O rei vai nu!

Ocorridas quase 24 horas da vergonha que aconteceu em Gelsenkirchen, não consigo de maneira nenhuma compreender a razão que tem motivado o silêncio da UEFA. Para uma instituição que apregoa aos sete ventos os valores do respeito e do fairplay no futebol, a omissão e a não-responsabilização dos actos cometidos que toda a europa repudiou e criticou, só me pode fazer concluir que no fim de contas, as bandeiras apregoadas por aquele organismo são puros clichés que só servem para serem inscritos nos galhardetes que são distribuídos nos jogos organizados pela instituição e prestar uma falsa mensagem a todos os agentes e adeptos.

O principal responsável da vergonha que se passou não é o árbitro da partida mas sim o próprio líder da UEFA, ao permitir que uma equipa participante na competição seja patrocinada pela mesma entidade que é uma das principais patrocinadoras da prova. Todos, inclusive, o árbitro da partida podem, dentro de algumas horas, dias, desculpabilizar-se pelos 3 erros cometidos em prejuízo do Sporting. Indesculpável será, para sempre, a promiscuidade existente entre o Schalke 04 e a organização do evento por uma via comum. O que aconteceu ao Sporting em Gelsenkirchen leva-me a uma pergunta básica, pergunta essa que deverá ser transversal à maioria dos adeptos de futebol em Portugal: até que ponto é que os patrocinadores da Champions League não são eles próprios o lobby interessado em delinear todas as fases da prova em prol do seu interesse próprio? Outras perguntas ocorreram-me de imediato na cabeça: e se o prejudicado fosse o Real Madrid ou o Bayern de Munique? Não teriam os dois clubes força necessária para conseguirem a repetição do jogo junto do organismo? As Federações Alemã e Espanhola não teriam tomado imediatamente uma posição forte junto do organismo ao invés de se manterem no silêncio como a Portuguesa? Valerá a pena para os clubes pequenos participar numa competição que está a ser completamente viciada em prol dos mais poderosos?

Michel Platini parece mais interessado em estragar o futebol com as suas visões loucas do que aplicar as modificações que o futebol moderno exige: para bem do futebol, a decisão humana dos árbitros de baliza, agentes susceptíveis pela condição humana de errar tantas ou mais vezes que o trio de arbitragem, deve ser modificada em prol da tecnologia e da fiabilidade do videoárbitro (nos mesmos moldes da sua bem sucedida aplicação em outras modalidades como o rugby). A promiscuidade de interesses não atinge apenas a relação entre jogadores, empresários e fundos. Concerne também a existência de patrocinadores comuns entre competições e clubes que disputam essas mesmas competições.

O Sporting Clube de Portugal pode queixar-se da subtracção de 4 pontos: um penalty que ficou por marcar em Alvalade frente ao Chelsea que poderia dar o empate ao clube português e os 3 pontos de Gelsenkirchen. Tomo portanto como ponto de partida para a derrota a própria expulsão de Maurício:
– O primeiro amarelo mostrado ao central brasileiro é justíssimo. O segundo amarelo é forçadíssimo. Se aquela carga por trás, longe da baliza, numa disputa pelo ar é passível de cartão amarelo, pois então, poucos centrais são aqueles que deverão por essa europa fora terminar os 90 minutos. Bruno Alves é o exemplo mais claro. Per Mertesacker (Arsenal), Leonardo Bonucci (Juventus), David Luiz (PSG) Sergio Busquets (Barcelona), Pepe (Real Madrid) e Omer Toprak (Leverkusen) são alguns dos centrais que abordam o mesmo tipo de lance com a mesma abordagem de Maurício. E quase sempre, nunca são sancionados com cartão nessas abordagens faltosas. Tudo isto me faz crer, tendo em conta a sólida exibição que Maurício estava a realizar, que Sergei Karasaev sabia perfeitamente que ia condicionar a excelente partida que o Sporting estava a realizar para equilibrar a contenda com a expulsão do central.
– No lance do segundo golo do Schalke, dou de barato pela posição de Huntelaar que é muito difícil ao assistente tirar o fora-de-jogo.- O lance do penalty é uma discussão disparatada e tendenciosa. O árbitro de baliza, responsável pela decisão, tinha o campo totalmente aberto para ver Jonathan Silva (de braços abertos e bem afastados da cabeça) cortar o esférico de forma legal.

Errar é humano. Cometer um erro é humano. Outra história é cometer 3 erros que beneficiam uma equipa. Outra história é, como pudemos observar, a falta de critério de Sergei Karasev. Numa falta vulgar como a de Maurício, praticada por tantos sem consequências disciplinares, o russo não teve pejo em expulsar. Em dois outros lances perigosos passíveis de amarelo, em um não marcou uma falta à entrada da área de Nani e noutro (falta dura de Sarr sobre Obasi na direita) marcou falta mas não sancionou o lateral do Sporting com o devido amarelo. Nas faltas a meio-campo do Schalke, algumas delas a travar iniciativas em contra-ataque, nenhum cartão saiu do bolso do árbitro russo para fazer cumprir as leis do jogo e as indicações da UEFA para essas circunstâncias do jogo.

A equipa leonina está de parabéns pelo jogo que realizou. Com 11 jogadores em campo, foi uma equipa muito organizada defensivamente, bem posicionada quando quis pressionar alto e condicionar a saída de jogo por parte dos centrais e do trinco Neustadter, capaz de recuperar muitas bolas a meio-campo e de suster a pressão exercida pela equipa alemã após o golo do Nani. Ofensivamente, circulou muito bem o esférico e teve a sorte de atingir o primeiro golo da partida num canto.

Depois da expulsão de Maurício, o Sporting voltou a provar que com menos 1 unidade consegue jogar para ganhar em qualquer campo do mundo. A equipa voltou a comportar-se de acordo com a tónica que tem sido desenvolvido por Marco Silva: mostrou resiliência e fé quando em desvantagem, organização, ambição (quando tentou pressionar alto) e cautela quando não tirava partido da pressão alta, descendo imediatamente as linhas para se reorganizar no seu meio-campo e tentar travar da maneira possível os ataques da equipa germânica. Patrício comete um erro imperdoável no primeiro golo, William não estava bem posicionado na jogada que deu o segundo e os centrais do Sporting estavam a dormir no lance do terceiro ao deixar Howedes cabecear à vontade. No entanto, a equipa de Marco Silva foi à luta. Adrien e William fizeram um jogo excepcional. Para além de terem aguentado o meio-campo com firmeza e insustentável cansaço nos minutos finais da partida, ainda tiveram forças para ir lá à frente fazer jogar, pressionar e apontar o golo que daria um pontinho precioso à equipa (no caso de Adrien). Carillo e Nani fecharam as alas como puderam e o peruano foi uma das unidades mais in do Sporting. Quando a equipa parecia não ter forças para reagir, o peruano sempre que teve bola na esquerda ou na direita manifestou garra para correr com a bola na sua posse e driblar os defensivamente fracos laterais do Schalke. Nani poderia ter feito melhor em várias situações: quando o jogo estava 2-3 poderia ter aproveitado um lance no qual entra na área mas não conseguiu ser expedito a rematar.

