Crónica #18 – Fiorentina 3-0 Inter

Khouma Babacar acertou finalmente com a baliza, num jogo em que a equipa de Mazzarri voltou a demonstrar dois dos seus maiores défices colectivos: a incapacidade de ser uma equipa com jogadas ofensivas criativas (a equipa não tem alguém capaz de desequilibrar no meio-campo e nas alas) e a falta de pressão que reina na equipa milanesa, esta última, por mais uma vez nesta temporada, culpada de mais uma derrota para o campeonato.

Apresentando-se no Artemio Franchi com o novo patrocinador estampado nas camisolas (a Volkswagen), a Fiorentina de Vincenzo Montella tinha como missão dar sequência aos bons resultados obtidos tanto na jornada do fim-de-semana passado como na quinta-feira para a Liga Europa, de forma a subir na tabela classificativa e a aproximar-se dos lugares europeus depois de 4 jogos pouco conseguidos para a Serie A no arranque da temporada. Na equipa da Fiorentina, Vincenzo Montella não pode contar com Joaquin, Mario Gomez, Facundo Roncaglia, Micah Richards, Marko Marin e Giuseppe Rossi, todos a contas com lesões. Montella decidiu mexer no onze que tinha enfrentando na quinta-feira passada o Dinamo de Minsk, promovendo uma saudável rotação no onze com as entradas de Matias Fernandes para o lugar de Borja Valero e do esloveno Jasmin Kurtic (emprestado pelo Sassuolo) para a direita do ataque por troca com o seu compatriota Josip Ilicic.
Já Walter Mazzarri não pode contar com o japonês Yuto Nagatomo por castigo (expulso frente ao Cagliari) e com os lesionados Hugo Campagnaro, Freddy Guarin, Gaby Mudingayi e Federico Bonazzoli. Novidade no onze do técnico do Inter foi Mauro Icardi por troca com Rodrigo Palácio. A troca deu mais poder de fogo à equipa mas retirou-lhe a habitual criatividade e oferta de linhas de passe que o argentino Palácio oferece com as suas constantes movimentações para os flancos. O francês Yann M´Vila ganhou um lugar no onze ao lado de Gary Medel no eixo mais recuado do meio-campo por troca com Hernanes. O brasileiro só viria a entrar na partida a meio da 2ª parte.

O jogo não poderia ter começado melhor para os Viola. Sem que tivessem justificado qualquer golo, duas acções individuais valeram meia vitória para a equipa de Firenze:
– aos 6″ Khouma Babacar inaugurou o marcador num excelente trabalho individual seguido de um remate fantástico que violou as redes de Handanovic. Repare-se na forma em como o senegalês, atipicamente rodou para tirar o jogador do Inter do caminho e sem qualquer oposição no pressing atirou para o primeiro golo da partida.- aos 18″ Juan Cuadrado atirou da esquerda para mais um grande golo. Novamente Mazzarri deve-se ter questionado o porquê de ninguém ter saído ao encontro do colombiano depois deste ter tirado Medel com um drible rápido e ajeitado a bola para um remate de uma das suas zonas preferidas da carreira de tiro de meia distância.

Pelo meio, o Inter tentava reagir. Montella foi mais esperto que Mazarri. Não pressionando alto durante todo o jogo para não desgastar os seus jogadores, optou por defender com um bloco médio, altamente pressionante no meio-campo, principalmente sobre o grande estratega desta equipa do Inter, o croata Kovacic. A única situação de perigo que o Inter iria construir neste primeiro tempo foi um remate de Mauro Icardi aos 11″ quando a equipa já perdia por 1-o com a bola a passar muito perto do poste esquerdo da baliza de Norberto Neto.

Até ao final da primeira parte, a Fiorentina iria gerir o jogo a seu belo prazer, criando mais 2 situações de perigo quando:
– aos 25″ Jasmin Kurtic trabalhou sobre Dodô na direita e atirou cruzado com Juan Guillermo Cuadrado a falhar por milimetros a emenda que daria o 3-0 e provavelmente o game-over no jogo.- aos 44″ Khouma Babacar (muito móvel durante toda a partida; o próprio meio-campo Viola também foi muito móvel no sentido em que Alberto Aquilani e Matias Fernandes rodaram muitas vezes de posição entre si assim como avançaram e recuaram muitas vezes no terreno para melhor se adaptarem ao posicionamento do bloco de meio-campo do Inter e assim conseguirem receber as transições quase sempre iniciadas por David Pizarro) foi à esquerda e rematou para defesa apertadíssima de Samir Handanovic.

Na 2ª parte, a equipa do Inter tentou reagir. A equipa milanesa começou a variar o jogo entre flancos. Um dos problema desta equipa está efectivamente nos flancos. No miolo a equipa consegue circular a bola, mas, para flanquear o jogo tem que ter laterais mais fortes no 1×1 e bem ajudados pelos médios interiores através de movimentações para a linha ou para dentro se a equipa contrária estiver a defender as alas com 2 jogadores. Se no lado direito Danilo D´Ambrosio ainda teve a sorte de atacar Marcos Alonso (não lhe ganhou um duelo individual 1×1 durante toda a partida) do outro lado Dodô foi muito escasso para um flanco onde Nenad Tomovic defendeu e atacou melhor e teve a ajuda de Kurtic praticamente durante 90″. Isso obrigou o Inter a ter que jogar para Icardi e Osvaldo, que, apesar de um ou outro lance em que conseguiram receber a bola na área ou à entrada desta com condições para finalizar, foram na maior parte das vezes bem marcados, anulados ou incomodados pelos dois centrais da Fiorentina (Stefan Savic e Gonzalo Rodriguez). Outro dos problemas está no horrível estaticismo de alguns jogadores. A equipa está a jogar num autêntico esquema “stick to position” em que cada jogador não sai da sua posição para oferecer linhas de passe e no qual parecem não existir movimentações, cortes nas costas da defensiva, movimentações diagonais clássicas, um avançado capaz de fazer o que Rodrigo Palácio faz (Icardi ainda tentou ir buscar algumas bolas à direita mas não criou perigo daquele flanco) e assim criar desequilíbrios.

O que faltava ao Inter, abonava em excesso na Fiorentina. A veterania é um posto. Por isso é que David Pizarro ainda é aos 35 anos um jogador muito influente em Firenze. Com calma, o Chileno conseguiu distribuir muito bem para os seus colegas de meio-campo ou variou com eficácia o jogo entre flancos. Nos flancos, a Fiorentina atacou quase sempre em superioridade numérica devido à subida q.b dos seus laterais e a outro dos problemas da equipa de Mazzarri. Quem defende com 3 centrais contra 1 ponta-de-lança deverá obrigar os 2 centrais mais descaídos para as alas a fazer as dobras aos laterais. No caso de Juan Guillermo Cuadrado quem fez quase sempre as dobras às falhas do lateral foi Gary Medel.

tomovic

A equipa Viola geriu o jogo conforme quis, esteve perto do 3-0 quando Juan Guillermo Cuadrado tabelou com Khouma Babacar à entrada da área, voltou a receber, entrou dentro desta e atirou para uma grande defesa de Handanovic, e consumou o resultado final aos 76″ com um fabuloso remate de Nenad Tomovic. O sérvio lançou-se aos adeptos Viola para efusivos festejos que duraram certamente perto de 1 minuto.

