Crónica #20 – Atlético de Madrid 2-0 Espanyol

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Como é hábito na Liga Espanhola desde há 2\3 anos para cá, disputou-se mais um jogo da jornada (a 8ª) ao meio-dia local (11 horas em Portugal ) cabendo neste fim-de-semana, fruto dos acordos comerciais de transmissão televisiva que a Liga de Clubes Espanhola tem com o mercado audiovisual do Sudeste Asiático (o jogo da manhã de domingo passa em horário nobre em países como a China e o Japão) ao Atlético de Madrid e Espanyol a disputar a partida no referido horário.

Jogo de sentido único durante os 90 minutos, com clara supremacia do Atlético perante uma equipa do Espanyol que se limitou a defender durante a primeira parte, construíndo apenas 1 lance de perigo durante os 90 minutos.

Diego Simeone não podia contar com um jogador para a partida. Castigado depois de ter sido expulso na última partida a contar para a Liga em Valência, Alessio Cerci viu o jogo da bancada. Miranda foi poupado devido ao facto de ter chegado tarde a Madrid da digressão do escrete na Ásia (jogos contra a Argentina na China e contra o Japão em Singapura já na quarta de manhã). Para o seu lugar Simeone escolheu o central uruguaio José Maria Giménez para fazer dupla com o seu compatriota Diego Godin no eixo da defensiva colchonera. Tiago cumpriu apenas 53″ minutos em campo, fazendo uma excelente exibição apesar da substituição no início da 2ª parte, que apenas se justifica pelo facto do português ter alinhado os dois jogos pela selecção num curto espaço de tempo e, aos 33 anos, já não ser um jogador, como o próprio admite para fazer 90 minutos de 3 em 3 dias. O português contribuiu mais uma vez para o equilíbrio defensivo da equipa madridista, recuperando muitas bolas a meio-campo. Revelou também como é hábito nas suas exibições muita segurança no passe, realizando, segundo a estatística fornecida pela Liga, 43 passes certos em 49 tentativas nos 53 minutos em que esteve em campo. Marcou o primeiro golo da partida ao cair do pano do primeiro tempo, desbloqueando um jogo que até então estava a ser bastante difícil para a equipa rojiblanca pela atitude defensiva demonstrada pelo Espanyol no primeiro tempo.

Já Sérgio Gonzalez (antigo médio do Espanyol, Deportivo e Selecção Espanhola, agora treinador do Espanyol) não pode contar com 3 jogadores influentes na equipa para esta partida: o médio Abraham, o médio ala Victor Sanchez e o defesa-central internacional mexicano Hector Moreno.

Com um começo algo atribulado, o campeão em título entrou em campo pressionado de antemão pelas vitórias conseguidas por Real Madrid e Barcelona no dia anterior. A equipa de Simeone não poderia de maneira alguma perder mais pontos para as outras duas superpotências do campeonato espanhol.
Foi isso que a equipa orientada pelo técnico argentino fez: atacar de início para marcar cedo e gerir a vitória. Contudo, não seria fácil marcar cedo na partida, apesar da primeira oportunidade de golo ter surgido logo aos 2 minutos através de um canto na direita no qual Gabi bateu com algum veneno para a pequena-área onde apareceu Arda a atirar para uma defesa enorme de Kiko Casilla por instinto. A bola ainda sobrou para Mario Mandzukic. Perante a pressão de um opositor tentou emendar mas não conseguiu. Aproveitando algum desposicionamento dos laterais do Espanyol nas alas (Javi Lopez e Victor Alvarez) a equipa de Simeone, em ataque organizado durante a primeira parte dado o bloco baixo aplicado pelo Espanyol, tentou usar os corredores laterais (Ansaldi muito subido no terreno na esquerda; Juanfran bem apoiado na direita por Koke, Gabi ou Raúl Garcia; muita troca posicional entre os homens do meio-campo de Simeone) para colocar bolas na área em cruzamentos muito bem medidos que tanto Diego Colotto como Alvaro Gonzalez conseguiam afastar com eficácia, ou, Mario Mandzukic acabava por desperdiçar cometendo muitas faltas sobre os defensores da equipa de Barcelona.

