Antevisão – Quem são e como jogam os dinamarqueses?

Frente à Albânia Morten Olsen montou a sua selecção num 4x4x2 clássico, fazendo alinhar Kasper Schmeichel na baliza, um quarteto defensivo composto por Peter Ankersen na direita, Simon Kjaer e Andreas Bjelland no centro e Nicolas Boilesen na esquerda; William Kvist como elemento mais recuado de um meio-campo partilhado com Christian Eriksen, Pierre-Emile Hojberg na direita e Michael Krohn-Deli na esquerda, atrás de dois avançados: o jovem de 20 anos do RB Leipzig Yousouf Poulsen e do ponta-de-lança Niklas Bendtner.

O modelo de jogo desta selecção dinamarquesa é praticamente o mesmo desde que Morten Olsen chegou ao comando técnico da selecção em 2000: é uma selecção que gosta de praticar um futebol muito objectivo, muito directo para a área onde quase sempre tem um ponta-de-lança de grande envergadura física capaz de batalhar imenso no jogo aéreo com os centrais adversários e finalizar em potência. Se no passado Morten Olson contou com grandes avançados\pontas-de-lança como John Dahl Tomasson (este mais técnico, com características similares às que tinha João Vieira Pinto na selecção com Nuno Gomes ou Pauleta) ou Ebbe Sand (este tinha uma estampa física enorme e um fantástico poder de finalização) desde 2006 que apostou quase somente em Niklas Bendtner, sendo neste momento o jogador do Wolfsburg uma das maiores referências desta selecção. Apesar de Bendtner estar a passar ao lado daquela que poderia ser uma carreira muito interessante no futebol europeu, o jogador de 26 anos costuma fazer grandes jogos pela selecção. Leva a título de curiosidade 24 golos em 61 internacionalizações.

Simon Kjaer é o patrão desta defesa. O central de 25 anos, agora no Lille da Ligue 1, capitaneia esta selecção com a força física que lhe é característica. É um central duríssimo, forte na marcação, eficaz no desarme, forte no jogo aéreo (tanto defensivo como ofensivo) mas, é um jogador algo lento de movimentos quando o adversário tenta passar por ele em velocidade, facto que o obriga a cometer muitas faltas no solo. Cristiano Ronaldo e a nossa selecção poderão tirar partido da lentidão do central dinamarquês através de rápidas desmarcações do internacional português para as suas costas (é lento a ir ao encalce do adversário quando a bola é bombeada para as suas costas) ou através de 1×1 rápidos em contra-ataque. Se Cristiano tentar esta vertente no jogo de amanhã poderá condicionar muito cedo a sua acção caso consiga arrancar um cartão amarelo ao central.

Pela esquerda há que ter em atenção às subidas de Nicolas Boilesen. O lateral do Ajax é um lateral que gosta muito de subir pelo flanco esquerdo, flanco onde tentará combinar várias vezes com Krohn-Deli de forma a poderem colocar bolas para Bendtner. É um lateral que tem uma enorme capacidade de cruzamento.

No meio-campo, William Kvist é um jogador muito possante. Capaz de dar muita luta à batalha de meio-campo e de fazer as essenciais dobras aos laterais quando estes sobem no terreno, é o jogador que garante equilíbrio a um meio-campo de criativos: Christian Eriksen é o cérebro de toda a acção ofensiva desta equipa. Sobejamente conhecido de muitos, é o estratega desta equipa. A Selecção Portuguesa não só deverá pressioná-lo constantemente através dos homens da linha média (Tiago e João Moutinho, visto que Eriksen gosta de descair para o lado esquerdo) como em nenhuma altura do jogo deverá recorrer à falta à entrada da área, quer em zona central quer em zonas mais descaídas para os flancos porque Eriksen é um exímio marcador de bolas paradas, tanto directas para a baliza como para a área. Os dinamarqueses são fortíssimos no jogo aéreo. Eriksen também é um rematador interessante de meia distância.

Nas alas Michael Krohn-Deli é um jogador capaz de construir jogadas de perigo através dos seus cruzamentos para área assim como Pierre-Emile Hojbjerg. O jovem jogador do Bayern de Munique é um jogador muito vertical: tendo bola na direita, tenderá a passar em velocidade por Eliseu e cruzar para Bendtner ou Youssuf Poulsen. Este último é um jogador muito móvel, que gosta de vir buscar muito jogo às alas e sair rapidamente no contragolpe em velocidade.