Com esta vitória categorica, a equipa de Vincenzo Montella ascendeu à 9ª posição do campeonato com 9 pontos, por troca com o Inter que agora é 10º com 8 pontos. A equipa de Firenze está a 5 pontos do 3º lugar (surpreendentemente ocupado pela Sampdoria) e a 4 da Udinese e 3 pontos do Milan. Na próxima jornada, a 19 de Outubro, a equipa de Firenze recebe outro candidato europeu, a Lázio, equipa que está na 8ª posição da Serie com os mesmos pontos. O Inter recebe o Napoli, equipa que está na 7ª posição com 10 pontos.

Anúncios

Crónica #17 – Juventus 3-2 AS Roma

Empatadas na liderança da prova com 15 pontos após 5 jornadas, totalmente vitoriosas no que ao plano doméstico concerne, Juventus e Roma enfrentaram-se num primeiro tira-teimas em Turim. Com um record de golos de 10-0 para a Juve em 5 jogos e 9-1 para a Roma, esperava-se o melhor de dois mundos, futebolísticamente falando: um interessante jogo de ataque entre duas equipas com uma mentalidade diferente (a Juve de Allegri é uma equipa que privilegia acima de tudo equilíbrio enquanto a Roma de Garcia é claramente uma equipa de ataque) no qual as defesas também pudessem firmar os seus créditos. O jogo cumpriu os requisitos do primeiro objectivo mas não cumpriu os objectivos do 2º, pois apesar de Mbiwa por exemplo, ter sido um dos melhores da Roma em campo, 3 dos 5 golos da partida foram alcançados da marca de grande penalidade a castigar faltas na área. No final da partida fiquei com a sensação que são as únicas equipas capazes de lutar pelo título da Serie A

Os dois treinadores puderam contar com quase todo o plantel disponível para o embate. Do lado da Juve, Max Allegri não contou com nenhuma ausência de peso dentro do seu plantel. Já Rudy Garcia apenas não pode contar com os lesionados Daniele De Rossi e Kevin Strootman. Allegri fez alinhar o seu onze-tipo, esquematizado no habitual 3x5x2. Rudy Garcia também não modificou o onze que tem apresentado nos últimos jogos da equipa Romana, voltando a encher o meio-campo com Seydou Keita e Raja Naingollan e um tridente de ataque formado por Iturbe, Gervinho e Francesco Totti. Na baliza Romana voltou a jogar o jovem polaco Lukasz Skorupski.

O árbitro da partida foi Gianluca Rocchi. Rocchi teve o condão de ajuizar quase certeiramente todos os lances passíveis de actuação da arbitragem num jogo em que os jogadores complicaram imenso a vida ao experiente árbitro italiano fiorentino de 41 anos, quer no campo das acções técnicas quer no campo das acções disciplinares, com uma postura muito faltosa e sobretudo muito quezilenta. Sentindo a tensão do momento, na minha opinião, o árbitro tentou preservar o jogo com 11 jogadores de cada lado até ao fim. Agindo com assertividade nos 3 penaltis que assinalou (o da Roma foi assinalado por indicação do auxiliar) e nas expulsões de Alvaro Morata e Kostas Manolas, Rocchi descomplicou um jogo difícil e teve critério. Dúvidas apenas restaram no lance do primeiro penalty assinalado à Juve, no sentido em que não ficou por esclarecer o posicionamento de Maicon quando cortou o livre de Pirlo com o braço. Depois de ver as imagens televisivas por várias vezes, parece-me que o jogador corta em cima da linha de grande área, havendo lugar à marcação do castigo máximo.

A Juventus iniciou o jogo por cima, como de resto lhe competia pelo facto de estar a jogar em casa. Correndo o risco de deixar muito espaço no miolo para o meio-campo da equipa romana circular a bola em progressão (Naingollan por exemplo foi ávido a fazê-lo) a equipa da casa tratou de montar o cerco à baliza adversária nos primeiros minutos, tanto ofensiva como defensivamente, através de um jogo mais vocacionado para o poder de fogo de Fernando Llorente e de uma pressão asfixiante a todo o terreno que não deixava a Roma sair a jogar a partir de trás.
Só a partir dos 16 minutos é que o meio-campo romano começou finalmente a desempenhar a sua função distributiva, tendo para efeito os seus jogadores que sair de um jogo posicional estático para um jogo posicional muito móvel, no qual até Gervinho e Totti por exemplo, vieram bastas vezes a meio-campo procurar jogo e oferecer linhas de passe aos companheiros com bola. Nesta primeira parte, a Roma tomou um ascendente maior na partida quando Pjanic começou a pegar no jogo e a variar a bola entre flancos à procura de alguém capaz de criar desequilíbrios pelas alas. Quase sempre esse desequilibrador foi Gervinho, se bem que, no primeiro tempo Iturbe aproveitou bem as subidas de Asamoah e a falta de comunicação entre o ganês e Chiellini (tanto Chiellini como Cáceres tem a obrigação de fechar as alas quando os alas estão mais balanceados no ataque) e teve algum espaço para atacar o flanco ou flectir para dentro na folga de espaço existente nas costas do ganês que o central não cobriu com a sua atenção ao eixo central onde Totti e Gervinho tentavam atrair as marcações sempre que a bola era jogada pelo flanco direito da Roma.

A primeira grande oportunidade para a Juve viria apenas ao minuto 21 num lance em que Bonucci, sentindo-se confortável a transitar o meio-campo com bola aplicou um dos seus portentosos passes longos para uma incursão de Marchisio à área. Recebendo a bola do seu central com conta, peso e medida, o médio distribuidor da Juve conseguiu soltar-se da oposição de 2 jogadores romanos e atirou cruzado para fora da baliza da Roma.

Defensivamente, a Roma foi baixando o bloco para defender o intenso jogo entre linhas que a Juve gosta de incutir durante as partidas. Totti teve a missão neste primeiro tempo de ser o homem mais avançado da equipa romana, quase sempre posicionado junto de Andrea Pirlo. Na primeira parte foi comum ver o histórico capitão a perseguir Pirlo e a tentar anular o seu efeito construtivo. A pressão de Totti a Pirlo fez com que Seydou Keita e Naingollan conseguissem interceptar alguns passes a meio-campo. No entanto, foi precisamente num lance em que Totti derrubou Pirlo no flanco esquerdo a 30 metros da baliza que surgiu o lance que iria dar o primeiro golo aos bianconeri: Pirlo cobrou a falta e atirou à barreira da Roma. Maicon saiu da barreira para abordar o lance e, apesar de ter a cara para trás, cortou a bola com o braço. Rocchi assinalou de imediato penalty e Tevez não falhou na cara de Skorupski com um penalty clássico: guarda-redes para a direita, bola para a esquerda. Num primeiro momento, como o jogador brasileiro tem a cara para trás e tenta proteger a mesma com o uso do braço, pensa-se que o lance não foi intencional. Contudo, nota-se num 2º momento que Maicon já tinha saído da barreira com o intuito de proteger a sua baliza com um acto fora das regras. Os jogadores da Roma protestaram muito com o árbitro da partida, mas, ao fim ao cabo, deveriam mostrar mais no ataque do que aquilo que estavam a mostrar até então. Do banco da Roma, Rudy Garcia fez para o árbitro o gesto de um “violinista” como que a dizer que os beneficiados em itália são sempre os mesmos. O gesto valeu-lhe imediata expulsão do banco de suplentes.

