Momento do dia

Dificilmente este momento vai passar despercebido ao mundo, logo após a intervenção do capitão da selecção, foi um corropio de Tweets e publicações no Facebook sobre o assunto. Já antes desta intervenção, Cristiano Ronaldo ao ser-lhe pedido para comentar uma notícia que havia saído no referido órgão de comunicação social tinha destratado essa mesma publicação, poucos minutos depois deu-se este acontecimento caricato. É caso para dizer que se querem respeito devem dar-se ao respeito!

Crónica: França – Portugal

Portugal foi (mais uma vez) derrotado pela França. Desta vez por 1-2, num jogo de carácter amigável realizado no Stade de France e que marcou a estreia de Fernando Santos ao leme da Seleção Nacional.

Portugal entrou em 4-4-2 losango, com Rui Patricio; Eliseu, Bruno Alves, Pepe, Cédric; Tiago, Moutinho, André Gomes, Nani; Ronaldo, Danny. Um onze inédito, uma táctica inédita, mas que começou mal. A França entrou fortíssima, criou superioridades numéricas nas alas e lá marcou, num bom lance de ataque, onde Benzema concluíu após uma defesa incompleta de Rui Patrício. Estava feito o 0-1. Portugal sentiu a entrada francesa e o golo. A equipa estava num colete de forças e defendia demasiado de Ronaldo para esticar o jogo. Estava difícil quebrar a primeira linha de pressão francesa e a excelente entrosão entre o trio francês Pogba (que jogo!), Matuidi e Cabaye. Aos poucos, a equipa foi começando a impor o seu jogo, principalmente a partir do momento que Moutinho e Danny começaram a subir de rendimento. Portugal criou duas excelentes oportunidades para marcar, por Danny e Nani, mas faltou sempre “um danoninho”…

Na segunda parte, Fernando Santos mudou alguns jogadores, entrou Ricardo Carvalho para o lugar de Bruno Alves e William Carvalho para o lugar de André Gomes. A equipa manteve o 4-4-2 losango, Tiago subiu para 8 e a equipa melhorou imenso. William Carvalho tomou conta do centro do terreno, Tiago ficou com mais liberdade para soltar a bola com um-dois toques. A equipa começou a carburar, começou a jogar no último terço atacante e criou 2 boas oportunidades de golo. Quando estávamos por cima…golo da França. Mais uma infantilidade do lado direito de Portugal (Cédric…) a dar espaço a Evra, bom cruzamento, Benzema segura bem a bola e solta para Pogba que colocou a bola fora do alcance de Rui Patricio. Game Over?

Diriam muitos. João Mário entra e logo a seguir, consegue “sacar” um penalti por falta inexistente de Pogba. Na conversão do mesmo, Quaresma não perdoou e voltou a fazer Portugal acreditar no empate (que a meu ver, era merecido). Mas a França, a partir do golo sofrido, aumentou os índices de concentração e, já com as saídas de Ronaldo, Nani e com o desgaste acumulado de Danny, ficámos com menos espaço para marcar a diferença no último terço. Resultado final: 2-1.

Em suma, um jogo que, a meu ver, deixa boas perspetivas para o jogo contra a Dinamarca. Ofensivamente, estamos a carburar relativamente (mal seria, com tanto talento), temos um meio-campo que fez frente a um dos melhores trios internacionais da atualidade, e parece-me que vamos conseguir um resultado frente à Dinamarca.

Rui Patricio (3) – Sem culpa nos golos, era difícil fazer mais no primeiro e faltava uma apoio mais próximo a impedir a recarga de Benzema. Seguro com os pés.

Eliseu (2) – Notou-se que estava com falta de confiança e cometeu um erro grave, que felizmente não deu golo. Aos poucos foi-se soltando, e já na segunda estava completamente envolvido na manobra atacante de Portugal…mas sempre com dificuldades a defender. Uma exibição globalmente abaixo do razoável.

