Antevisão – Quem são e como jogam os dinamarqueses?

Frente à Albânia Morten Olsen montou a sua selecção num 4x4x2 clássico, fazendo alinhar Kasper Schmeichel na baliza, um quarteto defensivo composto por Peter Ankersen na direita, Simon Kjaer e Andreas Bjelland no centro e Nicolas Boilesen na esquerda; William Kvist como elemento mais recuado de um meio-campo partilhado com Christian Eriksen, Pierre-Emile Hojberg na direita e Michael Krohn-Deli na esquerda, atrás de dois avançados: o jovem de 20 anos do RB Leipzig Yousouf Poulsen e do ponta-de-lança Niklas Bendtner.

O modelo de jogo desta selecção dinamarquesa é praticamente o mesmo desde que Morten Olsen chegou ao comando técnico da selecção em 2000: é uma selecção que gosta de praticar um futebol muito objectivo, muito directo para a área onde quase sempre tem um ponta-de-lança de grande envergadura física capaz de batalhar imenso no jogo aéreo com os centrais adversários e finalizar em potência. Se no passado Morten Olson contou com grandes avançados\pontas-de-lança como John Dahl Tomasson (este mais técnico, com características similares às que tinha João Vieira Pinto na selecção com Nuno Gomes ou Pauleta) ou Ebbe Sand (este tinha uma estampa física enorme e um fantástico poder de finalização) desde 2006 que apostou quase somente em Niklas Bendtner, sendo neste momento o jogador do Wolfsburg uma das maiores referências desta selecção. Apesar de Bendtner estar a passar ao lado daquela que poderia ser uma carreira muito interessante no futebol europeu, o jogador de 26 anos costuma fazer grandes jogos pela selecção. Leva a título de curiosidade 24 golos em 61 internacionalizações.

Simon Kjaer é o patrão desta defesa. O central de 25 anos, agora no Lille da Ligue 1, capitaneia esta selecção com a força física que lhe é característica. É um central duríssimo, forte na marcação, eficaz no desarme, forte no jogo aéreo (tanto defensivo como ofensivo) mas, é um jogador algo lento de movimentos quando o adversário tenta passar por ele em velocidade, facto que o obriga a cometer muitas faltas no solo. Cristiano Ronaldo e a nossa selecção poderão tirar partido da lentidão do central dinamarquês através de rápidas desmarcações do internacional português para as suas costas (é lento a ir ao encalce do adversário quando a bola é bombeada para as suas costas) ou através de 1×1 rápidos em contra-ataque. Se Cristiano tentar esta vertente no jogo de amanhã poderá condicionar muito cedo a sua acção caso consiga arrancar um cartão amarelo ao central.

Pela esquerda há que ter em atenção às subidas de Nicolas Boilesen. O lateral do Ajax é um lateral que gosta muito de subir pelo flanco esquerdo, flanco onde tentará combinar várias vezes com Krohn-Deli de forma a poderem colocar bolas para Bendtner. É um lateral que tem uma enorme capacidade de cruzamento.

No meio-campo, William Kvist é um jogador muito possante. Capaz de dar muita luta à batalha de meio-campo e de fazer as essenciais dobras aos laterais quando estes sobem no terreno, é o jogador que garante equilíbrio a um meio-campo de criativos: Christian Eriksen é o cérebro de toda a acção ofensiva desta equipa. Sobejamente conhecido de muitos, é o estratega desta equipa. A Selecção Portuguesa não só deverá pressioná-lo constantemente através dos homens da linha média (Tiago e João Moutinho, visto que Eriksen gosta de descair para o lado esquerdo) como em nenhuma altura do jogo deverá recorrer à falta à entrada da área, quer em zona central quer em zonas mais descaídas para os flancos porque Eriksen é um exímio marcador de bolas paradas, tanto directas para a baliza como para a área. Os dinamarqueses são fortíssimos no jogo aéreo. Eriksen também é um rematador interessante de meia distância.

Nas alas Michael Krohn-Deli é um jogador capaz de construir jogadas de perigo através dos seus cruzamentos para área assim como Pierre-Emile Hojbjerg. O jovem jogador do Bayern de Munique é um jogador muito vertical: tendo bola na direita, tenderá a passar em velocidade por Eliseu e cruzar para Bendtner ou Youssuf Poulsen. Este último é um jogador muito móvel, que gosta de vir buscar muito jogo às alas e sair rapidamente no contragolpe em velocidade.

No banco de suplentes, Morten Olsen irá dispor de soluções praticamente iguais aquelas que tem em campo: Lasse Schone é um jogador bastante parecido com Eriksen. É outro jogador mortífero muito eficaz no capítulo do passe e até costuma ser mais mortífero que Eriksen quando solicita os avançados com passes a rasgar na área. Também é um jogador que gosta de ter bola e pensar o jogo ofensivo da sua equipa, tarefa que desempenha no Ajax. Remata muito bem de meia distância, sendo também um interessante marcador de bolas paradas. Thomas Kahlenberg é uma opção válida para render Krohn-Deli na esquerda ou Hojberg na direita, sendo um criativo a jogar nas alas. Simon Poulsen é um lateral esquerdo de propensão ofensiva (é algo inseguro a defender) enquanto Jakob Poulsen é a solução mais efectiva para o lugar de Kvist.

Como soluções ofensivas de banco, Martin Olsen dispõe de Lasse Vibe e Martin Braithwaite. Apesar de serem jogadores bastante diferentes de Poulsen e Bendtner (Vibe até costuma dar-se melhor no lado direito do ataque apesar de também poder jogar no centro do terreno) são jogadores com apetência para finalizar. O jogador do Toulouse (Braithwaite marcou 11 golos na edição passada da Ligue 1) não se encontra na melhor forma neste início de temporada, não tendo sido utilizado por Martin Olsen no empate de sábado frente à Albânia. O golo que deu o empate aos dinamarqueses em terras albanesas foi precisamente apontado aos 81″ por Lasse Vibe.

O que é que deve fazer a selecção em Copenhaga?