O jogo recomeçou e a Roma balanceou-se mais no ataque muito por graças da velocidade de pensamento de Raja Naingollan. O belga fez uma enorme exibição: recuperou bolas a meio-campo, deu velocidade aos processos de jogo da equipa através da rapidez com que pensou e executou cada lance onde teve a bola nos pés e pelas suas rápidas incursões pelo corredor central. À passagem da meia-hora seria numa falta dura de Marchisio sobre o belga de origem indonésia que a Roma chegaria à igualdade: livre batido para a área e, após o corte de um defesa da Juve, o árbitro assistente comunicou com o árbitro principal e viu aquilo que Rocchi não viu – um puxão ostensivo (e infantil, diga-se) de Stephen Lichsteiner a Francesco Totti longe do sítio para o qual Pjanic bateu o livre. A cena digna de um wrestler valeu o empate aos Romanos e como se o erro de Lichsteiner não fosse completamente despropositado só por si, valeu um cartão amarelo a Leonardo Bonucci por protestos. Francesco Totti também levou um amarelo depois de ter comemorado o golo junto dos adeptos da Roma.

Depois da abertura de hostilidades, o jogo ficou quentinho e cheio de picardias. Melhor, menos bem jogado e bem mais durinho. Tevez e Holebas protagonizaram uma cena (o grego derrubou o argentino numa disputa no ar e o argentino respondeu com um empurrão no solo) que levaria os 22 jogadores a envolver-se numa troca de empurrões e palavras mais azeda.

O defesa actuou…

Aos 35″ e 40″ minutos, o central Mapou Mbiwa (que exibição fantástica deste internacional francês com origem na República Central Africana) negou o 2º golo da Juve na sequência de dois livres batidos por Andrea Pirlo: no primeiro, negou o golo quase certo a Pogba com uma antecipação de cabeça. No segundo, tirou o golo a Tevez no ressalto de um mau alivio da defensiva Romana para os pés de El Apache. O central revelou imensa coragem ao oferecer o corpo ao morteiro que o argentino tinha disferido. Impecável no jogo aéreo e no desarme, o central que a Roma contratou ao Newcastle foi um dos homens em destaque na equipa Romana. Só não me arrisco a dizer que foi o homem do jogo da turma de Rudy Garcia porque Gervinho tinha planos para fazer mais e melhor até ao final da partida.

Faria 3 minutos depois: bola na esquerda, recepção de Gervinho, flecção em progressão do costa-marfinense para o miolo e um fabuloso passe para a diagonal de Iturbe perante a passividade da defensiva bianconera. O argentino não desperdiçou aquela bola e consumou a reviravolta no marcador aos 43″.
Com o gás todo, o costa-marfinense voltou a enfrangalhar a muralha defensiva da Juve com um rapidíssimo lance em contragolpe pela esquerda no qual deixou Cáceres para trás (o uruguaio não aguentou o esforço de perseguição ao costa-marfinense e reabriu a lesão na coxa que o tem impedido de contribuir mais para a equipa no último mês; já é a 2ª vez no espaço de poucas semanas que sai a queixar-se da coxa) correu meio-campo com a bola sem qualquer pressão vinda de um jogador da Juve, flectiu para o meio e atirou por cima da baliza de Buffon. Se o compatriota de Didier Drogba, a cumprir a 2ª época em Roma depois de uma experiência frustrante em Londres tinha dado outro destino ao seu remate, a Juve dificilmente voltaria a re-entrar na discussão da partida…

Como reentrou naquela falta inútil

de Pjanic sobre Pogba num lance em que Seydou Keita ainda estava à frente do francês e poderia facilmente ter anulado a investida do jogador da Juve. Tevez não perdoou e voltou a colocar a bola no lado esquerdo da baliza da Roma, desta vez com um remate mais puxado ao ângulo, restabelecendo a igualdade a 2.

Na 2ª parte, o jogo recomeçou com a substuição que imperava no lado da Juve. Ogbonna voltou a substituir Cáceres a meio de um partida já que o uruguaio saiu ainda antes do fim da primeira parte directamente para os balneários.

Depois de uma primeira parte intensa, o jogo baixou de ritmo. A diminuição do ritmo de jogo permitiu, por exemplo, que Paul Pogba entrasse na partida. Até aos 55″ o francês mal se viu na partida e quando pode ter a bola nos pés encostado ao lado esquerdo do ataque da Juve, congelou todas as investidas ofensivas da Vecchia Signora. Aos 50″ rematou por cima da baliza da Roma e 5 minutos depois, tomando o gosto, recebendo à entrada da área um passe de Marchisio por entre as linhas defensivas da Roma, passou pelo meio de 2 defensores romanos baqueando ao terceiro com um remate desconchabado para a linha lateral.

A Roma voltou a pegar na partida, temporariamente, a partir deste lance. Com um futebol muito simples, bem flanqueado e com diversas soluções promovidas pelas investidas individuais de Gervinho na esquerda, pela variação de jogo constante feita por Pjanic e pela rapidez de processos e soluções promovida por Naingollan, os Romanos voltaram a incomodar a baliza de Gigi Buffon quando Gervinho na esquerda arrancou em velocidade para ganhar a linha de fundo a Ogbonna e tocou para trás para Pjanic com o bósnio totalmente solto de marcação a atirar para defesa de Buffon. A Roma poderia começar a lamentar-se do seu triste fado: só perdeu em Turim porque foi uma equipa incapaz de fazer capitular a Juventus em dois momentos chave: o lance de Gervinho após o 2-1 e este de Pjanic que decerto iria quebrar os níveis anímicos da equipa da casa.

Prevendo a possibilidade de vencer em Turim, Rudy Garcia arriscou e fez entrar Florenzi para o lugar de Iturbe. O internacional italiano sub-21 poderia dar a dinâmica aquele flanco que Iturbe já não estava a dar, aproveitando a maior tendência de Asamoah para subir no terreno e o facto de Giorgio Chiellini já ter um amarelo. Allegri respondeu com a entrada de Morata.

O espanhol haveria de ficar ligado a uma das incidências negativas da partida com a expulsão após entrada duríssima sobre Manolas, a que o grego, à boa maneira dos gregos não se deixou ficar e respondeu com um empurrão seguido de uma cabeçada ao antigo jogador do Real Madrid. Pelo meio, o internacional espanhol haveria de cabecear à trave após cruzamento de Stephen Lichsteiner na direita. Foi o único registo ofensivo de destaque do suiço na partida. Nota-se que ainda não tem a melhor das formas físicas ao não promover a correria intensa e a capacidade de cruzamento que promove no lado direito do ataque da Juve e que tantas assistências para golo criou naquele flanco com o seu verticalíssimo jogo.