Desde logo se percebeu que o Espanyol vinha ao Calderón jogar para o empate. Na 1ª parte, a equipa de Sérgio Gonzalez conseguiu articular uma defesa profunda no seu meio-campo, pressionante e mostrou apetência para lutar pela bola e sair em transições em velocidade. Na única transição em contra-ataque que conseguiram meter na partida com relativa facilidade concedida pelo meio-campo colchonero, Sérgio Garcia ganhou a bola na esquerda, passou por dois adversários e serviu ao 2º poste com um cruzamento tenso Lucas Vázquez. O jovem espanhol emprestado pelo Real Madrid atirou para defesa de Moya. A partir daí, o Espanyol não viria a criar perigo de maior para a baliza do guardião do Atlético. Lucas Vazquez foi uma das unidades mais agradáveis na péssima exibição da equipa de Barcelona. O jovem de 23 anos é um jogador muito rápido, muito explosivo e bom no 1×1. Peca apenas por não soltar a bola a tempo quando se coloca em dribles pelo meio-campo, perdendo algumas bolas que depois resultam em contra-ataques perigosos da equipa adversária.

Depois desse lance, até aos 43″ só daria Atlético de Madrid. As ocasiões sucederam-se:
– aos 15″ Koke ensaiou o remate de meia-distância. A bola saiu tensa dos seus pés, obrigando Kiko Casilla a defender para canto.
– aos 16″ Gabi tentou assistir da direita Raúl Garcia na área. O internacional espanhol tentou um pontapé de moínho que saiu ao lado da baliza de Casilla. Este controlou o lance mas quase foi traído pelo golpe de vista.Em ataque organizado, a equipa do Atlético sentia algumas dificuldades para furar a linha média bem articulada que o meio-campo do Espanyol dispunha no seu meio-campo. Sem conseguir jogar entre linhas, Raúl Garcia era obrigado a vir atrás buscar jogo ao meio-campo e Simeone sentiu necessidade de colocar Koke no miolo, fazendo cair Gabi para a direita do terreno (Sérgio Garcia apercebeu-se da inferioridade numérica e mandou colocar 3 jogadores a fechar aquele flanco; Javi Fuentes ajudou o lateral e o ala a fechar o flanco) e Arda para a esquerda, ,local onde também caiu muitas vezes Mandzukic. O Atlético voltava a carregar:
– aos 33″, quando a equipa de madrid já aparentava algum nervosismo por estar a carregar com vários cruzamentos para Mandzukic que Colotto conseguia cortar de forma eficaz, Koke trocou as voltas a Victor Alvarez com uma simulação na qual deu entender ao lateral que iria cruzar, mantendo o esférico por mais alguns segundos na sua posse, cruzou finalmente e Kiko Casilla com uma saída longa quase até ao limite da grande área quase comprometeu perante a pressão e cabeceamento de Mandzukic. Contudo, o árbitro Vicandi Garrido já tinha assinalado falta do avançado croata sobre o guarda-redes recentemente convocado para a selecção Espanhola. Casilla é desejado tanto por Real Madrid como por Atlético. Simeone andará por estes dias algo descontente com o facto de ter gasto imensos milhões nas contratações de Oblak e Miguel Angel Moya e nenhum dos dois estar a ter um rendimento satisfatório. Fala-se na imprensa inglesa que Simeone pediu à direcção de Enrique Cerezo Petr Cech na reabertura do mercado em Janeiro. Kiko Casilla tem demonstrado ser o guarda-redes mais in da Liga durante esta temporada. Muito seguro entre os postes, com grandes reflexos, algo extemporâneo a sair fora deles, mas, muito destemido e eficaz quando é chamado a socar com os punhos bolas divididas ou bolas que levam sucessivos cabeceamentos na área sem que a sua defesa alivie prontamente o esférico.
– Aos 40″ Raúl Garcia tentou rematar da meia-lua com a bola a sair ligeiramente ao lado da baliza da equipa de Barcelona.