– Iniciar a partida com posse de bola para retirar o habitual ímpeto inicial que os dinamarqueses demonstram nos primeiros minutos dos jogos em casa.
– Pressionar Christian Eriksen. Não deixando o jogador do Tottenham ter bola, a equipa portuguesa limita os processos ofensivos da equipa dinamarquesa.
– Evitar faltas no último terço.
– Sair em velocidade em contra-ataque. Tanto Danny como Nani deverão aproveitar o espaço em vazio deixado pelas subidas dos laterais dinamarqueses para criar desequilíbrios pelas alas em contra-ataque. Ronaldo deve tentar incutir velocidade pelo eixo central.
– Os laterais portugueses devem impedir ao máximo o jogo que os dinamarqueses fazem pelo corredor para estancar o número de bolas que estes tentam colocar para Bendtner finalizar. Para isso, tanto os alas como os médios interiores devem ajudar a fechar nas alas para impedir superioridade numérica dos dinamarqueses pelos flancos.
– Controlar a partida através da posse de bola. Os dinamarqueses odeiam equipas que gostam de circular bola no seu meio-campo. A qualquer momento concederão um espaço para a equipa portuguesa criar desequilíbrios.
– Ganhar o máximo numero de faltas aos centrais contrários. Não só para Ronaldo ter hipótese de almejar a baliza de Schmeichel como para condicionar a actuação dos centrais. Em dia sim de Ronaldo, caso um dos centrais dinamarqueses seja punido bastante cedo no jogo com um amarelo, estes podem desorientar-se com as constantes movimentações do Português, tornando a missão da equipa portuguesa muito mais fácil no plano ofensivo.
– Lançar rapidamente todas as situações passíveis de transição rápida. A equipa portuguesa é muito mais rápida que a dinamarquesa, povoa com mais homens as zonas centrais e tem jogadores capazes de lançar os 3 da frente nas costas da defensiva contrária assim que recuperam a bola a meio-campo. Ronaldo será mais rápido a chegar às bolas que Kjaer ou Bjelland. Danny e Nani poderão ter muito espaço para jogar nas alas em contra-ataque. Em ataque organizado será de esperar que tanto Krohn-Deli como Hojbjerg desçam para ajudar os seus laterais.
– Ricardo Carvalho e Pepe não poderão dar um milimetro de espaço de Niklas Bendtner. Se o derem, o dinamarquês não irá perdoar muitas oportunidades de finalização.

De Penafiel

Da excelente exibição do Sporting por terras durienses ficam na retina:

– uma maior coesão dos centrais. Naby Sarr a exibir-se a um nível mais elevado perante uma equipa do Penafiel que coloca uma velocidade medonha nas transições em contra-ataque.

– Nani. É o autêntico playmaker desta equipa. Se a equipa optar por flanquear o jogo através da sua forma clássica (combinação entre lateral e extremo com um destes a cruzar) sabemos que tanto Nani como Jonathan Silva tem uma capacidade de cruzamento acima da média, Jefferson e Capel tem uma capacidade mediana e Cedric já teve melhores dias neste capítulo. Carrillo e Héldon são um profundo desastre neste capítulo. Se a equipa flanquear o jogo e apostar no desequilíbrio criado através da combinação entre lateral e extremo, com um deles a entrar na área pelo flanco, temos aí o melhor jogo do português e o melhor jogo do peruano. Com resultados à vista. Se o internacional português tentar flectir para o meio, é mortífero no remate em qualquer uma das alas com os dois pés.

– Slimani: uma cabeçada fantástica e um golo portentoso com os pés. O argelino está a calar quem tem insistindo ultimamente na crítica ao seu jogo de pés. Está a melhor a olhos vistos na finalização com os dois pés e acima de tudo, já se sente confortável em vir fora da área arrastar as marcações, receber de fora e encaminhar a bola para um companheiro vindo de trás.

– O golo de Montero, 8 meses depois do último golo. O colombiano sentiu que aquela bola poderia alterar a sua sorte. Cerrou os dentes e empurrou uma bola que ia com uma velocidade estonteante, muito difícil de alcançar para muitos pontas-de-lança. A sorte protege os audazes. Esperemos que o Colombiano saia do banco para facturar muitos mais durante esta temporada.

Crónica #15 – Sporting 0-1 Chelsea

O super poderoso Chelsea cumpriu a sua obrigação (enquanto principal favorito ao primeiro lugar do grupo e candidato à vitória na Champions) de vir vencer a Alvalade o Sporting. Se por um lado, pelas oportunidades de golo flagrantes que tiveram ao longo dos 90 minutos, os Blues mereceram a vitória e até justificaram vencer de forma mais expressiva, não é menos verdade que pelo futebol praticado no 2º tempo e por lances onde a equipa leonina poderia ter marcado, o Sporting também fez pela vida e lutou para merecer o empate.

Homem do jogo foi claramente Rui Patrício. No lance do único golo da partida, o difícil cabeceamento ao 2º poste de Matic foi indefensável para o guarda-redes português. Contudo, Patrício podia ter feito mais na abordagem ao cruzamento. Como hesitou permitiu que a bola chegasse em boas condições ao sérvio. A culpa do golo sofrido não deve de maneira alguma ser imputada nem ao guarda-redes nem a Jonathan Silva, o jogador do Sporting encarregue de vigiar Matic e proteger o 2º poste mas sim ao desleixo cometido por Marco Silva na preparação das bolas paradas defensivas: sendo Matic um dos melhores cabeceadores deste Chelsea, nunca poderá aparecer praticamente sozinho ao 2º poste ou sem um marcador capaz de ombrear no jogo aéreo com o médio defensivo do Chelsea.

Devido ao normal nervosismo derivado do facto de estar a jogar contra uma das grandes equipas europeias, o Sporting deu 45 minutos ao Chelsea para colocar no relvado de Alvalade a sua mais poderosa arma: as rápidas transições para o ataque e os fortíssimos lançamentos para as costas da defesa, onde Diego Costa (sempre muito bem municiado por Óscar e Hazard) ou Andre Schurrle se sentiram como peixes na água. Aproveitando situações de perda de bola do meio-campo do Sporting, os jogadores do ataque do Chelsea foram objectivos a lançar estes dois jogadores nas costas dos defensores leoninos. Marco Silva voltou a pedir à sua defesa que subisse rápido no terreno para deixar os avançados contrários em fora-de-jogo, mas, em algumas situações estes não foram rápidos a fazê-lo permitindo que Diego Costa aparecesse a receber a bola (ora através de passes a rasgar por parte de Óscar, ora através de passes a rasgar de Eden Hazard com o brasileiro a executar as suas famosas e eficazes diagonais) e o alemão a aproveitar da melhor forma o espaço em vazio que Jonathan Silva deixava no flanco fruto das suas agressivas subidas no terreno, que, teimosamente não voltaram a ser cobertas por um dos médios interiores como de resto já tinha acontecido na 2ª parte do jogo contra o Porto. Quando Jonathan Silva sobe em demasia no terreno e não consegue recuperar, o espaço é quase sempre fechado por Naby Sarr que, ao fazê-lo descompensa a área, deixando quase sempre Maurício para 2.