Até que, baralhando e dando novamente, aos 85″ veio o momento do jogo: numa combinação entre Vidal (entrado no jogo minutos antes para o lugar de Andrea Pirlo) e Tevez, o argentino rodopiou sobre Manolas já em desequilíbrio e rematou para corte do grego para canto. Do canto, a defesa romana haveria de aliviar a bola para o centro do terreno onde apareceu Leonardo Bonucci a finalizar de forma espectacular com um volley que daria os 3 pontos e a liderança isolada do campeonato à 6ª jornada para a equipa de Allegri. Não foi de espantar portanto, os efusivos festejos que o central da Juve efectuou assim que o árbitro da partida deu esta por terminada.

Momentos #21

Alberto Aquilani, Josip Ilicic e o internacional sub-21 Federico Bernardeschi (especial atenção para este jovem jogador porque está aqui o próximo grande avançado da selecção italiana) foram os autores dos golos de uma vitória bastante fácil dos Viola frente ao Dinamo de Minsk, a equipa carrasca do Nacional da Madeira nos playoffs de acesso à fase-de-grupos da competição. A equipa bielorussia não mostrou, pelo que pude ver dos dois jogos realizados nesta fase da prova, a agressividade e o veneno no contragolpe demonstrado contra a equipa insular nos playoffs.

No lado Viola, depois de um mau arranque de campeonato (a equipa de Firenze é 10ª na tabela classificativa da Serie A) com apenas 6 pontos em 5 jogos efectuados, e depois de uma fase onde a equipa em geral e os seus pontas-de-lança (Gomez, Bernardeschi, Ilicic e Khouma Boubacar; Giuseppe Rossi está novamente lesionado por algum tempo) foram amplamente criticados pela imprensa pelo défice de golos resultante das suas paupérrimas exibições no que ao capítulo da finalização concerne, pode-se dizer que o jogo da Bielorussia serviu para 2 deste lote de 4 homens de ataque sentirem a necessidade de aguçar o engenho e apontar o ponto-de-mira correcto às balizas contrárias.

Do primeiro golo da partida, apontado pelo skilled Alberto Aquilani, aponto um registo de destaque de Borja Valera na jogada com um túnel que fez toda a diferença na jogada. Com a tirada de inteligência demonstrada no lance, o espanhol baralhou por completo o seu oponente, concentrou sobre si a marcação, permitindo assim uma adequada lateralização da bola para a subida do lateral e para a consecução do cruzamento sem oposição.

Crónica #14 – Palermo 0-4 Lazio

No Renzo Barbera em Palermo, a equipa da casa recebeu a Lazio no jogo que tinha a missão de fechar a 5ª jornada da Série A. Duas equipas em apuros (ambas com 3 pontos conquistados em 4 jornadas) e dois treinadores em apuros, imensamente criticados na última semana e até com o lugar em risco (Giuseppe Iachini no Palermo; Stefano Piolo no banco da Lazio) tinham a obrigatoriedade de conquistar os 3 pontos na partida.

Com Bruno Pereirinha (Lazio) e João Silva no banco (ambos não iriam sair do banco) assisti a um jogo desenvolvido numa toada lenta (principalmente no primeiro tempo), demasiado disputado a meio-campo (muitas bolas perdidas pelos elementos das duas equipas neste sector do terreno) e acima de tudo, disputado sob uma falta de criatividade imensa de parte a parte. Apesar do Palermo ter merecido um golo na primeira parte, fruto de variadíssimas situações construídas pelo seu segundo avançado Paulo Dybala (um dos únicos jogadores em destaque na equipa do Palermo; é um avançado muito móvel que gosta de ir buscar jogo fora-da-área e utilizar a sua velocidade para criar desequilíbrios e situações de finalização para si ou para o avançado Andrea Belotti) que o próprio Dybala ou Andrea Belotti não conseguiram concretizar.

Do outro lado, a Lazio demonstrou pouca velocidade nas suas transições (exemplo claro foi a quantidade de bolas que o bósnio Sead Lulic perdeu por ter sido quase sempre demasiado lesto a soltar a bola para um companheiro) e uma apetência quase exclusiva para atacar pelo lado direito, flanco onde o lateral belga Luis Pedro Cavanda e o ala Antonio Candreva combinaram vastas vezes entre si ao longo dos 60 minutos em que o internacional italiano esteve em campo. Dele viria, contra a corrente do jogo, numa altura em que o Palermo construiu várias oportunidades de golo, o cruzamento para o primeiro golo da partida, precisamente, um dos 3 golos do avançado sérvio Filip Djordjevic na partida aos 44″.

Na segunda parte, Stefano Piolo optou por entregar a posse de bola aos homens de Iachini e por recuar as suas linhas. Com uma defesa profunda e muito pressionante a meio-campo de forma a impedir que Edgar Barreto pudesse organizar o jogo dos sicilianos de forma a furar as linhas baixas da equipa Romana, nos minutos finais, quando o Palermo já apostava tudo para chegar ao golo do empate, a Lazio aproveitou um considerável balanceamento ofensivo da equipa da casa para sair a alta velocidade para o meio-campo desta e conseguir obter mais 3 golos potr intermédio de Djordjevic aos 75 e 83 minutos e Marco Parolo aos 90. Pelo meio ficou uma grande penalidade por marcar por parte do árbitro da partida Marco Di Bello na área da Lazio.

O resultado final foi exageradíssimo mas, acima de tudo, foi penalizador para a falta de eficácia demonstrada pelo Palermo na 2ª parte. Stefano Pioli ganhou um novo balão de oxigénio com a vitória que fez ascender a Lazio ao 9º lugar com 6 pontos, os mesmos da Fiorentina que é 10ª da classificação. Conhecendo o presidente do Palermo como conheço (o excentrico Maurizio Zamparini), este não deverá demorar muitos dias até despedir Giuseppe Iachini. O Palermo continua na penúltima posição com 3 pontos, os mesmos de Empoli, Parma e Sassuolo.

 

Crónica #13 – Inter 1-4 Cagliari

Desastre. É a única palavra que me vem à cabeça para catalogar a exibição do Inter em casa. Com o auxílio de Yuto Nagatomo. O japonês cometeu a proeza de ser expulso por acumulação em 2 minutos com duas faltas completamente desnecessárias e despropositadas sobre Andrea Cossu permitindo à equipa do histórico e controverso treinador checo Zdenek Zeman, à entrada para a 6ª jornada a equipa lanterna vermelha da Série, espalhar o terror no Meazza.

