacam e conseguem arranjar momentos de finalização exterior ou interior com relativa facilidade.

Já o Liverpool, 20 minutos iniciais medíocres. Chegou ao ponto de Brendan Rogers mudar a táctica aos 25′, com a entrada de Sakho para o lugar de Manquillo. Adaptou um 3-5-2 com Alberto Moreno na esquerda e Sterling no flanco direito. E foi mesmo Raheem Sterling, sempre irrequieto entre o flanco direito e o centro, que lá consegui marcar. Numa investida de Balotelli (muito mal durante o jogo todo), tentou rematar, a bola ressaltou em Reid e veio parar a Sterling, que à entrada da área mandou um remate potente, sem hipótese para Adrian. Estava feito o 2-1 e esperava-se um Liverpool pronto para arrancar para a reviravolta. Enganem-se. O Liverpool continuou amorfo, sem ideias, num 3-5-2 que parecia ainda pouco trabalhado para ser solução para os problemas da equipa.

Na segunda parte, saiu Lucas Leiva e entrou Lallana, ainda longe do patamar físico desejado. Contudo, a entrada de Lallana deu outra vivacidade ao meio-campo e à construção das jogadas do Liverpool, como sempre. Lallana transformou-se, nos primeiros 25 minutos da segunda parte, num verdadeiro motor e participou em diversas boas jogadas. Contudo, a equipa foi perdendo gás, o West Ham foi-se acomodando cada vez mais nas suas sete quintas. Até que aos 88′, já perto do fim e numa completa fase de desespero do Liverpool, um contra-ataque eficaz do West Ham, onde Downing encontrou Amalfitano, que tinha entrado na segunda parte, e que à entrada da área, finalizou de bica, à Romário, para o 3-1 final. Com esta vitória, o West Ham ultrapassa o Liverpool na classificação, ficando com 7 pontos, enquanto que os Reds ficam com 6 pontos, resultantes de 2 vitórias e 3 derrotas.

Grande jogo de Mark Noble no meio-campo do West Ham, para mim o MoM. O capitão é um verdadeiro líder, joga e faz jogar. Esteve também na assistência para o 2-0. Adrian (GR) muito seguro cá atrás, Reid e o Kouyate impecáveis no plano defensivo. Enner Valencia muito atrevido, mas algo inconsequente.

Já o Liverpool parece sem saída possível desta espiral descendente. A equipa apresenta dificuldades de construção notórias contra qualquer adversário, desde o Ludogorets até ao City. Nota-se que há jogadores sem qualidade para serem soluções (Manquillo, Lucas, Borini), outros fora do nível físico que se pretende (Sturridge, Lallana), outros que ainda não estão adaptados (Markovic, Balotelli) e outros que continuam a fazer erros a mais (Sakho, Lovren). Além disso, a atitude táctica de Brendan, um treinador que admiro muito, é no mínimo estranha. Parece que ainda procura encontrar a melhor solução para potenciar a sua equipa ao máximo, quando a pré-época já lá vai há cerca de 1 mês. Rogers tem de encontrar rapidamente uma forma de manter o mínimo de equilibrio da equipa, estabilizá-la emocionalmente e deixar os esquemas de 2 pontas de lança para um canto. Um 4-3-3 poderia resultar melhor e esconder as graves debilidades na construção da equipa do Liverpool. Notas positivas apenas para Alberto Moreno (flanco esquerdo sempre bem preenchido), Henderson (regular) e Sterling (não deu por barata a derrota).