No ataque, o problema começou em William. No primeiro tempo, o jogador não só não conseguiu cobrir os espaços que habitualmente controla como não recuperou bolas e exibiu-se a um péssimo nível no capítulo do passe e da contenção de bola quando a equipa necessitava que, em vez de tresloucadamente passar a bola para o primeiro colega que visse, guardasse mais a bola e deixasse a equipa recompor-se posicionalmente de forma a conseguir construir uma jogada com nexo. Nas alas, Felipe Luis e Branislav Ivanovic estiveram exímios na marcação a Carrillo e a Nani através de uma pressão instantânea sempre que estes dois recebiam a bola e na própria abordagem defensiva. O português não levou a melhor sobre o sérvio em nenhum drible contra ele intentado no primeiro tempo e o peruano nunca conseguiu receber e virar-se para a baliza contrária, optando quase sempre por devolver a bola ao passador ou encaminhá-la para Adrien ou João Mário. Só no segundo tempo, já com o Chelsea a gerir a vantagem com um recuo de linhas defensivas promovido por José Mourinho e com uma estratégia clara de, recuar, defender bem e sair rapidamente no contragolpe através de lançamentos longos, é que vimos Carrillo e Nani mostrar a sua expansividade no drible. O peruano fez três arrancadas loucas que suspiraram bruás de Alvalade, tendo sido uma delas travada inextremis por Gary Cahill à entrada da área inglesa e o português, tirou do sério Felipe Luis pela ala esquerda, obrigando o brasileiro a cometer duas faltas que a meu ver seriam motivo para a sua expulsão por acumulação de amarelos: a primeira quando o árbitro não assinalou um empurrão ostentivo à entrada da área e a segunda no lance junto à linha no qual o antigo jogador do Atlético de Madrid recebeu o seu único amarelo da partida depois de ceifar sem piedade o jogador português.

O próprio Jonathan Silva mostrou muita garra nas duas situações em que conseguiu recuperar a bola no seu flanco e correu desalmadamente com ela em slaloms por entre adversários. O argentino revela-se cada vez mais como um jogador raçudo que, apesar de apresentar algum défice a defender, compensa no plano ofensivo. Para além de ser destemido, vertical e objectivo na subida com bola pelo flanco, é um jogador que tem um excelente cruzamento para a área, factor que pode ser importante dado o poder de fogo de Slimani no jogo aéreo.

Com Adrien a acelerar muito bem a meio-campo e muito assertivo no capítulo do passe e João Mário, ao lado, a dar muita luta no meio-campo, critério e organização no pensamento dos ataques leoninos, faltou ao Sporting novamente créditos na altura de finalizar. Slimani teve uma bola na sua cabeça passível de golo. Nani baqueou na área num lance em que ficou na cara de Courtois, Freddy Montero esteve perto do golo quando ao primeiro poste (solto de marcação) atirou ao lado e Nani, poderia ter chegado ao golo do empate naquele lance típico que tem evidenciado desde que chegou a Portugal no qual recebe na direita, puxa a bola para o meio e remata com pompa com o pé esquerdo. Assim como, do outro lado, aproveitando os erros de Naby Sarr no posicionamento, Oscar e Diego Costa poderiam ter sido mais eficazes na cara de Rui Patrício.

Uma luta particular nesta partida foi a luta travada entre Eden Hazard e Adrien. Na primeira parte, o lateral deixou o criativo do Chelsea à solta. Das suas acções individuais resultaram duas bolas importantíssimas: uma que Schurrle falhou na cara de Patrício depois de o tentar contornar e outra nos pés de Diego Costa. Na segunda parte, o lateral formado em Alvalade cerrou os dentes e como se diz na gíria “pegou o touro pelos cornos” – Hazard não teve tantas veleidades para meter o seu fortíssimo drible curto e para flectir para o meio da ala esquerda, movimento onde causa muito perigo com os seus milimétricos passes a rasgar.

Uma exibição de alto nível foi a que Nemanja Matic realizou em Alvalade. Com Mourinho, o sérvio cresceu ainda muito mais. Se com Jesus foi requalificado como um médio defensivo de excelência, sempre presente na cobertura de espaços no miolo e começou a conseguir sair a jogar com toda a pompa e circunstância, rompendo as primeiras linhas de pressão com bola sempre que nenhum colega lhe oferecesse uma linha de passe segura, com Mourinho, o sérvio já funciona quase como um box-to-box, fazendo tudo o que aprendeu com Jesus e acrescentando uma capacidade até aqui desconhecida, a capacidade de imiscuir-se no último terço do terreno com o esférico na sua posse a alta velocidade, capaz, também ele de poder construir situações de finalização para os seus companheiros em situações de manifesta falta de mobilidade dos seus companheiros para criar as tais linhas de passe.

Maurício fez dois cortes providenciais a Diego Costa em acções do hispano-brasileiro e saiu graças a uma atitude muito inteligente: sabendo que dali poderia ter surgido o 2-0 (matava o jogo) para o Chelsea, sendo o último defensor do Sporting cometeu uma falta inteligente ao ceifar o jogador do Chelsea. A eventual expulsão do brasileiro nesse lance é discutível. A regra para estes casos é a seguinte: se corta um lance iminente de golo, o árbitro tem que expulsar. Se não corta um lance iminente de golo, o árbitro deve mostrar apenas o cartão amarelo. Como era o último defensor, o vermelho directo aceitava-se. Mas como Cedric ainda estava no enfiamento da jogada (as imagens do lance mostram o lateral num acto preventivo a correr para o lado onde Diego Costa tinha adiantado a bola caso Maurício fosse ultrapassado para o brasileiro) e o lance faltoso foi cometido muito longe da baliza, também se aceita o amarelo. Qualquer acção disciplinar neste lance depende da interpretação do árbitro da partida.

Ao nível da arbitragem, o árbitro espanhol Mateu Lahoz mostrou alguma dualidade de critérios nos amarelos exibidos às duas equipas, esteve muito mal quando decidiu “não ver” o empurrão de Felipe Luis a Nani (se esta primeira falta é assinalada, o brasileiro recebe aqui o primeiro amarelo, sendo expulso na 2ª falta sobre Nani), existiu outro lance onde fiquei com dúvidas: num lance em que Carrillo tenta passar por Cesc Fabrègas dentro da área. O médio inglês não joga a bola e ceifa o extremo peruano.

Nota final para o regresso a Alvalade de José Mourinho – o técnico português bem ao seu estilo, recheou os 90 minutos de muito showoff. Ora a falar com os bombeiros aquando do golo do Chelsea, ora no final quando deixou Marco Silva de mão estendida para ir cumprimentar Rui Patrício. Ao seu estilo!

breves #15

FC Porto – O jovem médio Oliver Torres explicou ao jornal O Jogo os motivos que o levaram a optar pelo Porto: “Quando um clube como este [FC Porto] te escolhe, abre-te o coração, os olhos e o entusiasmo. E mais ainda quando Julen Lopetegui, que foi meu treinador nas categorias inferiores da seleção durante uns quatro anos, veio para cá. Graças a ele estou aqui, mas sobretudo posso jogar. Desde o primeiro momento que o mister me transmitiu a sua confiança e não posso fazer outra coisa que não seja retribuir. E espero fazê-lo trabalhando no duro e jogando bem. Em Portugal também se vive o futebol de maneira muito intensa. Os adeptos são muito entusiastas e vivem cada jogo até aos limites. Eu tinha opções de ingressar noutras equipas com menor pressão, mas creio que o FC Porto era o melhor por tudo: para aprender, para crescer e, acima de tudo, para eu tentar ajudar o clube nos seus objetivos.”