Se há coisa que irrita profundamente Walter Mazzarri é uma defesa perdida e desorganizada como foi a defesa do Inter no jogo de ontem. Mazzarri pertence aquela classe de treinadores italianos que gosta de construir a identidade futebolística da sua equipa de trás para a frente, ou seja, dotando-a de estabilidade defensiva, para, num segundo momento articular todas as peças do futebol ofensivo que pretende colocar em marcha. Por isso é que, à boa moda italiana, ainda aposta num 3x5x2 (5x3x2 nos processos defensivos) com 3 centrais capazes de anular todas as formas de jogo das equipas contrárias e dois alas capazes de fazer todo o corredor, quer ofensiva quer defensivamente. Se este Inter demonstrou no ano passado alguma permeabilidade defensiva, Mazzarri pediu à direcção agora presidida pelo novo accionista maioritário do clube milanês, o indonésio Erick Thorir, reforços para aquele sector. Garantindo o experientíssimo Nemanja Vidic, central fortíssimo no jogo aéreo, na marcação e no desarme, o acutilante e agressivo Gary Medel, jogador que apesar de curto pela baixa estatura para o centro da defesa reúne as características que Mazzarri gosta num bom trinco (aliando por exemplo, o músculo que Behrami acrescentava no Napoli de Mazarri à capacidade de sair a jogar aliada a uma capacidade invulgar de colocação de passes longos que Mazzarri adorava em Gokhan Inler nos tempos vividos no clube da cidade napolitana) e o brasileiro Dodô (central de formação que na Roma foi adaptado por Rudy Garcia a lateral\ala esquerdo), juntou estes 3 jogadores a um vastíssimo conjunto de defesas de alguma qualidade que já dispunha, casos do capitão Andrea Rannochia, Jonathan, Yuto Nagatomo, Juan Jesus, Hugo Campagnaro ou Matteo Andreolli.

Perante as ausências por lesão de Campagnaro ou Jonathan, Mazzarri viu-se forçado a mexer na sua habitual defesa, fazendo entrar para o lado esquerdo Dodô, facto que levou o regresso à posição de origem de Nagatomo para ala direito. Para o lugar do Argentino colocou Andreolli, deixando Ranocchia no banco. Do meio-campo para a frente, Medel alinhou na posição de trinco, atrás da habitual dupla composta por Kovacic e Hernanes como médios interiores e uma dupla de avançados formada por Rodrigo Palácio e Pablo Osvaldo. Apesar do argentino Mauro Icardi ter regressado de lesão, viu os primeiros 70 minutos de jogo no banco de suplentes.

Do outro lado, o lanterna vermelha da Serie A, orientado pelo “cínico” Zdenek Zeman (nada cínico no pensamento mas sim na forma cínica em como as suas equipas costumam jogar) o Cagliari tem vindo a fazer um péssimo arranque de campeonato. No entanto tem um conjunto de jogadores capazes de lutar por uma época muito tranquila na Série A, casos do colombiano Victor Ibarbo à cabeça (não consigo perceber porque é que ainda não rumou a um clube com maior dimensão) do sueco Albin Ekdal, de Andrea Cossu ou do temível Marco Sau, avançado que tem se tem acostumado a figurar, época após época, na lista dos melhores marcadores da prova.

Com um meio-campo muito pressionante sobre Kovacic e Hernanes, não deixando os dois jogadores transportar o jogo para o seu meio-campo, a equipa do Cagliari obrigou desde cedo os centrais do Inter e Medel a lançarem bolas longas para a frente do ataque, quase sempre para Rodrigo Palácio ir buscar às alas e criar desequilíbrios na defensiva dos insulares através dos seus dribles. Estilo de jogo da equipa do Cagliari seria nestes primeiros minutos o mesmo que o do Inter mas por outras razões: aproveitando o poderio físico de Victor Ibarbo na direita e a velocidade de Marco Sau ou Andrea Cossu pelo centro e pela esquerda, a equipa do Cagliari estava decidida a ganhar a batalha do meio-campo e consequentemente a recuperar muitas bolas a Kovacic para depois montar venenosos contra-ataques pelas alas, corredores onde tanto Ibarbo como Cossu conseguem facilmente tirar do caminho os seus mais directos adversários e criar perigo junto das balizas contrárias.

Foi precisamente numa bola lançada em profundidade para o ataque que surgiu o primeiro golo da partida para o Cagliari ao minuto 9: Nagatomo falhou a intercepção de cabeça (creio que houve falta do jogador do Cagliari que estorvou o japonês pois baixou-se) e penteou (como se uma assistência se tratasse) a bola para Marco Sau se isolar e fuzilar Samir Handanovic com um remate forte.
O Inter foi rápido a responder, também em profundidade, num lance aos 11″: Vidic colocou a bola longa para o último terço do terreno e Pablo Osvaldo, em situação de fora-de-jogo não se fez ao lance, permitindo que Rodrigo Palácio vindo de trás, recebesse o esférico e se isolasse na cara do guardião do Cagliari. Pensando que seria assinalado fora-de-jogo pela acção do seu colega, o argentino perdeu ímpeto e permitiu uma defesa segura ao guardião visitante com um remate frouxo.

Desde logo se percebeu que o Inter iria dar uma tonalidade mais profunda ao seu jogo. Pegando no jogo à saída da área, Gary Medel meteu alguns passes longos tanto para a entrada de Palácio nos corredores como para o ala esquerdo Dodô. O antigo jogador da Roma não conseguiu colocar um único drible sobre o lateral Balzano como defensivamente deixou que Ibarbo jogasse à vontade por aquele flanco. Por isso é que Mazzarri decidiu substituí-lo ao intervalo. Com relativa facilidade, Cossu foi incomodando Nagatomo na esquerda (até lhe arrancar a expulsão) e Albin Ekdal distribuía jogo no centro sem a pressão que por exemplo exercia sobre as transições do Inter, em particular sobre Hernanes.

Resposta do Inter

Na melhor fase dos milaneses na partida de ontem, aos 17″, Palácio sofreu uma falta do central Daniel Avelar (muito seguro em quase toda a partida na vigilância ao argentino e posteriormente a Mauro Icardi) e, aproveitando uma desconcentração defensiva da equipa da Sardenha, bateu rápido para a área para Pablo Osvaldo empurrar para o empate da equipa nerazzurri. Os jogadores do Cagliari correram imediatamente para o árbitro da partida Luca Avanti, quiçá para reclamar o facto deste não ter autorizado a marcação rápida da falta.

Hernanes e Kovacic tentaram meter mais velocidade na circulação de bola da equipa, apostando em furar o bloco de pressão que era feito essencialmente por Ekdal e Dessena com rápidas transições na posse do esférico…

Viria o descalabro até ao intervalo

Aos 24″ Nagatomo comete a primeira falta sobre Cossu. Amarelo justíssimo pela entrada a ceifar. 2 minutos depois comete a segunda falta sobre o veterano extremo de 34 anos a meio-campo, num lance em que o jogador do Cagliari, sem aparante perigo apenas tentou tabelar com Albin Ekdal para ir buscar à bola à frente. Com uma falta completamente despropositada sem bola, o japonês ganhara ali de Avanti a lotaria para ir tomar banho mais cedo. Crente que a saída do japonês não iria criar desequilíbrios defensivos, Mazzarri decidiu apenas reposicionar a defesa com a colocação de Andreolli no lado direito no lugar do japonês, alinhando em 4x3x1x1 sem que por exemplo Hernanes auxiliasse o lateral a defender as rápidas investidas de Cossu pelo flanco. Do outro lado, perante a ameaça Ibarbo e as excelentes subidas do lateral Balzano, Kovacic foi raramente visto a ajudar Dodô –  Começava o inferno do Inter:
– logo no minuto seguinte, solicitado com uma abertura para o seu flanco, Victor Ibarbo tentou avançar pelo flanco direito, contemporizou, colocou atrás para Dessena e este obrigou Handanovic a uma defesa apertadíssima para a frente. Se num primeiro momento Vidic estorvou Marco Sau impedindo-o de finalizar, vindo de trás, Albin Ekdal empurrou para o fundo das redes da baliza defendida por Handanovic fazendo o 1-2.
– na sequência de um fora-de-jogo mal assinalado ao ataque do Inter após passe longo de Medel a isolar Palácio, o Ekdal voltou a colocar a bola em Ibarbo e o colombiano, um dos vastíssimos exemplos de qualidade que os cafeteros colocaram na europa, tirou um coelho da cartola ao tirar a bola do caminho dos dois defensores com um toque para a frente, correu para a área para apanhar o esférico, ganhou o lance a Juan Jesus, tirou o brasileiro do caminho para ganhar a linha de fundo e com toda a tranquilidade, aproveitando a desorientação total da defensiva do Inter assistiu o sueco Ekdal para o 1-3.