No banco de suplentes, Morten Olsen irá dispor de soluções praticamente iguais aquelas que tem em campo: Lasse Schone é um jogador bastante parecido com Eriksen. É outro jogador mortífero muito eficaz no capítulo do passe e até costuma ser mais mortífero que Eriksen quando solicita os avançados com passes a rasgar na área. Também é um jogador que gosta de ter bola e pensar o jogo ofensivo da sua equipa, tarefa que desempenha no Ajax. Remata muito bem de meia distância, sendo também um interessante marcador de bolas paradas. Thomas Kahlenberg é uma opção válida para render Krohn-Deli na esquerda ou Hojberg na direita, sendo um criativo a jogar nas alas. Simon Poulsen é um lateral esquerdo de propensão ofensiva (é algo inseguro a defender) enquanto Jakob Poulsen é a solução mais efectiva para o lugar de Kvist.

Como soluções ofensivas de banco, Martin Olsen dispõe de Lasse Vibe e Martin Braithwaite. Apesar de serem jogadores bastante diferentes de Poulsen e Bendtner (Vibe até costuma dar-se melhor no lado direito do ataque apesar de também poder jogar no centro do terreno) são jogadores com apetência para finalizar. O jogador do Toulouse (Braithwaite marcou 11 golos na edição passada da Ligue 1) não se encontra na melhor forma neste início de temporada, não tendo sido utilizado por Martin Olsen no empate de sábado frente à Albânia. O golo que deu o empate aos dinamarqueses em terras albanesas foi precisamente apontado aos 81″ por Lasse Vibe.

O que é que deve fazer a selecção em Copenhaga?

– Iniciar a partida com posse de bola para retirar o habitual ímpeto inicial que os dinamarqueses demonstram nos primeiros minutos dos jogos em casa.
– Pressionar Christian Eriksen. Não deixando o jogador do Tottenham ter bola, a equipa portuguesa limita os processos ofensivos da equipa dinamarquesa.
– Evitar faltas no último terço.
– Sair em velocidade em contra-ataque. Tanto Danny como Nani deverão aproveitar o espaço em vazio deixado pelas subidas dos laterais dinamarqueses para criar desequilíbrios pelas alas em contra-ataque. Ronaldo deve tentar incutir velocidade pelo eixo central.
– Os laterais portugueses devem impedir ao máximo o jogo que os dinamarqueses fazem pelo corredor para estancar o número de bolas que estes tentam colocar para Bendtner finalizar. Para isso, tanto os alas como os médios interiores devem ajudar a fechar nas alas para impedir superioridade numérica dos dinamarqueses pelos flancos.
– Controlar a partida através da posse de bola. Os dinamarqueses odeiam equipas que gostam de circular bola no seu meio-campo. A qualquer momento concederão um espaço para a equipa portuguesa criar desequilíbrios.
– Ganhar o máximo numero de faltas aos centrais contrários. Não só para Ronaldo ter hipótese de almejar a baliza de Schmeichel como para condicionar a actuação dos centrais. Em dia sim de Ronaldo, caso um dos centrais dinamarqueses seja punido bastante cedo no jogo com um amarelo, estes podem desorientar-se com as constantes movimentações do Português, tornando a missão da equipa portuguesa muito mais fácil no plano ofensivo.
– Lançar rapidamente todas as situações passíveis de transição rápida. A equipa portuguesa é muito mais rápida que a dinamarquesa, povoa com mais homens as zonas centrais e tem jogadores capazes de lançar os 3 da frente nas costas da defensiva contrária assim que recuperam a bola a meio-campo. Ronaldo será mais rápido a chegar às bolas que Kjaer ou Bjelland. Danny e Nani poderão ter muito espaço para jogar nas alas em contra-ataque. Em ataque organizado será de esperar que tanto Krohn-Deli como Hojbjerg desçam para ajudar os seus laterais.
– Ricardo Carvalho e Pepe não poderão dar um milimetro de espaço de Niklas Bendtner. Se o derem, o dinamarquês não irá perdoar muitas oportunidades de finalização.