Aplausos também para as exibições de Cedric (falhou apenas no lance do segundo golo mas acertou em cheio no cruzamento para o 2º poste no golo de Adrien) e Jonathan Silva. O jovem argentino tem um futuro promissor pela frente. Aguentou Obasi como pode (não é fácil defender este nigeriano pela simplicidade como usa e abusa da sua rapidez para ganhar a linha de fundo) e conseguiu ter forças para subir no terreno, executar venenosos cruzamentos para a baliza de Fahrmann e ainda pressionar no último terço nos momentos em que a defensiva do Schalke aliviava bolas para o seu flanco, de modo a recuperar rapidamente a bola e executar uma nova vaga para a área. Paulo Oliveira e Sarr também fizeram interessantes exibições: o primeiro não teve medo de Huntelaar e o francês juntou à capacidade de sair bem a jogar quando a equipa precisou que ele conduzisse o esférico, 2 ou 3 cortes providenciais que evitaram males maiores.

Freddy Montero não tem de forma alguma o poder de choque de Slimani. O colombiano correu muito, pressionou muito e sempre que a equipa tentou colocar-lhe a bola em desespero soube estar no sítio certo para a receber e endossar de imediato para um companheiro sob pressão. Não tenho a menor dúvida em afirmar que se o Sporting tivesse o argelino em campo na altura do 3-3, uma ou duas bolas bem colocadas para a área do Schalke poderiam ter dado a vitória.

Quanto à equipa do Schalke, confesso que esperava mais. A solidez defensiva deixa a desejar. Dois laterais muito fracos do ponto de vista defensivo, facilmente permeáveis no 1×1. Benedikt Howedes é o único da defensiva que mantem a concentração durante os 90 minutos. Nas alas, é só potência de contra-ataque. Tanto Draxler pela esquerda como Obasi pela direita são jogadores que gostam de ter bola em transições rápidas: o alemão quase sempre tenta flectir para o meio em velocidade de forma a tentar desmarcar Huntelaar (quase sempre em fora-de-jogo. O holandês faz um truque de ilusão que engana os assistentes, colocando-se quase sempre à frente da linha defensiva num primeiro momento para num segundo momento, aquando do passe recuar rapidamente e dar a sensação que estava em linha) enquanto o nigeriano é um jogador vertical que, como referi, usa e abusa da velocidade para passar pelos adversários. Qualquer lateral com rapidez de movimentos e agilidade e uma marcação cerrada que não permita espaço ao nigeriano para colocar o seu drible, anula-o facilmente. Kevin-Prince Boateng é uma anedota daquilo que era nos tempos do Milan. Neustadter é um jogador interessante mas não é totalmente ineficaz no passe. Max Meyer esteve pouco tempo em jogo para mostrar aquilo que é: um 10 puro, fantasista. Os ausentes Joel Matip, Leon Goretzka, Jefferon Farfán e Tranquilo Barnetta dão outra consistência defensiva e ofensiva à equipa: o camaronês é fortíssimo no jogo aéreo, o internacional alemão cobre mais espaços que Hoger e dá outra dinâmica à circulação de bola e pensamento ofensivo da equipa, o peruano é dotado de recursos técnicos que Chinedu Obasi não possui e o internacional suiço é um jogador que acrescenta mais poder de fogo de meia-distância ao ataque da equipa orientada por Roberto Di Matteo.

As contas são fáceis de fazer. Sendo realista, o Sporting precisa de bater o Schalke em Alvalade (a equipa demonstrou argumentos que me fazem acreditar que esse será o desfecho final do jogo de Alvalade) e precisa que aconteça um de dois cenários:
– vence o Maribor e o Chelsea em Stamford Bridge e espera que o Schalke escorregue na deslocação à Eslovénia ou na deslocação a Inglaterra.
– vencendo o Schalke, vence o Maribor e espera que os alemães não consigam melhor que 1 ponto nessas duas deslocações. Imperiosa será a vitória frente aos alemães daqui a duas semanas.

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Resumo da 3ª eliminatória da Taça

No jogo grande da ronda, disputado no Estádio do Dragão, o Sporting de Marco Silva voltar a demonstrar muita ambição perante um FC Porto de Lopetegui completamente desarrumado, desorganizado e acima de tudo intranquilo.

O Sporting mereceu por completo a vitória. Foi a equipa com mais ocasiões de golo, voltou a entrar em campo (assim como já o tinha feito no jogo a contar para o campeonato) com mais ofensividade, com mais força e com mais assertividade no meio-campo, quer no posicionamento, quer na batalha das 2ªs bolas e ressaltos, quer nos processos de construção de jogo, quer na pressão. Ao pressionar alto nos momentos-chave do jogo, a equipa orientada pelo antigo técnico do Estoril, condicionou desde logo a saída de bola a partir de trás da equipa nortenha, e limitou-se a aproveitar cabalmente duas falhas de Ivan Marcano e Casemiro. Se no lance do primeiro golo, o espanhol poderia ter feito muito melhor (não tendo opositores nas costas só teria que ter deixado aquela bola para a saída dos postes de Andrés Fernandez), no lance do golo de Nani, o brasileiro ficou muito mal na fotografia ao cometer um erro que decerto nem um iniciado o faria.

Este Porto de Lopetegui é uma equipa bastante segura. Defensivamente, a equipa não consegue fazer a devida pressão tanto no meio-campo como na defensiva. Se a dupla Adrien e João Mário jogaram e organizaram o que quiseram durante os 90 minutos por inexistência de pressão a meio-campo por parte de Herrera e Casemiro, Nani, por exemplo, jogou com total liberdade, não sendo pressionado imediatamente assim que tinha bola. Logo ao primeiro minuto poderia ter marcado naquele remate que embateu no poste de Andrés Fernandez, e ao 38º minuto marcou, aproveitando a falha do antigo jogador do Real Madrid devidamente explorada por Freddy Montero, sem que qualquer opositor nas imediações saísse imediatamente ao seu encontro para condicionar ou até mesmo bloquear o remate.