Água mole em pedra dura, tanto bate…

Foi o que aconteceu ao minuto 43″ com o golo de Tiago. Um primeiro canto de Gabi tinha deixado a ameaça. Cabeceamento de José Giménez para nova defesa por instinto de Casilla. Novo canto. Canto curto batido por Gabi para Raúl Garcia que vem às imediações da área recolher a bola e tentar um cruzamento rasteiro tenso que Casilla defende para a frente, depois de uma dividida, Garcia fica com a posse do esférico, dá para trás e Gabi coloca a bola com precisão na cabeça de Tiago que disfere um poderoso cabeceamento arqueado que Casilla não tem qualquer hipótese de defender. Estava feito o 1-0 mesmo ao cair do pano. Merecedíssimo para a primeira parte realizada pela equipa da casa.

Estatísticas de intervalo:
-Tiago e Arda – passe – 32\40 para o português, 32\42 para o turco. Razoável eficácia. A bola passou sempre pelo português.

Na 2ª parte, o Espanyol tentou subir as suas linhas e colocar mais velocidade nas transições. Apesar dos jogadores do ataque do Espanyol terem conseguido executar algumas circulações de bola à entrada da área com passes efectivos e constantes combinações, os defensores do Atlético de Madrid nunca deixaram que a equipa catalã causasse perigo para a baliza de Moya.
Tiago cometeu 3 faltas nos primeiros 5 minutos. Simeone tratou de refrescar aquela posição com a entrada de Mário Suarez aos 53″. O espanhol não comprometeu defensivamente, mantendo o mesmo equilíbrio que Tiago tinha conseguido dar ao jogo defensivo da equipa. Por várias vezes, Mário colocou-se junto dos centrais e aliviou com efectividade algumas bolas que os jogadores do Espanyol tentavam colocar na área à espera de um toque de Felipe Caicedo.

Aos 55″, o veterano Sérgio Garcia, grande referência desta equipa do Espanyol pediu para sair. Sérgio Gonzalez colocou Alex Fernandez na sua posição, nas costas de Caicedo. O veteraníssimo dos espanhóis da catalunha ainda ameaçou na primeira parte com duas arrancadas em drible. Não passou da ameaça e da tentativa de servir Lucas Vazquez. Não foi o jogador expansivo que costuma ser e limitou-se a cumprir as orientações dadas por Sérgio Gonzalez (defesa baixa e contra-ataque).

O Atlético voltou a pegar no jogo. Aproveitando mais um desposicionamento do lateral-esquerdo (Alvaro Gonzalez), Arda, agora colado à direita tentou construir algumas jogadas de perigo pelo flanco. Valeram-lhe 3 cantos consecutivos. Aos 57″ e 61″ os jogadores do Atlético haveriam de reclamar duas grandes penalidades:
– na primeira, surgida de um canto ganho de forma inteligente pelo turco, Caicedo abalrroou Diego Godin impedindo o uruguaio de cabecear. Penalty claríssimo que o árbitro da partida não viu.- na segunda, Raúl Garcia rematou na meia-lua para um corte com o braço de um jogador do Espanyol. Pareceu-me que este tentou proteger a cara com as mãos. Lance duvidoso. Não consegui precisar se houve ou não intenção de cortar o lance com a mão ou se esta foi colocada apenas para proteger o rosto ao remate de Garcia. O remate foi feito muito muito perto.

Sergio Gonzalez tentou mexer novamente na equipa com a saída de Felipe Caicedo para a entrada de Christian Stuani. O uruguaio pouco mais haveria de acrescentar ao jogo. Teve oportunidade de reduzir aos 84″ quando, solto de marcação no coração da área, cabeceou por cima da baliza de Moya.