Pepe (4) – Apesar de termos sofrido dois golos, foi o melhor em campo de Portugal. Interceptou inúmeras bolas na grande área, ganhou quase todos os duelos aéreos e também teve momentos onde apoiou o ataque na construção. Goste-se ou não do estilo, continua a ser um grande central. O nosso melhor central.

Bruno Alves (2) – Apoiou bem Pepe mas falta-lhe capacidade de construção. Também me pareceu algo lento a recuperar a posição. Deveria estar a cobrir Benzema no lance do primeiro golo.

Cédric (2) – O elo mais fraco da defesa, apesar de ter a mesma nota de Eliseu. Imensas dificuldades a defender. Continua a não cruzar bem. Nota positiva para a circulação de bola na sua zona, melhor do que no flanco contrário.

Tiago (3) – Na primeira parte, assumiu a posição de 6 e não esteve no seu melhor. Fernando Santos pediu-lhe para circular a bola com 1-2 toques e cometeu alguns erros devido às linhas de pressão da França. Na segunda parte, com a entrada de William, subiu para 8, a sua melhor posição, e o seu rendimento melhorou muito. Foi importante na forma como assumimos o jogo na segunda parte.

Moutinho (3) – Sempre em alta rotação, apesar de ter feito um jogo menos conseguido em termos individuais. Trabalhou sempre em prol da equipa, assumiu o jogo na primeira parte e na segunda parte ajudou em assumir o controlo da partida. Acabou desgastado.

André Gomes (2) – Nota-se que está em boa forma, com a confiança em alta, mas não fez um bom jogo. O André tem uma imensa facilidade em esticar o jogo com o passe e está cada vez melhor na forma com aborda os lances no último terço, mas acabou engolido pelo meio-campo francês. Teve uma boa oportunidade na primeira parte, que concretizou pessimamente. Saiu ao intervalo.

Nani (3) – Nani jogou numa posição entre o flanco direito e o centro, mas no papel assumiu o vértice adiantado do 4-4-2 losango. Fez uma exibição acima do razoável, bons momentos técnicos e de entrosamento com Danny e criou uma boa oportunidade na primeira parte. Na segunda parte perdeu fulgor e foi eventualmente substituído.

Danny (3) – Apesar de ter falhado duas boas oportunidades, foi fundamental na ligação entre o meio-campo e o ataque. As triangulações aconteceram muito devido a ele.

Ronaldo (2) – Não fez um bom jogo. Varane tapou-o muito bem. Não teve a sorte do jogo quando precisava dela, mas nunca virou a cara à luta. Um bom cabeceamento para uma excelente defesa de Mandanda. Que se esteja a guardar para a missão Dinamarca.

William Carvalho (4) – Excelente exibição do médio do Sporting. Impôs a sua lei com uma circulação de bola assertiva no passe curto e longo, e deu robustez à zona central do meio-campo.

Ricardo Carvalho (3) – A idade, quando se tem esta qualidade, ainda é um posto. Podia ter sido mais agressivo no remate de Pogba para o 2-0, mas esteve sempre bem a guardar a sua zona.

Eder (2) – Entrou para dar mais presença na área e apoio frontal na saída para a transição. Esteve bem no último aspecto, não adicionou nada no primeiro.

Quaresma (1) – Marcou o golo. Em todas as intervenções que fez, péssimo. Até dava nota não fosse o golo.

João Mário (3) – Excelente entrada do médio do Sporting. “Sacou” o penalti, deu capacidade de transporte no segundo terço do campo e fez um excelente remate colocado que não entrou por pouco. Aos poucos, começa-se a ganhar noção que poderá estar nele um grande futuro.

Vieirinha (-) – Sem tempo.

Crónica #19 – Holanda sub21 0-2 Portugal Sub-21

Rui Jorge e os seus comandados estão de parabéns! A Selecção de Sub-21 deu hoje em Alkmaar um passo de gigante rumo ao Euro 2015 na República Checa ao vencer categoricamente a selecção da casa por 2-0.