Ao nível ofensivo, os efeitos da rotatividade fazem-se sentir. Este Porto para já não tem quem carregue o piano, ou seja, não tem um verdadeiro organizador de jogo a meio-campo, capaz de ir buscar a bola aos centrais, pegar no jogo a meio-campo e organizar o jogo da equipa com criterio. No sector ofensivo, é uma equipa cujos jogadores ainda não sabem bem que terrenos ocupar. Quintero começou no meio mas encostou-se várias vezes ao flanco direito. Adrian deveria ter começado na esquerda, mas foram várias as vezes em que tentou colocar-se nas costas de Jacksou ou explorar o flanco direito, Oliver acabou por descair muitas vezes para o flanco esquerdo quando Adrian tentou procurar outros terrenos. A mobilidade é defendível em qualquer equipa, mas, a de Lopetegui peca por desposicionalidade. A equipa está desrotinada, facto que é motivado pela não-utilização de vários jogadores de forma consistente por vários jogos. À falta de rotinas teremos que somar, a falta de um organizador de jogo e as constantes perdas de bola que esta equipa promove no passe. Tudo défices provocados pela inexistência de rotinas. E as rotinas de jogo só se atingem quando existem: 1. um onze base previamente definido e trabalhado pelo treinador. 2. quando todos os jogadores sabem o que é que o treinador e os seus colegas esperam de si ao nível de posicionamento, funções, mecanismos, movimentos e comportamentos. 3. quando o modelo é finalmente trabalhado em conjunto. Se Lopetegui quer inserir um modelo parecido com o modelo do tiki taka no qual todos os jogos são controlados pelo domínio na posse de bola, isso implica que a equipa começasse antes de qualquer outro departamento de jogo, a treinar uma apurada circulação de bola, coisa que, de momento, não está nem por sombras optimizada nesta equipa do FC Porto.
E isso viu-se no sábado frente ao Sporting. Sempre que a equipa do Sporting pressionou e tapou as linhas de passe, quer na saída pelos centrais, quer no meio-campo, Herrera e Casemiro falharam imensos passes e a equipa do Porto tentou invariavelmente, porque a linha defensiva montada por Marco Silva assim o permite, jogar a bola para as costas da defesa. Foi graças a esse tipo de jogo que o Porto criou as suas maiores oportunidades de golo. Na 1ª parte Adrian apareceu por uma vez na cara de Patrício (na segunda, um assistente de Jorge Sousa assinalou mal fora-de-jogo) e Jackson aproveitou as facilidades concedidas pelos centrais do Sporting (não só o puseram em linha como nenhum deles estava a marcá-lo) para fazer o golo do empate.

Na segunda-parte, o momento decisivo foi claramente o penalty falhado por Jackson (discutível e precedido de posição irregular do avançado) quando a equipa do Porto estava próxima de obter o empate. Pode-se dizer que esta poderia ter beneficiado novamente de uma grande penalidade (com expulsão) a castigar um braço na bola de Jonathan Silva. Admito que sim. Ao cortar o livre com os pés, o jogador do Sporting demonstra uma certa intencionalidade de erguer os braços e aumentar o volume do corpo para não deixar passar aquele livre de qualquer maneira. No entanto, tal resultado seria injusto para aquilo que o meio-campo do Sporting fez (William recuperou muitas bolas e foi sereno na hora de iniciar as transições ofensivas do Sporting, ora guardando muito bem a bola quando não teve linhas de passe, ora abrindo o jogo por várias vezes para os flancos; Adrien e João Mário foram duas formiguinhas tanto no plano ofensivo como no plano defensivo; os três pressionaram imenso durante toda a partida, obrigando o meio-campo do FC Porto a errar; e sempre que o Porto furava a pressão do meio-campo do Sporting, tanto Adrien como William não tiveram pejo nenhum em matar vários lances ofensivos da equipa de Lopetegui com pequenas faltas a meio-campo impassíveis de sanção disciplinar).

Depois do penalty de Jackson, entraram Tello e Brahimi. O argelino foi duramente travado por Cedric. O lateral do Sporting fez duas faltas preciosas sobre o argelino que num lance individual, rodeado de vários jogadores do Sporting na área, quase fez o empate. Do outro lado, Jonathan Silva recorreu sempre à falta quando viu a sua posição ameaçada, demonstrando que esta equipa do Sporting não é de modas no que toca à agressividade.
Marco Silva respondeu com a entrada de Slimani para o lugar de Freddy Montero. Montero foi muito trabalhador. Não recebeu muito jogo na área, preferindo sair fora desta para colaborar com a circulação de jogo da equipa e abrir espaços, sobretudo para as incursões de Nani pelo corredor central\área. Nani, João Mário e Cedric entendem-se às mil maravilhas pelo flanco direito. E dos pés do argelino, nasceria o último golo da partida. O trabalho individual (com os pés) de Slimani frente a Marcano é fantástico (mostra a evolução que Marco Silva está a fazer com o jogador) oferecendo literalmente o golo a Carrillo que aparece muito bem na área para colher o ressalto vindo do remate do argelino.

Na Covilhã, os Leões da Serra, equipa da 2ª liga, colocaram imensas dificuldades ao plano B de Jorge Jesus para esta temporada e estiveram muito perto de fazer Taça. Excelente exibição da equipa orientada por Francisco Chaló. O Sporting da Covilhã não se deu como batido após o lance do primeiro golo, colocou muita intensidade no seu jogo, saíndo muito bem em transições rápidas, aproveitando os erros do adversário (especialmente de Loris Benito no lance do primeiro golo) e foi uma equipa extremamente pressionante em redor da sua área. Quase sempre, durante o primeiro tempo, sempre que um jogador do Benfica tinha a bola era imediatamente pressionado por um ou vários jogadores da equipa serrana.

Claro está que estas equipas são incapazes de aguentar estes ritmos de jogo mais do que 50 ou 60 minutos. A quebra física dos homens da Covilhã, permitiram que Pizzi e Jonas resolvessem o jogo com duas lindas jogadas de ataque.

Fiquei com boa impressão de 3 jogadores do Sporting da Covilhã: o trinco Nana K (sempre muito agressivo embora faltoso), o médio Traquinas e o médio que entrou para o lugar de Nana K depois deste ter visto o amarelo e não se ter controlado nas faltas (Checa; ex-Sporting de Braga B). Pareceram-me claramente jogadores com nível para alinhar na 1ª Liga.

O jogo da Covilhã deu também para entender que Jorge Jesus tem um plantel muito curto e com poucas soluções. Jonas afirmar-se-á como titular nesta equipa do Benfica. É um jogador com uma capacidade de trabalho imensa. Pizzi é uma interessante alternativa quer nas alas, quer nas costas do ponta-de-lança. Ola John poderá num ou noutro momento vir a ser decisivo com uma das suas arrancadas em velocidade. Bebé precisa de mais minutos e consequentemente mais entrosamento com os companheiros. Gonçalo Guedes, apesar de verdinho, é um jogador que tem condições para entrar na rotação do Benfica.

Por outro lado, César e Benito são jogadores sem nenhuma classe para actuar na equipa encarnada.

Os tomba-gigantes…

Foram 5 as equipas de 1ª liga que caíram. Porto e Arouca perderam naturalmente frente a adversários do mesmo escalão (Sporting e Vitória de Setúbal, respecticamente). Estoril, Boavista, Académica tombaram frente a equipas de escalões secundários.

O Estoril de José Couceiro, equipa europeia, perdeu no Estádio do Mar frente ao Varzim do Campeonato Nacional de Séniores. A turma poveira, apesar de ser um natural candidato à subida de divisão nas zonas norte desta competição (está em 2º na Série B), é uma equipa que tem passado por graves problemas financeiros nas últimas temporadas, e deverá ter os seus dirigentes a rezar para que o sorteio da 4ª eliminatória traga um grande ao Estádio do Mar ou a realização de um jogo na casa de Benfica ou Sporting. Os estorilistas poderiam ter na Taça uma excelente oportunidade para esta temporada visto que, pelo campeonato, dadas as ambições e até os planteis de Braga, Marítimo e Guimarães terem muito mais qualidade que o estorilista, muito dificilmente conseguirá a equipa da linha mais do que um campeonato tranquilo a meio da tabela.