Crónica: França – Portugal

Portugal foi (mais uma vez) derrotado pela França. Desta vez por 1-2, num jogo de carácter amigável realizado no Stade de France e que marcou a estreia de Fernando Santos ao leme da Seleção Nacional.

Portugal entrou em 4-4-2 losango, com Rui Patricio; Eliseu, Bruno Alves, Pepe, Cédric; Tiago, Moutinho, André Gomes, Nani; Ronaldo, Danny. Um onze inédito, uma táctica inédita, mas que começou mal. A França entrou fortíssima, criou superioridades numéricas nas alas e lá marcou, num bom lance de ataque, onde Benzema concluíu após uma defesa incompleta de Rui Patrício. Estava feito o 0-1. Portugal sentiu a entrada francesa e o golo. A equipa estava num colete de forças e defendia demasiado de Ronaldo para esticar o jogo. Estava difícil quebrar a primeira linha de pressão francesa e a excelente entrosão entre o trio francês Pogba (que jogo!), Matuidi e Cabaye. Aos poucos, a equipa foi começando a impor o seu jogo, principalmente a partir do momento que Moutinho e Danny começaram a subir de rendimento. Portugal criou duas excelentes oportunidades para marcar, por Danny e Nani, mas faltou sempre “um danoninho”…

Na segunda parte, Fernando Santos mudou alguns jogadores, entrou Ricardo Carvalho para o lugar de Bruno Alves e William Carvalho para o lugar de André Gomes. A equipa manteve o 4-4-2 losango, Tiago subiu para 8 e a equipa melhorou imenso. William Carvalho tomou conta do centro do terreno, Tiago ficou com mais liberdade para soltar a bola com um-dois toques. A equipa começou a carburar, começou a jogar no último terço atacante e criou 2 boas oportunidades de golo. Quando estávamos por cima…golo da França. Mais uma infantilidade do lado direito de Portugal (Cédric…) a dar espaço a Evra, bom cruzamento, Benzema segura bem a bola e solta para Pogba que colocou a bola fora do alcance de Rui Patricio. Game Over?

Diriam muitos. João Mário entra e logo a seguir, consegue “sacar” um penalti por falta inexistente de Pogba. Na conversão do mesmo, Quaresma não perdoou e voltou a fazer Portugal acreditar no empate (que a meu ver, era merecido). Mas a França, a partir do golo sofrido, aumentou os índices de concentração e, já com as saídas de Ronaldo, Nani e com o desgaste acumulado de Danny, ficámos com menos espaço para marcar a diferença no último terço. Resultado final: 2-1.

Em suma, um jogo que, a meu ver, deixa boas perspetivas para o jogo contra a Dinamarca. Ofensivamente, estamos a carburar relativamente (mal seria, com tanto talento), temos um meio-campo que fez frente a um dos melhores trios internacionais da atualidade, e parece-me que vamos conseguir um resultado frente à Dinamarca.

Rui Patricio (3) – Sem culpa nos golos, era difícil fazer mais no primeiro e faltava uma apoio mais próximo a impedir a recarga de Benzema. Seguro com os pés.

Eliseu (2) – Notou-se que estava com falta de confiança e cometeu um erro grave, que felizmente não deu golo. Aos poucos foi-se soltando, e já na segunda estava completamente envolvido na manobra atacante de Portugal…mas sempre com dificuldades a defender. Uma exibição globalmente abaixo do razoável.

Pepe (4) – Apesar de termos sofrido dois golos, foi o melhor em campo de Portugal. Interceptou inúmeras bolas na grande área, ganhou quase todos os duelos aéreos e também teve momentos onde apoiou o ataque na construção. Goste-se ou não do estilo, continua a ser um grande central. O nosso melhor central.

Bruno Alves (2) – Apoiou bem Pepe mas falta-lhe capacidade de construção. Também me pareceu algo lento a recuperar a posição. Deveria estar a cobrir Benzema no lance do primeiro golo.

Cédric (2) – O elo mais fraco da defesa, apesar de ter a mesma nota de Eliseu. Imensas dificuldades a defender. Continua a não cruzar bem. Nota positiva para a circulação de bola na sua zona, melhor do que no flanco contrário.