Apostando num 4x4x2 losango, o seleccionador nacional aproveitou o excelente momento de forma de Bernardo Silva para o colocar na posição 10 em detrimento de Rafa. O jogador do Sporting de Braga jogou como médio interior direito, num meio-campo onde para além deste e de Silva alinharam Sérgio Oliveira como médio interior esquerdo e Ruben Neves como 6. Sem poder contar com Tiago Ilori para o eixo da defesa, Rui Jorge deu a titularidade a Paulo Oliveira e Ruben Vezo. Os dois centrais portugueses fizeram uma exibição quase irreprensível, sendo apenas incomodados por Elvis Manu e Luc Castaignos nos primeiros minutos.

A tarde de glória da turma das quinas começaria com um sobressalto. Logo aos 4″, numa fase em que as equipas aproveitavam os primeiros minutos para assentar o seu jogo e estudar-se mutuamente, Elvis Manu haveria de aparecer ao primeiro poste a rematar à trave da baliza de José Sá após um grande trabalho individual do lateral esquerdo Jetro Willems. O lateral seria uma das figuras da partida durante os primeiros 20 minutos. A subir com confiança no flanco, sem medo de ir para cima de Ricardo Esgaio, Willems colocou alguns cruzamentos na área que causaram algum perigo à baliza portuguesa.
No minuto seguinte, a turma das quinas iria responder com um grande remate do nosso lateral-esquerdo Raphael Guerreiro para uma defesa apertadíssima de Warner Hahn. Guerreiro tentou finalizar com um remate em força depois de uma rapida investida pelo flanco.

Desde cedo que Portugal pôs em prática o modelo que iria derrotar esta equipa holandesa: fechando muito bem os flancos não permitiu que tanto o lateral Willems como o extremo Elvis Manu como o extremo-direito Anwar El Ghazy pudessem criar situações de desequilíbrio pelas alas. No meio-campo, uma pressão efectiva sobre o médio defensivo Nathan Aké (jogador das reservas do Chelsea) e sobre Adam Maher obrigaram os centrais holandeses a longas trocas de bola ainda no seu meio-campo e impediram que os holandeses progredissem no terreno ao impedir que estes dois jogadores (os cérebros da equipa holandesa) tocassem no esférico através do corte de linhas de passe. Recuperando rapidamente a bola no miolo, os Ruben Neves, Sergio Oliveira e Bernardo Silva começaram a incutir muita dinâmica e muito critério na construção de jogadas ofensivas, aproveitando as boas subidas no terreno dos dois laterais portugueses e a ajuda que os avançados (Ivan Cavaleiro e Ricardo) iam dando nos 2 flancos. Foi por exemplo de uma combinação na esquerda entre Raphael Guerreiro e Ivan Cavaleiro que nasceria por exemplo o lance do penalty que iria dar o primeiro golo à equipa lusitana.

Antes desse momento, onde Bernardo Silva trocou as voltas ao central holandês Sven Van Beek, obrigando-o a rasteirá-lo dentro da área, já Ivan Cavaleiro tinha feito um 8 do central do Feyenoord. Ao minuto 15 ganhou-lhe uma disputa pela bola em velocidade pelo corredor esquerdo, passou-o ganhando a linha e só não inaugurou o marcador porque foi lesto a atirar à baliza de Hahn com angulo reduzido. O central haveria de se redimir da falha com um corte providencial quando o jogador do Deportivo (emprestado pelo Benfica) se preparava para rematar.