Escandalosa foi a goleada de 4-1 sofrida pela equipa de Petit na Vila das Aves frente aquela equipa da 2ª Liga. A equipa Boavisteira até entrou melhor na partida com um golo de Idris aos 6″ mas teve dois momentos na partida que a arrasaram por completo: o final da primeira parte (dois golos de Higor Platiny aos 30 e 45+2″) e um arranque de segunda desastrosa com mais dois golos do Aves.

Escandalosa também foi a eliminação da Académica no terreno do Santa Maria (Barcelos). A equipa de Galegos de Santa Maria, militante na Serie B do CNS, é uma equipa que aposta imenso na Taça. Na última época, equipa na qual fez a sua formação Hugo Vieira, em 2013\2014 eliminou ali, no Estádio das Devesas, o Nacional da Madeira por 1-0 (ficando perto de eliminar o Setúbal no Bonfim na eliminatória seguinte) e na época anterior.

De entre as 13 equipas da 2ª liga presentes na ronda (5 já tinham sido eliminadas na 2ª eliminatória; Santa Clara, Académico de Viseu, União da Madeira, Leixões, Farense e Portimonense), a Taça trouxe mais 4 eliminações, quase todas em confronto directo entre equipas deste escalão. O Atlético já tinha eliminado o Beira-Mar na Tapadinha por 3-0 na sexta-feira. A Olhanense foi eliminada no Algarve pelo Oriental de Lisboa. O Tondela forçou o Penafiel da 1ª liga às grandes penalidades no Estádio 25 de Abril e Sporting da Covilhã foi eliminado pelo Benfica.

Já não continua em prova qualquer equipa dos distritais do futebol português. As equipas dos distritais tem acesso à Taça pela vitória na Taça de cada distrito. As últimas equipas a cair foram o Amora da AF de Setúbal (derrota na Feira por 5-1), o Real Massamá da AF Lisboa (perdeu 2-1 em Barcelos frente ao Gil Vicente num jogo que foi muito complicado para a equipa de José Mota; o Real empatou o jogo aos 80 minutos e o Gil só venceu graças a um golo de Diogo Viana aos 87″) e o Alcaíns da AF de Castelo Branco, equipa que foi goleada em Braga por 4-1.

breves #28

Liga de Clubes – A repetição do acto eleitoral para a direcção do organismo já tem uma nova data marcada: 27 de Outubro. Um dos candidatos no primeiro acto eleitoral, entretanto anulado, já anunciou que não irá concorrer no novo acto eleitoral. O ex-presidente do Nacional da Madeira Rui Alves (o vício jurídico na candidatura de Rui Alves encontrava-se no facto de não ter sido esclarecida a saída da SAD nacionalista, entretanto efectuada em prol de Margarida Camacho) anunciou hoje que não irá submeter-se a novo escrutínio.

Num comunicado divulgado durante o dia de hoje, Rui Alves afirma as razões que o levaram a construir um projecto para a direcção do organismo e esclarece que desiste do novo acto eleitoral porque o presidente da mesa da AG da Liga (Carlos Deus Pereira) não soube interpretar as diferenças entre inelegibilidades e incompatibilidade de candidatura ao cargo à luz dos estatutos do organismo.

Parece-me claro, pelo conhecimento de causa que o presidente do Nacional parece demonstrar em relação à injusta distribuição de verbas que é realizada no futebol português, em específico pela Liga de Clubes, uma das bandeiras programáticas de outro candidato, neste caso do seu actual presidente em funções (Mário de Figueiredo) que o voto do Nacional nas próximas eleições deverá cair neste.

albania

Federação Albanesa – O presidente da Federação Albanesa de Futebol pretende uma investigação séria e independente aos factos ocorridos na terça-feira em Belgrado no Sérvia vs Albânia. O líder do futebol albanês afirmou que os jogadores da dita selecção “foram alvo do lançamento de um pedaço de betão, pedras, moedas e isqueiros” antes e durante o decorrer da partida em Belgrado por parte dos adeptos sérvios assim como alvo de gritos estridentes por parte destes a desejar a morte aos Albaneses. Armando Duka afirma que acima de qualquer outra suspeita, os seus jogadores foram vítimas de um comportamento racista, xenófobo e violento por parte dos adeptos sérvios, realçando que aquando da saída da equipa para os balneários, alguns jogadores foram agredidos por agentes de segurança e outros agentes da Federação Sérvia que se encontravam à entrada para o túnel de acesso aos balneários.

Michel Platini – Mais uma ideia louca capaz de estragar o futebol do líder da UEFA. Platini defende que as equipas possam fazer 5 substituições durante a partida. Por um lado concordo com a ideia mas por outro lado é uma ideia que poderá fomentar o anti-jogo, sendo que, nesta ideia, advoga a possibilidade das equipas fazerem duas substituições ao intervalo e 3 durante o decorrer do jogo.

O líder da UEFA também defendeu hoje no lançamento do livro de sua autoria “Parlons Football”, onde de resto apresenta estas e outras tantas ideias para “revolucionar” o futebol, a existência de um cartão branco, um novo cartão que serviria de punição intermédia entre o amarelo e o vermelho, garantindo uma sanção de 10 minutos ao jogador ao qual fosse exibido esse cartão por constantes protestos contra a actuação do árbitro. Este cartão, segundo o presidente da UEFA, servirá somente para estes propósitos que se estão a tornar, segundo palavras do próprio “uma epidemia no futebol mundial”. Não considero também uma ideia válida. Para punir estes actos já existe o cartão amarelo. Basta apenas que os árbitros sejam mais rigorosos no acto de mostrar o cartão a quem prevarique constantemente no decurso das partidas e alguma coragem para expulsar os jogadores que continuem a protestar com veemência depois de receberem um amarelo.

O presidente da UEFA também defendeu a possibilidade dos juízes de baliza entrarem dentro do campo para avaliar mais decisões do que aquelas que se passam na grande área assim como advogou a necessidade de eliminar com a “tripla penalização” (penalty, expulsão directa e suspensão) sempre que um jogador indiferenciado travar um oponente na área como último defesa. Esta última ideia é absolutamente ridícula constituíndo-se quase como um benefício para os infractores.

Michel Platini 2 – O presidente da UEFA aproveitou a ocasião para lançar umas farpas à perpetuação de Blatter na presidência da FIFA: “A FIFA funciona muitas vezes como uma máquina eleitoral ao serviço da manutenção de um homem. (…) É a sua principal característica (…) Não virá desta longa prática do poder uma vontade e uma capacidade de o conservar a todo custo?”

“A FIFA prospera graças ao maná que representa o Campeonato do Mundo de futebol, a cada quatro anos, mas ao mesmo tempo tem as federações [na mão] através da redistribuição deste mesmo maná. “Com mais de quatro mil milhões de dólares em receitas geradas pelo Mundial de 2014, não é normal que o programa Goal (investimentos em infraestruturas) tenha um orçamento anual ridículo, abaixo dos 40 milhões de dólares” – criticou com toda a razão o líder da UEFA. Acrescento mais: com 40 milhões de dólares, quase todos cativos para investimentos em infra-estruturas nos países mais desenvolvidos na modalidade quando deveriam ser investidos na sua maioria nos países que não possuem (boas) infra-estruturas para a prática desportiva.

