Tempos e Resultados – Ligas Europeias

La Liga

Em Espanha, toda a gente já está a fervilhar por causa do clássico da próxima jornada. No Warm-Up para o grande jogo do próximo fim-de-semana, Ronaldo voltou a superar-se no Cidade de Valência na goleada infligida pelo Real ao Levante enquanto Messi marcou na vitória folgada do Barcelona frente ao Eibar por 3-o e encurtou para 2 golos a distância que o separa do recorde do histórico Telmo Zarra. Caso marque 2 ou 3 golos no Bernabéu, Messi poderá até parar a partida por breves momentos para ser homenageado como co-detentor do record de golos na Liga Espanhola ou até detentor do novo recorde a bater. Pelo meio, o Real terá que receber o Liverpool para a Champions assim como o Barcelona terá que disputar também uma partida. Nada que tire o sono a Ancelotti e seus pares dado o percurso mediocre que os Reds tem vindo a executar neste início de temporada. O clássico está definitivamente na cabeça de madridistas e catalães.

O maior destaque da 8ª Jornada da Liga Espanhola foi a vitória do Deportivo sobre o ascendente Valência no Riazor. A equipa de Victor Fernandez fez uma primeira parte de sonho, mostrando ter espantado durante as duas semanas de pausa toda a insegurança defensiva que vinha demonstrando até então. Aproveitando as falhas da defensiva e do meio-campo Valenciano, na hora de atirar à baliza, os Galegos não perdoaram e puseram na tabela classificativa a primeira mancha no percurso imaculado da equipa de Nuno Espírito Santo. O treinador português tratou de afirmar na conferência de imprensa que a “equipa não perderá duas vezes seguidas”.

Fortíssimo continua o Sevilla. A equipa de Unai Emery aproveitou a derrota do Valência para ascender à 2ª posição do campeonato a 3 pontos do Barça. Carlos Bacca e Kevin Gameiro deram a vitória por 2-0 no terreno do levante.
Para Lopetegui ver foi o empate do Athletic no San Mamés a 1 bola frente ao Celta de Vigo. Aduriz colocou os bascos na liderança aos 6″. Nolito empatou na 2ª parte.
Com dois golos no El Madrigal, o internacional Nigeriano Uche colocou o Villareal de Marcelino Garcial Toral em lugares europeus. Sem ganhar continua o Córdoba.

liga espanhola 4

Na próxima jornada teremos o clássico. Real Madrid e Barcelona defrontam-se no Bernabéu no Sábado pelas 17 horas (hora portuguesa). O Valência recebe o Elche, o Sevilla recebe o Villareal e o Atlético fará uma curta deslocação aos arredores para defrontar o Getafe no Coliseum Alfonso Perez.

Málaga e Rayo Vallecano defrontam-se no Rosaleda. Em caso de vitória de uma das equipas e derrota do Villareal ou Celta, uma delas poderá ascender aos lugares europeus. Prevê-se uma luta interessante pelo 6º lugar na Liga Espanhola entre estas equipas e, possivelmente a Real Sociedad e Athletic de Bilbao se ambas começarem a inverter os péssimos resultados que tem realizado. São duas equipas com enorme valor que tem capacidade para mais.

Premier League

liga inglesa 3

No campeonato de terras de Sua Majestade, os 3 da frente à partida para a 8ª jornada venceram os seus desafios. West Ham e Liverpool também venceram, reaproximando-se da frente e aproveitando para ultrapassar o Manchester United que não foi além de um empate em Birmingham perante o West Bromwich Albion de Silvestre Varela e Georgios Samaras. O Arsenal voltou a baquear, desta vez em casa frente ao Hull. Recapitulemos:

Jogo com muitas cores e muitos sabores. O Manchester City vs Tottenham tinha tudo para ser um daqueles jogos épicos que só a Liga Inglesa nos consegue proporcionar. Pressão asfixiante (melhor, rolo ofensivo) do Manchester City tanto no ataque como a pressão à saída da bola do Tottenham garantiu o primeiro golo. Yaya Touré na encruzilhada quase sempre. Um erro crasso de Fernando permitiu aos homens de Pocchettino restabelecer o empate logo a seguir por Christian Eriksen. Já sonhava com um 3-3 ou um 4-4 ou um 4-5 para o Tottenham.

Até que dois penaltis assinalados por John Moss (o primeiro deles é completamente inventado pelo árbitro) deram a Kun Aguero uma tarde de sonho no Emirates com um poker e com a liderança (partilhada) da lista de melhores marcadores da competição com Diego Costa. Ambos tem 9 golos apontados em 8 jornadas.

Quando me disseram por sms não queria acreditar. Ronald Koeman está a fazer um bom trabalho no Saint Mary´s Stadium mas, o Sunderland não é o Boavista. Tem John O´Shea, Vito Mannone, Wes Brown, Leonardo Vergini, Sebastien Coates, Lee Cattermole (um dos mais duros trincos do futebol britânico), Sebastian Larsson, Jack Rodwell, Adam Johnson, Ricky Alvarez, Emmanuele Giaccherini, Steven Fletcher, Danny Graham, Jozy Altidore. Em suma, um plantel cheio de internacionais, maior parte deles veteranos nestas andanças e com qualidade à brava para fazer um campeonato tranquilo.

8ª jornada, 8 pontos do Sunderland, 8 golos marcados, no dia dez(oito). Parecia destinado a ser uma tarde de glória para os Black Cats de Ronald Koeman, Graziano Pellè, José Fonte, Victor Wanyama, Morgan Schneiderlin, Dusan Tadic e Sadió Mane. 8-0 sem espinhas a uma equipa sem alma durante os 90 minutos. O holandês está a realizar um trabalho formidável com uma equipa que foi reconstruída de novo (dos 14 participantes do lado dos Black Cats, 7 são reforços da equipa para esta temporada) e arrisca-se a criar uma expectativa enorme junto da massa adepta do clube: no 3º lugar a 6 pontos da liderança com 3 de avanço sobre West Ham, 4 sobre Liverpool, 6 sobre o United sem que o United de Van Gaal e o Liverpool de Rodgers tenham um trajecto vitorioso continuo no tempo e 5 sobre o Arsenal que tarda em encontrar-se em jogos a contar para a Premier League, é absolutamente normal que os adeptos do Southampton, dada a qualidade da equipa, comecem a acreditar que é possível voltar a fazer história e lutar pela Champions League.

Impróprio para cardíacos. Quando Eduardo Vargas fez o empate naquela jogada linda, Harry Redknapp levantou os braços porque pensava que se tratava do golo que iria ditar um empate… Muito longe disso! O árabe do video fartou-se de gritar pelo Mario (Balotelli) mas quem haveria de dar a vitória ao Liverpool seria Steven Caulker, num dia muito azarado para a turma londrina. 4 golos em 8 minutos! Final de loucos!

Só ao 24º jogo pelo United, na 2ª época ao serviço do clube, veríamos o melhor de Marouane Fellaini pelo Manchester United. O belga apontou o seu primeiro golo pelo clube mas, tal golo, assim como o golo apontado por Daley Blind aos 87″ apenas seriam suficientes para impedir a derrota no Haythorns frente ao WBA. Silvestre Varela não constou na lista de convocados da equipa inglesa.

Na próxima jornada, a 9ª, teremos como grande jogo da jornada a recepção do Manchester United ao Chelsea na tarde de domingo pelas 16h. A equipa de Van Gaal terá forçosamente que ganhar se quiser ter algumas aspirações ao título inglês nesta temporada. Terá uma semana para preparar o jogo ao invés do Chelsea que, como se sabe, amanhã defrontará o Maribor em Stamford Bridge para a Champions League. Mourinho deverá utilizar a partida para rodar jogadores com menos minutos de jogo de forma a fazer a gestão de plantel que se adequa a este nível de competição.