José Mourinho – Na entrevista dada pelo treinador do Chelsea à TVI\MaisFutebol, também abordou a sua passagem por Madrid.

Sobre Cristiano Ronaldo: “A relação não existe. Ele joga pelo Real Madrid e eu sou o treinador do Chelsea. A relação não existe, apenas as memórias. Lembro-me do bom e do que não foi tão bom. Tenho que me lembrar de um rapaz que é uma máquina de marcar golos que me ajudou a ser campeão, a ganhar a Copa do Rei e a Supercopa. Provavelmente também o ajudei a ele e nos ajudámos todos mutuamente a fazer história, ao ganhar o campeonato dos 100 pontos frente à melhor equipa da história do Barcelona. Do Cristiano Ronaldo jogador guardo as melhores recordações e desejo-lhe o melhor para a sua carreira, mais na selecção do que no clube, porque sempre que saio de um clube tenho gosto que os meus antigos jogadores continuem a ter exitos.

Sobre a passagem por Madrid: “Por um lado a consecução de um objectivo que já estava claramente definido quando fui: ganhar os três campeonatos mais importantes do mundo. Esse objectivo era importante. De resumo tudo a uma frase: poderia voltar atrás e assinar novamente pelo Real Madrid? Sim, claro que sim! Fui uma experiência como homem e como treinador que voltaria a repetir sem pensar duas vezes! (…)”
(…) quando perguntado se voltaria a fazer o mesmo em Madrid: “Se um treinador se auto-critica permanentemente, como faz a minha equipa técnica, obviamente que em todos os clubes em que este passou não faria tudo igual”

O balneário foi um problema?– “Não vou fazer o que nunca fiz: grandes explicações sobre os meus anteriores clubes. Não me irão ver falar sobre o que aconteceu no passado, seja positivo ou negativo. (…) Saí do Real Madrid com uma relação fantástica com o presidente, com o director-executivo e com toda a estrutura profissional depois de tomarmos uma decisão que era a melhor para a minha carreira na altura.

Pode ser seleccionador em 2010? – “Não, não. Fui seleccionador durante algumas horas. (…) Foi tudo inesperado. João Rodrigues e Madaíl foram a minha casa a Madrid e foram perspicazes. Tocaram-me ao coração e convenceram-me a aceitar. Comecei a preparar na minha cabeça o próximo encontro e falei com o presidente Florentino Perez, que me pediu tempo para pensar. Quando depois me disse “essa situação é impossível, tenho que defender os interesses do Real Madrid e também a ti” não o aceitei bem. No dia seguinte tive que decidir: “estou totalmente de acordo. É uma situação que não pode acontecer um grande clube”

Na referida entrevista, Mourinho também falou do Chelsea, da contratação de Cesc Fabrègas e das novas regras de fairplay financeiro da UEFA, regras que tem sido ultimamente alvo de comentário do treinador português. Mourinho continuou a referir que essas regras promovem a desigualdade no futebol europeu.

Nani

Nani – O antigo central do Liverpool Jamie Carragher afirmou num painel de comentário da Sky Sports que caso o jogador português jogasse ao nível que está a jogar em Alvalade, provavelmente ainda estaria em Inglaterra. O histórico capitão do Liverpool afirmou que os adeptos do Manchester United estavam cansados das prestações do internacional português ao serviço do clube: “Acho que, se tivéssemos visto um pouco mais do Nani, ele provavelmente ainda estaria aqui. Para o fim, os adeptos já estavam fartos dele. Se ele jogasse sempre assim e se tivesse feito mais coisas como este golo que marcou ao Maribor, ainda estaria no United.”

O golo de Nani ao Maribor foi eleito um dos 5 melhores golos da jornada da Champions League.

Adrien Januzaj – Em Inglaterra surgiu um rumor que afirma que o jovem belga poderá rumar à Juventus por empréstimo em Janeiro. É do interesse do treinador do Manchester United Louis van Gaal conseguir a contratação de Arturo Vidal na reabertura do mercado.

Liga dos Campeões Merece destaque este artigo de opinião postado no Modalides.com.pt. E se uma das equipas da Liga se transformasse numa equipa da NFL?

Da eslovénia

1. Confesso que fiquei novamente defraudado com a exibição do Sporting. Pensei que durante a semana, o presidente tivesse cometido a graciosidade de ir dar uma palavrinha mais ríspida aos jogadores de modo a alterar a sua atitude, mas, ao fim ao cabo, a atitude foi a mesma, os erros cometidos foram exactamente os mesmos que se tem cometido até aqui, e a qualidade da equipa, neste momento, está longe de ser a melhor.

2. Tenho lido por aí a opinião que Naby Sarr tem o mesmo potencial de Mangala quando chegou ao Porto. Depois de observar o jogador atentamente durante estes 5 jogos oficiais, não posso concordar. Quando chegou ao Porto, Mangala já era internacional sub-21 pela frança e titular indiscutível de um clube de nível médio com aspirações crónicas ao título nacional belga (o Standard de Liège) – o outro é internacional sub-20 pela França mas ao nível do seu antigo clube (Olympique Lyonnais) apenas jogou em 6 ocasiões na temporada passada, passando grande parte da época a jogar pelas reservas do clube. Acresce também o facto do Olympique Lyonnais ter apostado nos últimos anos na sua formação, em virtude das dificuldades financeiras e desportivas que atravessa n0 hiato cavado com a perda do título nacional francês em 2009\2010 após 7 épocas vitoriosas. Se um jogador formado na casa não actua com regularidade no clube quando este está claramente virado ao nível estratégico para apostar nessa mesma prata da casa e é vendido a um clube português por 1 milhão de euros mais objectivos, é sinal que esse mesmo clube não vislumbra futuro no jogador. Se um chegou ao Porto e a princípio cometeu alguns erros, erros que deverão ser considerados como normais na adaptação do jogador à sua nova realidade, mas rapidamente trabalhou para colmatar as lacunas do seu jogo (foi notória a evolução de Mangala ao nível posicional, ao nível de tomadas de decisão, ao nível da diminuição da impetuosidade com que abordava os lances; escondendo de certo modo as limitações que apresenta ao nível de jogo para as suas costas dada a falta de velocidade inerente à sua envergadura física com um sentido posicional exímio), tornou-se o patrão indiscutível da defesa do clube e foi vendido, literalmente, por uma pipa de massa. De Sarr não temos visto mais do que um central lento, extremamente permissivo, com imensas dificuldades em recuperar no terreno quando o avançado contrário é solicitado em desmarcação nas suas costas, fraquíssimo técnicamente, com um nível de decisão nos lances de bradar aos céus (mesmo quando é chamado a desarmar, fá-lo de forma sofrível; no lance do golo do Maribor estava sozinho e tinha tudo para, pelo menos, cabecear para a frente) e com pouca habilidade para sair a jogar. Comparar Mangala quando chegou ao Porto ao actual estado de Naby Sarr e às exibições com que nos tem brindado neste arranque de temporada é como comparar Jesus Cristo ao anjo Lucifer.