O Atlético voltou a carregar. Se aos 63″ Mandzukic voltou a dar uma oportunidade para Casilla brilhar com um remate forte já dentro da área depois de ter passado por Colotto com uma recepção orientada para a frente com o peito, e três minutos mais tarde, Casilla teve que sair a punhos por duas vezes na mesma jogada (primeiro, na zona de penalty, à tentativa efectuada por Antoine Griezmann “entretanto entrado para o lugar de Arda”, e depois a soco numa bola pelo ar resultante do ressalto que a defensiva do espanyol não aliviou), aos 70″, um lance onde a equipa do Espanyol foi ultrapassada por 2 vezes no ar daria o golo que terminaria com o jogo. Canto batido na direita, bola para o 2º poste, um primeiro cabeceamento, um segundo de Gimenez e Mario Suarez a empurrar novamente no poste contrário. Suarez pediu desculpa ao uruguaio por lhe ter “tirado” um golo já feito pelo seu cabeceamento.

Até ao final, a equipa do Espanyol tentou reagir mas não conseguiu desfeitiar a baliza de Moya. Mais perto esteve Antoine Griezmann de chegar ao 3º golo dos colchoneros em 3 lances lances que não deram em nada porque no primeiro foi desarmado na hora h por um adversário depois de uma excelente desmarcação para as costas da defesa, no segundo, Kiko Casilla não lhe permitiu e no terceiro atirou ao poste depois de passar pelo guardião espanhol.

Vitória justa do Atlético de Madrid que assim conseguiu não perder mais terreno para Barcelona e Real Madrid.

para ler

Tiago

Na Marca – Tiago, um bom vinho português: Melhor, a cada ano que passa…

Quando pensava em Tiago há 2 anos atrás, via-o como um reformado do futebol europeu a gozar o início da sua reforma num clube de nível médio como era então o Atlético de Madrid, crónico candidato a um lugar europeu e a uma distinta campanha na Liga Europa. Desde o ano passado que tudo mudou no pensamento. Assim como mudou a minha forma de pensar em relação ao próprio Atlético de Madrid.

Importante a atacar, importante a defender, importante a recuperar bolas e sobretudo a não as perder. Importante até no balneário de Cholo Simeone.

Antevisão – Quem são e como jogam os dinamarqueses?

Frente à Albânia Morten Olsen montou a sua selecção num 4x4x2 clássico, fazendo alinhar Kasper Schmeichel na baliza, um quarteto defensivo composto por Peter Ankersen na direita, Simon Kjaer e Andreas Bjelland no centro e Nicolas Boilesen na esquerda; William Kvist como elemento mais recuado de um meio-campo partilhado com Christian Eriksen, Pierre-Emile Hojberg na direita e Michael Krohn-Deli na esquerda, atrás de dois avançados: o jovem de 20 anos do RB Leipzig Yousouf Poulsen e do ponta-de-lança Niklas Bendtner.

O modelo de jogo desta selecção dinamarquesa é praticamente o mesmo desde que Morten Olsen chegou ao comando técnico da selecção em 2000: é uma selecção que gosta de praticar um futebol muito objectivo, muito directo para a área onde quase sempre tem um ponta-de-lança de grande envergadura física capaz de batalhar imenso no jogo aéreo com os centrais adversários e finalizar em potência. Se no passado Morten Olson contou com grandes avançados\pontas-de-lança como John Dahl Tomasson (este mais técnico, com características similares às que tinha João Vieira Pinto na selecção com Nuno Gomes ou Pauleta) ou Ebbe Sand (este tinha uma estampa física enorme e um fantástico poder de finalização) desde 2006 que apostou quase somente em Niklas Bendtner, sendo neste momento o jogador do Wolfsburg uma das maiores referências desta selecção. Apesar de Bendtner estar a passar ao lado daquela que poderia ser uma carreira muito interessante no futebol europeu, o jogador de 26 anos costuma fazer grandes jogos pela selecção. Leva a título de curiosidade 24 golos em 61 internacionalizações.