William Carvalho –

william

O site italiano TuttoMercato publicou hoje uma notícia que dá conta do interesse do Milan no trinco leonino. Segundo o referido site, Adriano Galliani estará disposto a arranjar 35 milhões para fazer uma proposta ao Sporting pelo internacional português. O passe de William Carvalho está na posse do Sporting (60%) e pelo fundo Sporting Portugal Fund, fundo que era até há bem pouco tempo detido e gerido pela Espirito Santo Fundos de Investimento, agora pertença do Novo Banco. Foi este o fundo que adquiriu 40% dos direitos de económicos do jogador em Agosto de 2011 já sob a presidência de Godinho Lopes por 400 mil euros. O Sporting ainda não conseguiu negociar a recompra desta percentagem dos direitos económicos do jogador que tem contrato com a equipa leonina até 2018 e uma clásula de rescisão (não-negociável por Bruno de Carvalho numa possível transferência para outro clube) de 45 milhões de euros.

APAF – José Fontelas Gomes afirmou hoje que a Liga de Clubes se comprometeu a pagar os 25% dos salários em falta (desde Setembro) e prémios de jogo aos árbitros dos escalões profissionais.

Liga de Clubes 2 – A Liga de Clubes vive com enormes carências financeiras. O organismo não tem os seus orçamentos relativos a esta e à temporada passada aprovados pelos clubes. Gasta cerca de 12 milhões de euros na organização das provas oficiais que organiza (Liga e Taça da Liga), menos 9 milhões que as suas receitas.

Rolando – O Inter tentou negociar com o FC Porto nos últimos dias a desvinculação do central português. Rolando quer sair do FC Porto visto que não é opção para Lopetegui. Falou-se da possibilidade de ser emprestado na reabertura de mercado ao West Bromwich Albion da Premier League, equipa onde joga actualmente Silvestre Varela.

O director-geral do Inter Piero Ausilio não chegou a bom porto nas negociações com a SAD Portista: “”Rolando tem 29 anos e contrato até 2016. O FC Porto não o liberta e eu não pretendo voltar a negociar com eles” – disse o dirigente nerazzurri ao TuttoSport.

Selecção Romena – Apesar do 2º lugar do grupo de apuramento para o Euro 2016 e da conquista de 7 pontos em 9 possíveis, Victor Piturca e a Federação Romena decidiram terminar por mútuo acordo o contrato do treinador com a Federação Romena sem justificação aparente, poucos dias após o empate contra a Hungria (1-1) e a vitória na Finlândia (0-2). Lazlo Boloni, Cosmin Contra e Dan Petrescu são os 3 grandes candidatos à posição de seleccionador romeno.

Under-21 Premier League Internacional Cup – Já estão lançadas as bases para a primeira grande competição internacional no escalão de sub-21. A competição irá disputar-se em Inglaterra em Janeiro. FC Porto e Benfica são os únicos representantes lusos na prova que irá contar com a participação de clubes como Chelsea, Norwich, Manchester City, Schalke 04, Leicester, Borussia de Moenchagladbach, Fulham, West Ham, Everton, Sunderland, SV Eindhoven, Celtic e Villarreal.

Daniel Wass – O antigo jogador dinamarquês do Benfica Daniel Wass (passou pelo clube da Luz sem ter feito qualquer jogo oficial), jogador do Evian da Ligue 1, despertou a cobiça de Brandon Rodgers e José Mourinho. O defesa\médio direito está em alta neste início de temporada.

Lucas Ocampos – O Daily Mail dá conta que o Chelsea estará interessado no argentino que o Mónaco recrutou em 2012 ao River Plate. Os Blues estarão dispostos a oferecer 22 milhões de euros ao clube monegasco já na reabertura de mercado em Janeiro.

Dante – A viver na Alemanha há 8 anos, o central do Bayern de Munique revelou que pretende tornar-se cidadão alemão. Quero tornar-me alemão. Gostaria de permanecer na Alemanha após o fim da carreira e isso seria mais fácil se tivesse passaporte” – o jogador aproveitou também a entrevista concedida ao Bild para afirmar que não tem certeza do seu regresso à selecção. Com Dunga no comando técnico da selecção, o central nunca mais voltou a ser convocado.

thiago alcantara

Thiago Alcântara – O jogador espanhol do Bayern de Munique sofreu uma nova lesão queo irá retirar dos relvados por um longo e indeterminado período de tempo. O médio voltou a sofrer a mesma lesão que já o tinha retirado dos relvados por vários meses (e impedido de participar no campeonato do mundo) ou seja, uma rotura parcial do ligamento interno do joelho direito. Foi submetido a uma intervenção cirurgica na terça-feira e irá enfrentar um longo período de recuperação. O jogador afirmou nas redes sociais que vai continuar a lutar para regressar em grande aos relvados.

John O´Shea – O internacional irlandês de 33 anos, capitão do Southampton, renovou com o clube até 2017.

William Gallas –

gallas

O defesa francês anunciou hoje o final da carreira ao L´Equipe. Aos 37 anos, Gallas estava a jogar no Perth Glory da Liga Australiana. O polivalente defesa formado nas escolas do Racing Colombes 92 de Paris e no Centro Técnico Nacional de Formação Francesa de Clairefontaine jogou ao mais alto nível durante 19 anos no Caen, Marselha, Chelsea, Arsenal, Tottenham e Perth Glory. Foi internacional sub-20, sub-21 e AA pela França por 98 vezes (84 delas AA). Ganhou a Ligue 2 pelo Caen em 1996, 2 Premier League ao serviço do Chelsea com José Mourinho (Gallas chegou a ter problemas com Mourinho pelo facto de não querer actuar como defesa esquerdo), uma Taça da Liga pelo Chelsea em 2005, uma Supertaça Inglaterra em 2005 e uma Taça das Confederações pela Selecção Francesa em 2003. Viveu os seus tempos áureos como jogador a central (era impetuoso, muito agressivo, forte no jogo aéreo, muito faltoso mas também muito irregular) no Arsenal de Wenger entre 2006 e 2010.

Juventus – O TuttoSport adiantou em primeira mão ontem que os históricos proprietários da Juventus (a família Agnelli sob a responsabilidade de Andrea Agnelli) pretendem adquirir o controlo de uma SAD em Portugal para servir de clube satélite da Juve. Aproveitando as potencialidades que o futebol português oferece no desenvolvimento de jogadores com potencial, existe uma hipótese da família Agnelli assumir o controlo de um clube da 1ª liga para rodar jogadores por empréstimo da Juve, colocar jogadores extra-comunitários sem espaço nos quadros do clube de Turim ou contratar e rodar jovens talentos que tem saído da formação nacional. O site aponta o Belenenses e o Boavista como possíveis candidatos à recepção de uma proposta por parte dos holders do grupo FIAT. A família Agnelli terá 5 milhões para investir a curto prazo no clube que adquirir. O Granada, clube detido pela família Pozzo (detentora também da SPA da Udinese) é outra das hipóteses que estará a ser equacionada.