O Manchester City terá uma difícil deslocação a Londres para enfrentar um moralizado West Ham. Podem dizer o que disserem deste futebol musculado de Sam Allardyce bem ao estilo britânico. Tem resultado. O Liverpool recebe o Hull City. A equipa de Jelavic já provou ser capaz de se bater taco a taco com qualquer equipa do campeonato. Ao Arsenal tentará regressar às vitórias no terreno do desmoralizado Sunderland, capitalizando os estragos que a goleada sofrida em Southampton possam ter feito no balneário comandado pelo uruguaio Gus Poyet. O Tottenham recebe o Newcastle com olhos num lugar europeu.

breves #24

Graziano Pellè –

Graziano Pellè

O robusto avançado italiano que Ronald Koeman levou do Feyenoord para o Southampton por 8 milhões de libras goza um dos melhores momentos da sua carreira. Primeiro porque tem sido o abono de família do Southampton. O italiano de 29 que até aqui nunca representou um grande italiano (Lecce, Catania, Crotone, Cesena, AZ Alkmaar, Parma, Sampdoria e Feyenoord) é um dos melhores marcadores da Premier League até ao momento com 4 golos em 6 jogos (5 em 8 se somarmos os jogos realizados para todas as competições) e foi chamado por Antonio Conte para representar a Squadra Azzurra nos compromissos desta contra Azerbeijão e Malta.

Pellè insere-se num lote no qual Mario Balottelli não faz parte. O guarda-redes Perin do Genova, os defesas Angelo Ogbonna da Juventus, Manuel Pasqual da Fiorentina (apesar de não estar a ser titular em todos os jogos da Viola; Vincenzo Montella tem apostado imenso no espanhol Marcos Alonso) Rugani do Empoli, os médios Marco Parolo da Lazio, os médios-ala\extremos Bonaventura do Milan, Alessandro Florenzi da Roma e os avançado Simone Zaza do Sassulo são as grandes novidades da convocatória do antigo treinador da Juve que, ainda está a aproveitar jogos de menor dificuldade para observar jogadores potencialmente convocáveis para este ciclo de 2 anos.

Grandes ausências da convocatória para além de Balotelli são por exemplo  Riccardo Montolivo (Milan; por lesão), Gabbiadini (para já riscado por Conte), Alessio Cerci (Atlético de Madrid) Stephen El-Sharaawy ou Antonio Cassano.

Arsène Wenger\José Mourinho – A FA não irá castigar os dois treinadores pelo incidente realizado à passagem do minuto 20 do derby disputado no domingo. A federação Inglesa não irá actuar porque segundo o árbitro da partida, Martin Atkinson, os dois treinadores responderam positivamente ao aviso que foi feito por si aquando do acto.

Arsène Wenger não se mostrou arrependido do sucedido: “Não estou arrependido do empurrão. Tenho de estar arrependido do quê? Queria ir do ponto A para o B e alguém surgiu no meu caminho e confrontou-me antes de chegar ao ponto B. Queria ver qual era a gravidade da lesão de Alexis Sànchez» – O francês também acusou Mourinho de falta de fairplay.

Laurent Koscielny afirmou na chegada ao estágio que a selecção francesa irá fazer no centro de rendimento de Clermont-Ferrand que o seu treinador estava irritado pelo facto de uma entrada que tinha sido feito 4 dias antes por parte de um jogador do Galatasaray sobre Alexis Sanchez ter sido punida com um amarelo e, a entrada que motivou o celeuma (feita por Gary Cahill) não ter sido punida com qualquer cartão. Sabemos bem o quão é apertado o critério disciplinar dos árbitros ingleses…

Já Mourinho realçou que aquele não é o típico comportamento de Wenger: “São duas questões técnicas que estão em causa. Ele entrou no meu espaço. Se era para dar instruções a um jogador tudo bem, mas para pressionar o árbitro a dar um cartão vermelho a um jogador não é justo. Acho que esta não é a imagem de fair play que Wenger deve dar»

Mario Balottelli – O Diário Espanhol Sport noticia hoje que o Liverpool decidiu colocar uma pessoa a vigiar Mario Balottelli para onde quer que o italiano vá na sua vida pública e privada. O clube inglês pretende salvaguardar que o avançado italiano não faz cenas lamentáveis como as que fez em Manchester (orgias com prostitutas, o incêndio que provocou em sua casa) ou em Itália (apanhado a fumar em discotecas, apanhado pela polícia a conduzir alcoolizado) até porque, no contrato de compra e venda que celebrou com o Milan há uma cláusula que obriga os rossoneri a devolver ao Liverpool os 17,6 milhões de libras pagos pelos Reds em caso de mau comportamento continuado do jogador.

Marco Reus – Ao fechar pela 3ª vez a porta à renovação com o Borussia de Dortmund, o Sport notícia que o Barcelona entrou na corrida por Marco Reus. Liverpool, United e Bayern de Munique serão os principais interessados no meister do futebol alemão actual. O jogador alemão já avisou que poderá anular a clásula contratual que detém com o clube da Vestfália, na qual, em 2015, anulando esta cláusula o jogador poderá sair para qualquer clube que pague 25 milhões de euros pelos seus direitos económicos. É possível que o internacional alemão esteja a pressionar o clube germânico para sair na reabertura do mercado em Janeiro.

Thomas Vermaelen – O internacional Belga contratado pelo Barcelona ao Arsenal no Verão por 15 milhões de libras é um dos maiores casos de imprensa do país vizinho. O belga ainda não somou qualquer minuto na equipa culé devido a sucessivas lesões que o tem afectado neste início de temporada. Numa coluna publicada na edição de ontem do Sport, um colunista chegou a interrogar se o jogador foi observado pelos médicos do clube nos habituais exames médicos antes de assinar. A suspeita deverá marcar a actualidade dos próximos dias. Vermaelen voltou a treinar à parte hoje numa sessão de treino invulgar dirigida por Luis Enrique com apenas 10 jogadores (5 da equipa principal e 5 da equipa B) derivado do facto de grande parte dos jogadores das duas equipas estarem ao serviço de selecções AA e selecções jovens de vários países.

Daniel Alves\José Mourinho – José Mourinho respondeu à boca do lateral direito do Barcelona (“Mourinho não inventou o futebol… não descobriu nada!!”) – Com um toque de inteligência o português ridicularizou o brasileiro ao afirmar: “Nem Einstein o poderia ter dito melhor. Daniel Alves tem toda a razão: eu não inventei o futebol, mas foi um português que descobriu o Brasil!”

João de Deus

Sporting – A Sporting SAD anunciou ontem a contratação de João de Deus como o novo técnico da sua equipa B. O antigo treinador do Gil Vicente esteve poucas semanas no desemprego após ter sido despedido da equipa gilista. João de Deus orientou como treinador principal a Selecção de Cabo-Verde, o Ceuta, Farense, Atlético, Oliveirense e Gil Vicente. Sucede a Francisco Barão que se mantem como treinador adjunto da equipa depois de a ter orientado interinamente após o despedimento de Abel ainda na pré-temporada.

Hugo Almeida – O jogador português assinou pelo Cesena da Serie A italiana depois de ter passado com sucesso pelos habituais exames médicos. O Cesena ocupa neste momento o 13º lugar da Lega Calcio.

Federação Espanhola – Na antevéspera do referendo que levará os Catalães a decidir pelos destinos daquela região (independência ou permanência sob a soberania de Madrid) o presidente da Liga de Clubes Espanhol Javier Tebas colocou alguma pressão nos sentimentos dos catalães ao afirmar que caso os cidadãos daquela região votem favoralmente à independência “Barcelona e Espanyol não jogarão a Liga Espanhola”. O lider do organismo que organiza a competição remeteu as suas declarações à Lei do Desporto em vigor. A mesma lei autoriza apenas a competição dentro das competições organizadas por entidades espanholas a clubes não-espanhóis de Andorra.