Simon Kjaer é o patrão desta defesa. O central de 25 anos, agora no Lille da Ligue 1, capitaneia esta selecção com a força física que lhe é característica. É um central duríssimo, forte na marcação, eficaz no desarme, forte no jogo aéreo (tanto defensivo como ofensivo) mas, é um jogador algo lento de movimentos quando o adversário tenta passar por ele em velocidade, facto que o obriga a cometer muitas faltas no solo. Cristiano Ronaldo e a nossa selecção poderão tirar partido da lentidão do central dinamarquês através de rápidas desmarcações do internacional português para as suas costas (é lento a ir ao encalce do adversário quando a bola é bombeada para as suas costas) ou através de 1×1 rápidos em contra-ataque. Se Cristiano tentar esta vertente no jogo de amanhã poderá condicionar muito cedo a sua acção caso consiga arrancar um cartão amarelo ao central.

Pela esquerda há que ter em atenção às subidas de Nicolas Boilesen. O lateral do Ajax é um lateral que gosta muito de subir pelo flanco esquerdo, flanco onde tentará combinar várias vezes com Krohn-Deli de forma a poderem colocar bolas para Bendtner. É um lateral que tem uma enorme capacidade de cruzamento.

No meio-campo, William Kvist é um jogador muito possante. Capaz de dar muita luta à batalha de meio-campo e de fazer as essenciais dobras aos laterais quando estes sobem no terreno, é o jogador que garante equilíbrio a um meio-campo de criativos: Christian Eriksen é o cérebro de toda a acção ofensiva desta equipa. Sobejamente conhecido de muitos, é o estratega desta equipa. A Selecção Portuguesa não só deverá pressioná-lo constantemente através dos homens da linha média (Tiago e João Moutinho, visto que Eriksen gosta de descair para o lado esquerdo) como em nenhuma altura do jogo deverá recorrer à falta à entrada da área, quer em zona central quer em zonas mais descaídas para os flancos porque Eriksen é um exímio marcador de bolas paradas, tanto directas para a baliza como para a área. Os dinamarqueses são fortíssimos no jogo aéreo. Eriksen também é um rematador interessante de meia distância.

Nas alas Michael Krohn-Deli é um jogador capaz de construir jogadas de perigo através dos seus cruzamentos para área assim como Pierre-Emile Hojbjerg. O jovem jogador do Bayern de Munique é um jogador muito vertical: tendo bola na direita, tenderá a passar em velocidade por Eliseu e cruzar para Bendtner ou Youssuf Poulsen. Este último é um jogador muito móvel, que gosta de vir buscar muito jogo às alas e sair rapidamente no contragolpe em velocidade.

No banco de suplentes, Morten Olsen irá dispor de soluções praticamente iguais aquelas que tem em campo: Lasse Schone é um jogador bastante parecido com Eriksen. É outro jogador mortífero muito eficaz no capítulo do passe e até costuma ser mais mortífero que Eriksen quando solicita os avançados com passes a rasgar na área. Também é um jogador que gosta de ter bola e pensar o jogo ofensivo da sua equipa, tarefa que desempenha no Ajax. Remata muito bem de meia distância, sendo também um interessante marcador de bolas paradas. Thomas Kahlenberg é uma opção válida para render Krohn-Deli na esquerda ou Hojberg na direita, sendo um criativo a jogar nas alas. Simon Poulsen é um lateral esquerdo de propensão ofensiva (é algo inseguro a defender) enquanto Jakob Poulsen é a solução mais efectiva para o lugar de Kvist.

Como soluções ofensivas de banco, Martin Olsen dispõe de Lasse Vibe e Martin Braithwaite. Apesar de serem jogadores bastante diferentes de Poulsen e Bendtner (Vibe até costuma dar-se melhor no lado direito do ataque apesar de também poder jogar no centro do terreno) são jogadores com apetência para finalizar. O jogador do Toulouse (Braithwaite marcou 11 golos na edição passada da Ligue 1) não se encontra na melhor forma neste início de temporada, não tendo sido utilizado por Martin Olsen no empate de sábado frente à Albânia. O golo que deu o empate aos dinamarqueses em terras albanesas foi precisamente apontado aos 81″ por Lasse Vibe.