CAN – Mesmo apesar do Ministério do Desporto Marroquino ter enviado para a Confederação Africana de Futebol um pedido de adiamento para a competição (que se irá disputar em Janeiro e Fevereiro naquele país) por causa da epidemia de Ébola que tem assolado todo o continente, a entidade que tutela o futebol africano prometeu analisar o pedido no dia 2 de Novembro na reunião que irá ter lugar na Argélia mas afiançou que este não terá grandes probabilidades de diferimento.

A Organização da Prova, a cargo do Ministério do Desporto Marroquino, veio hoje afirmar que a prova não se irá realizar em território marroquino devido à epidemia.

“Vimo-nos obrigados a retirar-nos como sede da Taça de África das Nações de 2015, com efeito imediato, com o intuito de preservar a saúde dos nossos cidadãos. estamos dispostos a assumir as consequências”, declarou uma fonte do Ministério dos Desportos de Marrocos ao portal Supersport. A organização deu 3 soluções à CAF: adiar a prova para 2016, assumir a realização da prova de 2017 ou renunciar totalmente e assumir as consequências ao nível desportivo. A renúncia pode implicar uma sanção que impeça selecções e clubes marroquinos de participar nas provas organizadas pela CAF durante 6 anos.

Marrocos também detém neste momento os direitos de organização do Campeonato do Mundo de Clubes no próximo mês de Dezembro. Contudo, como a prova não deve ser afectada por um fluxo migratório considerável de cidadãos oriundos de países a braços com fortes surtos epidémicos, esta não está em risco.

A fantástica selecção de sub-21

A selecção de sub-21 está de parabéns pela conquista obtida em Paços de Ferreira ao apurar-se pela 9ª vez para o europeu da categoria desde a sua criação em 1978!

Em primeiro lugar, Rui Jorge está de parabéns. O seleccionador português fez um trabalho fantástico, mesmo quando a Selecção A lhe foi roubando atletas fruto das suas necessidades ao longo dos últimos meses (Bruma, João Mário, André Gomes, William Carvalho, Ricardo Horta, Cedric, Ivo Pinto, Anthony Lopes, Ruben Vezo, Rafa, Ivan Cavaleiro), manteve um discurso coerente assente na prosecução de um objectivo que tinha que ser atingido a qualquer custo (a qualificação), moralizou as tropas de que dispôs em redor desses objectivos e no final conseguiu o melhor de dois mundos: a qualificação só com vitórias (a bom da verdade, esta Holanda mostrou muito mais no jogo de Paços de Ferreira do que no jogo de Alkmaar e vendo bem as coisas esteve bastante perto em duas ocasiões de liderar a qualificatória por golos fora) e o desenvolvimento ao mais alto nível de jogadores que, a meu ver, terão quase todos o seu espaço na próxima geração da selecção A.  Pode-se até dizer que esta equipa até fica melhor sem os jogadores que entretanto deixaram de participar no trajecto por terem subido aos AA, mas, para uma fase-de-qualificação daquele nível de exigência, não levar o trio do meio-campo que a Selecção A “roubou” à selecção de sub-21 poderá considerar-se um crime.

A turma portuguesa desenvolveu-se, ganhou experiência internacional, praticou um futebol vistoso e mereceu por inteiro esta qualificação pelo futebol desenvolvido, pelo brilhantismo individual demonstrado por alguns dos seus actores (Bernardo Silva foi sem dúvida aquele que demonstrou mais talento neste trajecto) e pelo trabalho desenvolvido no plano mental. Mesmo a um passo da eliminação quando a Holanda vencia, os jogadores portugueses souberam quase sempre dar a volta por cima e encontrar forças para vencer o jogo.

Esperemos que a caminhada vitoriosa se mantenha na República Checa. Depois deste prodigioso apuramento, é difícil não esconder a ambição que rodeia esta selecção: vencer o Europeu que será disputado no próximo mês de Junho naquele país do centro da europa. No entanto, é preciso ter noção da realidade que esta selecção irá encontrar na República Checa: assim como nós temos um leque de jogadores a jogar ao mais alto nível em grandes ligas europeias e até em grandes clubes europeus (alguns deles são opções regulares em clubes que estão no topo das principais ligas europeias e em clubes que disputam a champions), as outras selecções também os tem e, até tem jogadores muito mais calejados ao nível de experiência internacional como são os casos de Federico Bernardeschi (Itália\Fiorentina), Ter Stegen (Alemanha\Barcelona), Jonas Hoffman (Mainz\Borussia de Dortmund\Alemanha), Bernd Leno (Alemanha\Bayer Leverkusen), Max Meyer (Schalke\Alemanha), Nemanja Radoja (Sérvia\Celta de Vigo), Lucas Andersen (Dinamarca\Ajax), John Guidetti (Celtic\Manchester City\Suécia), Luke Shaw (Manchester United\Inglaterra), Tom Ince (Crystal Palace\Inglaterra) ou a dupla do Tottenham Eric Dier e Harry Kane. Isto não contando com a possibilidade de virmos a ter no Europeu jogadores cujas idades ainda permitem jogar esta competição, mas que já passaram há muito para as selecções principais dos seus países como são os casos de  Milos Jojic e Lazar Markovic (Sérvia), Skodran Mustafi, Erik Durm, Mathias Ginter, Leon Goretzka, Emre Can (Alemanha), Pierre-Emile Hojbjerg e Youssuf Poulsen (Dinamarca) ou Calum Chambers e Raheem Sterling (Inglaterra). Este europeu será sem dúvida a rampa de lançamento de muitos talentos para a alta roda do futebol europeu.

Uma questão de importância

Compreendo o facto de Fernando Santos precisar de utilizar o jogo contra a França para testar jogadores e testar o modelo de jogo que pretende implantar nesta selecção durante os próximos 2 anos. Compreendo que a ausência de William Carvalho do jogo contra a França possa impedir o seleccionador nacional de testar com exito a equipa pela primeira vez dada a importância do jogador do Sporting num dos sectores vitais do habitual modelo de jogo do seleccionador português (Fernando Santos é um daqueles treinadores que dá muito enfase ao povoamento do meio-campo de forma a não só constituir ali uma enorme e bem articulada cortina de pressão que impeça as equipas adversárias de progredir como deverá pretender que o jogador do Sporting recupere muitas bolas a meio-campo para lançar imediatamente o contra-ataque) mas, dada a importância do jogo de amanhã da selecção de sub-21 (não desconsiderando que esta selecção serve essencialmente para potenciar jogadores ao mais alto nível) não seria benéfico para as aspirações desta selecção que William Carvalho, João Mário e André Gomes pudessem dar o seu contributo em Alkmaar, regressando posteriormente ao compromisso oficial dos AA?

Crónica #15 – Sporting 0-1 Chelsea

O super poderoso Chelsea cumpriu a sua obrigação (enquanto principal favorito ao primeiro lugar do grupo e candidato à vitória na Champions) de vir vencer a Alvalade o Sporting. Se por um lado, pelas oportunidades de golo flagrantes que tiveram ao longo dos 90 minutos, os Blues mereceram a vitória e até justificaram vencer de forma mais expressiva, não é menos verdade que pelo futebol praticado no 2º tempo e por lances onde a equipa leonina poderia ter marcado, o Sporting também fez pela vida e lutou para merecer o empate.