3. Estava sozinho. Poderia ter feito tudo: cabecear para a frente, para o guarda-redes, para as alas, para fora. Menos para o lado onde estava o adversário. Maurício ajudou. De Maurício tenho dito: não esperemos muito. Fiel a si próprio é um central duro à moda antiga. Também não sabe avaliar a abordagem ideal que deve ter aos lances, falha que o leva a cometer faltas em lances que não constituem perigo. Dá Pau para todos os gostos quando não deve dar, ficando passivo nas jogadas em que deve brindar o adversário com uma castanhada a doer. Ontem, conseguiu ajudar Sarr a dar 1 ponto e 500 mil euros de prémio ao modesto Maribor da Eslovénia…

4… que é, à semelhança do Sporting uma equipa que não tem qualidade para estar na Champions. Defenderam muito bem e capitalizaram a falta de velocidade no jogo do Sporting, a falta de ambição, os sucessivos passes falhados que Adrien e William fizeram na primeira fase de construção da equipa, a falta de sincronização entre os elementos do ataque do Sporting. Começaram a acreditar que podiam vencer e em duas ou três situações só não marcaram porque estava lá Patrício ou o São Poste.

5. O que é que se passa com Adrien, William, Jefferson, André Martins Carrillo? – Se o primeiro anda a brindar-nos com jogos cheios de passes falhados atrás de passes falhados e o segundo tem jogos em que consegue batalhar e ganhar muitas bolas no meio-campo, outros em que todas as bolas lhe passam ao lado e, todos, em que não consegue meter 10 passes a 5 metros no início da construção da equipa após recuperação de bola, é caso para perguntar se estes dois jogadores andam com a cabeça em Alvalade. A resposta é simples: não.

Outro que não tem andado entre nós é Jefferson. Marco Silva já deveria ter colocado Jonathan Silva na esquerda da defesa. Nem que a escolha tivesse como propósito afectar o orgulho do brasileiro. Jefferson está a revelar falta de concorrência na sua posição. Defende mal (dá um espaço enorme ao ala contrário para manietar a bola de acordo com a sua vontade; não fecha ao meio, no ataque nem cruza nem mija nem tosse; Jefferson anda por ali a correr desenfreadamente com a bola pela linha até que ele saia do terreno de jogo).

Os dois últimos são dois case-studies de valor para qualquer psicológo interessado na área desportiva. O primeiro faz grandes pré-temporadas. Terminando os jogos de preparação ausenta-se do campo durante 12 meses, limitando-se a correr por lá de vez em quando. Já foi testado por Jardim como um médio interior cuja função era ligar o jogo de Adrien (médio interior mais à esquerda) ao flanco direito do ataque. Combinava bem com Cedric e Wilson Eduardo na temporada passada. Foi desaparecendo aos poucos. Com Marco Silva tem jogado numa posição mais central à entrada da área como apoio pelo miolo a Slimani. (Como seria importante o Sporting ter um jogador que desequilibrasse pelo centro para o jogo não ser tão previsível de ver à equipa contrária!!). Sempre que pode, André Martins vai para a direita e desaparece de jogo.
Do peruano, conhecemos a experiência de um jogador que faz 1 jogo bom a cada 5 horríveis. Não jogando na esquerda perde uma interessante característica de jogo que executa bem: as incursões na área em drible do flanco esquerdo para o meio seguidas de remate ao 2º poste. Jogando na direita, contra equipas, como foi o caso do Maribor, cujos treinadores estudem bem o jogo do peruano, basta colocar o lateral a pressioná-lo assim que recebe a bola para o jogador prender e congelar qualquer jogada que o Sporting tente executar pelo seu flanco.

Em 3 meses no comando técnico do Sporting, a equipa não tem estabilidade defensiva, tem dois centrais que não são capazes de sair a jogar e com isso furar as primeiras linhas de pressão adversárias, um meio campo intermitente que é muito batalhador mas não é eficaz na recuperação de bola, na pressão a meio campo e na distribuição de jogo, um fio-de-jogo demasiado flanqueado e previsível (por isso é que Nani sempre que pode vem buscar a bola ao centro) que, à falta de pior, não consegue sequer colocar a bola em condições na sua referência atacante. Do trabalho do antigo técnico do Estoril salva-se apenas a lucidez que João Mario acrescenta ao jogo do Sporting sempre que entra, descobrindo boas soluções de passe, flanqueando o jogo com velocidade nos momentos em que a equipa tem superioridade numérica no flanco, e a evolução que o treinador está a tentar realizar na criação de desequlíbrios ao nível do miolo com as tentativas que tanto Nani como Mané fazem em tentar furar pela zona central em tabelinhas. A juntar à negativa e penosa circulação de jogo que tem que passar por toda a gente até se criar uma jogada digna de registo, há uma imensa falta de vontade de alguns jogadores permanecerem no clube aliada a uma falta de preparação física enorme de alguns jogadores.

Enquanto a equipa estiver a jogar a este nível, não vai muito longe. Numa competição como a Champions, todos os erros serão capitalizados pelo adversário. Se ontem, o Maribor não aproveitou para construir uma vitória algumas desconcentrações defensivas, não se espere por Alvalade que tanto o Chelsea como o Schalke sejam perdulários quando jogarem contra o Sporting. Medindo o actual estado do futebol leonino e o potencial das duas equipas, pode vir Bruno de Carvalho afirmar quantas vezes quiser que o objectivo é passar a fase-de-grupos. Não o conseguirá nem que a vaca tussa. Tomara até que não sejamos goleados em Inglaterra e na Alemanha.

De Alvalade – anotamentos

1. três ofertas. A oferta feita pela defensiva leonina no golo do Belenenses; a retribuição em espécie da defensiva de belém no golo de Carrillo e os 45 minutos de oferta (com bónus de um futebol previsível durante o 2º tempo) que o Sporting deu na primeira parte de um jogo que se pretendia de vitória tranquila.