O que é que deve fazer a selecção em Copenhaga?

– Iniciar a partida com posse de bola para retirar o habitual ímpeto inicial que os dinamarqueses demonstram nos primeiros minutos dos jogos em casa.
– Pressionar Christian Eriksen. Não deixando o jogador do Tottenham ter bola, a equipa portuguesa limita os processos ofensivos da equipa dinamarquesa.
– Evitar faltas no último terço.
– Sair em velocidade em contra-ataque. Tanto Danny como Nani deverão aproveitar o espaço em vazio deixado pelas subidas dos laterais dinamarqueses para criar desequilíbrios pelas alas em contra-ataque. Ronaldo deve tentar incutir velocidade pelo eixo central.
– Os laterais portugueses devem impedir ao máximo o jogo que os dinamarqueses fazem pelo corredor para estancar o número de bolas que estes tentam colocar para Bendtner finalizar. Para isso, tanto os alas como os médios interiores devem ajudar a fechar nas alas para impedir superioridade numérica dos dinamarqueses pelos flancos.
– Controlar a partida através da posse de bola. Os dinamarqueses odeiam equipas que gostam de circular bola no seu meio-campo. A qualquer momento concederão um espaço para a equipa portuguesa criar desequilíbrios.
– Ganhar o máximo numero de faltas aos centrais contrários. Não só para Ronaldo ter hipótese de almejar a baliza de Schmeichel como para condicionar a actuação dos centrais. Em dia sim de Ronaldo, caso um dos centrais dinamarqueses seja punido bastante cedo no jogo com um amarelo, estes podem desorientar-se com as constantes movimentações do Português, tornando a missão da equipa portuguesa muito mais fácil no plano ofensivo.
– Lançar rapidamente todas as situações passíveis de transição rápida. A equipa portuguesa é muito mais rápida que a dinamarquesa, povoa com mais homens as zonas centrais e tem jogadores capazes de lançar os 3 da frente nas costas da defensiva contrária assim que recuperam a bola a meio-campo. Ronaldo será mais rápido a chegar às bolas que Kjaer ou Bjelland. Danny e Nani poderão ter muito espaço para jogar nas alas em contra-ataque. Em ataque organizado será de esperar que tanto Krohn-Deli como Hojbjerg desçam para ajudar os seus laterais.
– Ricardo Carvalho e Pepe não poderão dar um milimetro de espaço de Niklas Bendtner. Se o derem, o dinamarquês não irá perdoar muitas oportunidades de finalização.

A remodelação de Santos

Não me chocou nadinha a remodelação pincelada pelo novo seleccionador nesta primeira fase de chamadas. Não considero que o novo seleccionador tenha revolucionado ou renovado o quer que seja com a inclusão de jogadores que neste momento acrescentam experiência (a média de idades dos convocáveis até subiu quase 2 anos para os 29) e qualidade (derivado da forma que alguns atravessam nos seus clubes, caso de José Fonte, Ricardo Carvalho ou Tiago). O momento é duro e obriga a selecção a uma resposta fortíssima contra a França e contra a Dinamarca. Se o primeiro, amigável, servirá para Fernando Santos testar o lado esquerdo da defesa (Antunes e Eliseu deverão jogar meio tempo cada um; pessoalmente prefiro a regularidade de processos do jogador do Málaga à instabilidade defensiva e dificuldade que o jogador do Benfica tem nos processos defensivos, em específico na defesa 1×1 e no posicionamento; jogar para as costas de Eliseu parece tarefa fácil para qualquer flanco direito adversário da equipa de Jorge Jesus), experimentar tacticamente os re-seleccionados e dar minutos internacionais a jovens que indiscutivelmente irão ganhar o seu espaço nos convocados, casos de André Gomes, Ivo Pinto e João Mário, o segundo, a doer, obriga, pela obrigação de nos qualificarmos para o Europeu, a um tratamento de choque que só pode ser realizado por quem neste momento tem a experiência e a forma necessária para enfrentar este tipo de desafios. Danny, Quaresma, Tiago e Carvalho são jogadores habituadíssimos a lidar com esse tipo de pressão e tem todas as condições no momento para cumprir os objectivos que (volto a considerar) obrigatórios para uma selecção do nosso nível.