Tiago (3) – Na primeira parte, assumiu a posição de 6 e não esteve no seu melhor. Fernando Santos pediu-lhe para circular a bola com 1-2 toques e cometeu alguns erros devido às linhas de pressão da França. Na segunda parte, com a entrada de William, subiu para 8, a sua melhor posição, e o seu rendimento melhorou muito. Foi importante na forma como assumimos o jogo na segunda parte.

Moutinho (3) – Sempre em alta rotação, apesar de ter feito um jogo menos conseguido em termos individuais. Trabalhou sempre em prol da equipa, assumiu o jogo na primeira parte e na segunda parte ajudou em assumir o controlo da partida. Acabou desgastado.

André Gomes (2) – Nota-se que está em boa forma, com a confiança em alta, mas não fez um bom jogo. O André tem uma imensa facilidade em esticar o jogo com o passe e está cada vez melhor na forma com aborda os lances no último terço, mas acabou engolido pelo meio-campo francês. Teve uma boa oportunidade na primeira parte, que concretizou pessimamente. Saiu ao intervalo.

Nani (3) – Nani jogou numa posição entre o flanco direito e o centro, mas no papel assumiu o vértice adiantado do 4-4-2 losango. Fez uma exibição acima do razoável, bons momentos técnicos e de entrosamento com Danny e criou uma boa oportunidade na primeira parte. Na segunda parte perdeu fulgor e foi eventualmente substituído.

Danny (3) – Apesar de ter falhado duas boas oportunidades, foi fundamental na ligação entre o meio-campo e o ataque. As triangulações aconteceram muito devido a ele.

Ronaldo (2) – Não fez um bom jogo. Varane tapou-o muito bem. Não teve a sorte do jogo quando precisava dela, mas nunca virou a cara à luta. Um bom cabeceamento para uma excelente defesa de Mandanda. Que se esteja a guardar para a missão Dinamarca.

William Carvalho (4) – Excelente exibição do médio do Sporting. Impôs a sua lei com uma circulação de bola assertiva no passe curto e longo, e deu robustez à zona central do meio-campo.

Ricardo Carvalho (3) – A idade, quando se tem esta qualidade, ainda é um posto. Podia ter sido mais agressivo no remate de Pogba para o 2-0, mas esteve sempre bem a guardar a sua zona.

Eder (2) – Entrou para dar mais presença na área e apoio frontal na saída para a transição. Esteve bem no último aspecto, não adicionou nada no primeiro.

Quaresma (1) – Marcou o golo. Em todas as intervenções que fez, péssimo. Até dava nota não fosse o golo.

João Mário (3) – Excelente entrada do médio do Sporting. “Sacou” o penalti, deu capacidade de transporte no segundo terço do campo e fez um excelente remate colocado que não entrou por pouco. Aos poucos, começa-se a ganhar noção que poderá estar nele um grande futuro.

Vieirinha (-) – Sem tempo.

Momentos #31

1ª parte – Marselha 1984 – O dia em que o herói francês Michel Platini e o herói impróvável Jean-François Domergue (segundo reza a história foi o convocado de última hora de Michael Hidalgo para suplantar a lesão de Yves Le Roux; entre 1984 e 1989 só faria 9 jogos pela selecção francesa, tendo feito os únicos 2 golos pelos Bleus naquele jogo no Velodrome) ofuscaram os melhores jogos das carreiras de Rui Jordão e Chalana.

Quando Nuno Gomes inaugurou o marcador no Heysel (re-baptizado Stade de le Roi Baudouin (Koning Boudewijn) depois da tragédia que ceifou a vida a dezenas de adeptos da Juventus e do Liverpool) todos nós estavamos a viver um autêntico sonho!