2. Na 2ª parte.

2.1 a intranquilidade clara de Naby Sarr. Nas suas costas Deyverson apareceu duas vezes na cara de Rui Patrício, precisamente em dois lances onde o posicionamento do lateral francês deixou a desejar e este demonstrou uma clara falta de velocidade para acompanhar o avançado do Belenenses. Noutra situação, ao desarmar um adversário colocou a baliza do titular da selecção em perigo com um autêntico balão para a sua área. Em duas situações, o francês esqueceu-se que o seu guardião não dá uma para a caixa com o pé direito. Não hesitou em colocar a bola para esse mesmo lado nas duas situações.

2.2 A mecânica de um jogo flanqueado altamente previsível – Se fosse treinador do Belenenses deixaria os extremos do Sporting cruzar à vontade. Em mais de 10 situações em que a bola previsivelmente foi parar aos pés de Nani, Esgaio, Capel e Jefferson, todos conseguiram ter espaço para conseguir centrar para a área mas não conseguiram colocar a bola com peso e medida para a cabeça de Islam Slimani…

2.3Que… Foi inversamente solicitado pelos seus colegas para efectuar tabelinhas pelo centro do terreno. Carlos Mané e Nani, este último quando saiu para direita para o centro do terreno, por várias vezes tentaram criar com recurso a tabelas com o seu ponta-de-lança. O internacional português pecou novamente por excessivo individualismo.

2.4 – Qual é mesmo a posição de Nani?

2.5 – Uma equipa que pretende ser campeã não pode falhar tantos passes – Esgaio, Adrien e William Carvalho. Ineficácia por demais.

2.6 – Uma equipa que pretende ser campeã não pode falhar tantas oportunidades de golo – Capel foi novamente o mais esforçado dos atletas leoninos. É justo criticar o extremo espanhol nas limitações várias que apresenta a sua forma de jogar. Porém, jamais lhe deverão criticar o profissionalismo e o esforço que emprega em todas as partidas. Esteve perto de marcar de cabeça ao 2º poste mas João Afonso tirou-lhe o pão da bola. Se no outro lado do rectângulo de jogo, Deyverson falhou duas vezes na cara de Patrício, deixando no ar a sensação que o Belenenses facilmente poderia ter retirado 3 pontos de Alvalade, na área de Matt Jones, a equipa leonina foi altamente perdulária. Esgaio deveria ter feito mais quando tinha tudo para desfeitiar as redes do guardião inglês, Slimani permitiu-lhe uma excelente defesa, Nani viu um remate certeiro bloqueado e nos últimos momentos da partida, a cortina defensiva do Belenenses impediu o tardio golo da vitória.

2.7Slimani… fez penalty na área leonina num canto do Belenenses. Se não estou em erro sobre João Afonso. Erro ou não da primeira parte, é bem visível o puxão do argelino ao jogador do clube da cruz de cristo.

2.8 – No contra-ataque – Não considero que esta forma de jogar seja a arma dos mais fracos quando visitam o terreno das equipas com maior gabarito. Cada equipa joga com as armas que dispõe para prosseguir os seus objectivos. A equipa de Lito Vidigal mostrou que tem o seu contragolpe bem oleado. Com lançadores tecnicamente hábeis como Miguel Rosa (o patrão da equipa) e Bruno China e um homem rápido na frente como Deyverson, esta pode ser a solução que Lito Vidigal idealizou para cumprir os objectivos a que se propôs na presente temporada. O brasileiro precisa apenas de trabalhar a sua finalização.

3. Cosme Machado – À excepção do lance acima enunciado, o árbitro da AF de Braga analisou com correctidão 90% dos lances que mereceram a sua atenção. No final da partida borrou a pintura toda quando expulsou Jefferson com o 2º amarelo num momento peculiar da partida em que o lateral-esquerdo conjuntamente com Nani tentaram puxar um adversário para fora do campo quando este tentava, de forma lógica para quem conhece profundamente as manhas do jogo, simular uma lesão e praticar anti-jogo. Não bastasse a profunda estupidez de expulsar o lateral do Sporting, não cumprindo o mesmo critério disciplinar com o colega que ajudou a praticar a acção (Nani) ainda cometeu a idiotice de empurrar ostensivamente o jogador do Sporting. A atitude demonstrada pelo árbitro de Braga perante as leis da FIFA (agressão a um jogador) e só e somente passível de um castigo que vai de 1 temporada sem exercer as funções à irradiação do ofício.

4 – Nota negativa para a equipa técnica e jogadores suplentes do Belenenses – Lito Vidigal e o seu adjunto José Luis entraram por 3 vezes dentro de campo; o banco do Belenenses passou os últimos 15 minutos de pé e chegou mesmo a atirar bolas para o relvado de forma a criar confusão num momento em que o Sporting já jogava com o credo na boca.

Uma análise aprofundada sobre o início de temporada do Sporting

Com 1 vitória, muito sofrida diga-se em abono da verdade, e 3 empates para o campeonato, com a estreia na Champions no horizonte (na quarta na Eslovénia) este arranque de temporada do Sporting Clube de Portugal tem sido tempestuoso, estando muito aquém daquilo que os responsáveis leoninos projectaram no início da temporada e pouco coadunante perante os objectivos a que estes e o seu treinador se propuseram aquando do início dos trabalhos. Este início tortuoso do Sporting pode ser explicado por várias razões:

1- Assumindo como objectivo o título nacional… depois de uma temporada na qual Bruno de Carvalho, recebendo um clube vindo da pior temporada da sua longa existência, conseguiu avaliar os podres existentes na sua casa e varrer para fora do clube de Alvalade alguns dos dossiers incómodos com relativos sucessos desportivos e financeiros, nada mais lhe seria pedido do que perspectivar a devolução da sua equipa futebol à luta pelo trono do futebol português.
A mais recente história do clube leonino está cheia de objectivos altos e fracassos. Basta referir que nas últimas 15 temporadas, apenas por uma vez conseguiu o clube de Alvalade conquistar o título nacional sempre que um dos seus presidentes apostou na temporada de modo a conseguir esse objectivo. Longínqua vai a temporada 2001\2002, temporada em que a profetização de tal objectivo foi cumprida. Desde então, em 6 temporadas diferentes, após a construção dos chamados anos-zero, vários presidentes objectivaram (e apostaram forte) na conquista do título e por 6 vezes, na minha opinião, vários treinadores (José Peseiro, Paulo Bento, Domingos Paciência\Sá Pinto) falharam redondamente os objectivos das várias direcções do Sporting Clube de Portugal. Tais factos, fazem-me acreditar que sempre que um presidente do Sporting objectiva a conquista do título (a última vez que o foi feito no clube de Alvalade, na temporada 12\13, a época redundou naquela que é considerada por todos os sportinguistas como a pior época de sempre) existe uma propensão maior para o erro e para a execução de uma época pobre a todos os níveis.