Montpellier –

montpellier

O mau tempo que se faz sentir em toda a europa já provocou alguns estádios de futebol. Esta era a imagem do estádio La Mousson, propriedade do Montpellier durante a manhã de hoje.

Crónica #12 – Villareal 0-2 Real Madrid

Poucos dias antes de mais um embate para a Champions frente ao Ludogorets da Bulgária, o Real Madrid foi ao El Madrigal, estádio do Villareal bater a equipa da casa com 2-0 (mais um golo de Ronaldo) descomplicando com alguma facilidade um jogo que historicamente costuma ser muito difícil para a equipa merengue e, no caso do jogo de hoje, um jogo em que a turma orientada por Marcelino Garcial Toral vendeu muito cara a derrota com um estilo de jogo bastante ofensivo que causou alguns sobressaltos à baliza de Iker Casillas.

Marcelino Garcia Toral promoveu alguma rotação no plantel fazendo entrar no onze formado em 4x4x2 clássico Sérgio Asenjo na baliza, um quarteto defensivo composto por Mario, Matteo Musachio, Victor Ruiz e Gabriel; Bruno e Trigueros no meio-campo, Cani na direita, Moi Gomez à esquerda e uma frente de ataque composta pelo argentino Lucas Vietto na companhia do nigeriano Uche. No banco ficaram por exemplo habituais titulares desta equipa como Tomas Pina ou Giovanni dos Santos.

Já Carlo Ancelotti, sem poder contar com Pepe, voltou a fazer alinhar o seu onze base depois de ter colocado Keylor Navas, Illaramendi e Isco no jogo contra o Elche.

Nos primeiros minutos da partida assistimos a uma entrada de rompante da equipa do Villareal. Com processos de jogo que denotam bastante trabalho, a equipa de Toral começou o jogo a circular a bola de forma rápida a meio-campo com interessantes aberturas para os flancos onde Cani e Mario de um lado e Mói Gomez do outro tentaram por variadíssimas vezes colocar a bola na área através de cruzamentos.
No entanto, a primeira situação de perigo seria a favor do Real Madrid pelo inevitável Cristiano Ronaldo aos 4″. Gananhando a frente a Mario no flanco esquerdo, o português tirou o lateral do caminho em flecção para o centro e tentou um remate em potência que haveria de ser desviado por um adversário para canto. Do canto surgiu uma bola na área que Sérgio Ramos parou com o braço antes de chutar para o fundo das redes de Sérgio Asenjo. Undiano Mallenco invalidou de imediato o golo mas não viu no lance um empurrão de Musacchio a Raphael Varane que impediu o central francês de atacar a bola.

A conseguir ganhar as segundas bolas a meio-campo e com um sentido de distribuição apuradíssimo, tanto Bruno como Cani como Trigueros começaram a inventar algumas situações de perigo para a baliza de Casillas. Aos 7″ Uche chegou a obrigar o guardião internacional espanhol a uma defesa apertadíssima num lance em que tentou tirar Varane do caminho. O guarda-redes do Real Madrid teve 2 minutos depois que sacudir de forma muito pouco ortodoxa um cruzamento de Mario na direita com os pés. Creio que o guarda-redes espanhol quis com este toque pouco ortodoxo naquela zona do terreno sair imediatamente a jogar para Marcelo. No entanto, pôs em risco a sua baliza caso o chuto fosse parar aos pés de algum jogador do Villareal. Aos 12″ Varane teve que cortar inextremis um remate de fora-da-área de um jogador do Villareal que mudou de trajectoria devido a um desvio de Kroos. Casillas estava batido no lance.

Aproveitando o facto de Kroos e Modric estarem no centro do terreno e de Cristiano Ronaldo não ajudar a fechar o flanco direito, a equipa dos arredores de Valência começou a canalizar o seu jogo para o flanco direito.

O avião do regresso…

Ao minuto 16 passou sobre o El Madrigal um avião com um banner onde se lia “Come Home Ronaldo – United Reel”, porventura encomendado por adeptos do Manchester United.

O jogo continuou com alguma intensidade. A equipa do Real respeitou a entrada mais agressiva da equipa do Real e demorou algum tempo a entrar no jogo e a criar jogo ofensivo. Perante a confiança que os construtores do Villareal estavam a demonstrar ao conseguirem evitar a pressão exercida sobre si no meio-campo pelo tridente de meio-campo do Real, Kroos e Modric foram obrigados a pegar mais na bola. Nesta fase da partida, faltava alguma rapidez ao jogo de passes da equipa de Ancelotti a meio-campo facto que facilitava não só a organização defensiva do Villareal como a intercepção de passes a meio-campo que quase sempre eram aproveitadas pelos jogadores do submarino amarillo para sair rapidamente em contra-ataque e tentar colocar bolas nas costas dos centrais madridistas para o poder de aceleração dos seus dois velozes homens da frente. Valeu Raphael Varane aos merengues: muito atento ao longo de toda a partida, não falhou um corte ou um desarme quando foi chamado a intervir na sua raia de acção. Foi traído uma ou duas vezes pelas movimentações de Vietto mas, na globalidade do seu rendimento, foi um dos melhores em campo no El Madrigal.

Quem não consegue marcar contra o Real, ao primeiro erro que cometa…

Foi precisamente na fase de maior ascendente do Villareal na partida que o Real selou o seu triunfo.
Aos 27″ uma fantástica acção de Vietto no meio dos dois centrais do Real dá ao argentino a possibilidade de atirar à baliza de Casillas. O argentino remata em arco por cima da baliza merengue. 2 minutos depois, um lance de insistência de Cani na esquerda faz a bola rodar até ao flanco direito onde aparece Mario a rematar cruzado para defesa de Casillas.

Até que Modric e Ronaldo puseram em campo a sua excelência. Aos 32″ Kroos endossa a bola ao croata à entrada da área, e ao mesmo tempo em que este recebe, Ronaldo atrai as marcações com um movimento na frente de um defensor e permite que o croata estoire em cheio na baliza de Asenjo que pouco podia fazer para parar o forte remate do croata. O movimento de Ronaldo, visível nas imagens, faz toda a diferença no lance.

O Villareal respondeu de imediato no minuto seguinte: uma fantástica decalage de passes do flanco esquerdo para o flanco direito muito bem contemporizada faz chegar a bola a Cani que cruza para cabeceamento de Vietto ao lado da baliza de Casillas. A equipa de Marcelino Toral acreditou que era possível chegar à igualdade até ao intervalo e num lance resultante de um canto que não é aproveitada pela equipa de amarelo, James recupera a bola e lança imediatamente Benzema em velocidade com um passe longo de excelência. O francês conquista o esférico a um defensor do Villareal, tira-o do caminho e serve Ronaldo no coração da área para o 2-o. Lance típico de contra-ataque do Real com o francês a demonstrar muita inteligência na forma em como parou a bola, viu a entrada dos companheiros da área, tirou o defensor do caminho e assistiu o português para o seu 10º golo na Liga.

A equipa do Villareal não baixou os braços e até ao intervalo criou 2 situações de perigo: a primeira num remate de meia-distância de Trigueros que Casillas defendeu com dificuldade para os pés de Vietto (em fora-de-jogo devidamente assinalado por um dos assistentes de Undiano Malenco; o argentino tentaria a emenda que seria defendida por Casillas) e num segundo em que o mesmo trigueros no coração da área responde a um cruzamento de Cani na esquerda com um potente remate que é desviado corajosamente pelo brasileiro Marcelo para canto. O corte do Brasileiro equivaleu literalmente a um golo da sua equipa. A bola de Trigueros levava selo de golo. A propósito, o médio ofensivo do Villareal foi uma das figuras desta primeira parte pela rapidez que incutiu nos processos de circulação da equipa com a sua simplicidade acções (receber e passar). Na segunda parte eclipsou-se e foi substituído.

Ao intervalo, apesar da maior agressividade e arrogância demonstrada pelo Villareal na abordagem ao jogo, era o Real quem capitalizava com dois pequenos erros da equipa da casa.