A pressão portuguesa sobre Aké e Maher durou 35 minutos. Só a partir deste minuto até ao intervalo é que a Holanda começou a construir jogadas de ataque com pés e cabeça. Aké conseguiu finalmente iniciar as transições para o meio-campo português enquanto Maher começou a pensar o jogo holandês através da sua precisão no passe. Quando estes dois passaram a ter mais jogo, a Holanda criou perigo junto da baliza de José Sá. Tendo como referência de ataque Luc Castaignos (leva 6 golos na Liga Holandesa ao serviço do Twente) o jogo holandês neste período foi mecanicizado para servir bem o seu ponta-de-lança. Ganhando uma interessante sequência de cantos (os holandeses foram matreiros nos cantos ao colocar um ou mais jogadores na pequena área a estorvar a acção de José Sá; o guarda-redes do Marítimo B conseguiu resolver quase todos os lances onde foi chamado a intervir) os holandeses tentaram colocar a bola em condições para o poder de fogo do jogador do Twente. Contudo, este nem sempre se posicionou no sítio certo para receber a bola em condições de finalizar e quando o fez teve à frente um Paulo Oliveira inspirado a negar-lhe oportunidades. O jogador do Sporting confirmou que está a passar por um bom momento de forma e que pretende agarrar a titularidade no clube leonino e na selecção de sub-21.

Até que, findo o maior momento de pressão dos holandeses à nossa área, Bernardo Silva brindou os milhares de portugueses que viram o jogo no Estádio e na TV com a jogada do encontro. Derrubado por Van Beek (se até então o central estava a jogar sobre brasas, a partir do momento em que recebeu o amarelo, o central do Feyenoord nunca mais se recompôs e permitiu alguns lances ofensivos de Cavaleiro e Mané na 2ª parte para não fazer falta e assim ser expulso da partida; um desses lances foi o do 2-0).

Sérgio Oliveira não tremeu na marca dos onze metros e deu vantagem a Portugal ao cair do pano do primeiro tempo.

No início do 2º tempo o seleccionador holandês tentou promover uma alteração com a saída do lateral direito do Ajax Ruben Ligeon para a entrada para a mesma posição Joshua Brenet. A ideia do seleccionador holandês era colocar um homem num dos flancos capaz de sair a jogar pelas alas de forma a “driblar” a enorme pressão que a selecção portuguesa ia incutindo na saída de bola dos holandeses pelo corredor central.

Contudo, tudo se manteve e a selecção portuguesa continuou cómoda no jogo. Logo aos 26 segundos do segundo tempo, Ricardo foi buscar uma bola ao flanco direito e cruzou para o lado oposto onde apareceu Sérgio Oliveira solto de marcação a atirar de primeira ao lado da baliza de Hahn. 2 minutos passados, Ivan Cavaleiro voltou a ganhar a linha a Van Beek pela esquerda. Num movimento muito parecido com o que tinha feito na primeira parte, permitiu a defesa da tarde a Hahn. O guardião holandês ia conseguindo evitar males maiores.

A equipa portuguesa conseguiu anular os jogadores mais perigosos da Holanda (Elvis, Maher, Castaignos, Willems não subiu tanto no terreno a partir dos 20 minutos) foi mais pressionante, mais rápida sobre a bola, mais criativa (excelente envolvimento de Bernardo, Cavaleiro e Guerreiro no lado esquerdo e de Ricardo e Esgaio no lado direito).
Ao nível defensivo, destacou-se a excelente coordenação defensiva dos defesas portugueses que permitiu colocar os avançados holandeses em fora-de-jogo em todas as situações em que o seu meio-campo tentava isolá-los nas costas da defensiva portuguesa.

Portugal voltaria a ameaçar o 2º golo aos 58″ por intermédio de Raphael Guerreiro. O lateral do Lorient fez uma nova incursão pela esquerda seguida de um potente remate para defesa de Hahn.

Rui Jorge sentia que a qualquer momento poderia marcar mais um golo e resolver a eliminatória. Aos 63″ o seleccionador refrescou o ataque com a entrada de Mané para o lugar de Cavaleiro, posicionando-se o jogador do Sporting no lugar do jogador do Deportivo, ao lado de Ricardo na frente de ataque. Se a Holanda ainda ameaçou o empate por intermédio de Castaignos nesse mesmo minuto (bem servido na área pela esquerda, recebeu de costas para a baliza e não conseguiu melhor porque José Sá foi rápido a fechar-lhe o ângulo de remate), Mané haveria de resolver (creio) a eliminatória com um lance de mestre no qual recebeu um lançamento de Raphael Guerreiro a meio do terreno, passou por Van Beek (condicionado com um amarelo, o central do Feyenoord não quis fazer falta para não arriscar o segundo), passou pelo meio de 3 jogadores holandeses para entrar na área e na cara de Hahn atirou cruzado em arco para o 2º golo da equipa portuguesa, estabelecendo o resultado final de 2-0.