Quanto aos que ficaram de fora: Não tenho uma única crítica a fazer contra o seleccionador nacional. Saíram todos aqueles que estão a mais (só Paulo Bento é que continuava a chover no molhado) e aqueles que para já, não tem neste de perto nem de longe o estatuto de seleccionáveis para a AA, casos de Cavaleiro, Ricardo Horta. Juntando a estes, Ruben Vezo também foi preterido por causa dos compromissos da selecção de sub-21 (playoff de apuramento para o Europeu do escalão frente à Holanda. Se os dois primeiros não tem espaço nesta selecção, assim como Pedro Tiba (claramente a 6ª opção para a posição depois de Adrien, João Mário, Moutinho, André Gomes e Raúl Meireles), já Ruben Vezo tem lugar nesta equipa pelas exibições de altíssimo nível que tem realizado em Valência e pelo facto de Pepe e Ricardo Carvalho estarem bastante perto do adeus à selecção (o primeiro poderá renunciar em 2016, o segundo pode nem sequer jogar esse Europeu caso seja novamente achatado a lesões).

breves #21

Selecção Nacional – É possível adiantar que o Seleccionador português pré-convocou 40 jogadores a alinhar no estrangeiro. Para além dos já conhecidos José Fonte (Southampton), Danny (Zenit), Ricardo Carvalho (Mónaco), Orlando Sá (Legia de Varsóvia) Tiago (Atlético de Madrid), dos habituais convocáveis que alinham no estrangeiro, juntam-se agora os nomes de Manuel Fernandes (Besiktas), Castro (Kasimpasa), Licá (Rayo Vallecano) e os 5 portugueses que alinham no Dinamo de Zagreb (Ivo Pinto, Wilson Eduardo, Eduardo, Gonçalo Santos e Paulo Machado).

Benfica – A equipa de Jorge Jesus continua a preparar no Seixal a deslocação a Leverkusen para a 2ª jornada da Champions. Com Artur castigado devido à expulsão frente ao Zenit e Paulo Lopes e Julio César lesionados, a escolha de Jesus irá recair sobre o jovem Bruno Varela, guardião titular da equipa B. Jorge Jesus afirmou hoje na conferência de imprensa realizada hoje no Seixal: “Não há nada em que pensar. O Paulo está fora e tenho dúvidas quanto ao Júlio. Mas se não jogar o Júlio, joga o Varela. Acreditamos nos jogadores que estão connosco. O Varela é um jovem de qualidade, no dia em que tiver a sua oportunidade vai agarrá-la.” “O Varela tem muito futuro e é um dos jovens em quem acreditamos. Se tiver de jogar, temos total confiança nele”

Benfica 2 – O site italiano Tuttomercatto noticiou que os russos do Zenit deverão ter chegado à Luz uma proposta de 30 milhões por Salvio. O argentino é um desejo do clube russo desde os tempos de Luciano Spalletti. O mercado russo de transferências só fecha amanhã pelas 21 horas portuguesas.

José Mourinho – Na conferência de imprensa de antevisão do jogo em Alvalade, o treinador do Chelsea falou sobre os meses que passou como adjunto de Bobby Robson em Alvalade:

“Não esqueço aquilo que passei nesta casa. Tentei ajudar naquilo que foi possível numa fase bonita da minha carreira, que foi no princípio. A única má recordação de Alvalade é do dia em que saí. Diverti-me muito com Sousa Cintra, à exceção do dia em que me despediu”

O técnico afirmou ainda que gostava que o Sporting passasse aos oitavos-de-final na 2ª posição do grupo, atrás, obviamente, dos Blues. Para a deslocação a Alvalade o técnico português não conta com Ramires e Didier Drogba. Mourinho dispensou fazer o habitual treino de adaptação em Alvalade.