Na segunda parte, como seria de esperar, para não desgastar a equipa fisicamente, Ancelotti não teve problemas nenhuns em baixar as linhas da equipa e entregar as despesas de jogo ao Villareal, apostando em saídas rápidas no contra-ataque por intermédio de Ronaldo e Benzema.

Como tal, os únicos lances de perigo foram construídos pelo Villareal:
– aos 47″ uma triangulação pela esquerda permite a entrada do lateral Gabriel na área. O remate saiu torto. O lateral adaptado, central de origem não tem pé esquerdo.
– aos 51″ Cani centrou para a área e Lucas Vietto, rodeado de 4 adversários não teve espaço para colocar o seu remate. Contemporizou bem e entregou ao remate de Mario. Lucas Vietto esteve em destaque na segunda parte. Provou ser um jogador capaz de se movimentar facilmente na área e fora desta. Por várias vezes foi fora da área receber jogo da sua linha média e acelerar a circulação de bola para os flancos, arrastando consigo Varane ou Sérgio Ramos. É um jogador bastante interessante que tanto consegue aparecer na área a finalizar as jogadas como com as suas constantes saídas da área participa do processo ofensivo da equipa, dá-lhe mais rapidez e mais inteligência e arrasta defensores consigo para abrir espaços para o seu colega de ataque poder entrar.
O jogo diminuiu de ritmo. Marcelino Toral decidiu colocar em campo em poucos minutos os irmãos Giovanni e Jonathan da Silva e o extremo Espinoza. Jonathan da Silva veio dar mais velocidade à construção de jogo da equipa com processos de passe muito simples quase sempre ao primeiro toque. Já o seu irmão prendeu imenso o jogo com as suas tentativas de drible. Carvajal não lhe permitiu muitas veleidades no duelo individual. E a equipa da casa, apesar de estar bem instalada no meio-campo merengue não conseguiu até ao final da partida construir mais oportunidades de perigo. Ancelotti limitou-se a fazer a gestão de plantel com as entradas de Nacho para o lugar de lateral-esquerdo (Marcelo teve que ser assistido a um olho, provavelmente às lentes de contacto depois de ter levado com uma bola na cara numa disputa de bola) Asier Illaramendi e Isco.

Tempos e Resultados

É altura de visitar as tabelas classificativas dos principais campeonatos europeus e traçar algumas notas sobre o rumo dos campeonatos europeus, analisando com brevidade resultados e classificações no presente e antecipando a próxima jornada. (print screens do Zerozero.pt)

Liga Portuguesa:

liga portuguesa

Com o Benfica na liderança isolada da Liga, a 6ª jornada trás um jogo que poderá fazer cimentar a liderança da equipa encarnada. Sporting e Porto jogam em Alvalade um jogo cujo resultado final será sempre favorável à equipa de Jorge Jesus.

O Benfica visita o Estoril. A equipa comandada por José Couceiro iniciou este campeonato de forma muito intermitente com apenas 1 vitória. Nenhuma transição de ciclo é fácil, muito menos quando a transição que está a ser realizada por Couceiro tem como objectivo manter o nível que a equipa Estorilista construiu com Marco Silva e com um conjunto de jogadores (Jefferson, Carlos Eduardo, Steven Vitória Evandro, Licá) que já não estão na equipa da linha. O jogo contra o Estoril não será fácil para a equipa de Jorge Jesus visto que poderá moralizar os estorilistas para se galvanizarem de forma a conquistar um bom resultado e inverter os maus resultados obtidos nas primeiras jornadas.

Em destaque nas primeiras jornadas de campeonato, Rio Ave e Vitória de Guimarães tem jogos com um grau de dificuldade elevado em Braga e no Funchal. Sporting de Braga e Marítimo aparecem à entrada para a 6ª jornada à porta dos lugares europeus. Em caso de vitória destas duas equipas, a equipa Maritimista pode subir para o top-3 da Liga e a equipa Bracarense deverá entrar em lugares europeus.

O Belenenses quer dar seguimento em Paços de Ferreira um início de temporada muito risonho. Terá a equipa de Lito Vidigal, Nélson, Miguel Rosa, Fredy e Deyverson capacidade para lutar por um lugar europeu?

Luta de aflitos: O Boavista recebe no Bessa o Gil Vicente. Boa oportunidade para a turma de Petit cavar alguma diferença para a linha-de-água perante um Gil que recentemente mudou de treinador. José Mota é promessa de um futebol mais agressivo e acutilante para a turma presidida por António Fiúsa. Os boavisteiros estão moralizados pelos 4 pontos conquistados nos últimos 2 jogos, sobretudo pelo saboroso empate arrancado no Dragão.

Liga Espanhola:

liga espanhola 2

La Liga é liderada pelo Valência. A equipa ché iniciou o campeonato a todo o gás. Ainda ontem, com uma exibição colectiva e individual fantástica, caso de André Gomes, a equipa da comunidade Valenciana bateu o lanterna-vermelha Córdoba por 3-0. Ascendendo à liderança devido ao empate do Barcelona no dia anterior frente ao Málaga, a equipa Valenciana tentará no domingo dar sequência aos excelentes resultados numa deslocação muito difícil ao Anoeta, estádio onde mora uma Real Sociedad com aspirações europeias.

Na próxima jornada da Liga Espanhola, o Real Madrid tem uma deslocação de dificuldade média ao terreno do Villareal. A equipa de Giovanni dos Santos e Cani também tem como objectivo a conquista de um lugar europeu.
O Barcelona recebe o Granada em Nou Camp. Prevê-se uma vitória fácil para os catalães.
Já o Atlético de Madrid de Simeone recebe o sempre difícil Sevilla amanha no Vicente Calderón. A equipa Sevillana chega ao reduto do campeão com mais 2 pontos na tabela e com um futebol muito pragmatico no qual para já não se acusa a saída de dois dos seus principais jogadores na temporada 13\14: o croata Rakitic e o lateral-esquerdo Espanhol Alberto Moreno (actualmente no Liverpool). Denis Suarez e Carlos Bacca tem estado em destaque nas primeiras jornadas da Liga Espanhola.

Em destaque por motivos negativos está o Athletic de Bilbao de Ernesto Valverde. A equipa basca está a sofrer da mesma maleita da Real Sociedad na época passada. Arrancando mais cedo que as restantes equipas da Liga em virtude da participação no playoff da Champions, a equipa de Bilbao protagonizou um dos piores arranques da história do clube nas primeiras 5 jornadas, podendo efectivamente estar a pagar pela participação da Champions. Aconteceu o mesmo com a Real Sociedad no ano passado. Os homens de San Sebastian conseguiram dar a volta ao texto com o desenrolar dos acontecimentos. Vamos ver se a equipa de Valverde não se afunda. Na 6ª jornada, antes da deslocação ao terreno dos bielorussos do Bate Borisov para a Champions, a equipa basca pode remontar na tabela se vencer o Eibar.

ronaldo 3

Na lista dos melhores marcadores, Ronaldo distanciou-se do goleador do Valência Paco Alcácer e do companheiro de equipa Gareth Bale.

Liga Italiana

liga italiana

Juventus e Roma continuam invencíveis na liderança da Série A. A Roma, catapultada por grandes exibições de Gervinho ainda não perdeu. Marcando os mesmos golos que a Juve em 4 jornadas, a equipa Romana só concedeu um golo. A equipa de Allegri ainda não concedeu nenhum.

São seguidas por Udinese, Inter e Sampdória. A turma de Mazzarri tem vindo a demonstrar muita coesão defensiva (Medel e Vidic endireitaram uma defesa muito permissiva; apenas 1 golo sofrido em 4 jogos).