Homem do jogo foi claramente Rui Patrício. No lance do único golo da partida, o difícil cabeceamento ao 2º poste de Matic foi indefensável para o guarda-redes português. Contudo, Patrício podia ter feito mais na abordagem ao cruzamento. Como hesitou permitiu que a bola chegasse em boas condições ao sérvio. A culpa do golo sofrido não deve de maneira alguma ser imputada nem ao guarda-redes nem a Jonathan Silva, o jogador do Sporting encarregue de vigiar Matic e proteger o 2º poste mas sim ao desleixo cometido por Marco Silva na preparação das bolas paradas defensivas: sendo Matic um dos melhores cabeceadores deste Chelsea, nunca poderá aparecer praticamente sozinho ao 2º poste ou sem um marcador capaz de ombrear no jogo aéreo com o médio defensivo do Chelsea.

Devido ao normal nervosismo derivado do facto de estar a jogar contra uma das grandes equipas europeias, o Sporting deu 45 minutos ao Chelsea para colocar no relvado de Alvalade a sua mais poderosa arma: as rápidas transições para o ataque e os fortíssimos lançamentos para as costas da defesa, onde Diego Costa (sempre muito bem municiado por Óscar e Hazard) ou Andre Schurrle se sentiram como peixes na água. Aproveitando situações de perda de bola do meio-campo do Sporting, os jogadores do ataque do Chelsea foram objectivos a lançar estes dois jogadores nas costas dos defensores leoninos. Marco Silva voltou a pedir à sua defesa que subisse rápido no terreno para deixar os avançados contrários em fora-de-jogo, mas, em algumas situações estes não foram rápidos a fazê-lo permitindo que Diego Costa aparecesse a receber a bola (ora através de passes a rasgar por parte de Óscar, ora através de passes a rasgar de Eden Hazard com o brasileiro a executar as suas famosas e eficazes diagonais) e o alemão a aproveitar da melhor forma o espaço em vazio que Jonathan Silva deixava no flanco fruto das suas agressivas subidas no terreno, que, teimosamente não voltaram a ser cobertas por um dos médios interiores como de resto já tinha acontecido na 2ª parte do jogo contra o Porto. Quando Jonathan Silva sobe em demasia no terreno e não consegue recuperar, o espaço é quase sempre fechado por Naby Sarr que, ao fazê-lo descompensa a área, deixando quase sempre Maurício para 2.

No ataque, o problema começou em William. No primeiro tempo, o jogador não só não conseguiu cobrir os espaços que habitualmente controla como não recuperou bolas e exibiu-se a um péssimo nível no capítulo do passe e da contenção de bola quando a equipa necessitava que, em vez de tresloucadamente passar a bola para o primeiro colega que visse, guardasse mais a bola e deixasse a equipa recompor-se posicionalmente de forma a conseguir construir uma jogada com nexo. Nas alas, Felipe Luis e Branislav Ivanovic estiveram exímios na marcação a Carrillo e a Nani através de uma pressão instantânea sempre que estes dois recebiam a bola e na própria abordagem defensiva. O português não levou a melhor sobre o sérvio em nenhum drible contra ele intentado no primeiro tempo e o peruano nunca conseguiu receber e virar-se para a baliza contrária, optando quase sempre por devolver a bola ao passador ou encaminhá-la para Adrien ou João Mário. Só no segundo tempo, já com o Chelsea a gerir a vantagem com um recuo de linhas defensivas promovido por José Mourinho e com uma estratégia clara de, recuar, defender bem e sair rapidamente no contragolpe através de lançamentos longos, é que vimos Carrillo e Nani mostrar a sua expansividade no drible. O peruano fez três arrancadas loucas que suspiraram bruás de Alvalade, tendo sido uma delas travada inextremis por Gary Cahill à entrada da área inglesa e o português, tirou do sério Felipe Luis pela ala esquerda, obrigando o brasileiro a cometer duas faltas que a meu ver seriam motivo para a sua expulsão por acumulação de amarelos: a primeira quando o árbitro não assinalou um empurrão ostentivo à entrada da área e a segunda no lance junto à linha no qual o antigo jogador do Atlético de Madrid recebeu o seu único amarelo da partida depois de ceifar sem piedade o jogador português.

O próprio Jonathan Silva mostrou muita garra nas duas situações em que conseguiu recuperar a bola no seu flanco e correu desalmadamente com ela em slaloms por entre adversários. O argentino revela-se cada vez mais como um jogador raçudo que, apesar de apresentar algum défice a defender, compensa no plano ofensivo. Para além de ser destemido, vertical e objectivo na subida com bola pelo flanco, é um jogador que tem um excelente cruzamento para a área, factor que pode ser importante dado o poder de fogo de Slimani no jogo aéreo.

Com Adrien a acelerar muito bem a meio-campo e muito assertivo no capítulo do passe e João Mário, ao lado, a dar muita luta no meio-campo, critério e organização no pensamento dos ataques leoninos, faltou ao Sporting novamente créditos na altura de finalizar. Slimani teve uma bola na sua cabeça passível de golo. Nani baqueou na área num lance em que ficou na cara de Courtois, Freddy Montero esteve perto do golo quando ao primeiro poste (solto de marcação) atirou ao lado e Nani, poderia ter chegado ao golo do empate naquele lance típico que tem evidenciado desde que chegou a Portugal no qual recebe na direita, puxa a bola para o meio e remata com pompa com o pé esquerdo. Assim como, do outro lado, aproveitando os erros de Naby Sarr no posicionamento, Oscar e Diego Costa poderiam ter sido mais eficazes na cara de Rui Patrício.

Uma luta particular nesta partida foi a luta travada entre Eden Hazard e Adrien. Na primeira parte, o lateral deixou o criativo do Chelsea à solta. Das suas acções individuais resultaram duas bolas importantíssimas: uma que Schurrle falhou na cara de Patrício depois de o tentar contornar e outra nos pés de Diego Costa. Na segunda parte, o lateral formado em Alvalade cerrou os dentes e como se diz na gíria “pegou o touro pelos cornos” – Hazard não teve tantas veleidades para meter o seu fortíssimo drible curto e para flectir para o meio da ala esquerda, movimento onde causa muito perigo com os seus milimétricos passes a rasgar.

Uma exibição de alto nível foi a que Nemanja Matic realizou em Alvalade. Com Mourinho, o sérvio cresceu ainda muito mais. Se com Jesus foi requalificado como um médio defensivo de excelência, sempre presente na cobertura de espaços no miolo e começou a conseguir sair a jogar com toda a pompa e circunstância, rompendo as primeiras linhas de pressão com bola sempre que nenhum colega lhe oferecesse uma linha de passe segura, com Mourinho, o sérvio já funciona quase como um box-to-box, fazendo tudo o que aprendeu com Jesus e acrescentando uma capacidade até aqui desconhecida, a capacidade de imiscuir-se no último terço do terreno com o esférico na sua posse a alta velocidade, capaz, também ele de poder construir situações de finalização para os seus companheiros em situações de manifesta falta de mobilidade dos seus companheiros para criar as tais linhas de passe.