No início da competição, tínhamos dúvidas em relação ao potencial da nossa selecção. A qualificação tinha sido sofrida. A fase de qualificação para o Mundial de 1998 tinha sido repleta de casos: desde a expulsão injusta de Rui Costa (no Alemanha vs Portugal) ao soco de Sá Pinto em Artur Jorge. Até ao último momento, esperámos um deslize da Roménia que nos permitisse a qualificação directa. Conseguimos a qualificação como melhores segundos. Na altura vivia-se um autêntico clima de euforia no futebol português. Tínhamos ganho a organização do Euro 2004, víviamos os tempos áureos de Figo, de Couto, Rui Costa, Conceição, João Vieira Pinto, Nuno Gomes, de toda uma geração (cujo trabalho de base desde as camadas jovens até aquele momento era de 15 anos) que nos acalentava a possibilidade de atingir um dia as meias-finais de um europeu ou as meias-finais de um mundial.

O grupo não era fácil. A Inglaterra, embalada pelos Boys de Ferguson e por um conjunto de grandes jogadores de outros clubes como Sol Campbell, Seaman, Tony Adams, Alan Sharear, Owen, Mcmanaman, Southgate, Paul Ince, Steven Gerrard, Ian Wright ou Robbie Fowler era uma das principais candidatas à vitória do torneio. Ficou pelo caminho, graças ao célebre golo que dá o título a este blog. A Alemanha de Kahn, Babbel, Mehmet Scholl, Hassler, Kirsten, Mathaus, Jens Lehmann, Ballack, Dietmar Hamann, Jens Jeremies, Ziege, Deisler, Jancker, Bierhoff, Hans-Joerg Butt) era um colosso que, 2 anos depois da derrota que nos deixaria de fora do Mundial, naturalmente nos assustava. Ficou de fora devido à melhor exibição da carreira de Sérgio Conceição. A Roménia tinha vencido o nosso grupo de qualificação. Apurou-se mas antes provou com o fel com que nos tinha eliminado: um golo de Costinha nos últimos minutos.

A geração de ouro triunfava. Nos 3 jogos da fase de grupos e no jogo dos quartos frente à Turquia. Jogo no qual se bem se lembram, Figo trocou as voltas a um turco no lance do primeiro golo da partida.

Nuno Gomes marcava naquele fantástico volley. Mas a França tinha outros planos… A campeã mundial suou (Zidane suou) para nos eliminar de penalty naquele lance que todos, 14 anos depois, temos a bondade de perdoar a Abel Xavier.

Munique, 2006 – Como diz o típico ditado português “não há duas sem três” – A França seria novamente carrasca nas meias-finais de uma prova internacional por selecções. Das 5 vezes que atingimos esta fase, por 3 caímos contra os franceses. A espinha dorsal da nossa selecção era outra, construída por Mourinho no Porto. Acrescentada e valorizada com a experiência de Figo e a juventude de Cristiano Ronaldo. A história repetiu-se: num jogo de ocasiões de golo repartidas, Zizou capitulou o único erro de Ricardo Carvalho na marca dos onze metros. De nada valeu aquele penalty a Zizou senão a obtenção de uma medalha de prata na final que ficará para sempre marcada como o final de carreira inglório para o grande maestro do futebol gaulês.

Uma questão de importância

Compreendo o facto de Fernando Santos precisar de utilizar o jogo contra a França para testar jogadores e testar o modelo de jogo que pretende implantar nesta selecção durante os próximos 2 anos. Compreendo que a ausência de William Carvalho do jogo contra a França possa impedir o seleccionador nacional de testar com exito a equipa pela primeira vez dada a importância do jogador do Sporting num dos sectores vitais do habitual modelo de jogo do seleccionador português (Fernando Santos é um daqueles treinadores que dá muito enfase ao povoamento do meio-campo de forma a não só constituir ali uma enorme e bem articulada cortina de pressão que impeça as equipas adversárias de progredir como deverá pretender que o jogador do Sporting recupere muitas bolas a meio-campo para lançar imediatamente o contra-ataque) mas, dada a importância do jogo de amanhã da selecção de sub-21 (não desconsiderando que esta selecção serve essencialmente para potenciar jogadores ao mais alto nível) não seria benéfico para as aspirações desta selecção que William Carvalho, João Mário e André Gomes pudessem dar o seu contributo em Alkmaar, regressando posteriormente ao compromisso oficial dos AA?

Momentos #28

Naquele momento em que Silvestre Varela encheu o pé com convicção e deu uma nova vida à nossa Selecção na campanha disputada na Polónia e Ucrânia.