Boavista –

Boavista

7 points in a row. O Boavista continua a demonstrar que a União faz a força. 3-2 ao Gil Vicente com direito a remontada com o triplo dos golos que a equipa do Bessa tinha feito em 3 jornadas (os primeiros 3 marcados por jogadores da equipa visto que o golo obtido contra a Académica foi marcado pelo lateral esquerdo Richard Ofori na própria baliza).

José Fonte –

josé fonte

O experiente central de 31 anos do Southampton falou hoje à TSF sobre a sua primeira pré-convocação para a selecção nacional e sobre o jogo entre Chelsea e Sporting:

«O Sporting tem jogadores na frente que podem desequilibrar, como o Nani ou o Carrillo, e no meio-campo tem o William Carvalho, que tem despertado o interesse de clubes ingleses. Espero um jogo interessante, bonito. Sendo português e tendo jogado no Sporting, que me desculpe o mister Mourinho, mas gostava que ganhasse o Sporting. Tem a vantagem que é jogar em casa e a motivação de estar e regresso à Champions, quer mostrar qualidade e dar alegrias aos adeptos. O Chelsea é uma potencial mundial, está a fazer um começo de época tremendo, com o Diego Costa a fazer golos e o Fàbregas atrás a fazer assistências. Vai ser difícil mas, se conseguir manter-se organizado, é possível que o Sporting consiga fazer bom resultado. No futebol tudo é possível.»

Sobre o facto de ter sido pré-convocado para a selecção nacional pela primeira vez aos 31 anos, o central mostrou-se disponível para representar a selecção e cheio de vontade de lutar por um lugar na convocatória de Fernando Santos.

Sporting\William Carvalho – Sporting e jogador deverão ter chegado a acordo quanto a uma renovação de contrato. O jogador deverá auferir um ordenado próximo dos 850 mil euros anuais. A cláusula de rescisão continuará fixada nos 45 milhões de euros.

Hugo Almeida – Existiu um volte-face no negócio que foi apalavrado entre o internacional português e o Al-Nasr dos Emirados Árabes Unidos. O português não chegou a acordo com o clube daquele país do Médio Oriente, sendo que ainda está a estudar algumas propostas que tem em mãos de um clube inglês (presume-se que o West Ham) e várias propostas do Médio Oriente.

Karagounis\Selecção Grega – A Federação Grega afirmou que o antigo jogador Giorgios Karagounis (daquela selecção helénica, do Panathinaikos, Inter, Fulham e Benfica) terá um cargo na estrutura federativa, cargo que ainda não é conhecido.

Pré-convocatória de Fernando Santos

O seleccionador ainda não divulgou publicamente a sua pré-convocatória e fez questão de afirmar ontem à entrada de Alvalade que não o iria fazer ali.
No entanto, já começaram a sair os primeiros rumores que dão conta que o seleccionador nacional pré-convocou alguns nomes riscados por Paulo Bento no decurso do seu mandato à frente da selecção nacional (Ricardo Carvalho e Danny) e tem demonstrado aceitação em utilizar a semana de trabalho que terá a meio de Outubro e o amigável contra a França para trabalhar e ver em acção jogadores menos referenciados por Paulo Bento como são os casos de José Fonte, Orlando Sá, André André ou Ruben Ferreira. Pedro Tiba, João Mário, Miguel Rodrigues, Ricardo Horta, Ivan Cavaleiro ou Cedric também aparecem na pré-convocatória do novo seleccionador.

Fernando Santos poderá deslocar-se nos próximos dias a Madrid de forma a convencer Tiago a regressar à selecção nacional.