Resultado merecidíssimo para a equipa de Rui Jorge. Os sub-21 portugueses conseguiram em Alkmaar meio-bilhete para a fase final do Euro 2015 na República Checa, bastando para tal gerir a vantagem obtida no jogo de Paços de Ferreira. Uma das ilações que pude tirar deste jogo é que a selecção de sub-21 decerto não deverá precisar dos reforços que estão ao serviço da AA. Como é sabido William Carvalho, João Mário e André Gomes poderão dar o seu contributo a esta selecção no europeu que se disputa em Junho do próximo ano. Contudo, Ruben Neves, Sérgio Oliveira, Rafa e Bernardo Silva deram conta do recado (o jogador do Braga foi o único que teve uma prestação menos conseguida neste jogo em virtude de estar a jogar fora da posição que lhe é habitual e com funções e rotinas de jogo bastante diferentes daquelas que tem em Braga) promovendo uma pressão asfixiante que não permitiu aos holandeses pegar no jogo em qualquer momento da partida e, ofensivamente, colocando enorme velocidade nos processos de transição e circulação de bola. O médio do Porto não se coibiu de tentar o passe longo por várias vezes ao longo da partida assim como Bernardo Silva foi letal no 1×1 e na oferta de linhas de passe tanto aos seus colegas do meio-campo como aos laterais e avançados. Com a sua enorme disponibilidade física, o jogador formado no Benfica apareceu muito bem em todos os corredores, oferecendo linhas de passe aos companheiros e muita criatividade.

A selecção Holandesa terá que fazer pela vida se quiser ir ao Europeu da categoria. A equipa de Adrie Koster deixou a equipa portuguesa jogar a seu belo prazer no seu meio-campo, revelou muita intranquilidade nos processos de transição quando pressionada e muita intranquilidade defensiva no eixo central da defesa. Van Beek foi, como se diz na gíria, papado de todas as maneiras. Karim Rekik pareceu ser mais esclarecido e mais eficaz, mas, a bom da verdade, Ricardo não foi tão irrequieto quanto Ivan Cavaleiro ou Carlos Mané, facto que facilitou a vida ao central holandês. O seu organizador de jogo Adam Maher escondeu-se em demasia entre as linhas portuguesas. Nathan Aké foi vaporizado pela eficácia da pressão portuguesa. Ao não ter jogo nos pés, obrigou invariavelmente a sua equipa a tentar sair pelas alas e a despejar o máximo de bolas que conseguissem despejar para a área à procura de Castaignos. O extremo-esquerdo Elvis Manu acabou por ser o único esclarecido dentro desta equipa holandesa. O extremo do Feyenoord tentou ganhar a linha várias vezes a Ricardo Esgaio de forma a servir Castaignos na área. Aproveitando algum espaço dado pelo lateral do Sporting construiu na esquerda um par de oportunidades que Castaignos não soube aproveitar.

Uma questão de importância

Compreendo o facto de Fernando Santos precisar de utilizar o jogo contra a França para testar jogadores e testar o modelo de jogo que pretende implantar nesta selecção durante os próximos 2 anos. Compreendo que a ausência de William Carvalho do jogo contra a França possa impedir o seleccionador nacional de testar com exito a equipa pela primeira vez dada a importância do jogador do Sporting num dos sectores vitais do habitual modelo de jogo do seleccionador português (Fernando Santos é um daqueles treinadores que dá muito enfase ao povoamento do meio-campo de forma a não só constituir ali uma enorme e bem articulada cortina de pressão que impeça as equipas adversárias de progredir como deverá pretender que o jogador do Sporting recupere muitas bolas a meio-campo para lançar imediatamente o contra-ataque) mas, dada a importância do jogo de amanhã da selecção de sub-21 (não desconsiderando que esta selecção serve essencialmente para potenciar jogadores ao mais alto nível) não seria benéfico para as aspirações desta selecção que William Carvalho, João Mário e André Gomes pudessem dar o seu contributo em Alkmaar, regressando posteriormente ao compromisso oficial dos AA?