Com a equipa do Inter apanhadita das ideias,

a equipa do Cagliari limitou-se a explorar as descompensações defensivas da equipa do Inter… aproveitando a passividade defensiva em zona central Cossu tabelou com Sau à entrada da área e rematou em arco ao lado da baliza de Handanovic, aos 41″, aproveitando a passividade de Andreolli na direita Sau recebeu na área e foi prontamente derrubado em falta por Nemanja Vidic. Luca Avanti não teve dúvidas e assinalou de imediato grande penalidade a favor da equipa vinda da Sardenha. Se na transformação Andrea Cossu atirou para o lado direito uma bola com pouca velocidade que Handanovic defendeu em estilo, dando um novo balão de oxigénio aos milaneses…

na sequência do lance, o Cagliari voltou a carregar forte e feio no último terço do terreno e Albin Ekdal consumou o hat-trick na partida num lance iniciado num canto da direita. Cossu meteu a bola na área, Vidic não acompanhou a movimentação de um dos centrais do Cagliari, este tocou a bola para a confusão apanhando o sueco no sítio e na hora certa para o 4º golo da equipa de Zeman.

Já diz o ditado que em “casa arrombada, trancas à porta” – Foi precisamente esse o pensamento que Walter Mazzarri teve ao intervalo. A jogar com 10, quando deveria ter reorganizado a defesa através de uma substituição não o fez. Ao intervalo fez questão de fazer entrar Freddy Guarin para o lugar de Gary Medel e Gaetano D´Agostino para o lugar de Dodô, voltando a ensaiar um novo quarteto defensivo com o antigo jogador do Siena na direita, Vidic e Andreolli no centro e Juan Jesus no lado esquerdo. D´Agostino e Juan Jesus conseguiram estancar o perigo vindo das alas e ainda subiram muito bem no terreno para bombear bolas para as áreas.

A equipa de Zeman fez descer as suas linhas e entregou a posse à equipa do Inter. Apesar de ter tido muita posse em zona central do terreno, o melhor que a equipa do Inter conseguiu foram dois remates: um de Palácio e outro de Osvaldo, ambos na área, para defesa fácil do guardião do Cagliari. Numa segunda parte onde o jogo esteve perto de partir várias vezes, ficou a pairar no ar a sensação que o Cagliari até podia ter ampliado a vantagem para 5 ou 6-1.

A equipa de Zeman sempre que arrastava o jogo para o meio-campo do Inter na tentativa de gerir o jogo através da posse de bola, conseguiu criar mais perigo, como por exemplo no remate que o substituto Diego Farias fez à malha lateral da baliza de Handanovic após uma abertura de Ekdal do centro para o lado direito da área ou no contra-ataque conduzido por Victor Ibarbo num 2 para 3 que o colombiano magicou uma oportunidade de golo para Andrea Cossu. Valeu o corte providencial de Hernanes num lance em que Samir Handanovic estava batido.

Nos últimos 15 minutos, o jogo não teria um único momento especial. A destacar tenho apenas um cartão amarelo exibido a Freddy Guarin e ao lateral direito do Cagliari Balzano depois de ambos terem trocado uns mimos após a disputa de um lance e a entrada de Mauro Icardi na partida. O argentino não trouxe resultados práticos ao jogo com a sua exibição.

As 38 vidas de Totti

Totti

O rei dos calciatore faz hoje 38 anos.

totti 2

Totti é um dos raros exemplos hodiernos de paixão a um único clube, a AS Roma. Portanto, considere natural personificar a história dos últimos 20 anos do clube na pele do seu eterno capitão. Totti poderia ser hoje um dos jogadores com mais títulos no futebol italiano. Não o é porque nunca abdicou de jogar pelo seu clube do coração, mesmo em anos em que a Roma apresentou planteis manifestamente curtos ao nível de qualidade para lutar pelos títulos ou noutros em que Totti teve que arcar nas suas costas com a responsabilidade de carregar o orgulho romano. Restou-lhe a satisfação de saborear o scudetto em 2001 numa equipa maravilhosa que contava com grandes nomes do futebol mundial da altura como Gabriel Omar Batistuta, Aldair, Walter Samuel (hoje ainda joga ao mais alto nível na Champions pelo Basileia aos 36 anos) Cafú, Cristiano Zanetti, Eusebio DiFrancesco (na altura com 31 anos; hoje é treinador do Sassuolo), Emerson, Hidetoshi Nakata, Marcos Assunção, Dammiano Tommasi, Vincenzo Montella (actual treinador da Argentina) Marco Delvecchio ou o argentino Abel Balbo. Curiosamente esta também seria a época de estreia no clube de Daniele De Rossi, outro dos indiscutíveis hall-of-famers da equipa Romana.

Aos 38 anos, aqui fica o legado de Totti na equipa Romana e na Selecção Italiana:
– 1 Serie A em 20o0\2001
– 2 Coppa de Italia em 2006\2007 e 2007\2008
– 1 Supercopa de Itália em 2001
– Campeão Mundial em 2006
– Campeão Europeu de sub-21 em 1996
– Jogador jovem do ano na Série A em 1999
– 4 prémios de homem do jogo no Euro 2000
– Posição no melhor onze do Mundial de 2006
– Posição no melhor onze do Euro 2000
– Jogador do ano na Serie A em 2000 e 2003
– Jogador italiano do ano em 2000, 2001, 2003, 2004 e 2007
– 100 Melhores de sempre da FIFA
– 2 dos seus golos foram os melhores do ano na Serie A em 2005 e 2006
– Melhor marcador da Serie A em 2006\2007
– Bola de Ouro europeu em 2006\2007
– 5º na Bola de Ouro de 2001
– 710 jogos pela Roma
– 290 golos pela Roma
– 181 assistências pela Roma
– 58 internacionalizações séniores e 9 golos pela Squadra Azzurra
– 49 internacionalizações jovens pelas selecções italianas de sub-15 a sub-23 com 18 golos.
– Jogador com mais jogos realizados da Roma.
– Melhor marcador de sempre da história da Roma.
– Jogador com mais assistências realizadas pela Roma.
– Melhor marcador da Roma na Serie A com 235 golos
– Melhor marcador da Roma nas competições europeias com 37 golos; 16 na Champions onde também é o melhor da história dos Romanos e 21 na Liga Europa; idem.
– Jogador do clube com mais jogos realizados na Champions, na Taça UEFA\Europa League e com mais jogos realizados nas competições europeias.
_