Para se prosseguirem objectivos altos no futebol, são precisos investimentos fortes e seguros… A estrutura do futebol leonino, devidamente hierarquizada, cujo topo da cadeia e única voz de comando é o seu presidente, firmou-se na temporada passada com um nível de implementação quase total em Alvalade. Bruno de Carvalho iniciou esta temporada desportiva como o verdadeiro patrão do clube de Alvalade. Após a saída de Leonardo Jardim para o Mónaco, Marco Silva foi contratado como uma escolha pessoal do presidente. Inácio tem a missão de encontrar jogadores que agradem ao seu treinador e se enquadrem no plantel leonino. Inácio reporta todo o seu trabalho ao presidente. Seria de esperar que o novo treinador quisesse aproveitar a estrutura construída na temporada passada por Leonardo Jardim e lhe quisesse acrescentar unidades em sectores nos quais o Sporting revelou alguma carência (a inexistência de um concorrente a Jefferson na esquerda, a inexistência de uma 2ª unidade mais coesa na direita da defesa, dois ou três centrais, havendo primariamente uma noção que a equipa precisava de alguém para constituir uma dupla com Eric Dier em caso de lesão dos titulares e secundariamente a hipótese de Marcos Rojo sair, ou do argentino e Eric Dier sairem do clube; outro trinco, um jogador capaz de ser criativo no miolo e possivelmente mais um ponta-de-lança).

A política de compras do Sporting no início desta temporada foi confusa. Estando o clube sem possibilidades financeiras conjunturais de contratar a preços elevados, uma das ferramentas muito utilizadas pelos clubes para poderem contratar jogadores sem terem que dispender valores elevados (com ou sem capitais próprios) seria a possibilidade de “jogar” com um fundo de investimentos. O presidente do Sporting escolheu o verão de 2014 para comprar uma guerra contra os fundos na questão Marcos Rojo. E os fundos, sem confiança na política de mau pagador do Sporting, afastaram-se irremediavelmente de Alvalade.

A política de compras de um clube sem grandes possibilidades financeiras mas com objectivos muito altos, deverá assentar obrigatoriamente na contratação de jogadores experientes, com provas dadas, capazes de acrescentar qualidade às soluções de plantel. A direcção do Sporting fez o contrário: contratou jovens sem experiência (Jonathan Silva, Ryan Gauld, Hedy Sacko, Naby-Sarr Slavchev) e jogadores mais ou menos maduros que não estavam a competir neste, casos de Oriol Rosell, Tanaka, Ramy Rabia. Se os primeiros ainda não tem a experiência necessária para alinharem numa equipa com os objectivos a que se propôs o seu presidente, os segundos, assim como o lateral Jonathan Silva, ainda terão que se adaptar ao futebol europeu e em particular ao futebol português. Quase todos terão que se adaptar às exigências do seu novo clube. Um clube que pretende ser campeão num campeonato muito competitivo no qual outro dos candidatos investiu muito em jogadores com um nível de experiência e até com uma qualidade firmada noutros clubes que os jogadores contratados pelo clube leonino não têm neste momento; e perante outro candidato que mal ou bem, com ou sem vendas, vai andando porque tem um treinador que arrisca, que trabalha bem com o que tem e que todas as épocas optimiza na perfeição bastantes jogadores, não poderá ter como alternativas de plantel jogadores que deverão demorar meses a adaptar-se à realidade do clube, à realidade do futebol português e à identidade que o seu treinador pretende para a equipa.

Concorrendo para a corroboração do que escrevi no parágrafo anterior, também seria expectável que, à semelhança do que 99% dos clubes mundiais fazem, os alvos a atacar no mercado sejam jogadores escolhidos pelo treinador. No futebol moderno, quem analisa e trabalha directamente com a equipa (o treinador), deverá ser o principal responsável pela requisição do clube nos mercados. O que estamos a assistir na presente temporada do Sporting parece ser a realidade de um clube no qual Marco Silva não deverá ter pedido metade dos reforços que recebeu. O Sporting depenicou aqui e ali, certamente nas soluções mais baratas que vários olheiros e empresários foram recomendando, investiu para o futuro é certo (Sacko e Gauld tem potencialidades para se tornarem dois excelentes activos do clube dentro de 1 a 2 temporadas) mas não investiu para poder dotar o plantel do antigo treinador do Estoril de soluções válidas para este atacar o título: Jonathan Silva não terá o mesmo nível de Jefferson quando for chamado a substituir o brasileiro; Ramy Rabia chegou lesionado; Sarr é uma autêntica nódoa e é neste momento um dos motivos pelo qual o Sporting somou 6 pontos em 12 possíveis, Sacko, Gauld e Slavchev foram demasiado caros para jogarem na equipa B (6,7 milhões de euros) e do bulgaro, seja eu sincero, ainda não vi nada que me motivasse a afirmar que os 2,5 milhões dispendidos ao Litex Lovech foram bem gastos. O jogador tem um potencial desconhecido, ou até falta dele.

As saídas… Depois de uma temporada desportiva na qual alguns activos do clube valorizaram, até pelas dificuldades financeiras pelas quais o clube tem passado, seria expectável que o Sporting realizasse uma ou outra venda de destaque. Durante o defeso, deverão ter chegado a Alvalade diversos pedidos de informação sobre as designadas jóias da coroa. Sendo activos que permitiam um encaixe considerável para o clube, alguns deles valorizados por interessantes participações no Mundial (é inegável não reconhecer a grande prova do futebol mundial como a prova que mais activos é capaz de valorizar no cenário competitivo) deverão ter chegado a Alvalade pedidos de informação e propostas sobre os maiores activos da SAD Leonina, ou seja, Islam Slimani, William Carvalho, Rui Patrício, Adrien, Marcos Rojo e Diego Capel.

Neste momento, é política imposta por Bruno de Carvalho no clube uma política de limitação salarial que impede claramente a SAD leonina de segurar pela via da renovação contratual os seus melhores jogadores. O presidente aplicou a necessidade do clube expelir todos aqueles vindos da anterior administração que auferissem salários acima dos 500 mil euros líquidos anuais bem como a fixação de um limite salarial para os contratados pelo clube na mesma ordem. Assim sendo, jogadores como Slimani (250 mil euros anuais de salário) Marcos Rojo (800 mil euros), Eric Dier (auferia perto de 200 mil euros anuais) seriam facilmente seduzidos a excelentes propostas vindas do exterior, não podendo o Sporting cativar o jogador a ficar com propostas de renovação de contrato superiores aquelas que foram cabalmente fixadas pelo seu líder directivo. Se o primeiro concordou em ficar pelo menos mais uma época mediante a renovação do seu contrato para valores pouco acima do tecto salarial (cerca de 600 mil euros porque Bruno de Carvalho reconheceu que a permanência do argelino durante mais uma época é importante do ponto de vista desportivo e financeiro; Slimani poderá ser o 2º maior activo do clube no final desta temporada, podendo existir propostas perto dos 15 milhões de euros no final desta temporada), os dois centrais (titular e expectável titular caso o argentino fosse vendido) facilmente foram seduzidos pelas libras de Manchester United e Tottenham, propostas que o Sporting jamais poderia cobrir.