Momentos #28

Naquele momento em que Silvestre Varela encheu o pé com convicção e deu uma nova vida à nossa Selecção na campanha disputada na Polónia e Ucrânia.

Os dinamarqueses já nos tinham vencido em Copenhaga na última jornada da ronda de qualificação, atirando-nos para um playoff que seria disputado frente à Bósnia (também em virtude da vitória obtida pelos suecos naquele preciso dia frente à Selecção Holandesa, resultado que permitiu à turma nórdica arrebatar a posição de 2º melhor classificado de todos os grupos de qualificação). Em Lviv, os comandados de Morten Olsen estiveram a um passo de nos eliminar do Europeu, num jogo em que a nossa selecção entrou muito bem na partida com 2 golos no primeiro tempo (Pepe e Postiga) mas viria a permitir que Niklas Bendtner complicasse as coisas com dois golos ao minuto 41 e 80.

Vindo do banco aos 84″ num autêntico acto de desespero de Paulo Bento (o seleccionador trocou Meireles por Varela, passando a jogar num 4x2x4 com uma frente de ataque alargada – Varela, Postiga, Nelson Oliveira, Cristiano Ronaldo – numa altura em que os dinamarqueses poderiam ter chegado facilmente ao golo da vitória), o então jogador do Porto (agora por empréstimo aos ingleses do WBA; não convocado por Fernando Santos para este duplo compromisso) fez o 3-2 que nos permitiria sonhar com a qualificação frente à Holanda na derradeira partida do grupo.

Passados 2 anos, não tenho dúvidas em afirmar que este golo de Silvestre Varela é um dos golos mais importantes da história do nosso futebol.

breves #25

Maxwell – O lateral esquerdo do PSG decidiu comunicar durante esta quarta-feira a sua retirada da selecção brasileira. Aos 33 anos, o jogador somou 10 internacionalizações AA pela canarinha e 8 pela selecção olímpica (sub-23). Foi durante muitos anos suplente de Roberto Carlos e Marcelo no escrete. Em virtude da sua avançada idade (o próximo mundial já o irá apanhar com 37 anos) e da nova vaga de jogadores para a posição (Felipe Luis, Dodô, Marcelo, Alex Sandro), o lateral achou conveniente anunciar a sua despedida de uma selecção na qual foi durante muitos anos covocado mas não utilizado.

“Aos 33 anos e com a concorrência que se tem, a seleção para mim acabou”, disse o jogador em declarações à France Bleu. Na mesma entrevista, o lateral brasileiro não confirmou se ficará no plantel de Laurent Blanc até ao final da temporada. Com contrato até 2015, o jogador deu a entender a hipótese de regressar ao futebol brasileiro visto que o mercado no Brasil continua aberto até final de Março: “Vamos ver em fevereiro. Talvez este seja o fim, talvez a gente continue. Isso vai depender do desejo do clube e, talvez, das propostas que eu tenho. Por enquanto, eu quero ficar focado para jogar bem e estar fisicamente pronto e disponível para o treinador”

Mario Balottelli – O jogador italiano brindou-nos ontem com uma das suas típicas tiradas de humor. O italiano respondeu às críticas de que tem sido alvo em Inglaterra. Muitos tem questionado os motivos que levaram o Liverpool a contratá-lo. O avançado respondeu na sua página na rede social facebook: “Sou 99% anjo mas aquele 1%”

Vitor Damas –

Se fosse vivo, o histórico guarda-redes do Sporting e da Selecção Nacional faria ontem 67 anos. Para a memória, fica uma das melhores defesas da sua carreira e, quiçá, da história da selecção nacional.