Os dinamarqueses já nos tinham vencido em Copenhaga na última jornada da ronda de qualificação, atirando-nos para um playoff que seria disputado frente à Bósnia (também em virtude da vitória obtida pelos suecos naquele preciso dia frente à Selecção Holandesa, resultado que permitiu à turma nórdica arrebatar a posição de 2º melhor classificado de todos os grupos de qualificação). Em Lviv, os comandados de Morten Olsen estiveram a um passo de nos eliminar do Europeu, num jogo em que a nossa selecção entrou muito bem na partida com 2 golos no primeiro tempo (Pepe e Postiga) mas viria a permitir que Niklas Bendtner complicasse as coisas com dois golos ao minuto 41 e 80.

Vindo do banco aos 84″ num autêntico acto de desespero de Paulo Bento (o seleccionador trocou Meireles por Varela, passando a jogar num 4x2x4 com uma frente de ataque alargada – Varela, Postiga, Nelson Oliveira, Cristiano Ronaldo – numa altura em que os dinamarqueses poderiam ter chegado facilmente ao golo da vitória), o então jogador do Porto (agora por empréstimo aos ingleses do WBA; não convocado por Fernando Santos para este duplo compromisso) fez o 3-2 que nos permitiria sonhar com a qualificação frente à Holanda na derradeira partida do grupo.

Passados 2 anos, não tenho dúvidas em afirmar que este golo de Silvestre Varela é um dos golos mais importantes da história do nosso futebol.

A remodelação de Santos

Não me chocou nadinha a remodelação pincelada pelo novo seleccionador nesta primeira fase de chamadas. Não considero que o novo seleccionador tenha revolucionado ou renovado o quer que seja com a inclusão de jogadores que neste momento acrescentam experiência (a média de idades dos convocáveis até subiu quase 2 anos para os 29) e qualidade (derivado da forma que alguns atravessam nos seus clubes, caso de José Fonte, Ricardo Carvalho ou Tiago). O momento é duro e obriga a selecção a uma resposta fortíssima contra a França e contra a Dinamarca. Se o primeiro, amigável, servirá para Fernando Santos testar o lado esquerdo da defesa (Antunes e Eliseu deverão jogar meio tempo cada um; pessoalmente prefiro a regularidade de processos do jogador do Málaga à instabilidade defensiva e dificuldade que o jogador do Benfica tem nos processos defensivos, em específico na defesa 1×1 e no posicionamento; jogar para as costas de Eliseu parece tarefa fácil para qualquer flanco direito adversário da equipa de Jorge Jesus), experimentar tacticamente os re-seleccionados e dar minutos internacionais a jovens que indiscutivelmente irão ganhar o seu espaço nos convocados, casos de André Gomes, Ivo Pinto e João Mário, o segundo, a doer, obriga, pela obrigação de nos qualificarmos para o Europeu, a um tratamento de choque que só pode ser realizado por quem neste momento tem a experiência e a forma necessária para enfrentar este tipo de desafios. Danny, Quaresma, Tiago e Carvalho são jogadores habituadíssimos a lidar com esse tipo de pressão e tem todas as condições no momento para cumprir os objectivos que (volto a considerar) obrigatórios para uma selecção do nosso nível.

Quanto aos que ficaram de fora: Não tenho uma única crítica a fazer contra o seleccionador nacional. Saíram todos aqueles que estão a mais (só Paulo Bento é que continuava a chover no molhado) e aqueles que para já, não tem neste de perto nem de longe o estatuto de seleccionáveis para a AA, casos de Cavaleiro, Ricardo Horta. Juntando a estes, Ruben Vezo também foi preterido por causa dos compromissos da selecção de sub-21 (playoff de apuramento para o Europeu do escalão frente à Holanda. Se os dois primeiros não tem espaço nesta selecção, assim como Pedro Tiba (claramente a 6ª opção para a posição depois de Adrien, João Mário, Moutinho, André Gomes e Raúl Meireles), já Ruben Vezo tem lugar nesta equipa pelas exibições de altíssimo nível que tem realizado em Valência e pelo facto de Pepe e Ricardo Carvalho estarem bastante perto do adeus à selecção (o primeiro poderá renunciar em 2016, o segundo pode nem sequer jogar esse Europeu caso seja novamente achatado a lesões).