A Fiorentina é apenas 9ª. A equipa está a praticar um futebol interessante neste arranque de época. Contudo, a equipa tem acusado um défice enorme no capítulo da finalização. Com Giuseppe Rossi novamente lesionado, Mário Gomez, Juan Cuadrado, Joaquin, Khouma Boubacar ou Bernardeschi não tem conseguido capitalizar o caudal de jogo que é construído pelas unidades ofensivas da equipa. Contra o Sassuolo, a equipa de Firenze dispôs de 10 oportunidades de golo. Borja Valero, por exemplo, mandou duas bolas aos postes contra a equipa de Eusébio DeFranceschi.

Na 5ª jornada da Série A, a Roma inaugura a jornada contra o Hellas Verona de Luca Toni enquanto a Juventus vai a Bergamo jogar contra a mediana Atalanta.
No domingo, o Inter recebe o Cagliari de Zdenek Zeman, actual lanterna vermelha da liga. A equipa de Mazzarri deverá vencer com alguma facilidade a partida com a equipa orientada pelo histórico treinador checo.
O Milan desloca-se a Cesena enquanto Torino e Fiorentina, as duas representantes do país na Liga Europa, jogam em Turim. Ambas as equipas procuram retomar aos bons resultados. A equipa de Turim ainda não conseguiu ultrapassar as saídas dos seus jogadores mais influentes: Alessio Cerci e Ciro Immobile.

Liga Inglesa:

liga inglesa

Com o Chelsea na liderança após 5 jornadas, no topo da tabela aparecem algumas surpresas: desde logo o Southampton de José Fonte. Quando se esperava algum decréscimo de rendimento da equipa derivado das vendas de jogadores-chave da temporada passada (Dejan Lovren, Adam Lallana, Ricky Lambert, Luke Shaw) a equipa agora orientada pelo nosso conhecido Ronald Koeman, reforçou-se com jogadores como Graziano Pellè (ex-Feyenoord) o médio defensivo Morgan Schneiderlin, o lateral Ryan Bertrand (ex-Chelsea) ou Sadió Mane e está a conseguir manter o nível obtido em 13\14. A segunda surpresa deste início de temporada é o Aston Villa. Arredados desde há muitos anos da luta por lugares europeus, a equipa de Birmingham tem sido catapultada para os primeiros lugares graças às excelentes exibições do mais recente eleito de Roy Hodgson para a selecção dos três leões Fabian Delph.

Manchester City e Manchester United tem cometido alguns deslizes neste inicio da temporada. A equipa de Manchester perdeu contra o Leicester City de Esteban Cambiasso e Charlie Adam em casa enquanto a equipa de Van Gaal teve um péssimo arranque de temporada, muito por culpa das borlas que a sua refeita defesa deu nas primeiras jornadas. Não é que o holandês dê muita importância ao comportamento defensivo da equipa pois é um daqueles que não se importa de sofrer 4 golos desde que marque 5. No entanto, numa liga tão equilibrada com equipas tão poderosas do ponto de vista ofensivo, a equipa de Manchester não irá a lado algum quando continuar a sofrer 5 golos de equipas com o nível do Leicester City, apesar, de, como referi, esta equipa do Leicester ter vendido no City of Manchester num jogo onde defendeu de forma exímia perante um sufocante Manchester City.

Na 6ª jornada da Premier League, o jogo grande é o excitante derby Londrino entre Arsenal e Tottenham. A equipa de Wenger pretende colar-se ao Chelsea (recebe o Aston Villa em Stamford Bridge). A equipa de White Hart Lane tem feito um arranque mediano. Vencer o Arsenal não só servirá para a equipa aproximar-se dos lugares europeus como, obviamente, servirá como uma dose de confiança para os próximos compromissos da equipa sediada no Norte de Londres.
O United de DiMaria e Falcao irá receber o West Ham (8º com 7 pontos), o Liverpool de Brendan Rodgers jogará mais um excitante derby daquela cidade contra o Everton enquanto o City vai ao terreno do Hull City.

Liga Francesa

liga francesa

A Ligue 1 está a ser dominada por ora pelo Marseille de Marcelo Bielsa. Apesar desta equipa ter vendido recentemente o seu playmaker Mathieu Valbuena ao Dinamo de Moscovo, Marcelo Bielsa tem feito valor o seu clássico modelo de jogo. A equipa marselhesa tem entrado muito dominadora nas partidas com vontade de marcar cedo, pressionar alto, consolidar o resultado e controlar com posse de bola. André-Pierre Gignac está a viver a sua melhor época na equipa de Marselha com 8 golos em 7 jogos. O internacional francês é o melhor marcador da liga, piscando o olho a uma possível convocatória para a selecção gaulesa.

Em destaque também tem estado o Bordéus, actual 2º classificado. Em recuperação na tabela tem estado o Monaco de Leonardo Jardim. João Moutinho está a recuperar a sua melhor forma, tendo sido decisivo nas últimas vitórias dos monegascos em conjunto com o seu parceiro de miolo Toulalan.

Na 8ª jornada da prova o Mónaco recebe o Nice. O PSG desloca-se ao sempre difícil terreno do Toulouse. O Marselha recebe em casa o 3º classificado, o Saint-Ettiène. Não se prevê uma tarefa fácil para a equipa de Bielsa.

Bundesliga:

bUNDESLIGA

No seguimento da vitória caseira frente ao Paderborn 07, o Bayern de Munique ascendeu à liderança da prova com mais 1 ponto que o Bayer Leverkusen (assumem-se como candidatos ao título) e que o Hannover. A turma bávara já tem 4 pontos de avanço sobre o intermitente Borussia de Klopp. O Borussia ainda está a contas com várias lesões no seu plantel, casos de Nuri Sahin, Gundogan ou Mats Hummels.
O adversário do Sporting na Champions (Schalke 04) está a realizar um péssimo arranque de temporada.

Na 6ª jornada da prova, o Schalke recebe o Dortmund em Gelsenkirchen num jogo onde nenhuma das equipas deverá pretender perder mais pontos. O Bayern de Munique vai ao terreno do Colónia enquanto o Leverkusen vai ao Europa Park jogar contra o Freiburg.

Repare-se no fundo da tabela da prova: Werder Bremen de Robin Dutt, Estugarda e Hamburgo, três históricos do futebol alemão ocupam os lugares abaixo da linha de água. Se a equipa de Dutt tem argumentos para rapidamente sair daquelas posições, as equipas de Estugarda e Hamburgo tem que reverter rapidamente o rumo dos acontecimentos para não sofrerem dissabores nos próximos meses.

Liga periférica em destaque: Eredivisie

liga holandesa 2

Valeu a pena esperar. O PSV construiu nos últimos anos um colectivo forte para quebrar a supremacia do Ajax na prova. Alavancado pelas excelentes exibições de Memphis Depay a equipa de Stijn Schaars e Santiago Arias lidera a liga holandesa com mais 3 pontos que o tricampeão em título. O Feyenoord está a varrer os lugares de despromoção com 5 pontos conquistados em 6 jogos.

Crónica #11 – Málaga 0-0 Barcelona

malaga

Uma noite desinpiradíssima da equipa de Luis Enrique no La Rosaleda permitiu o empate aos malaguenhos (ainda não perderam em casa este ano) e a recuperação de dois pontos ao Real Madrid. A equipa do Barça perdeu à 5ª jornada os primeiros 2 pontos nesta liga.

Para a recepção à equipa catalã, o treinador da casa Juanma Garcia optou por colocar a equipa em campo num esquema táctico 4x5x1, por vezes 4x6x0 quando o avançado Amrabat caía para uma das alas. Garcia fez alinhar o camaronês Kameni na baliza, uma defesa composta pelo venezuelano Roberto Rosalez na direita, a habitual dupla de centrais composta por Sérgio Sanchez e Wellington Oliveira e Miguel Torres na esquerda; para não ficar em inferioridade numérica contra o meio-campo da equipa de Luis Enrique, povoou o meio-campo com o médio defensivo Ignacio Camacho juntamente com Duda, Sergi Daerden, colocando o venezuelano Juanpi e o jovem canterero Samu Castillejo nas alas; na frente Nordin Amrabat foi a principal referência ofensiva apesar de não ser um avançado de área.