Sami Khédira

khedira

O internacional alemão de 30 anos pretende rescindir com o Real Madrid durante o mês de Outubro ou poderá ser vendido na reabertura do mercado caso as partes não cheguem a um acordo. Os madrilenos poderão aceitar esta proposta visto que o jogador deixou de ser opção para Carlo Ancelotti e é um jogador caro para os cofres merengues, auferindo cerca de 5,5 milhões anuais. O jogador ainda tem um valor de mercado fixado actualmente nos 15 milhões de libras. O Independent noticiou ontem que o Arsenal estará disposto a oferecer um contrato de 100 mil euros por semana para ter o alemão em Janeiro. Faltará portanto aos Gunners chegar a acordo com o Real Madrid depois das negociações terem sido interrompidas no Verão.

O Corrière Dello Sport em Itália afirma na sua edição (9 de Outubro) que o Milan entrou na corrida pelo internacional alemão, podendo estar a convencer o jogador a desvincular-se do clube espanhol de modo a assinar a custo zero pela equipa milanesa ainda antes da reabertura de mercado.

Lionel Messi\Liga Espanhola – Um dia depois de afirmar que Barcelona e Espanyol não jogarão a Liga Espanhola caso o povo catalão opte pela independência da região no próximo referendo, o presidente da Liga de Clubes Espanhola Javier Tebas afirmou que caso Lionel Messi bata nas próximas jornadas o record de Telmo Zarra (lenda do Athletic de Bilbao entre 1940 e 1955, até hoje o melhor marcador de sempre da história da Liga Espanhola com 251 golos) frente a Eibar ou Real Madrid (no Bernabéu; o argentino precisa de 3 golos para bater o record) não descarta a hipótese de um dos jogos parar caso o argentino consiga marcar o golo 252º, mesmo que isso aconteça em pleno Santiago Bernabéu no jogo que irá opor as duas equipas dentro de 3 semanas.

Na minha opinião, a ideia é simplesmente estapafurdia, e, como não deixaria de ser, está apenas a alimentar o ódio entre os dois clubes.

Selecção de sub-21 – A nossa selecção de esperanças joga amanhã pelas 17:30 em Alkmaar a primeira mão do tudo ou nada (leiam-se playoffs) de qualificação para o Europeu de 2015 na República Checa.

Rui Jorge volta a uma cidade onde foi muito feliz. O seleccionador nacional fazia parte da equipa leonina que eliminou o AZ Alkmaar no antigo De Hout (entretanto nasceu outro estádio em 2006) nas meias-finais da Taça UEFA desse ano. O seleccionador nacional afirmou hoje na habitual conferência de imprensa que está optimista quanto a um bom resultado, descartando desde já ter vindo à Holanda para jogar para o empate.

Rui Jorge não poderá contar com Bruma, Edgar Ié, Gonçalo Paciência e Tiago Ilori por lesão. Já o seleccionador holandês não irá contar com Marco Van Ginkel (AC Milan; emprestado pelo Chelsea) e Memphis Depay (PSV) por lesão. Apesar do extremo já pertencer à selecção A, foi equacionada a sua utilização na equipa de esperanças.

O benfiquista Ola John deverá ser titular na selecção holandesa.

E se…

afinal o ovo não estiver no cú da galinha? Quero com isto dizer: e se o TAS não aceitar o recurso apresentado como Fernando Santos? Teremos uma invenção histórica (nós que somos muito dados a invenções históricas que mudaram o mundo) na qual o seleccionador não é bem seleccionador e é apenas, ao bom estilo do rugby, um manager que convoca e treina durante a semana assistindo aos jogos de um camarote televisionado onde vê a partida e dá indicações por walkie-tokie para o treinador no banco de suplentes? Se assim for durante 8 jogos, valerá a pena aos cofres da FPF pagar 100 mil euros mensais (1 milhão de euros anuais\estamos a falar de valores altíssimos para a actual conjuntura financeira da FPF) por um profissional que fará menos do que um seleccionador normal, ou seja, um indivíduo que per se já trabalha pouco?