Crónica #9 – AC Milan 0-1 Juventus

milan

Depois de duas vitórias consecutivas, uma delas categóricas por 6-3 ao Parma, os adeptos rossoneri decidiram brindar a entrada da equipa no primeiro clássico da época com uma mensagem muito bonita: “Un anno di rabbia per tornare grandi” ou como quem traduz para português “Um ano de raiva para voltar a ser grande”

O regresso de Allegri a San Siro

Era um dos focos de interesse da partida. Mais de meio ano depois, Massimiliano Allegri voltou a San Siro, desta feita para jogar contra a última equipa que orientou antes da Juve e pela qual foi campeão na época 2010\2011. Allegri foi provavelmente um dos mais injustiçados treinadores do Milan. No ano que se seguiu ao scudetto pela turma milanesa, foi traído pela direcção de Galiani, que, num piscar de olhos lhe tirou as estrelas da equipa com Zlatan Ibrahimovic e Thiago Silva à cabeça. A estes dois seguiram-se Antonio Cassano, Jerome Boateng, Alberto Aquilani ou Andrea Pirlo. Allegri foi despedido e readmitido várias vezes por Galiani e por Silvio Berlusconi, vivendo durante pelo menos 2 anos sob constante ameaça de despedimento. Até que na época passada, os terríveis resultados da equipa levaram a que a direcção do Milan finalmente cortasse as vazas ao treinador e o substituísse por um dos seus maiores criticos, o holandês Clarence Seedorf.

Vencendo nas 2 primeiras jornadas da Série A, o jogo de San Siro servia de teste às reais capacidades desta nova equipa de Milão comandada pelo histórico (nas duas equipas) Pipo Inzaghi.

Com várias ausências por lesão ou castigo, casos do guarda-redes contratado ao Real Madrid Diego Lopez, dos centrais Mexés, Alex ou Daniele Bonera, e dos médios Riccardo Montolivo (o playmaker da equipa) e Michael Essien, o antigo avançado da Squadra Azzurra foi obrigado a mudar no onze, principalmente no eixo da defesa, posições que sem impedimentos de maior são ocupados normalmente por Cristian Zapata e Philip Mexes.
Inzaghi fez então alinhar num sistema táctico 4x3x3: Christian Abbiati, Mattias DeSciglio na esquerda, Cristián Zapata e Adil Rami no eixo defensivo e Ignazio Abate na esquerda, um meio-campo em triângulo constituído por Nigel De Jong como médio mais recuado, Andrea Poli na direita e Sulley Muntari na esquerda; na frente do ataque, Keisuke Honda voltou a ocupar o lugar de extremo-direito (falta claramente um extremo direito a esta equipa; Inzaghi estará à espera que Bonera regresse de lesão para meter o central\lateral no posto de lateral-direito de forma a subir Abate no terreno), Jeremy Menez na esquerda e Stephen El-Sharaawy na frente do ataque.

Já Max Allegri não pode contar para esta partida com o cérebro Andrea Pirlo e com o defesa Andrea Barzagli. Arturo Vidal recuperou a tempo de dar o seu contributo na partida mas começou o jogo no banco. Alinhando basicamente no esquema herdado por António Conte (actual seleccionador italiano), a Juventus alinhou com: Gigi Buffon; o habitual eixo de 3 centrais constituído por Giorgio Chiellini, Leonardo Bonucci e Martin Caceres, Stephen Lichsteiner como ala direito, Kwadwo Asamoah como esquerdo; um meio-campo em triangulo invertido constituído por Cláudio Marchisio (com funções de organização de jogo), Paul Pogba como médio interior esquerdo e Roberto Pereyra (emprestado pela Udinese) no direito e um ataque formado pela dupla Fernando Llorente e Carlitos Tevez. Em destaque durante a semana passada, o argentino detonou os estreantes suecos do Malmo na 1ª jornada da Liga dos Campeões com 2 golos. El Apache está a passar por um grande momento de forma e também, pode-se dizer, por um grande momento da sua carreira em Turim.

Estava claramente à espera de um jogo mais aberto. A Juventus acabou por sair vencedora porque de facto foi a única equipa que criou oportunidades de golo para merecer os 3 pontos perante uma equipa de Milão que é bastante organizada, defende bem, sai relativamente bem em contra-ataque (ora por Menez, ora por El-Shaarawy) mas revela alguma dificuldade para fazer circular a bola em ataque organizado, principalmente quando está a ser pressionada a toda a largura do terreno e alguma lentidão no seu sector de meio-campo.

O grande Nicola Rizzoli, na minha opinião o melhor árbitro do mundo, deu inicio a uma partida onde a Juventus quis mandar no jogo de imediato através da posse de bola. Cedo se percebeu que a equipa do Milan iria tentar conter a turma bianconera através de uma defesa baixa muito bem organizada, com alguma pressão executada ao portador do esférico e com algumas marcações individuais (casos de Poli a Pogba ou Muntari a Roberto Pereyra), esperando por uma oportunidade para sair em rápidas acções em contra-ataque com poucos jogadores. Por norma, com os 3 da frente. Descurando pressão ao construtor de jogo (Claudio Marchisio) a estratégia de Inzaghi passava por não deixar que tanto o francês como o argentino articulassem o jogo vindo do seu 8 para a frente de ataque, de forma a obrigar a equipa de Allegri a praticar um jogo mais directo (para Llorente; contudo tanto Zapata como Rami são jogadores com skills no jogo aéreo) ou para as alas à procura da velocidade dos dois alas da equipa, devidamente cobertos pelos laterais do Milan (assumiram durante toda a partida uma missão totalmente defensiva) devidamente ajudados por Honda e por Nigel De Jong. O Holandês foi novamente incansável. Correu milhas para dar estabilidade defensiva no miolo dos rossoneri.

Já na maneira de defender da Juve, Allegri não mexeu uma única palha em relação ao sistema construído por Conte. Com Bonucci a controlar El-Shaarawy, Chiellini tinha a responsabilidade de marcar Honda enquanto Cáceres teria que anular Menez, permitindo que os seus alas adoptassem uma postura mais ofensiva.
A equipa piemontese tratou imediatamente de pressionar alto para obstruir a saída de jogo do Milan, fazendo uma marcação apertada ao primeiro construtor de jogo, o holandês Nigel De Jong. Com DeJong altamente condicionado, sem que Zapata seja aquele central que goste de sair a jogar (o colombiano esteve muito certinho no primeiro tempo quando foi chamado a intervir tanto em antecipação a Tevez ou Llorente sempre que solicitados, tanto no desarme) a equipa do Milan não conseguiu assentar o seu jogo.