Já Luis Enrique tem promovido alguma rotação no plantel do Barcelona. O próprio já afirmou, apesar das críticas a que tem sido sujeito por parte da imprensa da especialidade, que pretende efectuar alguma rotação no plantel ao longo da época. À conta dessa rotação, algumas estrelas da equipa já ficaram de fora de algumas partidas deste início de temporada.
Sem poder contar com Luis Suarez, Jeremy Mathieu, Dani Alves ou Javier Mascherano, Luis Enrique fez alinhar Claudio Bravo na baliza (Ter-Andre Stegen parece estar a perder a batalha para o Chileno que os culés foram buscar a San Sebastian), estreou o lateral Douglas na direita, formou o eixo da defesa com Marc Bartra e Gerard Piqué e colocou na esquerda o habitual dono da posição Jordi Alba; no meio-campo, Busquets como o homem mais recuado, jogando atrás de Rakitic (a jogar como interior direito) e Andrés Iniesta como interior esquerdo; na frente, Neymar começou mais colado ao flanco esquerdo (haveria de se encostar mais a Messi com o decorrer do jogo), Messi como falso avançado e Pedro na precisa posição de Neymar no flanco contrário.

A equipa catalã iniciou o jogo com a sua habitual pressão alta a toda a largura do terreno de forma a não deixar a equipa do sul jogar. Com Bartra a vigiar de perto o principal perigo da equipa adversária (Amrabat) de nada valeu esta marcação individual. Fugindo à marcação do central espanhol, o avançado marroquino cirandou por todo o lado durante os 90″, obrigando o central da formação do Barça a acompanhá-lo para todo o lado. Foi visto muitas vezes na esquerda e na direita a participar nos processos de circulação da equipa bem como a aproveitar tudo aquilo que os companheiros lhe poderiam dar para meter a sua espantosa aceleração: lançamentos laterais para as linhas, bolas para as costas da defesa. Amrabat foi de facto um enorme quebra cabeças para a defensiva catalã ao longo dos 90 minutos. No entanto, a sua equipa não conseguiu lucrar com o jogo que tentava construir através dos flancos pois a equipa não tem ninguém que consiga jogar na área para aproveitar o jogo que é construído pelo jogador nas alas bem como o arrastamento que promove com as suas movimentações. Esta é uma das lacunas da equipa de Málaga. Para acompanhar um jogador com as características de Amrabat, a equipa deveria ter um ponta-de-lança goleador na área. Roque Santa Cruz (iniciou o jogo no banco) é à primeira vista esse tipo de jogador mas está a passar pelo seu natural período de decadência.

Defensivamente, esta equipa do Málaga provou logo nos primeiros minutos uma excelente organização defensiva, povoando muita gente no meio-campo para não deixar que os construtores de jogo do Barça (Rakitic e Iniesta) pudessem fazer o habitual jogo entre linhas (as típicas tabelinhas que estes jogadores fazem entre si, tabelinhas seguidas de passe para as costas da defesa, tabelinhas com corte nas costas, os dribles desequilibradores de Messi à entrada da área) que Rakitic, Iniesta, Messi e Neymar sabem fazer tão bem. Impedidos de jogar para o jogador argentino, a equipa de Barcelona foi praticamente obrigada durante toda a partida a jogar para as alas, onde Jordi Alba sempre muito bem subido no terreno foi municiado com imensas bolas para colocar o seu mortífero cruzamento. Se na ala esquerda Roberto Rosalez deu muito espaço ao internacional espanhol por causa da constante flecção de Neymar para zonas mais centrais do terreno, levando Juanma Garcia a colocar Amrabat naquele flanco para estancar as subidas do lateral espanhol, do lado direito, Miguel Torres anulou muito bem Douglas Pereira dos Santos.

O primeiro lance de perigo viria aos 7″. Na sequência de um canto marcado por Rakitic que Kameni iria segurar sem dificuldades, o camaronês correu com a bola até ao limite da área e vendo Amrabat a iniciar uma movimentação do centro para a esquerda no meio-campo em velocidade (o marroquino pediu-lhe a bola com um aceno) chutou longo para o espaço onde o avançado entrou. Dominando a bola perante a presença de Jordi Alba (o único jogador do Barça que não sobe nos cantos), o marroquino trabalhou sobre o lateral e atirou para uma defesa fácil por parte de Claudio Bravo.

Desde logo percebi pelas movimentações de Rakitic que o jogador croata está a ser completamente anulado nesta equipa. Reduzindo a sua influência enquanto um excelente organizador de jogo que gosta de iniciar as transições em velocidade pelo miolo e servir os companheiros de ataque com deliciosos passes em ruptura, o verdadeiro estilo de jogo que marca a diferença que o croata faz no jogo, Rakitic aparenta estar algo preso ao jogo de posse e circulação desta equipa do Barcelona. Não parece ser o jogador expansivo que era em Sevilla. Nesta partida, limitou-se literalmente a receber a bola de um companheiro e a passá-la directamente para as subidas do lateral Douglas.

Aos 14″, num livre mais descaído para a direita, bem ao jeito de Messi, o astro argentino haveria de atirar por cima da baliza de Kameni. Muito escondido entre os centrais do Málaga, o argentino esteve ausente da primeira parte do La Rosaleda. Haveria de reaparecer a partir dos 40″ quando recuou no terreno para pegar no jogo da sua equipa na primeira fase de construção.
2 minutos depois, Jordi Alba haveria de centrar pela esquerda para o primeiro poste onde apareceu Pedro (bem marcado e estorvado na sua acção por Wellington) a desviar a bola com um toque subtil num lance que não causou perigo para a baliza de Kameni.

Aproveitando a descompensação já explicada no lado direito da equipa do Málaga, dada a incapacidade que a equipa catalã demonstrava em aplicar o seu veloz jogo de combinações pelo centro do terreno e em acelerar o jogo a meio-campo sempre que recuperava a bola, Iniesta e Neymar começaram a jogar mais para as subidas de Jordi Alba. Aos 25″ o  lateral voltou a cruzar para o coração da área. Messi tentou entrar no sitio certo para cabecear a bola mas acabou por falhar o cabeceamento. A bola sobrou para trás onde Pedro apareceu capaz de matar no peito e finalizar. No entanto, o avançado do Barcelona falhou o domínio e a bola acabou por sair pela linha final.

A partir deste lance, o jogo tornou-se mais quezilento (recheado de pequenas faltas e muitas interrupções) e muito mal jogado por parte das duas equipas. Maior ascendente para o Barcelona na partida apesar da equipa catalã não conseguir materializar a extensa posse de bola que teve durante o primeiro tempo. Aos 41″ num lance construído novamente na esquerda por Alba, Pedro tentou finalizar com um remate em rotação que foi embater no peito de Wellington. O avançado reclamou grande penalidade mas Hernandez Hernandez, o árbitro nomeado para a partida viu com clareza aquilo que confirmei na repetição televisiva: a bola bateu no peito do duro central brasileiro.

O que Hernandez Hernandez não viu foi um puxão a Messi quando, junto ao intervalo, este se preparava para entrar na área para finalizar um cruzamento de Jordi Alba. O argentino iniciou a jogada: vindo buscar a bola atrás, driblou dois jogadores malaguenhos lateralizando de seguida Pedro que tocou para trás para Jordi Alba. O lateral voltou a cruzar tenso para a área. Neste espaço de tempo, o argentino fez uma movimentação interior para poder ir finalizar aquela bola. Pelo caminho foi puxado na sua camisola por um jogador do Málaga, impedindo-o de chegar a tempo de empurrar a bola para a baliza de Kameni. O árbitro da partida nada marcou e tanto Messi como Neymar chegaram atrasados ao cruzamento e deixaram a bola sair pela linha lateral do flanco contrário.