Maurício fez dois cortes providenciais a Diego Costa em acções do hispano-brasileiro e saiu graças a uma atitude muito inteligente: sabendo que dali poderia ter surgido o 2-0 (matava o jogo) para o Chelsea, sendo o último defensor do Sporting cometeu uma falta inteligente ao ceifar o jogador do Chelsea. A eventual expulsão do brasileiro nesse lance é discutível. A regra para estes casos é a seguinte: se corta um lance iminente de golo, o árbitro tem que expulsar. Se não corta um lance iminente de golo, o árbitro deve mostrar apenas o cartão amarelo. Como era o último defensor, o vermelho directo aceitava-se. Mas como Cedric ainda estava no enfiamento da jogada (as imagens do lance mostram o lateral num acto preventivo a correr para o lado onde Diego Costa tinha adiantado a bola caso Maurício fosse ultrapassado para o brasileiro) e o lance faltoso foi cometido muito longe da baliza, também se aceita o amarelo. Qualquer acção disciplinar neste lance depende da interpretação do árbitro da partida.

Ao nível da arbitragem, o árbitro espanhol Mateu Lahoz mostrou alguma dualidade de critérios nos amarelos exibidos às duas equipas, esteve muito mal quando decidiu “não ver” o empurrão de Felipe Luis a Nani (se esta primeira falta é assinalada, o brasileiro recebe aqui o primeiro amarelo, sendo expulso na 2ª falta sobre Nani), existiu outro lance onde fiquei com dúvidas: num lance em que Carrillo tenta passar por Cesc Fabrègas dentro da área. O médio inglês não joga a bola e ceifa o extremo peruano.

Nota final para o regresso a Alvalade de José Mourinho – o técnico português bem ao seu estilo, recheou os 90 minutos de muito showoff. Ora a falar com os bombeiros aquando do golo do Chelsea, ora no final quando deixou Marco Silva de mão estendida para ir cumprimentar Rui Patrício. Ao seu estilo!

breves #21

Selecção Nacional – É possível adiantar que o Seleccionador português pré-convocou 40 jogadores a alinhar no estrangeiro. Para além dos já conhecidos José Fonte (Southampton), Danny (Zenit), Ricardo Carvalho (Mónaco), Orlando Sá (Legia de Varsóvia) Tiago (Atlético de Madrid), dos habituais convocáveis que alinham no estrangeiro, juntam-se agora os nomes de Manuel Fernandes (Besiktas), Castro (Kasimpasa), Licá (Rayo Vallecano) e os 5 portugueses que alinham no Dinamo de Zagreb (Ivo Pinto, Wilson Eduardo, Eduardo, Gonçalo Santos e Paulo Machado).

Benfica – A equipa de Jorge Jesus continua a preparar no Seixal a deslocação a Leverkusen para a 2ª jornada da Champions. Com Artur castigado devido à expulsão frente ao Zenit e Paulo Lopes e Julio César lesionados, a escolha de Jesus irá recair sobre o jovem Bruno Varela, guardião titular da equipa B. Jorge Jesus afirmou hoje na conferência de imprensa realizada hoje no Seixal: “Não há nada em que pensar. O Paulo está fora e tenho dúvidas quanto ao Júlio. Mas se não jogar o Júlio, joga o Varela. Acreditamos nos jogadores que estão connosco. O Varela é um jovem de qualidade, no dia em que tiver a sua oportunidade vai agarrá-la.” “O Varela tem muito futuro e é um dos jovens em quem acreditamos. Se tiver de jogar, temos total confiança nele”

Benfica 2 – O site italiano Tuttomercatto noticiou que os russos do Zenit deverão ter chegado à Luz uma proposta de 30 milhões por Salvio. O argentino é um desejo do clube russo desde os tempos de Luciano Spalletti. O mercado russo de transferências só fecha amanhã pelas 21 horas portuguesas.

José Mourinho – Na conferência de imprensa de antevisão do jogo em Alvalade, o treinador do Chelsea falou sobre os meses que passou como adjunto de Bobby Robson em Alvalade:

“Não esqueço aquilo que passei nesta casa. Tentei ajudar naquilo que foi possível numa fase bonita da minha carreira, que foi no princípio. A única má recordação de Alvalade é do dia em que saí. Diverti-me muito com Sousa Cintra, à exceção do dia em que me despediu”

O técnico afirmou ainda que gostava que o Sporting passasse aos oitavos-de-final na 2ª posição do grupo, atrás, obviamente, dos Blues. Para a deslocação a Alvalade o técnico português não conta com Ramires e Didier Drogba. Mourinho dispensou fazer o habitual treino de adaptação em Alvalade.

Boavista –

Boavista

7 points in a row. O Boavista continua a demonstrar que a União faz a força. 3-2 ao Gil Vicente com direito a remontada com o triplo dos golos que a equipa do Bessa tinha feito em 3 jornadas (os primeiros 3 marcados por jogadores da equipa visto que o golo obtido contra a Académica foi marcado pelo lateral esquerdo Richard Ofori na própria baliza).

José Fonte –

josé fonte

O experiente central de 31 anos do Southampton falou hoje à TSF sobre a sua primeira pré-convocação para a selecção nacional e sobre o jogo entre Chelsea e Sporting:

«O Sporting tem jogadores na frente que podem desequilibrar, como o Nani ou o Carrillo, e no meio-campo tem o William Carvalho, que tem despertado o interesse de clubes ingleses. Espero um jogo interessante, bonito. Sendo português e tendo jogado no Sporting, que me desculpe o mister Mourinho, mas gostava que ganhasse o Sporting. Tem a vantagem que é jogar em casa e a motivação de estar e regresso à Champions, quer mostrar qualidade e dar alegrias aos adeptos. O Chelsea é uma potencial mundial, está a fazer um começo de época tremendo, com o Diego Costa a fazer golos e o Fàbregas atrás a fazer assistências. Vai ser difícil mas, se conseguir manter-se organizado, é possível que o Sporting consiga fazer bom resultado. No futebol tudo é possível.»

Sobre o facto de ter sido pré-convocado para a selecção nacional pela primeira vez aos 31 anos, o central mostrou-se disponível para representar a selecção e cheio de vontade de lutar por um lugar na convocatória de Fernando Santos.

Sporting\William Carvalho – Sporting e jogador deverão ter chegado a acordo quanto a uma renovação de contrato. O jogador deverá auferir um ordenado próximo dos 850 mil euros anuais. A cláusula de rescisão continuará fixada nos 45 milhões de euros.

Hugo Almeida – Existiu um volte-face no negócio que foi apalavrado entre o internacional português e o Al-Nasr dos Emirados Árabes Unidos. O português não chegou a acordo com o clube daquele país do Médio Oriente, sendo que ainda está a estudar algumas propostas que tem em mãos de um clube inglês (presume-se que o West Ham) e várias propostas do Médio Oriente.

Karagounis\Selecção Grega – A Federação Grega afirmou que o antigo jogador Giorgios Karagounis (daquela selecção helénica, do Panathinaikos, Inter, Fulham e Benfica) terá um cargo na estrutura federativa, cargo que ainda não é conhecido.