A primeira ocasião de perigo viria aos 6″ com o argentino Roberto Pereyra a rematar de fora-da-área em zona central, sem aparente pressão de um homem do Milan por cima da barra de Christian Abbiati. Com um início de jogo algo faltoso (num lance aéreo Cáceres saltou por cima de Menez e cravou-lhe os pitons na zona da bacia) desde logo se evidenciou uma luta em particular que haveria de marcar toda a partida (Marchisio\Muntari; o ganês e o italiano disputaram com rispidez muitas bolas a meio-campo, cometendo ambos muitas faltas. Com o decorrer da partida, o italiano assentou o seu jogo e foi dele que nasceram os principais lances de perigo dos bianconeri enquanto o ganês ficou-se apenas pelo jogo faltoso. Prendendo em demasia a bola a meio-campo com as suas acções individuais algo inconsequentes, é imperceptível a razão pela qual o antigo jogador do Portsmouth ainda tem lugar no plantel deste Milan. Mesmo com Allegri, Muntari rendia muito mais jogando à frente do terreno dada a sua apetência para aparecer na área ou à entrada desta a finalizar jogadas.
O jogo foi decorrendo com alguns nervos de parte a parte, com muitos passes falhados e sem que uma equipa se evidenciasse. Se do lado milanês Jeremy Menez aparecia nos primeiros 20 minutos em todo o lado (a carregar a equipa para a frente em transições rápidas pela zona frontal, na esquerda e em tarefas defensivas), do lado da Juve era sobretudo Roberto Pereyra quem criava linhas de passe aos colegas perante uma equipa de Milão muito bem organizada.

Uma das raras ocasiões de golo dos milaneses viria ao minuto 27″ quando Muntari cruzou da esquerda para a área onde apareceu Honda entre Chiellini e Bonucci a cabecear para defesa em voo de Gigi Buffon. O japonês foi bem estorvado num momento limite por Chiellini. A partir deste lance, os rossoneri voltaram a entregar a posse à Juve, evidenciando-se a partir daí Claudio Marchisio no pensamento de jogo dos homens de Turim.

À passagem da meia-hora, Marchisio picou a bola para a entrada da área para um esforço construído pela excelente entrada de Roberto Pereyra na área, o argentino amorteceu com um toque subtil para trás, permitindo a entrada de Tevez na cara de Abbiati. O veterano guarda-redes da equipa de Milão resolveu com uma defesa para canto. Circulando a bola com mais paciência, a Juve ameaçava: aos 33″ Roberto Pereyra tabela à entrada da área com Llorente e remata para defesa para o lado de Abbiati. Neste preciso minuto, Allegri teve que mexer pela primeira vez na equipa tirando Caceres devido a um problema físico (o uruguaio estava a ser o mais agressivo e o mais invasivo dos centrais da equipa quando tinha bola) para a entrada de Angelo Ogbonna.

Poucos minutos depois a Juventus voltou a carregar, tendo como o verdadeiro carregador de piano Claudio Marchisio: primeiro picou a bola de zona central para a área, apanhando a desmarcação perfeita de Bonucci. O central tentou enganar o guardião milanês com um pente no esférico mas a bola saiu por cima. Creio que se Bonucci tem feito apenas uma simulação para deixar passar o passe tenso de Marchisio, Abbiati estaria batido. Um minuto depois seria o próprio Marchisio a ensaiar a meia distância com a bola a ir embater com estrondo no poste direito da baliza do AC Milan. Neste lance, o remate foi permitido graças a um bloqueio legal de Llorente a Zapata. Num movimento dentro da lei, o espanhol passou à frente do central não deixando que este fosse fazer oposição ao remate do seu companheiro de equipa.

Até ao intervalo, o Milan tentou responder através de um remate na direita de Jeremy Menez que levou Buffon a defender tal bola rápida como mandar os manuais de instrução dos guarda-redes, ou seja, com os punhos para os lados.
Ao intervalo, apesar de não ter jogado um futebol vistoso, a Juve já justificava a vantagem perante um Milan ultradefensivo e um bocado vazio de ideias no ataque.

Se a primeira parte foi pouco intensa, o ritmo do início da 2ª haveria de cair ligeiramente. Desaparecido na primeira parte, Paul Pogba colocou mais à esquerda junto à linha. Com outra atitude, se na primeira parte Marchisio acrescentara mais objectividade à equipa, na 2ª, Pogba acabaria por ser decisivo nos 3 pontos conquistados pela Juve em Milão.

Num primeiro momento, aos 58″ Pogba recuperou uma bola a meio-campo a Muntari, numa daquelas situações em que o ganês se mostrou lesto a soltar a bola em terrenos proibidos e rematou com algum perigo à baliza de Abbiati. O seu remate haveria de ser desviado por um defensor.
Num segundo momento, o francês começou a por a sua inteligência em campo para abalar as fortes estruturas defensivas da equipa de Inzaghi com processos ofensivos simples, ora tentando acções individuais de 1×1 na esquerda, ora iniciando um carrossel de tabelinhas com Tevez, Marchisio e Pereyra a meio-campo para furar rapidamente o povoadíssimo miolo milanês. Não deixando o Milan sair de trás com pressão alta, facto que obrigou a equipa milanesa a bombear bolas para a frente à procura essencialmente de Menez (tudo muito confortável para os centrais da Juve), a equipa de Allegri tratou de montar a teia onde Pogba foi a aranha-mestre de tudo quando Marchisio colocou em Pogba à entrada da área e o francês, arrastando consigo 3 defensores que se encontravam nas suas imediações libertou nas costas para a entrada de Tevez já na área e consequente remate triunfal na cara de Abbiati. Cínica as always esta equipa da Juve só precisou de apanhar o primeiro erro de posicionamento dos defensores milaneses na 2ª parte para marcar o único golo da partida.

Inzaghi mexeu na equipa e no sistema táctico. Primeiro com a entrada do antigo jogador da Atalanta Bonaventura em campo para o lugar de El-Shaarawy (muito apagado), depois com a entrada de Torres para o lugar de Poli e Pazzini para o lugar de Honda, fazendo a equipa alinhar num 4x4x2 com Menez à direita, Bonaventura à esquerda e uma dupla de ponta-de-lanças constituída por Torres e Pazzini. Sem grandes efeitos práticos. Tanto o espanhol (entreante na equipa milanesa) como o extremo\avançado contratado à equipa de Bergamo foram inofensivos. Durante os 20 minutos finais, o Milan foi incapaz de esboçar uma reacção ao golo da Juve, não criando uma única jogada de perigo. Após o golo, Allegri jogou muito bem ao refrescar o flanco direito com a entrada do brasileiro Romulo para o lugar do apagadíssimo Steph Lichsteiner e com a entrada de Vidal para refrescar o miolo. O Chileno refrescou a batalha do meio-campo, secou Muntari e em dois lances ainda recebeu dois mimos (uma entrada a varrer que valeu o amarelo ao ganês e uma cotovelada) do jogador africano. Pelo meio, as duas equipas reclamaram ambas uma grande penalidade: a primeira num lance em que Rami protegeu o esférico de Pogba (o africano deixou-se cair à procura de mais) e noutra em que Jeremy Menez, ao tentar ultrapassar Claudio Marchisio com uma finta dentro da área aproveitou a estabelecidade posição do médio em sua oposição para tentar arrastar o pé junto do pé do adversário para cravar uma grande penalidade.

Vitória justa da Juventus perante um Milan que necessita de mais criatividade e acima de tudo de mais qualidade de soluções de plantel para poder finalmente regressar aos grandes exitos na Série A. Contudo, a equipa milanesa estará no bom caminho para conseguir sacar um lugar europeu nesta época.