Ao intervalo, o empate justificava-se pela inabilidade que o Barcelona estava a ter em conseguir colocar mais velocidade no jogo, mais criatividade capaz de abanar com a excelente organização defensiva da equipa malaguenha e mais pragmatismo no jogo.

A 2ª parte foi, na sua globalidade, muito confusa. Ao intervalo, Luis Enrique não conseguiu ditar aos seus jogadores uma fórmula capaz de alterar o rumo dos acontecimentos. A equipa do Barcelona manteve a esmagadora posse de bola mas não conseguiu ter um momento de brilhantismo (colectivo ou individual) que lhe permitisse vencer a partida.
Com um recomeço algo faltoso e muito mal jogado de parte a parte (durante os minutos 50 e 55 as equipas chegaram a praticar um atípico futebol de chutão para o ar) nenhuma das equipas conseguiu assentar o jogo. Só aos 57″ é que o Barcelona fez uma jogada minimamente encadeada pelo flanco direito na qual Douglas Santos combinou com Pedro no centro que por sua vez deu para Rakitic um pouco mais atrás. O croata centrou largo para o 2º poste onde apareceu Neymar a ganhar a frente a Rosalez que, na hora h, tirou o pão da boca a Neymar. O lateral-direito Venezuelano foi ambíguo ao longo dos 90″: defensivamente, conseguiu cortar algumas vazas de jogo a Neymar mas, na saída em velocidade foi errático no passe. Preocupado em defender o brasileiro deu muito espaço para Alba manobrar os seus cruzamentos na ala esquerda.

A partir deste lance tivemos mais Messi e Iniesta na partida. Contudo, o estilo de jogo praticado pelos dois resumiu-se a um par de dribles e a longas aberturas para a entrada dos laterais pelos flancos, sem que estes conseguissem obter resultados práticos.

Aos 63″ Luis Enrique tentou dar novas ideias ao ataque da equipa, tirando Neymar e Pedro de campo para as entradas de dois cantereros da equipa: o extremo-esquerdo Sandro Ramirez e o avançado Munir El Hadadi. Recuando em definitivo Messi para perto de Iniesta, El Hadadi foi-se colocar como homem de área da equipa de forma a tentar aproveitar os cruzamentos que vinham dos flancos. Mais perto de Iniesta, Messi não conseguiu combinar com o médio ofensivo espanhol.
Poucos minutos depois, Juanma Garcia respondeu com a saída do esforçado Duda (muito bem defensivamente na cobertura de espaços em zona central) para a entrada de Luis Alberto, médio esquerdo emprestado pelo Liverpool.
Uma acção individual do jogador emprestado pelos Reds pela esquerda levaria Douglas a cometer uma falta junto à entrada da área. Do canto curto, o trinco Ignacio Camacho seria capaz de rematar em força ao primeiro poste para defesa muito apertada de Claudio Bravo para o poste. Piqué foi ávido a garantir o ressalto do poste e atirar para canto. Pode-se dizer que esta foi a única oportunidade de golo da partida. Bons reflexos por parte do guardião internacional chileno.

Aos 73″ Luis Enrique tentou refrescar o flanco direito com a entrada de Adriano para o lugar de Douglas. A noite não era do Barcelona. Messi ainda tentou pegar no jogo e num lance individual pelo lado direito, tirou dois adversários do caminho, encaminhou-se para a linha mas foi desarmado por Wellington Oliveira. Na sequência do lance, o brasileiro agrediu o argentino apertando-lhe violentamente o queixo com a mão. O argentino aproveitou a deixa para se deixar cair teatralmente no relvado. Hernandez Hernandez poupou a expulsão ao central do Málaga. Concluíndo o jogo com mais coração que razão, aproveitou o Málaga para somar um 1 ponto frente à equipa catalã.

Crónica #10 – Celta 2-1 Deportivo

celta 2

23881 espectadores (estádio praticamente cheio) puderam assistir a uma interessante partida de futebol nos bonito estádio dos Balaídos em mais um clássico disputado entre as duas melhores equipas galegas. A vitória acabou por sorrir aos homens da casa por 2 bolas a uma no efervescente caldeirão da cidade de Vigo.

A equipa da casa, orientada pelo seu antigo jogador nos primeiros anos do século XXI Eduardo Berizzo, recentemente coroado campeão Chileno ao serviço do modesto O´Higgins, aproveitou o clássico galego para cimentar o excelente início de época que está a realizar com 2 vitórias e 3 empates. Já a equipa de Victor Fernandez, vinda de uma angustiante goleada por 2-8 no Riazor frente ao Real Madrid, numa exibição em que apenas fez valer como positiva a reacção tida nos primeiros 20 minutos da 2ª parte, não recuperou do penoso resultado de sábado e voltou a revelar muitas lacunas ao nível defensivo e ao nível dos processos ofensivos. Faltam mais elementos criativos à equipa da cidade da Corunha.

Celta: Sérgio Alvarez; Planas, Andreu Fontás, Gustavo Cabral, Hugo Mallo; Radoya,  Alex Lopez, Krohn-Deli, Fabián Orellana, Nolito, Joaquin Larrivey.

Deportivo: German Lux, Laure, Alberto Lopo, Sidnei, Luisinho; Alex Bergantinos, Medujanin, Isaac Cuenca, Juanfran, Luis Fariña e Hélder Postiga.

Victor Fernandez voltou a deixar Ivan Cavaleiro no banco, não obstante da agradavel segunda parte que o internacional português realizou ante o Real Madrid. Já outro português da equipa, Diogo Salomão, continua fora das contas do treinador que já orientou o FC Porto por lesão.

Uma entrada a todo o gás do Celta, explorando as fragilidades defensivas mais uma vez evidenciadas pela equipa da Corunha (Sidnei fez mais uma exibição intranquila, Luisinho voltou a ser muito permeável, Alberto Lopo foi muito combativo mas voltou a falhar nos momentos chave) fez toda a diferença perante uma amorfa equipa do Corunha que ao longo dos 90 minutos mostrou um deserto de ideias tremendo, falta de agressividade no sector intermédio, pouca pressão e um futebol algo desengonçado que não abona muito em favor de quem pretende manter-se no principal escalão do futebol espanhol.

Nos primeiros minutos a equipa do Celta começou por jogar para a sua principal estrela, o antigo jogador do Benfica Nolito. Pela ala esquerda do ataque da equipa de Berizzo, Nolito foi um autêntico diabo à solta. Apesar da equipa ter processos de construção de jogo muito simples e eficazes (tanto Alex Lopez como o dinamarquês Krohn-Deli usam e abusam de passes longos de flanco a flanco e de passes picados em desmarcação para as alas ou para Larrivey tentando colocar os visados à vontade nas costas dos defensores), sempre que a equipa galega precisa de ser eficaz, coloca a bola no seu extremo porque sabe que Nolito, através do seu fantástico drible, é um jogador capaz de sozinho criar as suas oportunidades de golo.