Enquanto a política salarial do Sporting seja comezinha, o Sporting não poderá atrair grandes artistas. E a ausência de grandes artistas no seu espectáculo, em suma, de uma equipa competitiva poderá demonstrar o efeito (inverso) para o qual Bruno de Carvalho tem lutado durante esta mandato: em vez de reaproximar cada vez mais os adeptos dos portões do estádio, estes irão afastar-se ainda mais de uma equipa potencialmente pouco competitiva e acima de tudo pouco vencedora. O presidente nunca escondeu que o clube poderá passar a maior travessia do deserto da sua história caso as receitas geradas com a bilheteira e com a quotização desçam a pique.

Marco Silva já leva 3 meses de trabalho… Quando Marco Silva assumiu o comando técnico do clube leonino, quer queiramos quer não (a desculpa do facto do clube ter perdido 2 centrais) assumiu um plantel com uma estrutura criada pelo seu antecessor. O facto do plantel do Sporting ter uma identidade de jogo construída não implica que o novo treinador traga e tente aplicar no método de trabalho do clube novas ideias e novas metodologias de treino e abordagem ao jogo. Contudo, o seu trabalho foi imensamente facilitado por Leonardo Jardim. Marco Silva optou por aproveitar o bom trabalho executado pelo seu antecessor, mas, por ora, ainda não se vê qualquer evolução trilhada durante todo o seu trabalho no comando técnico do clube. Posso inclusive dizer que equipa está a jogar pior do que aquilo que jogava com Jardim.

Se com Leonardo Jardim, a equipa jogava um futebol flanqueado satisfatoriamente fluído, toda essa fluidez desapareceu com Marco Silva. A equipa está mecanicamente adaptada para jogar para os flancos, extremamente previsível e sem qualquer rasgo de criatividade pelo miolo, apesar de, Nani constantemente procurar o centro do terreno para criar desequilíbrios. Marco Silva também tem utilizado Carlos Mané para as mesmíssimas tarefas. Os resultados ainda não foram visíveis.

Se defensivamente a saída de Rojo e as entradas de Sarr e Paulo Oliveira abalaram a estabilidade defensiva que Jardim construiu no ano passado (o argentino era peça fulcral nesta mesma estabilidade), Marco Silva tem apostado neste início de época no francês em detrimento do sólido central vindo do Vitória de Guimarães. E Naby-Sarr está a provar porque é que não era opção no modesto Lyon: é um central fraquíssimo do ponto de vista técnico e posicional. Sendo um central lento e desengonçado, jogar nas suas costas torna-se um objectivo de fácil realização para todos os avançados; é instável no desarme e comete erros infantis quando é chamado a abordar um avançado no 1×1; posicionalmente nunca se encontra no sítio onde deveria estar; tem imensas dificuldades em sair a jogar).

Outra das peças-chave da estabilidade defensiva leonina (William Carvalho) anda longe de nos deslumbrar novamente com o futebol que praticou no ano passado. Fora de forma, longe dos indíces físicos que garantem uma autêntica limpeza do seu perímetro de acção de 40 metros, William está a revelar-se mácio no controlo do meio-campo e muito instável no capítulo do passe. Confesso que já vi William falhar mais passes curtos durante os 4 jogos oficiais realizados do que na temporada passada completa.

No ataque a equipa demonstra imensos défices. É uma equipa que gosta de circular jogo mas circula-o em excesso: parece que existe uma enorme necessidade de uma jogada de ataque ser construída por todos os elementos da equipa. Não tendo a equipa um mecanismo de circulação e construção de jogo pelo miolo (Adrien pensa mas Martins não é capaz de vir buscar jogo e criar desequilíbrios nos últimos 30 metros pelo centro), a equipa opta por criar todo o seu jogo pelos flancos através de combinações entre os laterais e os extremos, facto que permite facilmente à equipa adversária durante a semana levar o trabalhinho de casa bem preparado (cortar às pontas, impor superioridade numérica nos flancos e entalar Slimani entre os dois centrais de forma a anular de forma eficaz todo o jogo que seja criado nas alas para o principal finalizador da equipa). A juntar ao facto da equipa não conseguir criar nos 3 corredores, tem facilitado a vida aos adversários do Sporting algum excesso de individualismo de alguns jogadores leoninos quando a equipa não consegue resolver os seus problemas como colectivo (casos de Carrillo, Nani, Capel) e a quantidade de passes falhados que a equipa efectua ao longo dos 90 minutos.

Não basta portanto a Marco Silva fazer análises concretas, objectivas e verosímeis daquilo que passa durante os 90 minutos, ou justificar os erros da sua equipa com a ansiedade dos jovens jogadores que comanda. Marco Silva terá que trabalhar afincadamente durante a semana, fazendo jus à sua característica de estudioso do futebol, de forma a arranjar soluções que permitam à equipa explorar os pontos fracos dos adversários e não cometer os erros que tem vindo a cometer até aqui.

Ao presidente do Sporting deverá este início de temporada ser acolhido como uma lição para o futuro: grandes objectivos necessitam de grandes empreitadas. A forma de pensar não deverá ser guiada de acordo com instintos automáticos ou factos consumados a-priori, ou seja, “se fomos capazes de conseguir um 2º lugar em ano com uma equipa limitada, seremos candidatos ao título se comprarmos 5 ou 6 bons jogadores capazes de ser alternativa de banco” – para se lutar pelo título em Portugal é forçosamente necessário ter uma equipa com 22 alternativas ao mesmo nível. Para se jogar uma competição como a Champions, competição na qual todos os pontos fracos são capitalizados por parte dos adversários, não pode haver lugar para complacências e para experimentalismos.
Estou certo que toda a estrutura do Sporting está descontente com o trabalho até agora realizado. A equipa tem potencial para mais daquilo que fez nos últimos 4 anos, indiferentemente dos seus objectivos. A Champions está aí à porta. Este momento é decisivo: o presidente deverá ter que adoptar uma postura férrea perante os seus jogadores. Há que trabalhar com afinco senão, esta temporada corre o risco de ser exactamente igual ao desastre que foi a temporada 2012\2013. O tempo para trabalhar o modelo de jogo da equipa e até mesmo a sua identidade começa a escassear: a partir de quarta-feira, o Sporting entrará num ciclo no qual terá 3 dias para pensar os seus próximos compromissos.