Foi precisamente isso que o antigo jogador do Benfica fez logo aos 4″ quando, solicitado com uma abertura na esquerda, entrou na área, trocou as voltas a Sidnei com um drible ziguezagueante e atirou a contar ao primeiro poste, aproveitando uma péssima colocação de German Lux na baliza.
Desde cedo, a equipa do Celta pressionou alto e impediu que a equipa do Deportivo tentasse responder. Sempre que um homem do deportivo recebia a bola no meio-campo contrário era logo importunado com um controle defensivo de um jogador do Celta. Hélder Postiga, por exemplo, sempre que vinha atrás receber jogo para tentar fugir à impiedosa marcação de Andreu Fontás, era sempre acompanhado pelo central formado nas escolas do Barcelona. Este usou e abusou do seu físico para desarmar várias vezes o internacional português, cometendo algumas faltas sobre o mesmo. No final da primeira parte, uma falta sobre Postiga valeu-lhe o amarelo e dois minutos depois, uma nova falta não assinalada pelo árbitro Del Cerro Grande deveria ter ditado a expulsão do central catalão. Voltando aos primeiros minutos…

Abusando da rapidez de processos de Alex Lopez (muito marcado por Alex Bergantinos, o melhor do Depor nos Balaídos) e pela fluidez e largura que tanto Krohn-Dehli como o sérvio Radoja davam ao jogo da equipa vestida de azul celeste, o jogo aplicado pelo Celta era uma delícia para os seus dois maiores criativos. Nolito pela esquerda e Fabián Orellana pela direita não se cansaram de tentar situações de drible de forma a conseguirem criar boas situações de golo para si ou para o avançado da equipa Joaquin Larrivey. O argentino contratado ao Rayo Vallecano foi, passe-se a expressão, um mouro de trabalho. Tanto para o seu marcador directo (Alberto Lopo) como fora-da-área.
Nolito continuou a espalhar o seu perfume. Aos 9″ rodopiou sobre dois jogadores e ofereceu um remate em zona frontal a Alex Lopez. Lux seguiria com os olhos uma bola que saíria por cima da sua baliza. Tanto em contra-ataque como em ataque organizado, o extremo deu uma enorme dinâmica ao ataque do Celta. Para além da dinâmica garantida, impediu que Laure, um lateral direito muito experiente, capitão desta equipa do Depor, que gosta muito de subir pelo flanco para cruzar, subisse no terreno. A sua constante presença no último terço no terreno e a ameaça que representou ao longo da primeira parte obrigou o lateral a não subir como gosta pelo flanco.

Para corroborar os processos ofensivos simples da equipa, aos 31″ em poucos toques foi criada uma situação de imenso perigo para a baliza de Lux: Gustavo Cabral (central com um recorte técnico apuradíssimo que nos últimos minutos cometeria uma grande penalidade) fez um passe de 50 metros para a esquerda para Nolito tocar de primeira para o centro para uma entrada de Orellana a rematar em arco com perigo para a baliza de Lux. O Chileno aproveitou imensas vezes o espaço concedido por Luisinho ora nas costas (espaço motivado pelo facto do lateral ser algo lento a recuperar do ataque) ora num confronto directo entre os dois jogadores para tentar servir Larrivey e Nolito da melhor maneira.

Nota de destaque nesta primeira parte também foi o duelo de Alex´s: Bergantiños do Depor com Lopez do Celta com o primeiro a levar quase sempre a melhor que o 2º. Bergantiños tentou inclusive dar alguma qualidade na organização de jogo da equipa, organização muito incipiente neste primeiro tempo. Victor Fernandez terá muito trabalho para conseguir meter esta equipa a jogar com algum critério.

Na 2ª parte, pedia-se que o Depor entrasse com uma atitude parecida aquela que entrou no jogo do passado sábado contra o Real Madrid. Nos primeiros 10 minutos, o Depor necessitou apenas de duas oportunidades para empatar a partida:
– aos 50″ Postiga, ligeiramente mais descaído para a direita, de costas para os adversários, recebeu uma bola de Laure, tocou-a novamente para o lateral que lançou imediatamente Juanfran na ala direita; o jogador do Bétis foi pelo flanco fora até cruzar para o coração da área onde apareceu o português a rematar fraco para defesa de Sérgio Alvarez.
– 4 minutos depois seria o português a iniciar a jogada que ditaria o golo do empate para a equipa visitante. Fintando um adversário na direita, tocou para a subida de Juanfran que, um pouco à semelhança do lance anterior, cruzou para a área para a entrada de Isaac Cuenca. O antigo jogador do Barcelona foi mais eficaz que o internacional português.

O Celta reagiu prontamente ao golo sofrido. Mais uma vez, Nolito recebeu na esquerda, tirou Bergantiños do caminho e atirou em arco para grande defesa de Germán Lux. 9 minutos depois seria Krohn-Deli a rematar à malha lateral de Lux. Do lado do Depor, com sucessivas incursões no flanco direito, Juanfran demonstrava-se o mais insatisfeito com o empate na equipa de Victor Fernandez.

Os treinadores decidiram naquele momento mexer na equipa: Berizzo tirou o decrescente Alex Lopez, colocando Augusto Fernandez no seu lugar. Fernandez respondeu de imediato com a entrada de Cavaleiro para o lugar do desinpirado Cuenca. Aproveitando ainda mais o jogo pelas alas, tanto por acções individuais de Nolito e Orellana como pela incursão dos laterais Planas e Mollo, os homens da casa haveriam de chegar ao golo num lance em que após Planas ter ganho um canto num duelo individual na linha de fundo com Juanfran, Nolito bateu o canto directamente para a pequena área onde apareceu Larrivey solto de qualquer marcação (falha dos centrais) a atirar para o 2-1 do Celta na partida.

Ligeiramente apagado na 2ª parte, Krohn-Deli decidiu dar um arzinho da sua graça. O adversário da selecção portuguesa na caminhada para o Euro 2016 decidiu tirar dois coelhos da sua extensa cartola para matar de vez a partida. No primeiro assistiu Orellana para mais um remate em arco que causou perigo à baliza de Lux; num segundo lance, desmarcou Joaquin Larrivey nas costas da defensiva do Depor com o argentino a não conseguir desfeitiar o seu compatriota Germán Lux com um chapéu que foi habilmente defendido pelo guarda-redes da equipa da Corunha.

Nos minutos finais, já mais com o coração do que com a razão, aparece o grande caso da 2ª parte. Subido no terreno quase em desespero aos 87″, Sidnei tabela na esquerda com Cavaleiro, vai receber ao jogador português, entra com o esférico na área, tenta o cruzamento e Gustavo Veloso, central do Celta até aquele momento imaculado na sua exibição tenta o carrinho e corta a bola com o braço. O árbitro da partida aponta imediatamente para a marca dos 11 metros onde, o canhoto Medujanin atira para o lado contrário para uma brilhante parada em voo de Sérgio Alvarez. Com a defesa ao penalty do Bósnio, antigo jogador do Gaziantespor da Turquia, o guarda-redes do Celta carimbou os 3 pontos, que, minutos mais tarde, já nos descontos, poderiam ter sido colocados em risco quando, para travar uma incursão de Ivan Cavaleiro na área, o lateral Hugo Mollo parou uma bola do português para executar a mudança de velocidade e incursão na área com uma palmada na bola. O lance motivou os protestos da turma de Fernandes. O árbitro da partida não assinalou a grande penalidade. Os galegos tem razões de queixa do árbitro Del Cerro Grande pelos dois erros graves cometidos no perdão do 2º amarelo a Fontás na primeira parte e no penalty não assinalado a Hugo Mollo.

 

 

Momentos #13

3 contra o Deportivo, 4 contra o Elche. 7 golos em 2 jogos, 7 golos em 3 dias para CR7 na Liga. Bola de Ouro? O desempenho é fantástico, dou de barato. Mas, perdõem-me o desabafo, as bolas de ouro servem para premiar o desempenho individual de um atleta ao longo de um ano civil (não durante metade de uma temporada ou para glorificar o jogador que mais títulos venceu durante a temporada) e também se conquistam com exibições de gala contra “os Ganas e os Estados Unidos da América destas vidas”. E aí, sejamos francos, Ronaldo não teve a mesma eficácia que usualmente costuma ter contra as equipas que varrem o fundo da tabela da Liga Espanhola.

P.S: Coentrão e Marcelo estão em luta acesa pelo lugar. Ora Ancelotti dá a titularidade ao português durante um período considerável de jogos, ora dá pelo mesmo período ao brasileiro. Tal concorrência pela posição é o desejável para qualquer treinador de futebol. Com duas soluções fortíssimas para a posição, nem o português nem o brasileiro gostam de aquecer o banco. Quando tem oportunidades esmeram-se e o seu brio reflecte-se na prestação global da equipa.